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Foram realizadas duas intervenções, uma no segundo semestre de 2014 e outra no primeiro semestre de 2015. Cada intervenção foi realizada em dois turnos (com turmas diferentes), vespertino e noturno. A seguir descreverei cada um dos encontros das duas intervenções. Uma vez que todas as atividades da segunda intervenção foram realizadas na primeira, com o acréscimo de duas aulas, descreverei a intervenção de 2015, indicando o que foi comum às duas intervenções e o que foi acrescido nessa segunda intervenção.

1º encontro

O primeiro encontro, comum às duas intervenções, foi destinado à apresentação de meu projeto de mestrado e seus objetivos, bem como à identificação de ideias prévias dos alunos em relação à perspectiva CTS e seus conceitos centrais. Identifiquei tais ideias por meio de uma roda de conversa que conduzi sobre o tema. Em seguida conversamos sobre o conceito de cientificismo e seus seis sinais como proposto por Susan Haack (2012). Para este debate, apoiei-me no trabalho de Haack e utilizei, com objetivo de levantar e ilustrar a discussão, um trecho de "O Mundo de Beakman"1 retirado do episódio 14 da primeira temporada, no qual Beakman demonstra como funcionaria o método científico e discute suas utilizações.

1O mundo de Beakman, 1993-1997, Columbia Pictures Television. O Mundo de Beakman foi uma série de TV

educativa estrelada pelo ator norte-americano Paul Zaloom no papel do Professor Beakman. No programa Beakman lia cartas de telespectadores fictícios, o que era o gancho para a realização de experiências (que ensinava como reproduzi-las em casa) e a abordagem divertida de conceitos científicos. A série durou 4 temporadas com 26 episódios cada. Retirado de: http://omundodebeakmansite.blogspot.com.br/ acessado em: 28/04/2015 às 08:05.

Também utilizei filmes publicitários de marcas de cremes dentais que afirmam que cientistas as utilizam ou as indicam para que sejam consumidas pelo público2. Desde o primeiro encontro esclareci aos alunos que no último encontro eles deveriam apresentar uma proposta de aula(s) que utilizasse(m) o cinema como ferramenta para trabalhar sob uma abordagem CTS.

2º encontro

Neste encontro utilizei parte do primeiro capítulo do livro "CTS e educação científica: desafios, tendências e resultados de pesquisa " organizado por Wildson Santos e Décio Auler. O capítulo se chama "Significados da Educação Científica com enfoque CTS", escrito por Wildson Santos, e as páginas lidas foram da 21 a 28. Essas páginas foram escolhidas pois tratam da evolução do movimento CTS, de seu direcionamento à área da educação e do que o autor chama de os diversos slogans que esta ramificação adquiriu ao longo do tempo. Após a leitura conjunta, discutimos as ideias centrais do texto. Posteriormente, ministrei uma aula expositiva sobre o movimento CTS, na qual busquei mostrar um histórico do movimento e suas vertentes. Em seguida, solicitei que os alunos escolhessem um filme dentre os que sugeri (Quadro 2) para assistirmos em conjunto, em sala, ao que se seguiu um debate. A turma do matutino escolheu o filme "Ela"3, a do noturno o filme "12 anos de escravidão"4.

O filme "Ela", do diretor Spike Jonze, se passa em um futuro não definido onde Theodore (Joaquin Phoenix) é um escritor solitário, que acaba de comprar um novo sistema operacional para seu computador. Para a sua surpresa, ele acaba se apaixonando pela voz deste programa informático, tendo início uma relação amorosa entre ambos. Esta história de amor incomum explora a relação entre o homem contemporâneo e a tecnologia.5

2Anúncios publicitários utilizados: https://www.youtube.com/watch?v=5fjepdAyDco

https://www.youtube.com/watch?v=lcXLuBiUF0g

3Ela, 2013, Sony Pictures.

412 anos de escravidão, 2013, Disney/Buena Vista.

FIGURA 1: Cena do filme Ela, na qual o protagonista entra em contato com o sistema operacional por quem se apaixona.

O filme "12 anos de Escravidão", do diretor Steve McQueen, é baseado no livro de mesmo nome, que conta a história real de Solomon Northup e se passa no ano de 1841. Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor) é um escravo liberto, que vive em paz ao lado da esposa e filhos. Um dia, após aceitar um trabalho que o leva a outra cidade, ele é sequestrado e acorrentado. Vendido como se fosse um escravo, Solomon precisa superar humilhações físicas e emocionais para sobreviver. Ao longo de doze anos ele passa por dois senhores, Ford (Benedict Cumberbatch) e Edwin Epps (Michael Fassbender), que, cada um à sua maneira, explora seus serviços.6

FIGURA 2: Cena do filma 12 anos de escravidão mostrando o protagonista em seu trabalho escravo na lavoura.

Este segundo encontro foi modificado na segunda intervenção. Na primeira não houve a leitura e discussão do texto, somente a aula expositiva. Além disso, na primeira intervenção solicitei aos alunos que assistissem em casa dois filmes para, posteriormente, preparar dois trabalhos. O primeiro filme, escolhido por mim, foi “A invenção de Hugo Cabret”7 a respeito do qual os alunos fariam uma resenha identificando aspectos do tema CTS que poderiam ser

6sinopse baseada em http://www.adorocinema.com/filmes/filme-196885/. Acessado em: 25 de maio de 2015. 7A invenção de Hugo Cabret, 2011, Paramount Pictures.

abordados em sala de aula. O segundo, escolhido pelos alunos das duas turmas, foi “Wall- E”8, que seria trabalhado na aula seguinte.

O filme “A invenção de Hugo Cabret”, do diretor Martin Scorsese, se passa em Paris nos anos 30 e conta a história de Hugo Cabret (Asa Butterfield), um órfão que vive na estação de trem de Montparnasse. Seu pai (Jude Law) ao morrer deixa um autômato que não funciona e que ao encontrá-lo por acaso, o menino tenta consertar. Ao conhecer Izabelle (Chloe Moretz) eles descobrem que ela possui a chave que põe o autômato em movimento, desencadeando uma aventura que traz aspectos da história do cinema, principalmente sobre o diretor George Meliés. George Meliés, um ilusionista que fez história no cinema, tendo feito mais de 500 filmes e desenvolvido inúmeras técnicas de efeitos especiais. Escolhi esse filme por tratar da história do cinema, mostrando inúmeros aparatos tecnológicos utilizados na época.

FIGURA 3: Cena do Filme A invenção de Hugo Cabret mostrando a o processo de criação de George Meliés.

O filme “Wall-E”, do diretor Andrew Stanton, mostra a Terra entulhada em lixo após a humanidade ter deixado o planeta, solução que deveria ser temporária, enquanto robôs limpavam o planeta. O retorno, entretanto, revelou-se inviável por um tempo muito maior do que o previsto e várias gerações de seres humanos nascem e passam a vida passada na nave. Ao início do filme, Wall-E é o último desses robôs que funciona e prossegue sua função de compactar lixo, numa Terra despovoada de seres humanos. O robô também coleciona artigos curiosos, deixados para trás pelos seres humanos. Um dia uma robô, Eva, é enviada à Terra, pelos humanos, em busca de vida. Ao encontrar uma plantinha, Eva juntamente com Wall-E, volta à nave onde se encontram os humanos. O achado da planta é o sinal de que é possível o

retorno à Terra, decisão difícil para os seres humanos da nave, que nunca conheceram o planeta de origem de seus ancestrais. O restante do enredo se desenrola a partir de como os humanos devem agir quanto a recolonização da Terra após anos afastados.

FIGURA 4: Cena do filme Wall-E mostrando o protagonista (Wall-E) na nave onde vivem os humanos. 3º encontro

Este encontro, que aconteceu somente na segunda intervenção, foi destinado à exibição dos filmes “Ela”, para a turma do diurno e “12 Anos de Escravidão”, para a do noturno. Após o término da exibição, fizemos uma discussão sobre aspectos dos filmes que os licenciandos consideraram mais interessantes e sobre como o filme poderia ser trabalhado em sala de aula, na perspectiva de um trabalho com princípios CTS.

4º encontro

Neste encontro, comum às duas intervenções, discutimos sobre os filmes assistidos pelos estudantes em casa (primeira intervenção) ou exibidos no encontro anterior (segunda intervenção). Procurei levar os estudantes a refletir a respeito de como os filmes se relacionavam com a perspectiva CTS e como poderiam ser utilizados em sala de aula. Após a discussão, os alunos se reuniram em grupos para formular esboços de propostas de intervenções utilizando os filmes na perspectiva CTS. Posteriormente, os alunos apresentaram suas propostas e discutimos cada uma, analisando, primeiramente, se estavam de acordo com os princípios da perspectiva CTS. Finalmente examinamos as abordagens pedagógicas das propostas, buscando dar preferência às aulas em que os alunos tivessem um papel mais ativo e mais crítico.

Além disso, somente para os alunos da segunda intervenção, solicitei que trouxessem nomes de filmes de sua preferência, de forma que o grupo escolhesse um para ser trabalhado no encontro seguinte, que serviria de base para o trabalho final dos grupos. Essa necessidade surgiu a partir da experiência com a primeira intervenção, em que senti certa dificuldade por parte dos licenciandos na construção de seus trabalhos finais. Logo, na segunda intervenção, escolhi auxiliá-los na construção de seus trabalhos finais, de tal forma que eles pudessem, nesse trabalho coletivo, buscar maior apoio conceitual e metodológico nas ideias CTS, sem a pressão de serem avaliados, na apresentação final. Julguei, tendo em vista os objetivos da proposta de trabalho, considerando os resultados da primeira intervenção, que tal estratégia poderia vir a ser mais proveitosa.

5º encontro

Este encontro, acrescentado à segunda intervenção, foi dedicado à elaboração do esboço de uma proposta de atividade utilizando filmes sugeridos pelos estudantes, sob a perspectiva CTS. Num primeiro momento, os alunos fizeram um esboço de sua proposta, que apresentaram para a turma. Em seguida discutimos pontos interessantes e aqueles que poderiam ser aperfeiçoados em cada uma para que fossem melhor desenvolvidas no trabalho final.

6º encontro

Este encontro foi comum às duas intervenções. Os alunos apresentaram o trabalho final da intervenção. Neste trabalho eles deveriam fazer uma proposta de aulas em que utilizassem um filme de sua escolha, sob a perspectiva CTS.