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Functional effects of exogenous FV in MDA-MB-231 and MCF-7

Desde antes de 1975, o brinquedo vem sendo objeto de publicidade na televisão. Sem dúvida, tornou-se uma indústria da imagem, especialmente sob a pressão da televisão, que é um meio de se dirigir diretamente à criança. A imagem do brinquedo não é qualquer imagem: deve ser manipulável no interior da atividade lúdica realizada pela criança e corresponder à lógica da brincadeira e da expectativa daquele que orienta a compra (BROUGÈRE, 1997).

Freud (apud SOIFER, 1992) soma a essa fala de Brougère (1997), reforçando que o brinquedo, na ação do brincar, une os objetos e as situações imaginárias da fantasia com as “coisas” visíveis do mundo real. A criança imita o que sabe sobre a vida adulta, diferenciando, assim, a fantasia da realidade. Porque, enquanto ela desenvolve esta atividade de natureza lúdica sabe que é de “mentira”, de “faz-de-conta”, e não real, podendo amenizar, por exemplo, as tensões nascidas da impossibilidade de realizar os desejos reprimidos.

Voltando ao brinquedo, esse merece ser estudado por si mesmo, porque está inserido em um sistema social e suporta funções e mudanças sociais que lhe conferem razão de ser. Por exemplo, quando pensamos em Natal pode-se associá-lo ao brinquedo, e nesse caso sua função é social, dotado que é de um forte valor cultural. Assim, ao definirmos cultura como um conjunto de significações produzidas pelo homem, podemos observar que o brinquedo é rico de significados que permitem compreender determinada sociedade e cultura.

No brinquedo, o valor simbólico é a função, porque esse objeto tem o papel de despertar imagens que permitirão dar sentido a essas ações. O brinquedo estimula a brincadeira infantil e essa ação lúdica abre possibilidades de ações coerentes com a representação: pelo fato de representar um bebê, uma boneca-bebê desperta ações de carinho, de troca de roupa, de dar banho e o conjunto de ações ligadas à maternagem.

No entanto, não existe no brinquedo uma função de maternagem, mas sim a possibilidade de uma representação que convida a essa atividade, num fundo de significação (bebê) dada ao objeto, num meio social como referência (e a evolução da boneca, há um século, nos mostra como a representação evolui para significar uma criança cada vez menor, até chegar a um nenê).

Conceber e produzir um brinquedo é transformar em objeto uma representação, um mundo imaginário ou relativamente real. Então, conceber um brinquedo é introduzi-lo numa ficção e numa lógica simbólica. Esse aspecto simbólico no brinquedo não deve ser tomado como uma característica independente do contexto econômico no qual ele evolui.

O brinquedo desencadeia a brincadeira, tendo funções sociais relativas à maneira como ele é colocado à disposição da criança. Sua função, por exemplo como presente (rito do Natal), pode desempenhar um papel central.

Assim, podemos dizer que o brinquedo, por seu próprio “extremismo”, permite-nos vislumbrar uma direção voltada à análise da relação entre imagem e função no objeto, conhecer não só o domínio da imagem, mas a própria transformação da dimensão simbólica em função do objeto, e ultrapassar a oposição entre esses dois aspectos, que se encontram em diversas análises do objeto, o que faz com que a imagem seja a tradução da função ou permita participar diretamente dela, como nos mostra o brinquedo.

Brougère (1997) afirma que a questão brinquedo/cultura dispõe de um banco de imagens consideradas como expressivas dentro de um espaço cultural. Com essas imagens é que a criança poderá captar novas produções, visto que a infância é um momento de apropriações de imagens e de representações diversas, que transitam por diferentes canais de uma mente-cérebro.

O brinquedo, por si mesmo, é uma abstração; quem lhe dá vida é o ser humano. O brinquedo provém dessa capacidade de ser um meio de expressão com volume. É um objeto dotado de significação, mas que continua sendo um

objeto. A partir de uma modificação, o brinquedo deixa o realismo para entrar na esfera da produção de um universo imaginário específico.

Na brincadeira a criança não se contenta em desenvolver e manifestar comportamentos, mas manipula as imagens, as significações simbólicas que constituem uma parte da impregnação cultural à qual está submetida. Assim, ela tem acesso a um repertório cultural próprio de uma parcela de sua comunidade.

Quanto à construção da sociabilização da criança por meio do brinquedo: o círculo humano e a realidade construída pelos objetos contribuem para a socialização da criança, e esse processo acontece em múltiplas interações, dentre as quais algumas tomam a forma de brincadeira ou, pelo menos, de um comportamento reconhecido como tal pelos adultos.

O brinquedo pode ser definido de duas maneiras: na relação à brincadeira (utilizado como suporte na brincadeira) ou em relação a uma representação social (objeto industrial ou artesanal). Esse brinquedo pode ser considerado como uma mídia que transmite à criança certos conteúdos simbólicos, imagens e representações produzidos pela sociedade que a cerca.

Por meio das brincadeiras/brinquedos a criança manipula e se apropria dos códigos sociais da transposição imaginária, manipula valores (o bem e o mal), brinca com o medo e o monstruoso, preenchendo as pulsões e os comportamentos individuais com conteúdos sociais e socializados, por intermédio da comunicação que esses desenvolvem entre as crianças.

Assim, a manipulação de brinquedos permite a elas manipular os códigos culturais e sociais e projetar ou exprimir, por meio do comportamento e dos discursos que o acompanham, uma relação individual com esse código. “A socialização não pode ser entendida como condicionada pelo objeto, mas sim como um processo de apropriação e de reconstrução a partir do contato com o brinquedo” (BROUGÈRE, 1997).