Andrew Morrison, Maria Bertheussen Skrydstrup, Janike Kampevold Larsen & Angeliki Dimaki-Adolfsen
9. Co-creating a Culture of Care through the
Com base na fundamentação teórica que foi apresentada, e análise de conteúdo tomamos como base a orientação para os procedimentos e análise dos dados da pesquisa.
Tendo em vista a abordagem qualitativa, em que as representações sobre o assunto (Gaskell, 2002) são mais importantes do que a quantidade de entrevistados, optou-se por uma amostragem intencional, dirigida a segmentos relevantes para o estudo: seis trabalhadores surdos e quatro representantes de duas empresas, direta ou indiretamente ligados a estes funcionários.
Os dados serão analisados buscando-se compreender as ideias e posturas, e a representação social da inclusão no trabalho, a construção do sentido deste trabalho e as questões de subjetivação do trabalhador surdo, numa perspectiva sócio-histórica da Psicologia.
Os sujeitos escolhidos para a realização do estudo foram seis surdos adultos, com faixa etária acima de 18 anos, que atualmente estão trabalhando em quatro diferentes empresas de São Paulo, de diferentes atividades no mercado.
Para a escolha dos sujeitos obedecemos aos critérios iniciais, de que estivessem empregados com, no mínimo, um ano de atividade na empresa. Tal critério foi ao encontro do que foi pensado para empresas mais recentes em contratações de profissionais surdos.
Dos surdos entrevistados, quatro passaram pelo programa de Empregabilidade da Derdic, em orientação e encaminhamento para o trabalho, ou pelos cursos de qualificação e, posteriormente, também encaminhados ao mercado.
Os sujeitos seriam escolhidos intencionalmente para os propósitos da pesquisa, e divididos em três grupos de surdos, ou seja: dois trabalhadores surdos que haviam sido contratados e permaneciam na mesma função, dois trabalhadores surdos que tiveram mudança de posto de trabalho, mas sem ascensão profissional e dois trabalhadores surdos que tiveram oportunidade de promoção no trabalho.
Porém, os surdos que responderam a pesquisa, não foram selecionados exatamente dentro desses critérios, devido a algumas dificuldades em conseguir acesso às empresas, principalmente, as de maior porte, em que o número de surdos trabalhando é maior e a diversidade de situações e condições de trabalho também poderiam variar mais, inclusive, em relação ao tempo em que estavam trabalhando na empresa e as possibilidades de promoção no emprego.
Algumas empresas que haviam inicialmente concordado em conceder as entrevistas e autorizado seus funcionários a participarem, não confirmaram a participação na pesquisa, após diversas tentativas de contato por telefone ou por meio de correio eletrônico.
Dois dos sujeitos surdos que concederam entrevista se dispuseram a participar de forma voluntária, independentemente das empresas para as quais trabalhavam e, inclusive, deixaram claro que essas organizações não aceitariam participar das entrevistas. Portanto, apresentaremos as entrevistas destes trabalhadores surdos, sem as entrevistas dos representantes da empresa, que dariam seus depoimentos do ponto de vista do empregador, os quais viriam ao encontro do objetivo da pesquisa.
As empresas escolhidas para participarem da pesquisa foram escolhidas, inicialmente, de forma intencional, conforme características no mercado voltadas para o objetivo da pesquisa. Os critérios que foram utilizados definiram por aquelas empresas que já contratavam trabalhadores surdos e as que contratavam mais recentemente estes trabalhadores.
Elegemos, inicialmente, como uma das empresas sendo do ramo industrial metalúrgico de grande porte, localizada em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, município da grande São Paulo, que tem no seu quadro de funcionários hoje, 55 pessoas com deficiência, das quais 23 são surdas e, em sua maioria, atuando na área de produção.
Outra empresa convidada a participar da pesquisa, é da área de engenharia e projetos, localizada na região da Lapa, na zona oeste da cidade de São Paulo, sede da empresa, e tem hoje no seu quadro de funcionários, dois surdos trabalhando na área administrativa. A empresa tem outras filiais no interior de São Paulo e outros Estados do Brasil, que também contrata pessoas com deficiência.
A primeira não participou da pesquisa, depois de variadas tentativas de autorização e agendamento para a realização das entrevistas. A pessoa do setor de Recursos Humanos, nosso contato na empresa, nos informou que não conseguiriam nos atender, devido ao grande volume de trabalho que o setor demandava naquele momento e que, portanto, não participariam da pesquisa proposta.
Diante dessa recusa, verificamos outra empresa de grande porte, do ramo de iluminação elétrica, localizada em Osasco, município da região da grande São Paulo.
Embora não fosse critério de escolha, as duas empresas participantes da pesquisa já tinham contratado funcionários surdos provenientes do Programa de Qualificação e Colocação do Surdo no mercado de trabalho, da
Derdic e do total de funcionários surdos, parte deles encaminhados pela Derdic, participaram das entrevistas para a referida pesquisa.
A pesquisa de campo foi realizada entre os dias 21 de julho e 03 de agosto de 2011, nas dependências das duas empresas participantes da pesquisa, para as entrevistas com as duas partes envolvidas no objeto desse estudo, empregador e o surdo empregado. As entrevistas foram previamente autorizadas, e no momento da entrevista também, quando foram esclarecidos pelo pesquisador o objetivo e a importância da pesquisa, e confirmado o consentimento de participação e gravação das entrevistas.
Nesse momento, o pesquisador também explica sobre a utilização do intérprete para a realização das entrevistas.
Desta forma, para a realização das entrevistas com os trabalhadores surdos, embora o pesquisador tivesse conhecimento da Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS, fizemos a opção pelo uso do intérprete para a tradução simultânea das entrevistas que foram gravadas e posteriormente transcritas.
Tanto a gravação dos relatos como a utilização da interpretação em LIBRAS, deu ao pesquisador uma liberdade para conduzir as entrevistas, de forma que pudesse interferir nos relatos do entrevistado, retomando os assuntos, mudando a forma de perguntar para clareza do entrevistado e até mesmo acrescentando perguntas ao roteiro no decorrer das entrevistas, no sentido de melhor entender suas colocações e posições.
O recurso do intérprete teve o objetivo de garantir maior precisão do conteúdo relatado pelo sujeito surdo entrevistado, e permitiu maior liberdade do pesquisador para conduzir a entrevista, estendendo-se ou retomando alguns pontos, quando necessário, além de proceder à gravação do relato.
Os dados foram coletados a partir de entrevistas semi-estruturadas, com perguntas abertas em questionário pré-estabelecido para orientação das entrevistas realizadas com seis trabalhadores surdos, sendo que quatro
deles tiveram a correspondência de seus respectivos empregadores, representados pelos supervisores diretos nos seus setores de trabalho e por profissionais responsáveis pelo setor de Recursos Humanos da empresa, indiretamente ligados aos funcionários surdos.
As entrevistas feitas com os dois surdos voluntários foram realizadas numa das salas da Derdic, por se tratar de local neutro e de mais fácil acesso para o encontro, tanto para os entrevistados como para a pesquisadora.
As entrevistas tiveram como objetivo, o levantamento por meio das experiências dos supervisores com pessoas surdas no trabalho, a visão da empresa sobre a inclusão do surdo no mercado de trabalho, e as reais condições de ascensão profissional, consideradas suas limitações na comunicação.
Direcionamos nossas entrevistas com os trabalhadores surdos para os aspectos profissionais deles, enfocando sua trajetória profissional no mundo do trabalho, embora no primeiro bloco de perguntas, tenhamos feito uma incursão pela vida escolar desses trabalhadores, a fim de conhecer seu percurso na educação, incluindo os percalços e facilidades que poderiam ter influenciado na sua vida profissional.
As entrevistas realizadas com os trabalhadores surdos visaram conhecer, do ponto de vista deste trabalhador, qual é a sua situação na política de carreira da empresa, quais são as condições de equiparação de oportunidades para sua ascensão profissional na organização.
Para análise dos dados da pesquisa, foram utilizadas outras fontes de pesquisa e informações referentes a outros estudos feitos nessa área, referências de trabalhos/pesquisas já existentes sobre inclusão de surdos e pessoas com deficiências no mercado de trabalho, ou da temática diversidade nas organizações.