O mercado do século 21 é marcado pela presença de uma elevada competitividade entre as organizações, que impulsiona as empresas estabelecidas a buscarem novas fontes de inovação em processos produtivos, produtos e serviços. Já a característica marcante, no último quartil do século 20, foi a busca acelerada das empresas em auferir vantagens competitivas, sendo estas obtidas por meio do lançamento de novos produtos. Entretanto, a presença do processo de isomorfismo mimético entre concorrentes de uma mesma indústria acaba colaborando para um cenário com pouca diferenciação entre produtos concorrentes, conforme assinala Dimaggio e Powell (2005).
Dentro desse cenário, a logística reversa para produtos pós-venda ganha atenção e importância entre as organizações, pois viabiliza a manutenção de um relacionamento duradouro de “fidelização” com os clientes, adquirido a partir da rapidez, confiabilidade e frequência nas entregas de seus produtos e serviços e da disponibilidade de estoques, atributos perceptíveis ao consumidor final (LEITE, 2003).
Daugherty et al. (2003), sendo congruente com Leite (2003), destacam que as empresas reconhecem a importância das operações dos fluxos reversos e passam a considerar programas da logística reversa nos seus processos organizacionais, visando a obter a reputação organizacional e o alinhamento com o consumidor final.
Figura 14 – Fluxos reversos pós-venda.
Fonte: Leite (2003, p. 209).
A Figura 14 informa o fluxo reverso para produtos pós-venda. De acordo com Leite (2003), este fluxo utiliza a maioria dos atores que atuam no fluxo direto, o que acaba não implicando redes muito complexas. Portanto, o canal reverso para produtos pós-venda configura-se em: i) retorno dos produtos (coleta); ii) consolidação; iii) seleção; e iv) destinos, que são os processos de recaptura de valor por meio dos processos de remanufatura, canibalização, reciclagem industrial e seus respectivos mercados.
Fase de Devolução/Entrega: a devolução ou entrega do produto é realizada pelo cliente (consumidor, varejista ou fornecedor), com pouco ou nenhum uso (LEITE, 2003);
Fase de Seleção: após a devolução do produto, a próxima fase consiste no processo de seleção e decisão dos destinos dos produtos devolvidos. Esta fase, segundo Leite (2003), é realizada no varejo por empresas intermediárias especializadas ou pelos fabricantes dos bens;
Fase de Destino: os destinos mais comuns para os bens pós-venda salientados por Leite (2003) são: as vendas nos mercados primários, reparação e consertos, doação, canibalização (desmanche), remanufatura, reciclagem industrial e disposição final.
No Apêndice D, são informadas as principais atividades dos canais de distribuição reversos para os fluxos: i) pós-consumo para bens descartáveis (coleta informal/seletiva/lixo, seleção/separação/adensamento/consolidação, desmanche, reuso de componentes, remanufatura de componentes e reciclagem); ii) pós-consumo para bens duráveis (reuso do produto, desmanche, reuso dos componentes, remanufatura dos componentes e renovação); iii) pós- venda (devolução, seleção/destino, revenda dos produtos, recuperação/consertos, manutenção, desmanche, reuso dos componentes, remanufatura dos componentes e reciclagem industrial); e iv) resíduos industriais (desperdícios, seleção e reintegração).
Desse modo, as atividades contempladas pela literatura da logística reversa são cotejadas com as atividades vislumbradas na CNAE (IBGE, 2011), com o objetivo de verificar se tais atividades são reconhecidas e classificadas como atividades econômicas por um órgão governamental competente, além de identificar as possíveis lacunas existentes. Vale destacar que o processo de análise do cotejamento entre a literatura de logística reversa e a CNAE está devidamente descrito no Apêndice E.
5 METODOLOGIA
Metodologia, para Bunge (1980), é o processo de explicação rigorosa e exata de toda ação desenvolvida no curso do trabalho da pesquisa científica e contempla um conjunto de abordagens, técnicas e procedimentos utilizados pela ciência para formular e resolver problemas de forma sistemática.
Por sua vez, o método científico é a justificação da escolha de um determinado procedimento metodológico, ou seja, a adoção de uma linha de raciocínio, que guia o desenvolvimento da pesquisa (SILVA; MENEZES, 2000).
Nas próximas subseções, será descrita a metodologia adotada nesta dissertação, informando: i) estratégia da pesquisa; ii) forma de abordagem do problema;e iii) o protocolo da pesquisa, incluindo:pesquisa de campo, escolha do caso, roteiro da entrevista e procedimentos de análise de dados.
5.1 Estratégia da Pesquisa
Esta dissertação adotou a pesquisa descritiva, objetivando descrever as mudanças no modelo de negócios das empresas na indústria de pneumáticos a partir da cadeia de valor, do ponto de vista da logística reversa, após a vigência das legislações ambientais, apresentando o
método qualitativo na coleta de dados do estudo de caso.
5.1.1 Forma de abordagem do problema
O objetivo desta dissertação foi identificar as mudanças no modelo de negócios, a partir da cadeia de valor da empresa ALFA, na indústria de pneumáticos, do ponto de vista da logística reversa.
Hellin e Meijen (2006) assinalam que não há uma regra fixa para o processo de análise da cadeia de valor. Segundo os autores, tal processo poderá utilizar métodos qualitativos e quantitativos. Entretanto, recomendam que, para a primeira fase, seja usado o método qualitativo e, se o pesquisador não dispuser de tempo e dinheiro, aplicado o método quantitativo, por meio de fontes de dados secundárias.
A abordagem de pesquisa adotada nesta dissertação foi do tipo qualitativo, pois se fundamenta em um processo de interpretação dos fenômenos e de atribuição de significados, tendo caráter descritivo. Já a coleta de dados tem como principal fonte o ambiente natural (SILVA; MENEZES, 2000).
Para Godoy (1995), a pesquisa qualitativa apresenta algumas peculiaridades, que serviram de ferramentas norteadoras para este estudo, quais sejam: i) o ambiente natural como fonte de dados e o pesquisador como principal instrumento; ii) caráter descritivo; iii) enfoque indutivo; e iv) a preocupação do investigador refere-se aos significados que as pessoas dão às coisas e à vida.