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Por se acreditar no provérbio chinês “uma imagem vale mais que mil palavras”, neste item foi utilizado uma série de figuras para ilustrar as dificuldades inerentes a estimativa da densidade populacional de animais selvagens em diferentes ambientes. As dificuldades podem ser divididas em três categorias (1ª) o tamanho da espécie e sua maneira de se locomover; (2ª) tipo de ambiente em que o animal foco está inserido e (3ª) etológicas, características comportamentais que acabam facilitando ou dificultando a contagem: por exemplo, reunir-se em grandes manadas; migrar em fila indiana; forragear ou descansar em grupo; contingência de habituação da espécie; ser letárgico como os guaribas ou frenético como os macacos pregos e Saimiris; se locomover discretamente como os parauacus ou atabalhoadamente como os macacos-prego; vocalizar alto como os guaribas, sauás, macacos-aranha e cuxiús ou mais discretamente como os pregos etc.

Figura 3 - Um grupo de Therapithecus gelada (Babuinos hamadrias) forrageando nas acácias e no solo. O cenário é a planície árida de Danakil (Etiópia). As acácias não são muito altas e os animais formam pequenas unidades dentro do grupo geral, o que facilita a contagem, a maior dificuldade no estudo destes animais é sua agressividade e o perigo representado por seus piores inimigos, os leões. Isto obriga os primatólogos a segui-los dentro de automóveis e requer a presença de um motorista Fonte: KUMMER (1968)

Figura 4- Num parque em Nairobi (Kenia), uma leoa persegue seu alimento preferido, uma gazela de Thompson. Neste ambiente estes animais ocorrem em simpatria com Papio ursinus (babuínos cinza-acastanhado), apesar dos leões serem um dos poucos animais que conseguem caçar babuínos, eles podem se refugiar nas acácias. Num ambiente tão inseguro assim para o frágil Homo sapiens, eles são obrigados a se protegerem dentro dos carros se quiserem estudar animais selvagens. Isto implica na contratação de um motorista e despesas extras com combustível e manutenção Fonte: WASHBURN; DEVORE (1961)

Figura 5A- Em sítios onde não há leões os pesquisadores podem seguir tranquilamente seus objetos de estudo. Nesta figura Shirley Strum estuda Papio ursinus (babuínos ) no Kênia, o ambiente aberto das savanas permite um acompanhamento praticamente ininterrupto do grupo. 5B – Em ambientes abertos é até possível fotagrafar eventos raros como a predação, neste caso uma gazela de Thompson. A foto revela, além da força da mordedura desses primatas, as calosidades isquiáticas nas nádegas, uma adaptação ao pernoite nas rochas (eles dormem sentados). Esta é uma das três grandes diferenças anatômicas entre platirrinos e catarrinos, as outras duas são: ausência de cauda preênsil e nariz afilado nos catarrinos. (FIGURA 5B, 5C) Fonte: NATIONAL GEOGRAPHIC (1975)

Figura 6- Mesmo animais que ocorrem em aglomerados, como estes Aptenodytes forsteri (pingüins- imperador) é possível contá-los se o ambiente for aberto, como nesta praia. Conta-se várias vezes quantos filhotes cabem em 1 metro², faz-se uma média e extrapola-se para á área da praia ocupada por eles Fonte: ATTENBOROUGH (1980)

Figura 5C – Um indivíduo em seu local de pernoite. Em sítios onde seus inimigos naturais (felinos) exercem forte pressão de predação estes rochedos são os fatores limitantes para a dispersão e a densidade populacional dos babuínos.

Figura 8- As dificuldades começam quando os estudos são realizados em áreas florestadas como neste estudo de Birité em Kamai (Indonésia) com Pongo pygmaeus (orangotango). Quando a área florestal é periodicamente alagada, como nas várzeas amazonenses de Mamirauá (e.g. AYRES 1986; QUEIROZ 1995) ou pântanos (GOLDICAS-BRINDAMOUR, 1975), ocorrem problemas adicionais. Por exemplo, limitações de mobilidade do pesquisador, por isso ter que depender de uma pessoa a mais para remar ou pilotar a canoa; sanguessugas (pântanos), arraias, jacarés e enguias (várzea). Além das inúmeras doenças de veiculação hídrica e a dificuldade de andar com as botas encharcadas. Fonte: NATIONAL GEOGRAPHIC (1975)

Figura 7- Este grupo de macacos- japoneses (Macaca fuscata) aprendeu rapidamente que, banhando-se nas águas mornas das nascentes vulcânicas existentes no seu território, suportava melhor o frio das tempestades de neve. Saber a localização destas fontes termais naturais facilita muito o trabalho de contagem. No entanto, como a água não lhes proporciona alimento, os macacos vêem-se obrigados a sair do banho e, com a pelagem espessa e encharcada, ir pela neve em busca de algo para comer. Neste bioma, como na anterior, também não é difícil estimar a densidade populacional dos animais. Os grupos não são muito grandes e ocorrem em pequenas ilhas. Obviamente que no inverno a neve cobre a trilha e dificulta o trabalho, apesar da bússola e o GPS auxiliar o pesquisador a caminhar em linha reta numa direção escolhida, preferencialmente a contagem deve ser feita no verão. Fonte: ATTENBOROUGH (1980); HANYA ; YOSHIHIRO (2004)

Figura 9 - Migrações de Gnus no Serengueti, a planície está verde devido as recentes chuvas, em maio, com a proximidade da estação seca, estas manadas migram para o oeste em busca de fontes permanentes de água e pasto próximo ao Lago Vitória, enquanto outros interiorizam-se nos campos arbustivos do Kênia. Dentro de aproximadamente oito meses eles retornam. Saber previamente a rota e o deslocamento em fila indiana ou mais ou menos organizado, facilita a contagem em terra. Em contagem aérea o trabalho é facilitado pelo grande tamanho do animal, principalmente se fotos e/ou filmagens estiverem disponíveis. Fonte: Leakey (1969)

Figura 10 - Elefantes em Murchison Falls National Park, (Uganda), duas ou três vezes por ano dúzias de pequenas unidades familiares formam uma grande congregação para acasalamento durante algumas semanas; enquanto permanecem juntos os animais apresentam-se altamente ativos e exitáveis. Esta manada, mostrada apenas em parte, apresentava 500 indivíduos. Se for possível, a utilização de imagens aéreas como esta e a figura anterior, isto é desejável. Os pontos brancos são garças em relação mutualística com os elefantes. Elas se beneficiam de alimentos (ectoparasitas) e os paquidermes de acepsia corporal Fonte: Leakey (1969)

Figura 11- Nada se compara as dificuldades, em termos de visibilidade, como dentro das florestas pluviais, seja na Amazônia, como no presente estudo, ou na África como neste estudo com Pan troglodites (chimpanzés) no Congo. No entanto, os primatólogos que trabalham na África dentro das áreas protegidas em florestas pluviais tem uma vantagem em relação aos primatólogos sul-americanos. Os antropóides e cercopitecóides são maiores que os cebídeos e calitriquídeos. Em destaque a primatóloga inglesa Jane Goodall Fonte: Goodall (2003a,b)

Figura 12 - Um grupo de Pan troglodites em excitação devido ao sucesso na caça, de uma gazela. Chimpanzés são onívoros e a maioria de seu alimento é de origem vegetal. No entanto, em algumas ocasiões, onde a caça foi bem sucedida, a carne é muito requerida e utilizada como moeda de troca (sexual para as fêmeas e reiteração de laços afiliativos para os machos aparentados). Como a caçada é feita em grupo pelos machos dominantes, normalmente ela é repartida, inclusive entre as fêmeas e sub- adultos. Esta foto não é excepcional apenas por sua nitidez, mas porque o fotógrafo conseguiu registrar um evento não muito freqüente. Imagens como está requerem um equipamento profissional, uma tele objetiva de no mínimo 500 mm acoplado a um “motor-drive”, paciência e “sorte” de se posicionar no lugar certo na hora certa. O que pressupõe um grupo com certo grau de habituação (WRANGHAM, 1980; WRANGHAM e PETERSON 1998; WALL, 1989). Fonte: Goodall (2003 a,b)

Figura 13 - Aotus trivirgatus o único primata neotropical noturno. Observe a dilatação das pupilas, uma adaptação a visão noturna. Esta imagem foi introduzida providencialmente porque este primata ocorre nas duas áreas estudadas, mas pelo fato de ser noturno, não fez parte deste estudo. Tal característica tem como conseqüência ser um dos gêneros de primatas neotropicais menos conhecido. Seu estudo sistemático requer binóculos com visão noturna, mesmo assim demandasse tempo para aprender a diferenciá-lo das outras criaturas da noite amazônica, por exemplo, o Potus flavus (juparati). No zoológico de São Paulo o biorritmo do animal foi invertido, através de luz artificial, para que as pessoas possam vê-lo ativo. Ele serve para ilustrar o quão subrrepticios pode ser os cebídeos (como ele) e mais ainda os calitriquídeos. A foto de baixo é de zoologico Fonte: MOSER, 1985. Foto inferior Mittermeier (1982)