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Chapter 8 Conclusion

8.3 Future work

A questão da efemeridade da mensagem radiofônica ainda é um aspecto presente na atuação do meio no suporte analógico. Entretanto, a inserção do rádio na internet instaurou uma particularidade considerável a tal mídia. Como afirma Almeida e Magnoni (2010, 441),“a internet oferece ao rádio a possibilidade de armazenamento de conteúdos com facilidade de localização e de recuperação instantânea da informação. Ou seja, a digitalização agrega ao rádio bancos de dados online no ciberespaço”. Dessa forma, o conteúdo radiofônico passa a ter a sua primeira forma de memória múltipla,

instantânea e cumulativa.

Sobre essa característica, Palacios assegura:

[...] quando falamos em memória múltipla e cumulativa, chamamos atenção para o fato de que, através da convergência de formatos, a memória na web tende a ser um agregado não só da produção jornalística que vem ocorrendo online, mas, gradualmente, de toda a produção jornalística importante, acumulada em todos os tipos de suportes, desde épocas muito anteriores à existência da web e dos próprios computadores (PALACIOS, 2003, p.10).

Este mesmo autor (1999) afirma que, pelo caráter técnico e econômico, a acumulação de informações na internet é mais propicia do que em outras mídias. Acrescente-se o fato de que na rede a memória passa a ser coletiva, característica transversalmente possibilitada pelo processo de hiperligação entre as múltiplas conexões que a constituem. Assim, a quantidade de conteúdos anteriormente produzidos e disponibilizados ao usuário e ao produtor da mensagem cresce de maneira considerável nas experiências radiofônicas da web, fato que repercute na própria práxis de produção e recepção da informação.

[...] na web, a conjugação de memória com instantaneidade, hipertextualidade e interatividade, bem como a inexistência de limitações de armazenamento de informação, potencializam de tal forma a memória que é legítimo afirmar-se que temos nessa combinação de características e circunstâncias uma ruptura com relação aos suportes mediáticos anteriores. [...] ao fazermos esse tipo de afirmação, estamos a nos referir a possibilidades que se abrem tanto para os produtores quanto para os usuários da informação [...] (PALACIOS, 2003, p.10).

Assim como a superação dos limites físicos na internet ocasiona a utilização de um ambiente praticamente imensurável para veiculação de conteúdos diversos, em variadas formas (multi)midiáticas, apresenta-se a chance de veiculação online do completo bloco de informação criado anteriormente e armazenado, por meio de arquivos digitais, com moderno suporte de indexação e ferramentas de recuperação da informação.

Mas é bem certo que, no caso do rádio analógico, ainda prevalece a característica de uma mídia com transmissão e recepção instantânea, “sem recursos para gravar todos os conteúdos e permitir que o ouvinte “volte” ou repita as mensagens de seu interesse, no horário que ele quiser” (ALMEIDA; MAGNONI, 2009, p.442). Tal realidade irá ser totalmente superada no rádio digital. Um grande diferencial em relação à memória e armazenamento de conteúdos estará proporcionado através do próprio suporte digital, sobretudo pelo incremento proporcionado através da oferta de conteúdo na tela do receptor inteligente. A sua utilização irá proporcionar consideravelmente a eliminação do caráter efêmero da mensagem radiofônica.

Em outras palavras, no rádio digital teremos à disposição recursos como: ouvir um programa que foi transmitido em um horário qualquer, no momento em que o usuário desejar; encontrar e ouvir arquivos no formato de podcastings sobre temas

específicos, em emissoras hiperespecializadas, a partir da utilização de uma ferramenta de busca agregada ao receptor inteligente; o usuário-ouvinte também poderá criar a sua própria “radioteca”, armazenando conteúdos que desejar para ser ouvido em outros momentos e até mesmo em outros suportes radiofônicos, como nos celulares, mp3, iPods etc.; também será possível o usuário-ouvinte retornar um conteúdo radiofônico qualquer no momento exato em que ele está sendo veiculado para, por exemplo, se certificar do que ouviu, ou simplesmente para retransmitir aquela mensagem; quanto à programação musical, será possível armazenar uma música veiculada para ouvi-la logo em seguida quantas vezes se desejar; além disso, dependendo do padrão tecnológico e do interesse dos radiodifusores, haverá a possibilidade de o usuário-ouvinte acessar o banco de dados da emissora, num dos canais adjacentes, por exemplo, e ouvir programações já veiculadas.

Palacios articular uma reflexão relevante, tanto para o rádio na internet quanto para o rádio digital:

Numa situação de interatividade, conquanto não compartilhemos a ideia de que os papeis de produtor e consumidor da informação [...] possam a vir a confundir-se de maneira generalizada, deve-se levar em conta que, em determinadas circunstâncias, a alimentação de bancos de dados (arquivos) possa vir a fazer-se tanto por produtores quanto por consumidores da informação [...]. Isso já ocorre, por exemplo, quando leitores participam de fóruns ou enquetes [...] relacionados a notícias correntes, sendo esse material incorporado ao universo de informação construído em torno do fato [...] e, eventualmente, armazenado nos arquivos online [...] para posterior recuperação e consulta (PALACIOS, 2003, p.09).

É bem certo que até agora nos deparamos com um panorama radiofônico que ora parece dar, de certa forma, continuidade a modelos comunicacionais pré-existentes; ora sinaliza uma potencialização de características já existentes na própria experiência do rádio na internet; mas certamente, e de forma mais relevante, temos nos deparado em maior proporção, até este ponto do nosso estudo, com um horizonte que indica uma verdadeira mutação na práxis comunicacional radiofônica, o que concomitantemente sugere uma reinvenção na forma de relacionamento entre produtores e usuários- ouvintes, forma essa possível de ser delineada a partir das características possibilitadas pela interatividade e pela convergência tecnológica digital, como refletiremos analiticamente a seguir.