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Implementation of Array Setup

14.1 Future Work

volume, a luz, a cor e a escala são componentes que podem ser utilizados, separadamente, ou combinados entre si (FIORI, 2005). Cada objeto do real tem suas propriedades visuais particulares, que permitem ao sujeito percebê-las por meio da forma, da linha, da textura, do espaço, etc., que dão à representação uma estrutura, como na lógica das estruturas de Van Hiele (1986), entre o Mundo 1 e o Mundo 2.

Dessa maneira, da combinação das propriedades visuais, dos significados e da relação espacial dos objetos e, desses, com outros, o sujeito percebe, analisa e representa o objeto por meio da linguagem imagética, de acordo com o seu conhecimento, sua capacidade de selecionar e operar as variáveis, e com a sua habilidade de representar. A linguagem gráfica não verbal, assim como a falada e a escrita, está indissoluvelmente associada à atividade mental e é uma exteriorização do pensamento humano (OLIVEIRA, 1977).

As linhas5 (símbolos), em uma carta topográfica são concebidas, conceitualmente, como

curvas de nível (Figura 2a e 2b) e, referem-se às linhas imaginárias de planos geométricos sobrepostos que, em conjunto, compõem uma superfície topográfica sustentada por uma massa, que apresenta uma estrutura geológica que deve ser, muitas vezes, também, concebida.

5 Definições segundo os elementos do geômetra Euclides: ponto (não tem pares, nem

grandeza alguma); linha (tem comprimento e não tem largura) e superfície (tem comprimento e largura).

Fonte: KENNELLY, 20026 realçar os vales

Fonte: KENNELLY, 2002

A primeira imagem (Figura 2a), no primeiro plano, representa o relevo, em uma sucessão de perfis topográficos, a partir das curvas de nível representadas no segundo plano. A segunda imagem (Figura 2b)7 refere-se a uma superfície de terreno, identificado a partir

da interação das curvas de nível. A presença de sombra (áreas mais escuras) dá à imagem bidimensional uma percepção tridimensional.

A partir do espaço real, é possível eleger algumas das curvas imaginárias que compõem o relevo, as quais são identificadas por um número, que se refere à altitude que a linha imaginária está em relação ao nível do mar. Logo, curvas e números, ordenados no papel, permitem ao leitor reconstituir o aspecto da superfície do terreno, em tamanho reduzido e simplificado, a partir da carta topográfica.

Essa reconstituição, quando realizada pela transposição do bidimensional (linhas), para o 6 KENNELLY, Patrick J. (2002) Gis applications to historical cartographic methods to improve

the understanding and visualization of contours. Journal of Geoscience Education, v. 50, n. 4, September, 2002, p. 431.

7 Este mapa foi gerado a partir do GIS, utilizando-se os planos horizontais que interceptam

as altas montanhas do estado de Montana (USA), a partir do Digital Elevation Model (DEM) - Modelo Digital de Elevação. O intervalo de contorno das curvas é de 20 metros e a escala aproximada é de 1:100.000.

3. Fundamentos do Modelo de Van Hiele e da visualização e representação espacial.

tridimensional (sólidos), pela separação e identificação da extensão de cada curva, que se transformará em planos (Figura 3), demanda do estudante a habilidade de conceber e de visualizar os vários planos sobrepostos (significantes), por causa dos números que eles trazem e, por conseguinte, representam.

Figura 3: Mapa de uma porção sul de Haifa (Israel)* Fonte: YOELI, 1983 (Figure 18, p. 109 apud

KENNELLY, 2002, p. 433). *Mapa elaborado por computador.

Outra maneira de reconstituir o relevo, a partir das curvas de nível, é realizando-se uma série de perfis topográficos (Figura 2a), dispostos paralelamente. Nesse caso, o dado mais importante não é a extensão da curva, mas o valor altimétrico que ela representa no ponto em que foi interceptada pelo corte do perfil. Pode-se dizer que, durante a confecção do perfil topográfico, retirou-se um ponto do conjunto de pontos que compõem a linha. Esses pontos dispostos ordenadamente, segundo o seu valor numérico (altimétrico), no eixo “X” e sua posição espacial horizontal no eixo “Y”, permitem construir um gráfico de linha no plano cartesiano. Diante desse gráfico, o estudante deve saber que essa imagem, expressa em linguagem matemática (gráfico de linha), esboça o perfil topográfico (significante) de uma superfície que deve ser concebida como relevo (significado), ou seja, como a expressão materializada de uma forma, como um fenômeno geomorfológico e não como uma mera linha.

cabe ao leitor conhecer a linguagem própria da cartografia, seus conceitos, bem como empregar o conceito geomorfológico implícito e, ainda, a habilidade espacial necessária para visualizar a forma, na qual estão implícitas. Além da intuição geométrica, essas leituras incluem segundo Del Grande (1994, p. 158),

[...] percepção de figuras em campo, ato visual de identificar uma figura específica (o foco) num quadro (o campo); percepção da posição no espaço (habilidade de determinar a relação de um objeto com outro e com o observador); percepção de relações espaciais (habilidade que a pessoa tem de enxergar dois ou mais objetos em relação a si mesma ou em relação um ao outro); discriminação visual (habilidade de distinguir semelhanças e diferenças entre objetos); Memória Visual (habilidade de se lembrar com precisão de um objeto que não está mais à vista e relacionar suas características com outros objetos, estejam eles à vista ou não).

Segundo Ishikawa e Kastens (2005), na pesquisa elaborada por Clark et al. (2004) sobre estudos cognitivos do uso do mapa topográfico, o equívoco e a dificuldade frequentes apresentados pelos alunos era a associação das curvas de nível, com grandes espaçamentos entre si, às áreas mais altas do terreno. Nota-se que, a associação entre espaçamento e altura do terreno, resultou da analogia elevada altura (no real) com o grande espaço entre curvas no papel; logo, uma associação direta entre proporções. Pode-se dizer que o aluno não entendeu o significado do significante (da curva como símbolo). Assim sendo, o aluno não entendeu que essa representação é inversa ao real e, nela está implícita, também, a questão da declividade apresentada entre cada superfície bidimensional retirada do terreno.

A transposição da imagem bidimensional para a tridimensional, por meio da elaboração de planos de superfícies altimétricas (curvas de nível), possibilita superar o equívoco e as dificuldades de associação entre o espaçamento das curvas e o aspecto do relevo. Quando o observador entende o que significam o espaçamento entre as curvas e as próprias curvas presentes no mapa (texto não verbal), pode-se dizer que há leitura desses significantes e dos seus significados, e expressão verbal (oral ou escrita) do conceito desses planos de superfície.

Almeida e Passini (1994) afirmam que recursos estáticos, como os mapas, apresentam alto poder de representação. Muitos profissionais do campo da psicologia cognitiva e da educação consideram-nos recursos ainda limitados, devido ao uso de representações simbólicas, que demandam do observador a tarefa de decodificar, logo de conhecer o

3. Fundamentos do Modelo de Van Hiele e da visualização e representação espacial.

código, ou seja, estabelecer a relação significante e significado, como tarefa primeira (LIBARKIN e BRICK, 2002). Essas autoras apontam que os mapas geológicos compreendem a superposição de informações de natureza topográfica, litológica e estrutural, as quais podem aumentar o grau de dificuldade de visualização, e o próprio entendimento da representação, embora os geólogos sejam treinados para trabalhar com esse recurso. O que ocorre é que há pouco estudo, com adultos, tanto sobre as habilidades de leitura, compreensão e uso de mapas, quanto à influência do uso dessa ferramenta na aprendizagem das geociências.