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8.2 Future work

Sassaki (2006) indica que as práticas sociais existem em diversas formas: a exclusão social, o atendimento segregado, a integração social e a inclusão social.

• Exclusão social. A exclusão social caracteriza-se pela exclusão das pessoas com deficiência da realização de qualquer atividade na sociedade, pois nessa prática essas pessoas são consideradas inválidas, sem utilidade ou incapazes para trabalhar (SASSAKI, 2006), e no caso dos jogos, essa prática social pode ser percebida por meio de jogos que, por exemplo, não incluem legendas, o que poderia excluir jogadoras com deficiência

auditiva como sua audiência. Sassaki (2006) aponta que em algumas culturas a prática da exclusão social resulta no extermínio das pessoas com deficiência, enquanto que outras culturas internam estas pessoas em instituições de caridade, juntamente com doentes e idosos, nas quais os internos recebem alimento, cuidados médicos e atividades para ocupar o tempo ocioso;

• Atendimento segregado. O atendimento segregado, denominado paradigma da Institucionalização por Aranha (2001), deriva da exclusão social quando as instituições que atendem as pessoas com deficiência começam a se especializar em deficiências específicas (SASSAKI, 2006), que no caso dos jogos, pode ocorrer quando um jogo é desenvolvido tendo como público almejado, por exemplo, somente pessoas com deficiência visual, desconsiderando assim, outros públicos potenciais. Essa prática social fomentou a criação de instituições, também nomeadas Instituições Totais (ARANHA, 2001), que têm como objetivo prover internamente, todos os serviços possíveis (saúde, educação, esportes, entre outros), uma vez que a sociedade não aceita receber as pessoas com deficiência nos serviços já existentes, o que resulta em instituições como escolas especiais, centros de habilitação, oficinas de trabalho protegidas, clubes sociais especiais e associações desportivas especiais (SASSAKI, 2006). Deste modo, as pessoas com deficiência são mantidas isoladas do resto da sociedade ou elas se mantêm nestas instituições por falta de sentimento de pertencimento na sociedade, o que muitas vezes tornam estas pessoas incapazes de retornar ao convívio em sociedade caso possam sair da instituição (ARANHA, 2001);

• Integração social. A prática da integração social inicia-se com o movimento de inserção das pessoas com deficiência nos sistemas sociais existentes, tais como educação, trabalho, família e lazer, desde que a pessoa tenha alcançado um nível de competência equivalente aos padrões sociais vigentes e esteja apta a superar os desafios e barreiras sociais existentes, sejam elas físicas, programáticas ou atitudinais (FERNANDES; SCHLESENER; MOSQUERA, 2011; SASSAKI, 2006). No contexto desta pesquisa, a superação de barreiras pode ser relacionada à utilização de tecnologias assistivas por pessoas que desejam utilizar jogos que foram desenvolvidos considerando apenas padrões de jogadores vigentes na sociedade. Além disso, a prática da integração social tem como princípio a normalização e como processo o mainstreaming, conceitos apresentados detalhadamente a seguir.

A normalização, principal elemento do paradigma de serviços (ARANHA, 2001), caracteriza-se pela criação de ambientes, frequentados pelas pessoas com deficiência, que são o mais semelhante possível dos ambientes vivenciados pela população em geral, de modo que as condições de vida das pessoas que frequentam estes ambientes, sejam as mais parecidas com as condições e os modelos de vida de qualquer outra pessoa, mas ainda separado da sociedade existente (ARANHA, 2001; SASSAKI, 2006).

O processo de mainstreaming é aquele no qual há a tentativa de introdução da pessoa com deficiência em ambientes já disponíveis na sociedade e da utilização, pelas pessoas com deficiência, da maior quantidade possível dos serviços disponíveis de uma comunidade (SASSAKI, 2006). No caso de serviços educacionais por exemplo, um(a) estudante com deficiência participa de aulas em classes regulares ou de atividades extracurriculares com outros(as) estudantes sem deficiências severas (SASSAKI, 2006).

A prática da integração social, conforme apontam Aranha (2001) e Sassaki (2006), demonstra um esforço unilateral, no qual somente as pessoas com deficiência e seus aliados (familiares, amigos e instituição especializada) buscam maneiras de se adequarem à sociedade e de tornarem-se aceitos por ela, demonstrando que há pouca ou nenhuma mudança proposta pela sociedade. Desta maneira, a prática da integração social, apesar de valoroza, apresenta-se insuficiente para eliminar a discriminação sofrida pelas pessoas com deficiência, além de não propiciar a participação plena e com igualdade de oportunidades destas pessoas na sociedade (SASSAKI, 2006);

• Inclusão social. Inicialmente denominada paradigma de suporte (ARANHA, 2001), a inclusão social é o processo bilateral no qual a sociedade se adapta para poder incluir as pessoas com deficiência nos sistemas sociais existentes e realiza reajustes na realidade social para que as pessoas com deficiência vivam em sociedade, enquanto essas pessoas preparam-se para assumirem seus papéis na sociedade (ARANHA, 2001; FERNANDES; SCHLESENER; MOSQUERA, 2011; SASSAKI, 2006), de modo que a pessoa com deficiência tenha direito à convivência não segregada e acesso a todos os recursos disponíveis aos demais cidadãos (ARANHA, 2001). Exemplos da prática da inclusão social, podem ser percebidos em jogos que foram projetados para que pessoas com e sem deficiência tenham experiências semelhantes ao utilizarem o mesmo jogo.

A inclusão social, portanto, é um processo que contribui para a construção de um novo tipo de sociedade através de transformações, pequenas e grandes, nos ambientes físicos (espaços internos e externos, equipamentos, aparelhos e utensílios, mobiliário e meios de transporte) e na mentalidade de todas as pessoas, portanto também da própria [sic] pessoa com necessidades especiais34. (SASSAKI, 2006, p. 40)

A inclusão possui o mesmo princípio que a integração, que é o direito das pessoas com deficiência acessarem e utilizarem o espaço comum da sociedade, no entanto a prática da integração social pressupõe a mudança da pessoa com deficiência em direção à sua normalização, enquanto que a prática da inclusão social prevê mudanças tanto no desenvolvimento dessas pessoas, quanto em mudanças (físicas, materiais, humanas,

34Os termos utilizados para identificar as pessoas com deficiência mudam com o tempo, como aponta Sassaki

(2006) em seus estudos. Assim alguns artigos, documentos oficiais e publicações apresentam nomenclaturas diversas para referir-sem às pessoas com deficiência, no entanto, para esta pesquisa será utilizado o termo hoje indicado pela comunidade, que utiliza o termo pessoa(s) com deficiência.

sociais, legais, entre outras) na realidade social, para que as pessoas com deficiência possam usufruir dos espaços comuns da vida na sociedade (ARANHA, 2001).

Uma vez que, segundo Aranha (2001) e Sassaki (2006), a inclusão social é o processo a ser realizado na sociedade para que todas as pessoas sejam membros participantes e integrantes dos sistemas sociais gerais, os elementos referentes a esta prática serão explorados com maiores detalhes nesta pesquisa.