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Fylkeskommunale modellen

4. R AMMENE FOR EN NASJONAL MODELL

4.4 Fylkeskommunale modellen

O “locus” no qual a pesquisa foi desenvolvida está situado em uma das áreas mais pobres do município de Belo Horizonte denominada “Aglomerado da Serra”, composta por

diversas vilas, entre elas: Nossa Senhora de Fátima, Nossa Senhora da Aparecida, Nossa Senhora da Conceição, Santana do Cafezal, Vitório Marçola e Cafezal. Essas vilas estão localizadas em terreno de acentuada declividade, sendo cortado por nascentes e córregos em encostas íngremes, e algumas áreas apresentam risco geológico em grau alto e muito alto (PREFEITURA DE BELO HORIZONTE, 2008).

O Aglomerado da Serra está situado na Regional2 Centro-Sul (FIG. 6), que pode ser considerada a que apresenta os melhores resultados para os indicadores de renda, anos de estudo e taxa de alfabetização do município, conforme pode ser visualizado na TAB. 6.

FIGURA 6 – Localização do bairro Aglomerado da Serra

Fonte: Prefeitura de Belo Horizonte (2008)

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As Regionais Administrativas são divisões políticas do município de Belo Horizonte utilizadas para fins de

descentralização administrativa. Atualmente, são nove Regiões Administrativas: Centro-Sul, Pampulha, Oeste, Leste, Noroeste, Nordeste, Venda Nova, Norte e Barreiro.

Neste estudo, para fins de caracterização da área do Aglomerado da Serra, serão utilizados os dados do Censo de 2000 relativos à Unidade de Planejamento (UP)3 Cafezal, que se assemelha bastante a essa área. Sendo assim, pode-se afirmar que a região onde será conduzida a pesquisa está entre as quatro últimas colocações na classificação geral das UP em todos os três indicadores. Ou seja, os dados parecem comprovar que o Aglomerado, apesar de ser formado por moradores de baixa renda, está localizado em uma área relativamente nobre

da cidade, o que representa uma “ilha” de população de baixa renda nessa região (TAB. 6).

TABELA 6 – Renda média do responsável pelo domicílio, taxa de alfabetismo e média de anos de estudo, por regionais do município de Belo Horizonte - 2000

REGIONAIS RENDA MÉDIA (EM

SM)

%ALFABETISMO MÉDIA DE ANOS DE ESTUDO Centro-Sul 13,6 95,29 11,29 Pampulha 8,2 94,29 8,73 Oeste 7,4 92,61 8,08 Leste 6,1 92,70 7,46 Noroeste 5,3 93,96 7,29 Nordeste 5,5 92,67 6,89 Venda Nova 3,9 91,36 5,76 Norte 3,7 90,96 5,65 Barreiro 3,6 91,41 5,43

Fonte: IBGE - Censo Demográfico de 2000

No tocante à renda média do chefe de domicílio, pode-se afirmar que a renda média dos habitantes do Aglomerado representa 15,11% da renda média da Regional e 31,33% da renda média do município. Quando comparada com as UP de maior e menor valor, pode-se comprovar que a população do Aglomerado tem uma renda média de 9,66% da maior e de 120,38% da menor. Ou seja, essa população tem uma renda média 20,38% maior que a UP de menor renda média.

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Unidades de Planejamento são unidades espaciais que reúnem um ou mais bairros e favelas, com características homogêneas de ocupação de solo e respeitando-se os limites das barreiras físicas, naturais ou construídas, utilizadas pela Prefeitura de Belo Horizonte com fins de planejamento.

TABELA 7 – População, renda média do responsável pelo domicílio e anos de estudo para a Regional Centro-Sul e algumas Unidades de Planejamento desta Regional - Município de

Belo Horizonte – 2000

UP POPULAÇÃO RENDA MÉDIA (EM

SM) MÉDIA DE ANOS DE ESTUDO Belvedere 4.733 21,3 13,54 Savassi 46.522 16,2 12,23 Anchieta/Sion 42.956 16,7 13,02

São Bento/Santa Lúcia 13.127 16,0 12,27

Santo Antônio 22.450 16,0 13,02 Prudente de Morais 17.411 15,2 12,63 Serra 22.971 15,2 12,52 Francisco Sales 8.374 13,2 11,79 Barro Preto 6.235 10,0 11,29 Centro 14.399 9,6 10,78 Cafezal 33.341 2,1 3,91 Barragem 14.221 1,7 3,66 Centro-Sul 260.524 13,6 11,29 Belo Horizonte 2,238.526 6,6 7,48

Fonte: IBGE - Censo Demográfico de 2000

A TAB. 8 também apresenta dados que confirmam que a área onde foi conduzida a pesquisa é composta por uma população de baixa renda, pois em 2000 cerca 56% dos domicílios eram compostos por moradores que tinham um rendimento mensal de até 2 salários mínimos.

Já com relação aos anos de estudo, os habitantes do Aglomerado apresentam uma média de anos de estudo do chefe de família correspondente a 34,62% da média da Regional Centro-Sul, 52,28% da média municipal, 28,87% da média da UP mais bem colocada e 106,70% da mais mal colocada.

Passando à análise de aspectos populacionais, os dados, que podem ser visualizados na TAB. 9, mostram que a UP onde foi conduzida a pesquisa (Cafezal) possui uma densidade demográfica bastante elevada se comparada seja com a densidade do município, da Regional Centro-Sul, ou das demais UP componentes da Regional Centro-sul, sendo superada somente pela UP Barragem. Isso acontece porque o tipo de ocupação do solo nesse tipo de região é caracterizado por alta densidade demográfica, com pequenos lotes, irregularmente distribuídos.

TABELA 8 – Classes de rendimento mensal por UP da Região Centro-Sul do município de Belo Horizonte - 2000

DOMICÍLIOS PARTICULARES PERMANENTES

CLASSES DE RENDIMENTO MENSAL DOMICILIAR (EM SALÁRIOS MÍNIMOS) ATÉ ½ MAIS DE ½ A 1 MAIS DE 1 A 2 MAIS DE 2 A 3 MAIS DE 3 A 5 MAIS DE 5 A 10 MAIS DE 10 A 15 MAIS DE 15 A 20 MAIS DE 20 SR Barro Preto 0,08% 2,63% 4,59% 5,77% 15,57% 30,80% 14,75% 10,04% 13,10% 2,67% Centro 0,02% 2,51% 5,09% 6,57% 16,74% 32,96% 13,16% 9,10% 11,76% 2,08% Francisco Sales 0,14% 1,81% 3,07% 3,55% 9,01% 25,56% 14,40% 14,44% 25,63% 2,39% Savassi 0,04% 0,91% 1,84% 1,94% 5,72% 16,28% 11,62% 13,40% 45,96% 2,30% P. de Morais 0,11% 1,85% 3,54% 2,35% 5,11% 16,36% 11,72% 14,88% 40,85% 3,24% Santo Antônio 0,04% 0,97% 1,75% 1,58% 4,93% 19,14% 13,94% 15,92% 39,04% 2,69% Anchieta/Sion 0,04% 0,93% 1,60% 1,63% 4,80% 17,07% 12,98% 15,25% 43,63% 2,07% Serra 0,27% 1,75% 2,44% 2,44% 6,18% 18,55% 11,62% 14,26% 40,45% 2,04% Mangabeiras 0,41% 10,09% 13,59% 6,82% 4,43% 5,71% 4,26% 7,35% 43,38% 3,97% São Bento 0,08% 3,67% 4,82% 2,96% 4,71% 11,47% 9,30% 13,70% 45,05% 4,23% Belvedere 0,00% 0,08% 0,91% 0,58% 1,40% 5,94% 7,83% 12,04% 70,65% 0,58% Barragem 1,34% 26,94% 31,62% 13,25% 7,75% 2,87% 0,33% 0,19% 0,38% 15,33% Cafezal 0,90% 23,53% 32,96% 14,54% 9,21% 4,56% 0,86% 0,30% 0,58% 12,55% Região Centro Sul 0,22% 4,95% 7,09% 4,31% 7,02% 13,63% 10,56% 11,77% 33,43% 4,03%

Fonte: IBGE - Censo Demográfico de 2000

TABELA 9 – População, área e densidade populacional para o município de Belo Horizonte, para a regional Centro-Sul e suas UP correspondentes - 2000

UP ÁREA (KM2) POPULAÇÃO DENSIDADE

DEMOGRÁFICA Barro Preto 1,13 6.325 5.597 Centro 1,83 14.399 7.868 Francisco Sales 1,54 8.374 5.438 Savassi 4,18 45.522 10.890 Prudente de Morais 1,83 17.411 9.514 Santo Antônio 1,91 28.450 14.895 Anchieta/Sion 2,55 42.956 16.845 Serra 1,72 22.971 13.355 Mangabeiras 7,25 5.974 824

São Bento/Santa Lúcia 2,83 13.187 4660

Belvedere 3,88 4.733 1.220

Barragem 0,46 14.881 32350

Cafezal 1,26 33.341 26.461

Região Centro-Sul 32,49 260.524 8.019

Belo Horizonte 330,98 2.238.526 6.763

Vale ressaltar que esses números correspondem a uma média da UP Cafezal e que refletem a realidade da área do Aglomerado da Serra. Contudo, observa-se que, à medida que se alcançam áreas mais altas do bairro, é sensivelmente percebida a diminuição das condições de vida das pessoas que ali habitam.

Dessa forma, conforme discutido anteriormente, como a região do Aglomerado da Serra é geograficamente extensa e possui uma população bastante numerosa, para efeitos de um estudo etnográfico, optou-se por limitar o espaço da pesquisa em somente uma das vilas que compõem o Aglomerado, a vila Cafezal. Vale destacar, todavia, que na prática a divisão do Aglomerado em diversas vilas trata-se apenas de “formalismo” adotado pela Prefeitura de Belo Horizonte, uma vez que não existe uma delimitação exata dessas divisões, o que também não é percebido pelos moradores.

A FIG. 7 e a FIG. 8 permitem uma visualização de algumas partes da Vila Cafezal.

FIGURA 7 – Vista parcial da Vila do Cafezal Fonte: Foto tirada pelo autor (2008)

FIGURA 8 – Vista parcial de uma parte do Aglomerado da Serra Fonte: Foto tirada pelo autor (2008)

A escolha da Vila Cafezal como locus de pesquisa se justificou por alguns motivos. Em primeiro lugar, porque trata-se de um região carente, que parece apresentar características muito próximas de outras áreas de baixa renda localizadas em outras cidades brasileiras. Em segundo lugar, é uma das regiões mais carentes da Capital mineira, que está incrustada ou cercada por áreas nobres e bairros residenciais de alta renda e, portanto, considerados sofisticados de Belo Horizonte. Por fim, muitos dos integrantes das famílias que serão entrevistados têm acesso a informações de lançamentos, venda e promoções de produtos eletrônicos seja por meio tanto dos veículos de comunicação de massa ou por conversas

informais com amigos, parentes e “patrões” quanto em visitas à shoppings centers e lojas que

estão localizadas muito próximas à região.

6.4 – Trabalho de campo

Uma vez que a proposta de desenvolvimento deste trabalho baseou-se na conjugação

da pesquisa de “inspiração” fenomenológica, aliada aos procedimentos de uma etnografia e ao

método da grounded theory, torna-se importante justificar que na pesquisa que se conduz nas cidades, em um universo cultural comum ao investigador, a participação é antes subjetiva do

que objetiva. Isso leva à constatação de que raramente o pesquisador precisa residir com a população que estuda e não necessita compartilhar com as suas condições de existência, isto é, de suas carências, de suas dificuldades concretas em garantir a sobrevivência do dia a dia. Porém, o pesquisador deve buscar na interação simbólica a identificação com os valores e aspirações da população que estuda. Com efeito, esse tipo de investigação tem forte tradição na antropologia brasileira, pois trata-se menos de uma antropologia da cidade do que de uma antropologia na cidade - ou seja, estudos voltados para populações que vivem nas cidades (DURHAM, 1986).

Dadas as características da pesquisa, cumpre ressaltar a importância do trabalho de campo, pois ele é o elemento mais característico da pesquisa etnográfica. O trabalho de campo pressupõe uma interiorização por parte do pesquisador das significações que os indivíduos atribuem aos seus comportamentos, implicando uma integração do observador no trabalho de campo. Dois aspectos são importantes para o emprego da etnografia. O primeiro refere-se ao recurso da tomada de notas e da elaboração sistemática do diário de campo. O segundo aspecto refere-se à complementaridade de outros procedimentos para a coleta de dados durante o trabalho de campo: análise de documentos, entrevistas semiestruturadas e a história de vida (ANDION e SERVA, 2006).

O trabalho de campo iniciou-se ainda no período de elaboração do projeto da tese, quando passei a conversar informalmente com os moradores, a fim de identificar alguns traços básicos do cotidiano deles, e a compreender a dinâmica das relações entre eles. Essa fase do trabalho, de forma não sistemática e eminentemente exploratória, aconteceu durante os meses de janeiro a maio de 2008 e não contou com o apoio de nenhum instrumento de pesquisa além da anotação de algumas notas sobre aspectos que considerava relevante. Posteriormente, essa fase mostrou-se interessante, porque possibilitou conhecer pessoas que seriam informantes da pesquisa. Além disso, facilitou a tarefa de construção de um roteiro inicial de entrevista e de observação.

A segunda fase do trabalho de campo, que estendeu dos meses de maio de 2008 a fevereiro de 2009 foi marcada por conversas informais e visita às casas dos moradores e, principalmente, pela realização de entrevistas semiestruturadas. Nas visitas às casas dos moradores, busquei sempre perceber detalhes no tocante ao acabamento, organização e decoração dos móveis, lugar de instalação dos aparelhos ou qualquer outro aspecto que pudesse contribuir para o entendimento do dia a dia desses indivíduos. A próxima seção detalhará como foi a construção dos roteiros de entrevista e observação.

Finalmente, a terceira fase do trabalho de campo teve por objetivo fazer checagens com algumas das entrevistadas acerca de algumas categorias que emergiram da análise executadas e tentar aumentar a densidade da teoria em construção. Essa fase aconteceu no mês de março de 2009 e marcou o fim do trabalho de campo, pois julguei que havia atingido o

que Strauss e Corbin (2008) chamam de “saturação teórica”, que pode ser descrita como “o

ponto no desenvolvimento da teoria em que não surgem novas propriedades, dimensões ou

relações durante a análise” (p. 143).

Fetterman (1998) salienta algumas questões ou “princípios”, que não devem ser

negligenciados por pesquisadores que se engajam em uma pesquisa de cunho etnográfico: permissão, honestidade, confiança, anonimato, reciprocidade e trabalho rigoroso. Com relação

ao “princípio” da permissão, o pesquisador etnógrafo deve obter consentimento, formal ou

não, por parte das pessoas envolvidas para conduzir seu trabalho. No caso desta tese, a todos os entrevistados foi explicado o objetivo do trabalho e seu papel na condução das entrevistas e na observação. Em algumas situações, por exemplo, algumas entrevistadas se negaram a conceder entrevistas, mas aceitaram conversar informalmente, o que foi de grande valia.

Outro “princípio” é o da honestidade, que enfatiza a importância de o pesquisador estar

sempre disposto a dar explicações sobre o trabalho conduzido em campo. Nesse sentido, todas as vezes que algum morador mais curioso inquiria-me sobre o trabalho, tinha o maior cuidado

em explicar todos os detalhes até que ele se sentisse satisfeito. Já o “princípio” da confiança é

essencial para um trabalho etnográfico, visto que todos os entrevistados e envolvidos na investigação devem confiar no pesquisador, a fim de que ele possa “penetrar” nos vários níveis de significado pertencentes a cada ação e fato observado. Para responder adequadamente a esse princípio, optei por buscar construir uma relação de confiança com cada entrevistada antes de conduzir qualquer observação em sua casa ou de conduzir a

entrevista. O “princípio” do anonimato leva em consideração que o pesquisador deve, na

medida do possível, evitar revelar nomes ou situações que possam causar algum tipo de transtorno ou risco para as pessoas envolvidas. Assim, decidi omitir nomes das entrevistadas,

criando para cada uma delas um nome fictício. Por sua vez, o “princípio” da reciprocidade

estabelece que o pesquisador pode participar ou contribuir de alguma forma com atividades pertencentes ao grupo pesquisado. No caso deste trabalho, posso afirmar que por diversas vezes fui convocado para auxiliar em alguma ação beneficente no bairro, convidado a contribuir com auxílio financeiro para a construção de alguma casa, invitado a doar roupas ou móveis para as muitas famílias carentes, sem contar as ocasiões que a mim foi solicitada a

condução de algum doente para um hospital. Por fim, para atender ao “princípio” do trabalho

rigoroso, é possível apontar, conforme dito anteriormente, que o trabalho de campo estendeu- se de janeiro de 2008 a março de 2009, período no qual foi possível conviver com o público da pesquisa, conduzir observações e gravar entrevistas.

Nesse ponto, acerca do trabalho de campo, não poderia deixar de destacar alguns pontos. Diante da riqueza de detalhes de cada conversa e visita, os principais aspectos de cada situação vividos por mim foram registrados em diários de campo, nos quais, além dos acontecimentos e descrições, havia a preocupação em se descrever os sentimentos do pesquisador e algumas interpretações que julgava pertinente atinentes tanto ao dia a dia dos informantes quanto aos seus discursos e práticas. O diário de campo, também chamado de

“notas de campo”, é uma ferramenta importante para a pesquisa etnográfica, pois caracteriza-

se pelo registro detalhado das observações do etnógrafo, bem como interpretações e sugestões feitas por ele (AGAR, 1980). Ao longo do trabalho de campo foram geradas mais de 60 páginas de diários de campo, digitadas em espaço simples.

Como passei a frequentar o bairro, no mínimo, uma vez por semana, ao longo do trabalho de campo fui me tornando conhecido pelas pessoas do bairro, o que facilitou, por muitas vezes, conversar informalmente com elas. Não poderia deixar de registrar, por algumas vezes, ocasiões em que consegui identificar muito claramente alguma expressão ou situação que era coincidente com a descrição de autores que já haviam investigado o cotidiano de consumidores pobres em alguma outra região do Brasil. Essa sensação é especialmente interessante para os pesquisadores que optam por uma abordagem mais interpretativista para suas investigações da realidade.