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Fresh today, bad tomorrow: quality and value along the food chain

6. TIME, NEEDS AND VALUE – SCRIPTING AND RE-SCRIPTING THE DATE LABEL IN NORWAY 67

6.3. Fresh today, bad tomorrow: quality and value along the food chain

O sistema turístico pode ser definido como o conjunto de elementos, que, de maneira interligada e interdependente compõem a dinâmica da atividade turística nas

localidades. Poon (1994) considera que o sistema turístico é formado por quatro elementos: os produtores, os distribuidores, os facilitadores e os consumidores.

Neste sistema turístico, é preciso existir um ordenamento, definindo responsáveis, ações, processos, e a forma como a produção ocorrerá até chegar ao usuário final, ou seja, é preciso conhecer a cadeia produtiva do lugar. Sendo assim, Cooper et al (1998, p. 18), define: “a cadeia produtiva é a integração dos processos do negócio desde o usuário final até os fornecedores originais que proporcionam os produtos, serviços e informações que agregam valor ao cliente.”

Uma cadeia produtiva é, portanto, uma rede de atividades de produção, comércio e serviços funcionalmente integrada, cobrindo todos os estágios de uma cadeia de suprimento, desde a transformação de matérias-primas, passando pelos estágios intermediários de produção, até a entrega do produto acabado, ao mercado. A cadeia é concebida como uma série de nós, ligados por vários tipos de transações

Em Barra Grande, não há um ordenamento e definição de papéis entre os atores envolvidos na atividade turistica local. Falta articulação entre os diversos setores locais, como o comércio, os restaurantes, os hotéis e as agências de viagens. Aos poucos, os setores componentes da cadeia produtiva do turismo local estão crescendo, porém de forma individualizada, o que não favorece um desenvolvimento turístico consolidado e bem posicionado mercadologicamente.

A cadeia produtiva do turismo é a própria atividade do turismo tomada em seu conjunto. Abrange diversos segmentos da economia, além dos segmentos diretamente relacionados como Marketing e Serviços Turísticos, Agenciamento de Viagens, Transporte, Hotelaria, Gastronomia, Entretenimento e Lazer, Eventos e Conferências, Atrações Culturais e Ecológicas; os setores de infra-estrutura básica e serviços públicos (saneamento, abastecimento de água e energia, telecomunicações, segurança e saúde) e o comércio em geral têm forte interação com o setor (CNI, 1998, p. 5).

Na visão de Souza (1998, p. 1),

A cadeia turística pode ser definida como: o conjunto das empresas e dos elementos materiais e imateriais que realizam atividades ligadas ao turismo, com procedimentos, idéias, doutrinas e princípios ordenados, coesos e afins, para conquista dos seus mercados estratégicos respectivos, utilizando-se de produtos competitivos. O objetivo final das atividades é o aumento do fluxo de pessoas que se deslocam para

determinada área receptora, do seu grau de participação nas várias atividades de recreação, da oferta de unidades de alojamento, das taxas de ocupação dessas unidades, dentre outros. Diferentemente de outras cadeias, na atividade turística o momento da produção coincide com o da distribuição e, muitas vezes, com o do consumo também, e esses aspectos dificultam a atuação das partes isoladamente.

Com o despertar de Barra Grande para o turismo, a cada ano, novos empreendimentos relacionados ao turismo na localidade tem surgido, o que serve para fortalecer a cadeia produtiva local, conforme podemos confirmar no depoimento do morador local, M.C.:

O turismo trouxe coisa boa pra cá. Meu irmão, por exemplo, antes não tinha emprego e agora ele criou um cultivo de ostra para atender os restaurantes, porque os turistas pediam. Outro montou um barzinho e assim outros conhecidos da nossa região tem tentado se engajar em algum comércio, embora isso esteja acontecendo de forma muito devagar.

Neste contexto de crescimento, o mercado turístico local tende a tornar-se cada vez mais competitivo, composto por uma variedade de produtos que tentam atender à heterogeneidade da demanda. A gestão local deve tomar posse de informações e estudos sobre o perfil do turista e realizar um planejamento turístico eficaz, que se traduz como o principal instrumento para se conhecer o público alvo, atraí-lo e fidelizá-lo ao destino. Este panorama, apesar de difícil de ser alcançado no panorama real pode ser a chave do sucesso para a consolidação dos produtos turísticos no cenário nacional e internacional.

Apesar da existência de um Plano Estratégico de Turismo, não existem estudos sobre os aspectos mercadológicos da praia de Barra Grande. Os próprios donos das pousadas, até 2009, não registravam a origem dos seus hóspedes, portanto, não obedeciam a legislação turística. No segundo semestre de 2010 esses dados começaram a ser registrados, porém ainda não foram divulgados pelas pousadas. Não havia nenhum conhecimento mais aprofundado sobre o perfil da demanda atual que visita a localidade, e, nem tampouco, sobre a demanda potencial a ser atraída para a praia.

Portanto, compreender a cadeia produtiva do turismo de Barra Grande é estudar o comportamento da oferta e sua relação com a demanda. Neste aspecto, em relação aos

serviços e equipamentos turísticos em Barra Grande, até poucos anos atrás só existiam pousadas com instalações simples de propriedade dos próprios moradores, com a oferta de apartamentos com banheiro e ventilador. Porém, nos últimos anos, as condições ambientais da região têm levado muitos praticantes de esportes radicais, como kitesurf, a abrirem as suas próprias pousadas, com um padrão mais elevado, totalizando atualmente treze pousadas.

Segundo o proprietário de uma pousada, M.C:

Hoje, as pousadas que tem surgido em Barra Grande oferecem apartamentos com ar condicionado, TV, frigobar e instalações para guardar os equipamentos do kitesurf, atendendo à demanda internacional. Antes, só tinha o Mualém, que oferecia quartos bem simples. Depois que nossas pousadas chegaram aqui, a própria Pousada do Mualém também fez reforma e melhorou seus serviços.

Quanto aos estabelecimentos de hospedagem para atendimento da demanda turística observa-se que até 1980 não existia registro de nenhum na praia. Em 1981 foi fundada a Pousada Mualén, que existe até hoje e pertence a um empresário de Parnaíba. Até 2006 havia apenas cinco pousadas na praia de Barra Grande (COSTA, 2006).

Em 2009, esse número subiu para nove pousadas, totalizando 164 leitos e 52 Unidades Habitacionais - UH (CARVALHO, 2010). Em 2010, já se compatibilizam 13 pousadas, somando 242 leitos. Dessas nove pousadas, duas são de proprietários estrangeiros: um francês, da Pousada Ventos Nativos e um italiano, da Pousada Ventos do Mar. As demais são de empresários piauienses e paulistas. Até o momento, não há nenhuma pousada pertencente a cadeias hoteleiras, como mostra o quadro abaixo: