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7.   Conclusion

7.6   Further  research

Já na fase final de desenvolvimento do equipamento sinalizador luminoso de faltas em sua versão comercial, suscitou-se uma discussão entre a equipe do projeto e parceiros industriais que participaram da fabricação do lote pioneiro do equipamento sinalizador sobre a suportabilidade do gabinete plástico injetado em PC/PBT ao trilhamento elétrico durante sua utilização nos condutores nus ou protegidos das redes aéreas de distribuição de energia elétrica.

Esta discussão motivou a realização de estudos e consultas a especialistas sobre o assunto para eliminar a dúvida sobre possíveis problemas de degradação acelerada e quebra que poderiam ocorrer com o gabinete plástico durante sua utilização.

A questão da resistência ao trilhamento elétrico do material do gabinete jamais havia sido abordada diretamente anteriormente, pois estava implicitamente assumido que a mesma não era relevante numa aplicação como a do sinalizador. Este pressuposto era plenamente corroborado pelo fato de não existir qualquer exigência ou referência a testes de resistência ao trilhamento no guia internacional de testes de sinalizadores de faltas (IEEE, 2007), o único documento desse tipo existente no mundo. Também corroborava o pressuposto o fato de não haver qualquer referência a esta característica em nenhuma informação fornecida pelos fabricantes de qualquer dos sinalizadores existentes no mercado mundial.

A Norma ABNT NBR 10296 (1988), intitulada: “Material isolante elétrico - Avaliação de sua resistência ao trilhamento elétrico e erosão sob severas condições ambientais”, prescreve métodos de ensaio para avaliação do material isolante elétrico para uso sob severas condições ambientais com frequências industriais (48 Hz a 62 Hz), através de medidas da resistência ao trilhamento elétrico e erosão, usando um líquido contaminante e corpos-de-prova em planos inclinados. As condições de ensaio previstas na norma são designadas para acelerar a produção dos efeitos, mas não reproduzem todas as condições encontradas em

115 serviço.

As condições de serviço a que se refere à norma citada estão relacionadas com equipamentos cujos corpos são instalados na rede elétrica em contato direto com os condutores de fase e sendo submetidos à diferença de potencial total presente entre os alimentadores primários ou entre os alimentadores e o neutro ou alguma estrutura aterrada. Nessas circunstâncias, a tensão de linha ou de fase do sistema causará solicitação elétrica sobre o material isolante do corpo do equipamento, notadamente sobre sua superfície, que em presença de contaminantes e umidade pode dar ensejo a densidades superficiais de corrente de condução. Tais densidades de corrente, em geral, não se distribuem uniformemente, podendo concentrar-se em caminhos preferenciais que, ao final, podem dar origem ao trilhamento.

As condições de serviço acima descritas não se assemelham àquelas a que são submetidos os sinalizadores luminosos de faltas. O corpo de cada sinalizador é instalado diretamente sobre o condutor de uma fase do alimentador primário, mas não fica submetido à tensão de fase ou de linha do sistema, pois não faz contato físico com nenhum dos outros condutores (de fase ou de neutro) assim como com qualquer estrutura aterrada. Desta forma não existe caminho possível para densidades superficiais de correntes de condução que possam originar o fenômeno de trilhamento elétrico nos corpos dos sinalizadores.

A única outra forma de corrente que poderia ser produzida no corpo do sinalizador seria a corrente de deslocamento (ou de polarização), induzida capacitivamente pelo gradiente do campo elétrico existente nas proximidades do condutor de fase. Este tipo de corrente, no entanto, é limitado pelas elevadas reatâncias capacitivas envolvidas, uma vez que o gabinete de sinalizador é de pequenas dimensões, não se apresentando como risco em potencial para causar dano ao material.

Em face das condições de serviço acima expostas, é compreensível que nem o guia ANSI/IEEE 495 (2007) nem qualquer material de informação fornecido por fabricantes de sinalizadores existentes no mercado se refira a ensaios ou características referentes à resistência ao trilhamento elétrico do material dos gabinetes de tais equipamentos, o que indica claramente tratar-se de um requisito inaplicável ao caso. Entretanto, o parceiro industrial quis aplicar a ABNT NBR 10296 (1988) para ensaiar o PC/PBT utilizado no gabinete do sinalizador e isto motivou

116 este estudo.

Foram consultados especialistas da área que fizeram as seguintes considerações sobre o assunto:

• Não se vê a necessidade do invólucro externo do sinalizador possuir resistência ao trilhamento elétrico, principalmente no caso do mesmo ser instalado em condutores nus da rede de alta tensão. No caso do uso do sinalizador instalado sobre a cobertura de cabos cobertos (condutores de redes compactas), também não se prevê que possa haver problemas em condições ambientais normais. Especificamente em ambientes agressivos, como a orla marinha, por exemplo, se aconselha que seja feita uma avaliação da interação dos materiais da cobertura do cabo e do gabinete do sinalizador. O ensaio de resistência ao trilhamento elétrico, entretanto, não se presta a este tipo de avaliação.

• Não existem ensaios previstos em normas (brasileiras ou internacionais) recomendados para avaliar a interação entre materiais isolantes instalados juntos sobre condutores energizados. Foi sugerido, no entanto, que se poderia tentar realizar uma adaptação de um ensaio previsto na norma ABNT NBR 9512 (1986), intitulada: “Fios e cabos elétricos - Intemperismo artificial sob condensação de água, temperatura e radiação ultravioleta-B proveniente de lâmpadas fluorescentes”, que prescreve o método recomendado para determinação da resistência ao intemperismo dos componentes de fios e cabos elétricos e seus acessórios. A adaptação consistiria, basicamente, em colocar um sinalizador sobre um trecho de cabo coberto submetido ao ensaio de intemperismo e, após a conclusão do procedimento, inspecionar as superfícies do cabo e do sinalizador que permaneceram em contato para avaliar as condições de deterioração de ambos. Um ensaio desse tipo não apresenta resultados objetivos, como limiares precisos de aceitação ou recusa, mas pode oferecer informações úteis para inferir possíveis influências negativas na durabilidade dos materiais envolvidos na aplicação. Caso algum sinal de dano apreciável fosse observado em tal ensaio seria possível estudar medidas eficientes a serem adotadas para amenizar o fenômeno.

117 Pelo exposto, conclui-se que os ensaios previstos na norma ABNT NBR 10296 (1988) não devem ser considerados aplicáveis ao material do gabinete do sinalizador em virtude das especificidades de sua aplicação.

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