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Fylkeskommunenes rolle

3. V OKSENAGRONOM I DAG

3.4 Fylkeskommunenes rolle

Inicialmente, cabe ressaltar a complexidade, ou “ousadia”, de reunir em um mesmo “arcabouço” três movimentos distintos, mas não paralelos - a fenomenologia interpretativa, a

etnografia e a grounded theory interpretatitivista -, que, com origens tão diversas e desenvolvidos por autores com formação tão diferenciada, acaba por tornar a tarefa bastante complexa e sujeita a debates e contestações. Porém, a proposta é tentar conciliar novas epistemologias e metodologias ainda pouco tradicionais para a compreensão do consumidor com base em uma convergência de metodologias oriundas de diferentes disciplinas e a partir de uma perspectiva preocupada com o entendimento do marketing como fenômeno social constituído por ações cotidianas. Complementarmente, pretende-se direcionar esforços no sentido de vislumbrar o estabelecimento de uma “lógica” de pesquisa que permita a

construção de “pequenas” teorias preocupadas em efetivamente dialogar com a “realidade” dos sujeitos pesquisados, tratando os consumidores em relação uns com os outros e com o mundo próprio deles, com o intuito de investigar toda a riqueza de situações proporcionadas

pelo cotidiano, pela “vida vivida” no dia a dia.

A ideia de conciliar os três “movimentos” surgiu justamente de uma preocupação

originada na percepção de que os estudos interpretativos em geral, de caráter fenomenológico e/ou etnográfico em particular, tendem a negligenciar o potencial e a relevância teórica das suas pesquisas sob o argumento de que a preocupação primeira e fundamental deve ser o

“trabalho de campo” e a “voz dos informantes” (particular/etnográfico/fenomenológico). Essa

proximidade com o “campo”, sempre ressaltada como característica distintiva e grande força da pesquisa interpretativista, pode ser, ao mesmo tempo, sua maior limitação quando se fala

da necessidade de construir proposições teóricas mais “formais, sistemáticas e abrangentes”.

Apesar de bem fundamentados empiricamente e muito informativos, poucos são os trabalhos desse tipo que têm produzido novas formulações teóricas ou que, pelo menos, fazem uma

ligação “clara e limpa” com as teorias existentes (SNOW, MORRILL e ANDERSON, 2003). É justamente nessa “lacuna” que se insere o pesquisador da grounded theory, que, por meio da concepção de uma teoria fundamentada em dados representativos da “realidade”

(comportamentos, palavras, e ações) dos sujeitos estudados, acaba por captar e descrever a lógica da sua visão de mundo e em uma relação de troca, comparar suas próprias

representações e teorias com as representações e teorias “nativas” e, assim, tentar sair com um

modelo novo de entendimento ou, ao menos, com uma pista nova, não prevista anteriormente. Assim, enquanto a adoção de um estilo grounded theory auxilia o pesquisador (fenomenólogo-etnógrafo) a lidar com a “riqueza” dos dados “de perto e de dentro” que obtém de forma mais focada, sistemática e integrada, permitindo que ele amplie as fronteiras

analíticas e a sofisticação teórica do seu trabalho “de campo”, uma postura fenomenológica-

etnográfica certamente colabora de maneira decisiva para humanizar a grounded theory, para reduzir a distância entre a teoria fundamentada e “a realidade que a fundamenta”, aproximando os pesquisadores do contexto e dos informantes da pesquisa, de modo que ele possa entender as experiências não só a partir de como as pessoas falam sobre ela, mas

também de como elas são “realmente” vividas.

Em outras palavras, a contribuição da proposta do “arcabouço” para uma pesquisa

interpretativista do consumidor baseada na fenomenologia, na etnografia e na grounded

abordagens. Ainda que estas epistemologias e metodologias já tenham sido utilizadas em alguns trabalhos no Brasil, o que parece relevante é a tentativa de conjugá-las em um mesmo

“desenho” de pesquisa. Nesse sentido, enquanto a fenomenologia contribuiria com a busca do

entendimento das experiências a partir do ponto de vista dos consumidores, a etnografia ofereceria condições de estar em campo, de dar oportunidade aos pesquisadores de vivenciar o dia a dia dos consumidores no seu ambiente e construir um conhecimento “comum” a ambos. Por sua vez, com a grounded theory o pesquisador teria a possibilidade de ir além das

descrições, tão comuns nos estudos etnográficos, com a “construção” de uma teoria focada

naquela situação específica. Tudo isso no escopo do interpretativismo.

Por fim, cabe salientar que a proposta do “arcabouço” se adere aos objetivos da

pesquisa pelo menos por dois motivos. Primeiro, porque tanto os estudos com base no

interpretativismo como as características essenciais dos três “movimentos” (fenomenologia,

etnografia e grounded theory) podem contribuir para investigações que incorporam no consumo diversos aspectos experienciais, principalmente quando o destaque está na dimensão social e no significado simbólico-cultural. Segundo, porque a intenção do trabalho aqui

proposto caminha no sentido de contribuir para a construção de “ricas” descrições da nossa

realidade cotidiana, alternativas à literatura predominantemente estrangeira, fundamentadas nas peculiaridades culturais e sociais do consumidor brasileiro. Atrelada à construção das descrições, faz-se necessária a busca pela construção de teorias locais que, no mesmo sentido das descrições, possam contribuir para o entendimento da realidade nacional. Essa

“inclinação” pela “teorização” se deve à percepção de que se, de um lado, muitos bons trabalhos de caráter descritivo já foram realizados no Brasil, de outro, poucos têm se “ousado”

a encarar o desafio do desenvolvimento teórico local, seja pela extensão, seja pelo refinamento de teorias existentes, seja pela construção de novas teorias.

Feitas as devidas explanações acerca do posicionamento epistemológico e da proposta metodológica proposta para a condução da pesquisa empírica que compõe a tese, é possível estender a discussão para os procedimentos metodológicos que guiaram o trabalho de campo e a análise dos resultados que culminaram com a elaboração da teoria substantiva da experiência de consumo de eletrônicos por pobres urbanos.