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Fullmaktsmatrisen og kvalitetssikringen i Administrasjonsavdelingen

4 ADMINISTRASJONSAVDELINGEN PLASS I REGION VEST

4.1 Fullmaktsmatrisen og kvalitetssikringen i Administrasjonsavdelingen

As docentes que representam o grupo de trajetória de formação em terapia ocupacional pós SUS, tiveram a finalização da sua graduação a partir de 1997, nessa época já tínhamos a Estratégia de Saúde da Família, o financiamento e as diretrizes estruturados para essa estratégia por meio da NOB/1996 (BRASIL, 1996a) e, em relação ao cuidado em saúde na APS, o Brasil encontrava-se, na fase de descentralização dos serviços.

Em relação à formação (educação superior e a graduação de terapeutas ocupacionais), essas docentes vivenciaram as mudanças promovidas pela a LDB/1996 (BRASIL, 1996b) e pelas discussões e formulação das Diretrizes Curriculares Nacionais de Terapia Ocupacional em 2002 (BRASIL, 2002). Além da organização docente via a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa em Terapia Ocupacional (RENETO).

A aproximação dessas docentes aos conteúdos da APS ocorreu por meio de disciplinas como Saúde Pública, Saúde Coletiva ou Saúde Mental como podemos ver na descrição realizada sobre suas Trajetórias na Graduação:

Eu não tive nenhuma disciplina específica relacionada à Atenção Primária. Mas, esse tema foi abordado na minha formação diluída em outras disciplinas, quando eu tive o SUS em noções de saúde pública (Docente 5 – IES B).

Eu tive algumas disciplinas que passavam pelo campo transversal da Atenção Primária, que tinha uma perspectiva da saúde mental [...] muito aplicada às questões próprias da Atenção Primária eu tive a disciplina de saúde coletiva (Docente 16 – IES I).

Durante a minha formação, a disciplina mais próxima à APS que nós tivemos e que não era específica da Terapia Ocupacional foi Saúde Pública (Docente 9 – IES E).

Na minha formação, eu tive uma única disciplina, que se chamava Noções de Saúde Pública, uma disciplina mais voltada para a discussão das políticas de saúde e a Atenção Básica em Saúde era um tópico dentro dela. Naquele momento, em 1998, era um tópico bem pequeno (Docente 4 – IES B).

Durante a minha formação eu tive a disciplina de saúde pública [única que discutiu APS], então eu aprendi basicamente os princípios do

SUS, as leis que regem, as principais ações que realiza (Docente 10 – IES F).

Outro aspecto que provocou a aproximação das docentes com a APS foi a realização de estágios no contexto territorial e comunitário, seja em UBS, centros comunitários ou em Unidades de Saúde da Família.

Durante a minha formação eu não tive uma disciplina relacionada à APS, mas ao longo dos estágios [no centro comunitário] mais especificamente, foi quando eu tive maior experiência com isso (Docente 14 – IES H).

[...] Um dos meus estágios foi em uma UBS, inclusive estávamos começando a pensar o serviço de Terapia Ocupacional dentro dessa UBS e, de uma maneira muito particular, pensando no modo como as pessoas faziam uso daquele serviço, então fazíamos um pouco grupo, íamos nos inserindo em alguns grupos que a Enfermagem já fazia, então, grupo de caminhada para hipertensos, grupo de pacientes com diabetes e pensávamos em quais poderiam ser as contribuições da Terapia Ocupacional [...] Eu acho que o [estágio da UBS] me ajudou muito a sair um pouco da lógica da ação da Terapia Ocupacional por um setting terapêutico específico, me ajudou a pensar a prática da Terapia Ocupacional na comunidade [...] eu olho para esse sujeito de uma forma um pouco mais ampliada e é, porque eu tive que fazer isso lá na UBS (Docente 12 – IES H).

[...] Efetuei um estágio no último período da faculdade, no qual fizemos uma vivência no Posto de Saúde, no PSF, fizemos atendimento domiciliar e grupos (Docente 10 – IES F).

Essas experiências na graduação já traziam a utilização de ferramentas importantes para terapia ocupacional na APS como a estratégia de acompanhamento em grupo sendo utilizada fora das instituições tradicionais em que a terapia ocupacional atuava como centros de reabilitação, instituições filantrópicas e serviços de saúde mental.

O conhecimento e o manejo do trabalho com grupos são essenciais na formação e no trabalho do terapeuta ocupacional na APS, por ser esse um potente instrumento de experimentação de convivência social e para promover, por meio de coletivos afetivamente significativos, a circulação e a participação das pessoas de forma mais ativa em suas comunidades (NICOLAU, 2015). Além disso, os grupos na APS constituem-se como espaços de desenvolvimento de ações educativas, focalizadas para grupos populacionais de maiores riscos em relação a questões comportamentais, alimentares e/ou ambientais, sendo que essas ações podem interferir nos problemas de saúde mais frequentes em cada território (FURLAN, 2015).

Outro aspecto importante, presente na trajetória das docentes, e que provoca contribuições para à formação do terapeuta ocupacional na APS é a estratégia de Reabilitação Baseada na Comunidade (RBC). Como podemos notar nas seguintes falas:

[...] Eu fiz estágio de disfunção física com enfoque em RBC, que tinha como uma das frentes de atuação uma unidade de saúde, então eu fiz parte do meu estágio de disfunção física na UBS, voltado principalmente à atenção de pessoas com deficiência física e tínhamos trabalhos de atenção domiciliar, de grupo e de acompanhamento do trabalho da unidade (Docente 4 – IES B).

Eu participei de um estágio supervisionado, que era Reabilitação Baseada na Comunidade. Eu tenho certeza que muito do que eu aprendi [na graduação], eu acabo utilizando com os alunos. Muitas discussões e práticas da graduação em Terapia Ocupacional na [APS] com RBC (Docente 13 – IES H).

A RBC pode contribuir para a formação de terapeutas ocupacionais ao passo que consiga, com a reflexão crítica sobre as práticas convencionais de reabilitação, sensibilizar o fazer e o desenvolvimento da participação comunitária construindo um olhar diferenciado sobre a deficiência, as incapacidades e as desvantagens sociais vividas por pessoas em seu contexto social e cultural (OLIVER et al., 2004; OLIVER; ALMEIDA, 2007).

Também aparece na trajetória das docentes o contato com as questões do envelhecimento e da gerontologia no contexto da APS.

Eu me formei em 2005 e no currículo já existia, no último ano, uma disciplina que era relacionada à Atenção Primária. Tive também [estágio], mas não era diretamente relacionado aos centros de saúde ou às USF, o foco era a gerontologia e aí a gente ia até a unidade de saúde, mais para desenvolver o trabalho voltado para gerontologia (Docente 11 – IES G).

Na graduação: a gente tinha o desenvolvimento de ações em rede o que incluíam ações na Atenção Básica, especificamente um grupo de idosos em uma Unidade Básica de Saúde (Docente 3 – IES B).

Convém destacar, que em estudo de uma revisão sistemática da literatura sobre os efeitos longitudinais do desempenho de atividades sociais, produtivas e de lazer no envelhecimento realizado por Dias, Duarte e Lebrão (2010) foram encontradas diferentes características presentes nas atividades sociais, produtivas e de lazer, que exerceram efeito importante sobre a redução da mortalidade, reafirmando a importância de sua inclusão em programas de promoção à saúde e de reabilitação direcionados a idosos. Essas contribuições parecem ser sensíveis à terapia ocupacional na APS, visto

que o terapeuta ocupacional poderá contribuir por meio de suas diferentes atividades e tecnologias para o envelhecimento ativo e para a manutenção da capacidade funcional de idosos na APS, como também para proporcionar um cotidiano significativo para essa população.