Rubem Alves, no prefácio do livro de Juan Guillermo Droguett, Desejo
de Deus: diálogo entre psicanálise e fé, publicado em 2000 à página 12,
considera que:
Como Nietzche, Freud desprezava as religiões e o pensamento religioso: ilusões, neuroses. Por vezes psicose. E, no entanto como Nietzche, ele tinha também sua fé. Olhando para a vida, ele podia ver potências invisíveis, por detrás de tudo o que acontece. Dois deuses poderosos Eros e Tânatos, Amor e Morte. Realidades? Não. Poesias, metáforas, sonhos. E olhando para esses dois deuses, ele orientou a sua vida. Apostou em Eros, despeito da sombra de Tânatos que ameaçava a civilização. Todo o trabalho psicanalítico é, em última instância, um ato de fé uma batalha para fazer com que o Amor triunfe sobre a Morte.
Massimi e Mahfoud (1997) escrevem sobre a questão das abordagens psicológicas da experiência religiosa e referem que a experiência religiosa na atualidade vem sendo objeto de estudo a partir das três áreas do conhecimento, tais como a psicologia, a sociologia e a antropologia, tendo em vista a complexidade do objeto que necessita de uma visão multidisciplinar. Os autores apontam para o reducionismo que caracteriza diversas abordagens, assim, consideram reducionismo o fato de que tais abordagens definem o objeto “experiência religiosa”, unicamente pelos parâmetros de suas próprias disciplinas, correndo o risco de destituir de suas peculiaridades o objeto que gostariam de conhecer (. EVANS PRITCHARD, 1978; VERGOTE, 1983; KING, 1987; VAN DER LEEUW, 1960). Dessa forma, tais críticas mostram o mérito da metodologia no que diz respeito à investigação científica.
Os autores atribuem à contribuição de Luigi Giussani (1988) a premissa na qual “afirma que o método para conhecer um objeto é (me) ditado pelo próprio objeto, não pode ser definido por mim”. Assim esse pressuposto em relação à experiência religiosa e o senso religioso é a de que “o método para conhecê-la deve ser por ela sugerido”. A perspectiva metodológica na qual a psicologia nomeia o tema do senso religioso e experiência religiosa é a partir de sua constituição enquanto ciência que se dá por volta do século XVIII e XIX. Através de sua ruptura com a psicologia filosófica, esta introduz o método experimental exato e unívoco originado da filosofia empirista inglesa, afastando-se da abordagem de temas incertos e diversificados, dessa forma, com esse novo caminho ela restringe os fenômenos que poderiam ser abordados. Nesse sentido, a constituição da psicologia moderna é resultado de um modelo reducionista de objeto de estudo, e conseqüentemente a abordagem que a psicologia científica dá ao fenômeno religioso é intrinsecamente reducionista.
Nessa perspectiva Massimi e Mahfoud incluem a psicanálise nessa visão reducionista, na medida em que Freud, mediante de sua formação positivista, alude aos fenômenos religiosos como “ilusórios”, e projeções das necessidades infantis de proteção do pai ampliada à categoria de Deus. E no seu texto Totem e Tabu atribui à origem das religiões ao complexo de Édipo e o sacrifício totêmico como ritualização da morte de um pai primevo.
Os autores mencionam que, se a psicologia estuda o dinamismo humano a partir da realidade, ela não pode deixar de considerar a experiência religiosa. Acreditam que uma abordagem apropriada desse tema deve se submeter à reabilitação do conceito de experiência não redutivo, que acarreta em nova articulação do conceito de objeto da própria psicologia. Portanto,segundo Massimi e Mahfoud (1997, p.56) há necessidade de uma visão interdisciplinar que
(...) renuncie à pretensão de explicar o fenômeno em termos estritamente psicológicos para passar a dar uma contribuição psicológica em busca de compreensão da complexidade do fenômeno com relação ao conhecimento teórico e à necessidade do abandono da pretensão totalizante com relação à experiência humana no aspecto de intervenção psicoterapêutico. Afinal, o que o ser humano é em sua totalidade continua sendo incomensurável às teorias e às práticas pelas quais tentamos conhece-lo e transformá- lo. O senso religioso, esta característica intrínseca ao homem, é a expressão última desta incomensurabilidade, o ponto onde a finitude da experiência abre-se para o infinito.
Na área da psicologia, os autores apontam o psicólogo Vergote (1983) que repropõe a afetividade na formação da experiência religiosa. No entanto, Vergote procura não definir a experiência como característica exclusiva da afetividade na proporção que destaca os aspectos cognitivos que aparecem intimamente relacionados. Nessa concepção, ele considera a importância da antropologia com o seu o papel fundamental do sistema de símbolos (linguagem, objetos, ritos, etc.) O valor cognitivo da religiosidade que desperta ao mesmo tempo reações dinâmicas, envolvendo as estruturas afetivas no nível inconsciente. O sentimento é também adotado pelo indivíduo da experiência “como sinal da verdade da atitude religiosa, da autenticidade de sua adesão a Deus- ou ao divino- que está de algum modo presente a ele. As diversas modalidades de experiência religiosa seriam analisadas como fruto de uma atenção sistemática às mensagens do sobrenatural que são os símbolos e a linguagem religiosa.”.
Massimi e Mahfoud mencionam o fenomenólogo da religião van der Leeuw, que propõe a superação daquele reducionismo que ocorre em certas
disciplinas como a psicologia da religião, dessa forma a fenomenologia da religião ocupa-se da experiência religiosa em sua globalidade, enquanto a psicologia da religião aborda apenas uma parte da mesma experiência. Diz: quando o objeto de interesse é a experiência religiosa, trata-se de compreender a experiência vivida pelo indivíduo que de alguma maneira se encontra com uma potencia considerada misteriosa.
Aqui introduzimos o autor Juan Guillermo Droguett, psicanalista e ex- religioso, que no seu livro Desejo de Deus (2000) empreende a tarefa de criar um diálogo entre a experiência religiosa e a psicanálise. Refere que a rejeição mútua passa pelo embate, por um lado a psicanálise é tida como instrumento de destruição da fé, e, por outro, a religião é tida como antagonista da liberdade humana.
Aqui ele busca um diálogo entre a psicanálise e a fé, e considera que o abismo criado entre as duas áreas do conhecimento se iniciou com o trabalho freudiano O futuro de uma ilusão, de 1927, neste livro, Freud aponta o fenômeno religioso como uma ilusão do espírito humano. Influenciado pelo positivismo comtiano, ele faz uma análise científica do fenômeno da fé e assim ele considera as duas realidades da subjetividade humana: o inconsciente e a importância fundamental da dimensão afetiva na personalidade. Droguett vai adentrando a obra freudiana e considerando os componentes éticos e religiosos da experiência de fé. Esse autor alega que a psicanálise está aparelhada para compreender as características subjetivas da experiência de fé que é fundamentalmente afetiva e emocional, porém de modo nenhum lhe permite manifestar-se sobre o aspecto objetivo da religião, sobre a afirmação da transcendência, da possibilidade de o indivíduo transcendencer-se. A partir daí o autor alcança uma via para uma nova concepção de fé que congregue o que esta tem de mais inquietante, profundo e incerto na vivência religiosa. Aponta que a psicanálise exerceu influências profundas no ser humano, na atualidade não podemos ignorar a realidade sexual do inconsciente, isto é, o desenvolvimento da personalidade afetiva. No início a psicanálise era tida como demoníaca perigosa, graças ao preconceito da Igreja a partir de fontes emocionais. Diz Droguett “É difícil aceitar a realidade sexual do inconsciente porque ela rompe com o sonho cristão da primazia do espiritual” (p. 14). Para ele o inconsciente e suas produções sempre foram temas proibidos nas
instituições religiosas não só por serem ameaçadores, mas também porque questionam a autoridade do outro como autoridade protegida, proveniente de Deus, assim a psicanálise “não prejudica a abolição de Deus, mas põe em jogo também seu desejo.
Ele define a experiência religiosa como a comunicação do ser humano com Deus. Refere à fé como questões de linguagem, do sentido, do símbolo e dos signos, indica que a religião seria a relação vivida pelo ser humano com o divino, enquanto a fé seria essa religião vivida que Deus instaura pessoal e gratuitamente com o homem.
Droguett (2000, p.16) aponta para o diálogo entre fé e psicanálise:
(...) a questão da onipotência do desejo e sobre o fato de que a fé, para ser real, não pode se desenvolver mais do que onde se desenvolve a vida do ser humano. Assim ele aponta que a solução para os desejosos de assumir a psicanálise e a fé estaria animada pelo desejo do ser humano em direção a Deus, e estaria como tal submetida às vicissitudes denunciadas por Freud; a fé, por sua parte, seria a testemunha do desejo de Deus para o ser humano, e como tal pertenceria a uma outra ordem. A fé não tem nada a ver com o desejo do ser humano para com Deus, o que teologicamente é discutível; mas; igualmente precisamos afirmar que o Desejo de Deus para com o ser humano é um terreno psicanaliticamente mais seguro que o desejo o homem para com Deus, no sentido de sentir- se desejado por... Nosso esforço consiste em pôr a fé em busca de inteligibilidade, via psicanálise.
Esse autor refere que o desafio de Freud à religião objetivamente avaliada é somente tangencial, só surge na forma como o sujeito vivencia a experiência religiosa, na sua subjetividade. Na psicogênese da experiência de fé a profundidade da psicanálise leva em conta a motivação, é daí que vem a força que mantém o nível psicológico. Contudo, segundo esse autor (2000, p.86).ao estender-se para o campo metafísico ou filosófico, Freud afasta-se de sua competência, esta foi sua falta:”querer passar para o terreno da reflexão teológico-metafísica, campo que não só desconhecia, mas que, enquanto psicanalista , não era de sua alçada.”
Droguett atribui à questão pessoal de Freud como o componente de seu preconceito anti-religiosos, esse era anterior às suas descobertas psicanalíticas e da análise que fez do fenômeno religioso. Cita Ernest Jones, seu biógrafo, que corrobora com essa proposição. O autor (2000 p.88) sustenta que essa visão de Freud de ateísmo radical antecedeu suas investigações psicológicas. Isso o leva a acreditar que “Freud recorreu à análise do fenômeno religioso com uma postura prévia, com uma posição tomada: a negação do valor objetivo da religião”
O autor (2000 p.106) afirma que:
(...) a psicanálise é essencialmente Iconoclasta (Paul Ricoeur), no sentido de destruir os elementos patológicos da religião ou do ateísmo, a missão fundamental da psicanálise é deixar o ser humano livre diante da dupla opção: a da fé e a da não-fé. O fato de Freud ter uma problemática pessoal não é razão para admitir a validez do desafio freudiano à religião.
Na concepção do fenômeno religioso, a idéia de Deus-Pai evidência um vínculo evidente, de aspecto psicológico, com a imagem daquele que exerce a função paterna, esse vínculo da imagem de Deus pode ser uma reprodução negativa ou de caráter positivo. Essas correspondências positivas ou negativas são muito significativas com relação à experiência do pai que cada um teve, experiência essa que estabelece dependência á idéia de Deus. Porém, esse conceito de Freud da aparição da idéia de Deus no indivíduo, não nos diz algo contra a objetividade de Deus. Droguett (2000, p.129) afirma que a imagem de Deus está
(...) calcada na imagem do pai, não nos diz nada sobre a existência ou não de Deus, sobre o fato ou não da transcendência: não o toca para nada, nem a favor nem contra. Na medida em que isto fica claro, entramos plenamente na corrente científica: que se analise até o fundo o como da aparição da religião; nossa fé não sairá afetada em relação à sua referência objetiva.
Droguett nos remete à nossa história: nos primórdios ocorre a onipotência da fantasia na criança, quando ela se sente onipotente como parte da sua estruturação, a partir do contato com o princípio de realidade ela
começa a tolerar a frustração e parte para o segundo estágio, quando pensa: “eu não sou onipotente, porém meus pais o são”. Mas, quando o ídolo de nossos pais se desfaz, ocorre o terceiro estágio, nossos pais não são onipotentes, porém Deus o é. Aqui contrabalançamos nossa insegurança, abrigamo-nos na onipotência divina e buscamos maneiras para aproximarmo- nos dele, por meio de de componentes mágicos, práticas litúrgicas, etc. Aderir a esse desafio religião-magia significa presumir cortar o cordão umbilical infantil, presume aceitar que Deus nos deixa sozinhos incluídos na história, com nossa responsabilidade e impotência. ”Deus nos deixa sozinhos porque nos quer livres, porque nos quer responsáveis adultos”.
O autor menciona que na atualidade uma das críticas mais vigorosa à religião é se a fé é compatível com a maturidade do ser humano hoje. Ele responde que é compatível se conseguirmos admitir este desafio: se somos dotados de capacidade de agüentar a angústia de experimentarmo-nos livres e desamparados à nossa própria história. Aceitando isso, teríamos a capacidade de corrigir a apresentação de Freud das três idades da cultura extraídas de Augusto Comte, o estágio animista, em que o indivíduo identifica-se com as forças da natureza; o estágio religioso em que o indivíduo maneja as forças divinas e o estágio científico em que o indivíduo desiste da necessidade do divino e fundamenta-se em sua própria autonomia. . Droguett (2000, p.131). aponta para um estágio religioso amadurecido que seja conciliável com essa solidão e autonomia na qual Deus nos coloca.
Essa religiosidade adulta excluiu dois extremos, sob a forma de tensão dialética: de um lado, a necessidade de apoio que, no mais profundo de si mesmo, o ser humano tem; de outro, a aceitação de que Deus nos deixa sozinhos, de tal forma que nossa relação com Ele não pode ser mais que indireta. Deus não vai nos libertar, de jeito algum, das angústias que sentimos na nossa vida e nos nossos compromissos humanos.
O autor sinaliza diretrizes para a reconstrução da fé uma vez aceito o desafio psicanalítico. Ele considera que uma fé amadurecida passa pelas características afetiva, dinâmica, problemática, integradora e inefável.
1) Afetiva
Essa nova fé deve ser essencialmente de caráter afetivo ou apoiada na afetividade. Ele deixa de ser um ato de entendimento para corresponder a uma experiência básica humana, fixada na dimensão afetiva da personalidade. Assim na fé o ponto central não reside no intelecto, mas no sentimento de fé. O avanço de nossa fé é lento, com diversas dúvidas e incertezas, mas essas lentidão é necessária para o processo de amadurecimento da fé.
2) Dinâmica
Para o autor a fé não é algo apossado que após a posse permanece perene, ao contrário, ela é dinâmica, é um devir gratuito, é uma procura permanente, durante toda a existência.
3) Problemática
Diz que a fé é problemática, questionadora, fundamentalmente dialética, vivemos numa tensão entre o que a nossa alma diz, o que sentimos e o que nos diz a inteligência, ela é mais intuitiva que discursiva.
4) Integradora
Ele aponta que há um risco quando se tem dúvidas de fé, de desistir, reprimir e sepultar no inconsciente, assim teria uma fé sem problemas, pouco profunda. Seria uma fé acomodada, pois está sepultada no inconsciente. A fé amadurecida sustenta as incertezas e as hesitações. “Toda a fé que reprime a dúvida é uma fé infantil; não consegue chegar a ser adulta”. Portanto a fé autêntica acolhe a dialética em nosso ser, que, de um lado crê, de outro duvida. ”Todos têm uma boa dosagem de ateísmo; o perigo está em fazê-lo desaparecer no inconsciente, deixando para o consciente apenas as mais firme convicções”.
5) Inefável
A partir das quatro características anteriores esta (a inefável) é para o autor uma decorrência, principalmente da primeira, a afetividade. Assim, se a fé é uma experiência afetiva, não existirão palavras para exprimi-las. Tal qual a experiência amorosa não podemos racionalizá-la , se o faço, excluo sua natureza genuína. “Poderei transmitir minha vivência, mas não convencer com
a razão pura. Caem por terra todas as formulações apologéticas de um signo ou de outro; de defesa ou ataque da fé.”
Aqui Droguett formula conteúdos da fé que dialoga com a psicanálise: a vida tem sentido, o sentido da vida é positivo, o sentido além da morte, a vida recebe seu sentido de um Ser pessoal e transcendente, a fé desenvolve-se comunitariamente.
1) A vida tem sentido
O indivíduo que tem fé firma que a vida tem um sentido, o autor diz que a psicanálise não recusa essa afirmação. E refere que as linhas atuais da psicanálise existencial não só concordam que a vida tem sentido, como também propagam que o paciente após o término da análise necessita estabelecer a questão qual o sentido da busca. Alega que a psicanálise mediante a da neutralidade determinada tecnicamente procura impedir que o analista atribua o seu próprio sentido de vida ao paciente, pois é importante deixá-lo livre para encontrar seu próprio caminho. Este primeiro conteúdo essencial da fé, que a vida tem sentido, é totalmente conciliável com a psicanálise.
2) O sentido da vida é positivo
Ele menciona que há indivíduos que sentem que a vida tem um sentido, porém esse sentido é negativo, absurdo. Não há indivíduos crentes que não tenham um sentido de vida positivo. Para a psicanálise a vida do ser humano é uma luta entre o ódio e o amor, e a particularidade do amor é a sua energia e disposição para transformar o mundo e a capacidade de lutar com a pulsão de morte. Todavia Freud no final de sua vida, já cansado e sofrido estava mais pessimista, afirma que as forças destrutivas, as pulsões de morte vencem as pulsões de vida, com seu retorno a ao ponto de partida, à quietude, ao repouso, assim a finalidade da vida seria a morte. Refere que a morte insere no indivíduo um sentido e o “constitui como ser desejante”, a qual ficou privado para sempre. De acordo com Droguett (2000, p.139) “essa marca indelével constantemente o lembra de sua separação da ordem natural do cosmo. Esse mal-estar irremediável é da ordem da sensação em toda existência do ser humano”.
3) O sentido além da morte
Droguett considera que os dois pontos antecedentes são concebíveis por um ateu. E analisando essa posição para a psicanálise, observa que o conteúdo do inconsciente é dominado pela idéia de imortalidade, “o inconsciente acredita-se imortal, não aceita nem sente a morte. Sabemos que a fantasmática do inconsciente padece de ilusão: de sobrevivência, de onipotência, de imortalidade”.
O indivíduo da fé crê, em consciência, no além, mas ainda tem consciência de que seu desejo se funde à sua fé, aí há o ímpeto de “tomar o desejo por realidade”. No entanto, quando ele consegue movimentar-se nesta dialética, concluirá que seu desejo não é fundamentalmente um erro. O autor considera que a crítica que fez à posição freudiana, concebida em O futuro de
uma ilusão, sugeria duas posições: a infantil em que tais elementos
desiderativos “seriam tão fortes que chegariam a adjetivar de forma alucinatória este sentimento de imortalidade, levando-nos a determinar, por exemplo, até como seria o céu ou o inferno”; e a adulta na qual aceita que seu desejo é uma intuição, uma fé, mas não proporciona nenhuma garantia nem realizações de qualquer tipo. Droguett considera essa fé em expressão teológica como fé na imortalidade individual.
4) A vida recebe seu sentido de um Ser pessoal e transcendente
A partir desses novos elementos da fé, diz o autor, não só acreditar que a vida tem sentido, ou vai além da morte, e responde à questão que se coloca sobre o sentido que dá à vida e à morte o Ser. Droguett (2000, p.140) assevera, dessa forma, que a vida não apareceu do acaso. O indivíduo com fé, articulado com uma fé profunda nesse Deus pessoal, abdica-se ao “imaginário religioso”, desviando de “definir, localizar ou coisificar Deus, que mesmo com os nossos atuais meios de cognição continua incognoscível. Diz que a expressão teológica desta nova dimensão seria: fé na existência de um Deus pessoal”.
5) A fé desenvolve-se comunitariamente
A psicanálise tal qual a educação tem investigado a influência do grupo no desenvolvimento da personalidade do indivíduo. Esta se desenvolve por
meio da internalização das figuras parentais. Assim, introjetamos por meio da identificação os esquemas referenciais de nossos pais. Então, nossa personalidade se formará através de uma inter-relação comunitária, fundamentalmente familiar e futuramente na sociedade e nos grupos. Menciona que o mesmo princípio ocorre no encontro entre duas pessoas, esse encontro nos auxiliará a transformar nossa personalidade. Na sessão terapêutica, mesmo no silêncio haverá um diálogo inconsciente, da intuição.
Assim, se almejamos uma fé madura, não conseguimos fazê-lo