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Chapter 7 Game scenario implementation

7.6 Discussion

Essa característica é também chamada de individualização. Consiste na opção oferecida ao usuário para configurar os conteúdos comunicacionais de acordo com os seus interesses individuais. Algumas experiências radiofônicas na web já permitem a pré-seleção das informações, assim como a sua hierarquização e até mesmo a escolha do formato de apresentação visual.

Apesar de ser uma concepção antiga, praticada pioneiramente através da veiculação de conteúdos especializados através do telefone, sendo mais tarde complexificada pelos canais de tv e de áudio por assinatura, a recepção individualizada ou personalizada de conteúdos é, no âmbito da internet, uma inovadora maneira de consumo de conteúdos comunicacionais, servindo de paradigma ao rádio digital.

Segundo Almeida e Magnoni (2010, p.443): a internet “permite que o usuário faça a sua própria programação de rádio [...] e acesse o conteúdo da forma que quiser. Assim, o ouvinte pode receber newsletter com o assunto de sua preferência, e escolher o que lê, ouve e vê”.

A recepção individualizada ou personalizada é, contudo, desenvolvida de maneira incipiente na internet. Ainda assim, já se constitui como uma concorrência forte do rádio e da própria televisão aberta. Tal constatação nos remete a buscar conceber para o rádio digital conteúdos alternativos e diversificados, com grades de programação múltiplas e que favoreçam, de fato, a reinvenção radiofônica. Isso é possível por vários fatores, entre eles está a possibilidade de desenvolvimento de uma programação variada,

hipersegmentada e hiperespecializada, nos subcanais. A multiprogramação é, pois, um recurso-chave, capaz de suscitar a personalização dos conteúdos radiofônicos digitais e transformar a sua interface já estagnada há quase um século no país.

Uma peculiaridade que na internet colabora para customização dos conteúdos é a multiplicação das ferramentas de buscas com filtros cada vez mais sofisticados e especializados, assim:

[...] o “internauta” traça o próprio caminho durante a navegação em busca dos conteúdos que lhe sejam úteis ou mais agradáveis. Com a customização, cada vez mais o conteúdo da web é determinado pelos interesses de nichos específicos de receptores. Desde o surgimento da internet, muitos sites e blogs “amadores” disputam a audiência com produções convencionais (ALMEIDA, MAGNONI, 2010, p. 434).

No rádio digital, uma boa alternativa seria o desenvolvimento de recursos semelhantes, que sejam capazes de ajudar o novo ouvinte a selecionar previamente a sua programação, optando por ouvir conteúdos que mais lhes sejam úteis e agradáveis.

A noção de sensibilidade a contexto entra mais uma vez em nossa discussão para exemplificar uma aplicação possível de ser desenvolvida pelo rádio digital: já no momento em que o usuário-ouvinte ligar o seu aparelho receptor inteligente ele pode apresentar uma ferramenta de busca, no qual seria inserido o tipo de conteúdo desejado para aquele momento: música, informação, esportes, humor etc.. Isso também já poderia estar registrado de uma forma interativa por meio de opções que o usuário-ouvinte já arquivou como seus “favoritos”. O rádio digital, então, apresentaria uma lista, dependendo da busca, de emissoras com as programações específicas, de acordo com o desejo do usuário-ouvinte.

Outra funcionalidade estritamente ligada à questão da customização seria a possibilidade de o usuário-ouvinte programar o seu receptor para veicular programações de emissoras diferentes em uma ordem pré-estabelecida, como ocorre em algumas rádios, que sugerem aos ouvinternautas a montagem de playlists. Nesse caso, o usuário- ouvinte do rádio digital teria previamente acessado a grade de programação de emissoras diferentes, de sua preferência, ou sugeridas pelo próprio receptor inteligente, e selecionado os conteúdos na sequência que desejar. O receptor inteligente pode armazenar essa programação em sua memória e, a partir dela, sugerir novas opções de conteúdos ao longo do dia ou em outras ocasiões em que for programado para isso. Vale ressaltar que:

No rádio sempre houve interação, a ação recíproca entre dois ou mais atores onde ocorre intersubjetividade, isto é, o encontro de dois sujeitos, mediatizada por outros meios de comunicação. Com o receptor inteligente passará a ter interatividade, a potencialidade técnica que permite a atividade humana do agir sobre a máquina e de receber em troca retroação da máquina sobre ele. A interação pessoal, intersubjetiva, de caráter sócio-afetivo, permanecerá no rádio, sem dúvida, lado a lado com a interatividade e a troca de informações por meio de instrumentos técnicos (BIANCO, 2009, p.77).

Um aspecto a ser considerado é que o público jovem, grande alvo a ser atingido pelo rádio digital, é cada vez mais exigente a respeito dessa questão da personalização e da customização do conteúdo, sobretudo a geração genuinamente digital, conceituada por Prata (2009) como os nascidos na última década do século XX.

Um bom exemplo sobre essa mutação no perfil da audiência jovem está em uma matéria publicada pela revista Exame, que aponta como eram os jovens das gerações passadas e como é o jovem do século XXI em relação ao consumo, sobretudo de informações:

O consumidor de ontem O consumidor de amanhã

Estava preso a alguns poucos canais da TV aberta e a emissoras de rádio – e suas

respectivas grades de programação.

Tem infinitas opções de entretenimento eletrônico, como controle individual sobre

o que assistirá e quando. Era submetido a programas criados para

agradar à média e atingir o maior número possível de telespectadores.

Encontra programas mais adequados a seu gosto – muitas vezes, esse conteúdo é doméstico, produzido por gente como a

gente. Recebia informação apenas dos grandes

veículos.

Divide sua atenção entre os veículos tradicionais e blogs, fotologs, podcasts e

videoblogs.

Era alvo da comunicação massiva das grandes marcas.

Interage com as grandes marcas de maneira voluntária, buscando sua aplicabilidade preferida na internet. Estava preocupado apenas em seguir o

padrão da maioria.

Deseja ser único – e mostra isso participando de comunidades e criando

sua marca on-line. Consumia a mídia predominantemente nos

momentos de lazer.

Sua vida existe em torno da mídia: do relacionamento com amigos no Orkut, ao

telefone celular. Tabela 1 – Consumidor de ontem versus Consumidor de amanhã

Fonte: Revista Exame 24/08/2006.

O quadro mostra como a tendência na cultura midiática contemporânea é, de fato, a personalização e a customização dos conteúdos. Os jovens da geração digital querem a liberdade de construir seus conteúdos e vê-los veiculados pelas novas mídias,

muitas vezes criadas pelos próprios, como as web-radios. No rádio digital essa possibilidade deve ser garantida, e é o que de fato fará a diferença.

Segundo Cunha (2010, p.182), o novo ouvinte é marcadamente caracterizado pelo “nomadismo, individualismo, customização e personalização, exibição e voyeurismo, espaço público e privado, memória da geração sob demanda e um perfil jovem em transformação”. Portanto, o rádio digital deve levar em consideração a necessidade de mudanças na práxis produtiva de seus conteúdos. Estes devem ser cada vez mais “personalizados para indivíduos cada vez mais concentrados em si mesmos, mas que não deixam de tornar públicas e em escala exacerbada as suas experiências cotidianas” (idem, ibidem).

Como assinalado acima, personalizar ou customizar os conteúdos no rádio digital é também possibilitar a disponibilização dos arquivos, previamente armazenados na memória do receptor inteligente, para serem acessados pelos usuários ouvintes do rádio digital, quando e onde desejarem. Uma característica que pode ser melhor compreendida no próximo tópico.