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3.2.1. As entrevistas semiestruturadas

Para atingir os objetivos desta pesquisa fiz a opção por tomar os dados a partir da Entrevista Semiestruturada “[...] que se desenrola a partir de um esquema básico, porém não aplicado rigidamente, permitindo que o entrevistador faça as necessárias adaptações” (LÜDKE; ANDRÉ, 1986, p. 32).

Escolhi a entrevista, ao invés de um questionário, exatamente por sua possibilidade de apresentar de maneira mais ampla as opiniões, compreensões, concepções, enfim, as ideias dos licenciandos. Ao falar, nos sentimos mais livres e o roteiro, cuja única função é garantir o foco da entrevista, nunca foi uma amarra, de modo que a entrevista pode transcorrer em um clima de conversa, tendo os licenciandos total liberdade para discorrerem sobre o que considerassem importante.

Assim, Lüdke e André (1986, p. 37) ressaltam ainda que a coleta de dados a partir da entrevista possui várias vantagens se comparada a outras técnicas, dentre elas, permitir “[...] a captação imediata e corrente da informação desejada, praticamente com qualquer tipo de informante e sobre os mais variados tópicos”.

Para as duas turmas os roteiros das entrevistas foram praticamente os mesmos (Apêndice 1), lembrando, no entanto, que nesse tipo de metodologia de coleta de dados, as respostas dos entrevistados podem conduzir a outros desdobramentos que não estavam originalmente planejados ou podem ajudar a suprimir algumas perguntas que já tenham sido respondidas. Tudo isso faz com que cada entrevista possua uma especificidade, apesar de seguirem um mesmo roteiro.

Isso porque em uma entrevista semiestruturada:

O entrevistador tem a liberdade para desenvolver cada situação em qualquer direção que considere adequada. É uma forma de poder explorar mais amplamente uma questão. Em geral, as perguntas são abertas e podem ser respondidas dentro de uma conversação informal (LAKATOS; MARCONI, 2003, p. 197).

Apesar de a entrevista ter seguido todas as diretrizes do Conselho de Ética, é importante ressaltar que essa conversação informal a qual se referem as autoras foi atingida com as duas turmas. Uma das preocupações que surgiram quando decidi investigar minha própria prática foi, a partir do ponto de vista pessoal, confundir os

papéis de professora e pesquisadora, me dedicar mais a um e acabar relevando outro. Mas, minha maior inquietação era com relação aos alunos, se eles se sentiriam a vontade para participar da pesquisa, exprimir suas opiniões com liberdade a respeito das atividades realizadas, do referencial teórico, da condução do próprio projeto ou se o papel de professora seria mais relevante para eles que o de pesquisadora, levando-os a não se envolverem totalmente com a pesquisa por temer uma imposição de poder de minha parte.

No entanto, a condução das entrevistas foi bastante tranquila, as duas turmas já haviam terminado suas atividades discentes na disciplina quando as entrevistas se deram e, dessa forma, não precisavam temer quaisquer represálias (não que elas tivessem acontecido). As entrevistas que foram gravadas e posteriormente transcritas aconteceram dentro da própria UESC, mediante a um agendamento com os licenciandos a partir de suas disponibilidades de horário.

3.2.2. Os projetos

Como dito anteriormente, os licenciandos da disciplina de Estágio II desenvolveram projetos de extensão pautados na divulgação e alfabetização científicas a partir da perspectiva curricular CTS para o Caminhão com Ciência.

Os licenciandos da turma 2012.2 utilizaram os filmes cinematográficos para discutir, a partir da perspectiva curricular CTS, um conceito científico de sua escolha da área da Biologia, Física ou Química, uma vez que como professores de ciências poderão ministrar aulas nessas três disciplinas.

A turma 2013.1 desenvolveu seus projetos de extensão a partir das temáticas socialmente relevantes água, alimentação e doenças. As temáticas vieram de um levantamento realizado em duas Iniciações Científicas14 (IC) que orientei e que serão mais bem explicadas na metodologia de intervenção.

3.2.3. As observações em sala

No decorrer da disciplina de Estágio II com a turma 2012.2, não houve uma observação sistemática da sala e/ou das intervenções que realizei tanto conduzindo a discussão dos textos utilizados quanto no próprio desenvolvimento dos projetos. Esse foi um dos momentos, já citados, que acredito que meu papel de professora passou muito adiante do de pesquisadora. A ideia de introduzir algo novo, os filmes cinematográficos, acabou se tornando uma atividade que ocupou muito mais minha atenção do que as igualmente importantes fases de tomada sistematizada de dados a respeito do processo de intervenção.

Assim, as percepções e trajetórias dos licenciandos para essa turma podem ser percebidas somente por meio das entrevistas realizadas com os que concordaram em participar da pesquisa, lembrando que somente um aluno, dos seis participantes não manifestou interesse em tomar parte da mesma. Apesar de retroativamente me lembrar de estranhamentos dos licenciandos com o referencial, sobretudo com relação à perspectiva curricular CTS, não realizei quaisquer anotações na época, em parte talvez porque a compreensão e uma maior definição da pesquisa ainda me escapassem.

No entanto, observações sistemáticas, na forma de anotações pessoais foram feitas no decorrer da disciplina com a turma 2013.1.

Lüdke e André (1986) chamam a atenção para um fator importante no uso da observação como metodologia de coleta de dados: o grau de participação do pesquisador. Na presente pesquisa, como me alternava em papéis de pesquisadora e professora, minha observação se caracteriza como do tipo participante, uma vez que me envolvi diretamente com a escolha dos textos a serem lidos pela turma, a condução das discussões, a correção e (re)direcionamento dos projetos etc.

Algumas poucas aulas foram filmadas e durante as demais, as observações foram registradas por meio de anotações das temáticas, dúvidas, posicionamentos, estranhamentos e intervenções que julguei mais importantes para a elucidação dos objetivos dessa pesquisa.