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Future Vardø — Imaginary City

In document Future North (sider 61-64)

As entrevistas com os trabalhadores surdos foram divididas em cinco blocos na tentativa de agrupar algumas categorias para a análise dos conteúdos apresentados.

O primeiro bloco refere-se a sua identificação, dados de sua trajetória na educação, época em que teve despertado o interesse em trabalhar, preparação para o trabalho e início de suas atividades profissionais.

O segundo bloco tratou do início de suas atividades profissionais, de sua trajetória no mundo do trabalho.

O terceiro bloco teve como objetivo investigar sua condição atual no trabalho, além de sua trajetória no emprego atual e condições de desenvolvimento profissional dentro dessa organização.

O quarto bloco tratou das condições que o trabalhador surdo teve em relação às oportunidades de crescimento profissional, bem como sobre que tipo de barreira pode ter dificultado a sua ascensão.

O quinto e último bloco teve o objetivo de conhecer o nível de satisfação com o atual emprego.

Nessa perspectiva, dividimos as respostas das entrevistas dos surdos pesquisados, procurando analisar os dados do ponto de vista da discussão teórica que fundamentou esse estudo.

As respostas foram agrupadas em algumas categorias com o objetivo de organizar e facilitar a análise dos dados apresentados.

Do ponto de vista dos surdos trabalhadores, iniciaremos pelo primeiro bloco de questões relativas ao início de sua vida escolar, primeiros interesses, expectativas e iniciativas para a obtenção do primeiro emprego.

Nos relatos dos surdos entrevistados, aparece na sua trajetória pela educação, os discursos de suas experiências em escolas especiais para surdos e as escolas comuns para ouvintes. Nas suas passagens por longos ou curtos períodos pelas escolas de ouvintes (dessa forma referidas pelos surdos), são unânimes em dizer-se com muitas dificuldades em relação à comunicação e aprendizado, uma vez que os professores e colegas, não tendo conhecimento da Libras e não havendo o recurso do intérprete, tornava o contato do surdo com o ouvinte muito difícil e muito sofrido pelo isolamento a que ficavam submetidos, mesmo quando esse surdo era oralizado ou tinha uma boa compreensão por meio da leitura orofacial.

Podemos observar isso nos fragmentos das entrevistas:

Relatos de S1: Funcionário de uma empresa multinacional americana da área de equipamentos de informática e comercialização de software:

Acho que comecei a estudar com 3 ou 4 anos mais ou menos, mas primeiro estudei escola de ouvintes, minha família não tinha muito conhecimento sobre escola de surdos, depois pesquisou a escola, e encontrou primeiro a

HK depois a família procurou outra escola, fiquei na HK

pouco menos de um ano, e depois fui para o AS, era mais próximo da minha casa, fiquei pouco tempo lá... depois a S.

veio fazer estágio aqui na Derdic, porque ela estudava na

PUC, e eu vim estudar aqui, acho que em 93, na terceira

série e depois fiquei até o final, até a oitava série.

Depois fui para o colégio R, não tinha intérprete, no começo não tinha intérprete, não tinha nada. Eu sofri bastante, sofri

muito. Eu lembro pensei em desistir, e quase desisti, todo dia era muito difícil, por exemplo, teve um dia em que os

alunos estavam se preparando, se mexendo, e eu perguntei o que era... Era prova, e eu não sabia. Isso aconteceu várias vezes. Hoje tem prova? Isso aconteceu várias vezes.

No começo só tinha eu de surdo, depois tinha outro na minha sala mesmo, mas ele mudou, depois de um ano foi pra outra unidade. Naquela época não era obrigatório o intérprete ainda. Nos dois primeiros anos não tive intérprete, no terceiro ano é que teve intérprete, foi obrigado a contratar intérprete, aí a escola contratou, foi bem melhor, me ajudou muito. Não ficava mais preocupado em ficar olhando para a cara do professor, e o professor podia ficar a vontade, andar tranquilo pela sala. Antes toda hora tinha que falar para o professor voltar, era tão ruim, o intérprete avisava que era prova, me ajudou demais.

No primeiro ano eu não tinha nem experiência de conviver com pessoas ouvintes, não na escola com pessoas ouvintes... Então as pessoas falavam várias coisas e eu ficava sem entender. Por exemplo, Física, aquele monte de fórmulas, eu não entendia do jeito que ele explicava, era muito difícil de entender. O primeiro ano foi pior, no segundo ano eu comecei a ter mais coragem, eu tentava me fortalecer... mas sempre perguntando e confirmando com o professor quando que tinha prova, entrega de trabalho, sempre tinha que ficar perguntando, às vezes tinha o grupo de ouvintes, alguns me ajudavam, mas não era cem por cento... ah! hoje tem prova? esqueciam de me avisar... poxa! a prova é tão importante, e os colegas diziam, ah, desculpe esqueci de avisar, era horrível e o professor nem ligava, sabia que eu era surdo, mas andava pela sala, falava de costas, não ligava.

Tinha um professor, o pior, era professor de inglês, eu explicava... olha, eu sou surdo! Ele nem ligava. Um dia passou um vídeo com música, e eu fiquei ali sem entender nada. Eu sou surdo, não tem uma adaptação pra mim, por escrito, alguma coisa? O professor respondeu, não, nada. Na escola foi sempre muito difícil, eles tinham o mundo de ouvintes... às vezes eles se aproximavam...ah, o surdo é legal, mas logo acabava, eu tentava entrar, falar com eles, mas é muito difícil. Por exemplo, na faculdade, a gente sai

pra jantar, aí fica todo mundo conversando, eu tento, mas é difícil, muito difícil. Os assuntos que consigo participar, por exemplo, eu gosto de esporte, então vamos jogar vôlei, eu jogo bem... Quando interessa pra eles, tenho boa prática esportiva, mas quando tem o intervalo, outro assunto, aí já fica diferente, entende? Eu tento entrar, mais é difícil. Às vezes tem um ou dois, que ficam mais juntos, mais unidos assim, mas não dá pra estender pra todos, não.

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Relato de S2: funcionária surda de uma multinacional americana da área de Tecnologia da Informação; 24 anos, oralizada.

Entrei na Derdic tinha 2 anos e meio, fiquei aqui até os sete anos, até primeira série. Aí fui pra escola ouvinte.

Mais difícil? É que aqui eu tava acostumada a falar língua de sinais e quando fui pra escola ouvinte e tive que trabalhar com a fala... falar ao invés de sinais... daí foi mais difícil... às vezes eu esquecia, falava sinais, a pessoa não entendia. Por exemplo, aqui na Derdic o professor falava por sinal, professor dava aula por sinal. Lá professor não fazia sinais... às vezes falava de costas, andava na sala, eu não entendia. Eu brincava muito no parque... e a menina falava muita palavra... eu não entendia a palavra, eu me perdia... até hoje me perco... eu sentia muito diferente... aqui não.

Nas disciplinas... português, até hoje tenho dificuldade com português... matemática, não, física, não, química, não... minha mãe sempre me ajudou, ela era formada engenharia química, então química, física e matemática... (risos)... não tinha problema... agora, o português... era muito difícil... até hoje tenho dificuldade.

Relato S3: funcionário surdo de empresa de gerenciamento de projetos de engenharia; 34 anos, oralizado.

Comecei a estudar com três anos na escola HK, até 1988... depois, outra escola de ouvinte... tinha nove, dez anos em 88. Fui escola de ouvintes, porque a professora do HK falava que eu falava bem e, por isso, precisava ir pra escola de ouvintes. Tentei estudar, consegui passar... três anos na escola ouvinte...duas vezes fui reprovado, na terceira série... não deu certo.

Na escola de ouvinte faltava comunicação, faltava intérprete... O professor falava, eu não entendia... também pouco contato com os ouvintes, poucos amigos... pouco

contato, pouca integração, não ajudavam. A professora não ficava preocupada, não se importava com dificuldade. Aí pai e mãe perceberam as dificuldades e então procuraram novamente HK. Voltei na terceira série... da terceira até oitava, 1997. Aí fui segundo grau em outra escola... escola de ouvinte... não tinha escola para surdos segundo grau... poucos surdos, aí tentei, acostumei... um pouco difícil... perguntava pra outros alunos, alguns alunos ajudavam, havia uma troca... a professora tinha dificuldade comigo, não tinha intérprete... fui indo, aí passei. Terminei 2003, segundo grau... 22 anos. Aí não tinha objetivo pra fazer faculdade.

Relato S4: funcionário surdo da empresa de gerenciamento de projetos de engenharia; 35 anos:

Comecei a estudar com oito anos, 1984. Escola comum de ouvintes. É foi difícil? Professora entendia que eu era surdo... mas não tinha LIBRAS perfeito, não, né, porque antigamente... mas depois, conforme foi crescendo, aí encontrei outro surdo... queria aprender LIBRAS...1991 comecei a aprender LIBRAS. É, sempre escola comum, nunca fui escola de surdos. Mais ou menos, algumas palavras que não conhecia... na verdade, tinha dificuldade em tudo, né? Todas as matérias.

Poucos amigos. Antes de 1991 tinha só os amigos da escola, não tinha amigos fora da escola. Queria conhecer, aumentar, conhecer mais surdo, né? Fiquei admirado com surdos, mas só depois de 1991 na Lapa comecei a ver os surdos... tinha os surdos, eles ficavam gesticulando... eu não entendia, não conhecia Língua de sinais... aí fui perguntar o que era, eles foram explicar. Aí fui conhecendo as pessoas...

Relato S5: funcionário surdo da indústria de iluminação elétrica; 35 anos:

Iniciou seus estudos com 4 anos de idade, na Derdic, escola para surdos, ficou até 1992, quando estava na 5ª série. Família mudou-se para o interior de São Paulo. No interior continuou estudando, mas numa escola para ouvintes... teve muitas dificuldades... era legal estudar, mas era um pouco difícil... Fui passando de ano, foi indo, bastante dificuldade... parei na 7ª série, era difícil acompanhar, fazer leitura labial.

Relato de S6: funcionária surda da indústria de iluminação elétrica; 35 anos:

Comecei a estudar no IST, é difícil lembrar... faz tanto tempo, tinha mais ou menos 8 anos... depois foi para o

Helen K. com 14 anos.. é difícil lembrar ... faz muito tempo.

O ensino no Santa Terezinha era melhor, mas era muito mais caro pra pagar... o HK era muito fraco.... Terminei a oitava com 22 anos, mais ou menos... Matemática era mais ou menos, história, português ciências era mais fácil. O português era mais ou menos. O português é difícil, os verbos são muito difíceis... na escola perguntava bastante coisa, a professora ensinava bastante coisa, eu aprendia, mais ou menos... As matérias eram mais ou menos fáceis, consigo ler um pouco, pouco, né?

Isso nos reporta às questões da cultura e das identidades surdas em que a necessidade que o surdo tem de contato com sua língua e com seus pares é de suma importância para a formação de sua identidade. Para Perlin (1998), o encontro surdo-surdo é essencial para a construção da identidade

surda, é como abrir um baú que guarda os adornos que faltam ao personagem. As identidades surdas estão aí, não se diluem totalmente no

encontro ou na vivência em meios socioculturais ouvintes. Os surdos são surdos em relação a experiência visual e longe da experiência auditiva. (Perlin, 1998, p.54)

Essa constatação nos remete à história da educação do surdo, que durante anos privilegiou a oralidade em detrimento da língua de sinais, o que resultou em dificuldades no seu desenvolvimento cognitivo e social e em grande sofrimento na sua trajetória acadêmica que, de certa forma, veio refletir na sua vida profissional.

Quanto às questões do início de suas atividades profissionais e de sua trajetória no mundo do trabalho, os relatos são da ordem das dificuldades em conseguir o primeiro emprego e as conquistas profissionais a um preço bastante alto, com sacrifícios e demonstração de atitudes de superação. Os sentimentos de desvalorização profissional, acomodação e gratidão por ter um emprego e os esforços por mostrar-se competente são conteúdos que marcam também os relatos dos trabalhadores surdos na sua trajetória profissional.

S1: Até o terceiro colegial, não pensava ainda em trabalhar, não pensava nisso. Quando você entra na faculdade, parece que você já está assim, amadurecido. As pessoas, você começa a ver as pessoas com gravata, assim, eu pensei, eu vou trabalhar mesmo. Durante o primeiro ano, só estudava na PUC... tinha vontade de trabalhar, sim. As pessoas de paletó, gravata, eu queria andar assim, eu tinha vontade, achava que ia ser legal, achava que tinha a ver com a faculdade.

Aí, no segundo ano PUC começa a divulgar que vocês vão ter que fazer estágio, cumprir os estágios... comecei a entregar currículo... Consegui uma entrevista... Primeiro foi a... Fiquei pouco tempo, um mês e meio mais ou menos, são aqueles cursos preparatórios, é contratado e fica em treinamento.

Eu fazia várias inscrições, mandava currículo, pesquisei site do CIEE, vários sites, apareceu o programa de estágio da... aí eu me inscrevi, pesquisei sozinho... eu mandava currículo pra vários lugares, mas eu não tinha muita experiência, meu currículo era muito... Sem experiência, isso era muito difícil... mesmo assim eu mandava... Depois de uns 3 meses que eu mandei, eles me chamaram. Eu já estava para iniciar o treinamento da outra empresa, faltavam 2 semanas, aí a... me chamou, a seleção era dentro do CIEE mesmo, eles faziam e depois encaminhavam. Teve uma entrevista, eu e outro surdo, uma entrevista coletiva, não fiquei satisfeito, porque tinham ouvintes e outros deficientes. Ficou ruim, e eu pensava, todos os ouvintes vão passar e a gente (surdos) vai ser reprovado. A pessoa perguntava oralmente, a gente nem entendia a pergunta, e os ouvintes já estavam respondendo. Nesses momentos, eu mesmo parava e perguntava, falava, não estou entendendo, fala mais devagar, repete... eu fiquei perguntando o tempo todo, não sei se ele achou ruim ou não, mas eu fiz, porque eu não estava entendendo. Depois deram uma prova em inglês, totalmente em inglês, eu fiz, entreguei. Eu e o outro surdo pensamos, a gente não vai passar, eles responderam tudo, e a gente ficava meio perdido. Na época conhecia pouco inglês, muito pouco.

Era um estágio de dois anos vinculado a faculdade, mas teria salário, convênio, era um salário como se fosse uma bolsa, mais ou menos o valor da faculdade, mas era razoável. Eles estavam procurando exatamente isso, pessoa que tivesse faltando dois anos pra terminar a faculdade, e eu estava exatamente no segundo ano.

Quando eu cheguei pra falar com o chefe, eu percebi que ele não esperava que eu fosse surdo, o RH seleciona e não avisa o chefe que eu sou surdo. A hora que sentei, eu

percebi que a chefe ficou com um estranhamento... ah, ele é surdo? Ficou meio perdida, aí a moça do RH explicou, pediu calma e explicou. Ela falou, então tudo bem, vamos tentar, vamos conversar. Conversamos, com a ajuda do intérprete. A moça do RH falou, se você entrar... Nunca teve nenhum surdo na empresa, nunca teve outro, porque antes, na empresa, eles tinham uma cultura de não aceitar qualquer diferença, tinham poucos negros, poucos deficientes, só brancos eram aprovados, era uma cultura assim, bem americana, bem fechada.

Depois das etapas de seleção para o novo emprego, percebe-se um esforço do surdo em mostrar sua capacidade, provar que é capaz tanto quanto os funcionários ouvintes. É uma “luta” diária tentando provar sua competência e seu valor para chefias e colegas. O surdo tem que se superar, não pode deixar que o fato de ser surdo, não lhe dê a condição de conquistas e equiparação com os ouvintes:

S1 relata sua experiência nesse sentido:

“Eu ficava muito perdido no começo, mas minha diretora era uma mulher, minha diretora, ela me ajudou bastante, falava, fica calmo, vai dar tudo certo... não fica preocupado assim, presta atenção que tudo vai dar certo. Eu tinha muito interesse também, e ela me fazia entender como funcionava aquela área, o que acontecia lá... ela não era a que manda só, ela trabalhava junto com equipe... ela sempre sabia o que tava acontecendo com a equipe, se uma pessoa tinha um problema, então ela falava, calma. Falava comigo... o que você está precisando, precisa mudar isso, mudava, ela foi muito legal pra mim, muito legal mesmo.

Eu sabia que não era assim... está legal e fica confortável, não... eu sabia que tinha que aumentar minhas responsabilidades, então alguém falava, agora você vai ter que aprender a fazer isso, então eu tinha que aprender a fazer aquilo.

Outra coisa que era muito difícil pra mim eram as reuniões, na verdade, eu sentia que nem precisava estar naquelas reuniões, mas eu sabia que precisava daquelas informações, então eu ficava. Por exemplo, tem que fazer

uma mudança ou vai ficar assim, eu precisava daquele dado pra fazer... Então eu não podia deixar de ir... Ah, surdo não combina com reunião, era um sacrifício, eu tinha que passar por sacrifício e ir. Eu via, eles falavam, eu concordo, não concordo, eu falava, meu deus... vou tentar pegar alguma coisa... por exemplo, vinha um especialista em vendas, ele mostrava os resultados... quando terminava tudo, eu falava, posso conversar com você? Pode me mandar por email, conversar um pouco... ele, muitas vezes, mandava aquele slides pra eu entender, sempre eu ficava pedindo, por favor, será que você pode, sempre tinha que fazer assim, era sempre assim.”

S2:

Quando eu estava no terceiro colegial, eu já estava na escola ouvinte... e queria fazer faculdade... Então eu falei, vou ter que procurar um emprego pra pagar a faculdade. Foi que eu consegui, arrumei meu primeiro emprego pra pagar a faculdade. Eu tinha dezenove anos. Eu terminei com dezoito, e com dezenove anos eu consegui emprego e entrei na faculdade.

Não escolhi muito meu primeiro emprego. Eu conseguia a oportunidade e aceitava o emprego... é... depende, por exemplo... trabalhar na produção... trabalhar numa sala, num escritório... aí, sim, mas trabalhar na produção, não. Primeiro emprego... primeiro foi a... Eu consegui trabalhar na ... eu trabalhava nos arquivos... no computador, não na área de produção, não. Até hoje também.

S4: Tinha mais ou menos 16 anos, e aí resolvi que queria trabalhar, estudava de manhã e a tarde queria trabalhar, mas não tinha nenhum registro ainda, né? Tinha dezesseis anos, comecei a trabalhar em uma oficina de carro, de pintura de carro, com pintura de carro, lixar carro... era bem jovem.

Quando já tinha dezoito anos, na sétima série eu estava, aí pedi que precisava procurar um emprego melhor, a minha mãe não deixou procurar outro emprego melhor... ele perguntou, por quê? A mãe falou, primeiro terminar a oitava série e depois procurar outro emprego Tinha que ter paciência, né? Depois, já tinha vinte anos quando terminei a oitava série... consegui emprego, aí mudou, passei a estudar à noite.

S5:

Com 21 anos, resolvi trabalhar, procurar emprego... comecei a trabalhar. No interior, tentei trabalhar, procurei, mas não encontrei... trabalho surdo difícil. Resolvi que precisava trabalhar, porque precisava ajudar a família, e queria ter meu próprio dinheiro.

Meu primeiro emprego foi num Lava Rápido, depois trabalhei numa marcenaria, fazendo móveis, mesas para computador. Meu terceiro emprego foi numa empresa de portões automáticos, e esse emprego atual, que foi o melhor que consegui. Antes, nos outros trabalhos não consegui melhorar.

Nessa empresa (atual), trabalhei durante 5 anos direto, depois saí, e pedi pra voltar. Fui demitido devido à crise (apagão mais ou menos 2006), que houve uma queda na produção das lâmpadas elétricas. Depois procurei novamente a empresa porque não conseguia arrumar outro trabalho, e quando a empresa se estabilizou e voltou a produzir, me chamou de volta para trabalhar.

Quando entrei nessa empresa, eu tinha a oitava série completa, mas não estava estudando e continuei sem estudar, e somente quando fui demitido, voltei a estudar, e até hoje estou estudando, cursando o primeiro colegial supletivo.

S6:

Comecei a trabalhar com 22 anos, em 2004, meu primeiro emprego foi aqui mesmo... fui à Derdic, ligaram pra minha mãe. Me chamou pra fazer ficha, falou, explicou o lugar...

Derdic ajudou, chamou. Foi encaminhada para a empresa X,

essa aqui. Trabalho há sete anos.

Uma vez relatadas as primeiras experiências desses trabalhadores surdos no mundo do trabalho, vamos conhecer suas impressões e opiniões sobre suas trajetórias e condição de trabalho na empresa em que trabalham hoje, bem como, das condições de promoção com os seus facilitadores e fatores impeditivos para seu crescimento profissional.

Pudemos observar também no discurso do surdo, um sentimento de

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