CHAPTER 5: HAVING, SPENDING, USING, CONTROLLING: EXPERIENCES OF
5.4 Free Time
Tanto a direção da CSP como o governo do Ceará se eximem de comentar sobre as benesses concedidas pelo segundo para viabilizar a implantação da usina no Estado. Segundo informado pela CSP (APÊNDICE-A), trata-se de assunto confidencial entre as partes. No entanto, a partir da política industrial que vem sendo seguida, apresentada no segundo capítulo do presente trabalho, é possível delinear a dimensão dos incentivos concedidos pelo governo estadual para garantir a implantação do empreendimento.
Essa política é fortemente baseada em ações voltadas para a atração de grandes estabelecimentos industriais; na disponibilização de infra-estrutura básica necessária para a implantação dos projetos; no treinamento e na capacitação de mão-de-obra e no apoio e incentivo ao desenvolvimento industrial. Os projetos são avaliados de acordo com o volume de investimentos. São considerados mais seletivos àqueles com maiores volumes de recursos financeiros por estarem mais vinculados a benefícios locais em termos de impactos econômicos e sociais e contribuírem mais efetivamente para a densidade da base industrial. Além disso, a implantação de empresas consideradas estruturantes, como no caso da siderúrgica, com a possibilidade de fortes efeitos de encadeamento na região, também é priorizada.
O percentual dos incentivos, o índice de retorno e o prazo de fruição dos benefícios são variáveis. O valor do incentivo teria limite máximo de 75% do ICMS a ser recolhido. O empréstimo tem um retorno variável de acordo com a pontuação atribuída ao
projeto. O limite mínimo de retorno é de 1% e o máximo de 25%, corrigidos pela taxa de juros de longo prazo, a TJLP. O prazo de carência para o início do pagamento do retorno é de 36 meses.
Já o prazo global do benefício será concedido de acordo com a pontuação atribuída ao projeto, sendo no mínimo de cinco anos e no máximo de dez anos, renovável por igual período de acordo com a evolução do projeto. A base para o cálculo percentual é feita após a análise dos parâmetros relacionados às prioridades do Estado - geração de empregos, custo da transação, localização geográfica do empreendimento, projetos de responsabilidade social e programa de pesquisa e desenvolvimento.
Além disso, a critério do CEDIN, poderá ser atribuído ainda um bônus especial de até 30% para empresas que consolidem ou representem setores econômicos estratégicos para a base de desenvolvimento industrial, onde se encaixaria a CSP.
Por fim, outros incentivos fiscais também estão previstos no âmbito do ICMS, que pode ser concedidos pelo governo estadual, a exemplo do diferimento do imposto incidente nas aquisições de máquinas, equipamentos, partes, peças e estruturas metálicas para compor o ativo permanente da sociedade empresarial, adquiridas no exterior ou em outros estados (diferencial de alíquota). E ainda o diferimento de até 100% do ICMS incidente nas aquisições no exterior de matéria-prima e insumos para utilização no processo industrial, desde que não haja similaridade local, o que, mais uma vez, seria o caso da siderúrgica.
Quanto à infra-estrutura para o projeto, não é de agora que o governo do Ceará se planeja para receber investimentos dessa natureza. Além da própria implantação do CIPP, localizado no município de São Gonçalo do Amarante, aonde vai se situar a usina, entre 1997 e 2007 foram aplicados aproximadamente R$ 370 milhões pela Secretaria de Infra-estrutura do Estado (SEINFRA), na infra-estrutura do porto, em obras de acesso ao local e em incentivos tributários à Petrobras, que deveria ter sido a fornecedora do gás natural para o empreendimento, caso o redutor do minério não tivesse sido alterado de gás natural para carvão mineral (DANTAS JR., 2007).
Além disso, depois da confirmação da vinda da CSP, o governo estadual anunciou novos investimentos para melhorias no CIPP, como a construção de mais dois píeres no Porto do Pecém, a instalação de uma correia transportadora de minério de ferro dos navios até a siderúrgica e um centro de utilidades, com escritórios e pontos comerciais nas imediações do local, que juntos somam cerca de R$ 587 milhões. A esses investimentos adicionam-se, ainda, mais R$ 280,2 milhões com a macrodrenagem do Setor I do CIPP, aonde vai se localizar a usina; com a construção do 5º trecho do Eixão das Águas, que vai garantir água para os
empreendimentos estruturantes; e com a aquisição do descarregador de navios para carvão mineral (ALBUQUERQUE, 2007).
Além desses quase R$ 1,24 bilhão em obras de infra-estrutura, a desapropriação dos terrenos, que ficam dentro da área de 961 hectares reservados para a construção da CSP no Complexo e a realocação das famílias residentes no local são de responsabilidade do governo do Ceará. A área total da usina será entregue ao consórcio investidor mediante subsídios financeiros. Quanto a qualificação de mão-de-obra, o governo estadual pretende investir, junto com o governo federal, R$ 26,1 milhões na construção do Centro de Treinamento Técnico do Ceará (CTTC), no município de caucaia para capacitar as indústrias em vias de instalação no CIPP.
Mais recentemente, nova ampliação do Terminal Portuário do Pecém já foi confirmada. O governo do Ceará divulgou que pretende investir outros R$ 1,2 bilhão em obras para atender aos futuros empreendimentos previstos para o local, entre eles a siderúrgica. O projeto compreende uma nova ponte de acesso ao quebra-mar existente com 1.800 metros de extensão, a pavimentação de 1.000 metros sobre o quebra-mar; a construção de 930 metros de cais de atracação com três berços para a exportação das placas de aço que serão produzidas pela CSP, projetos conceituais de dois píeres de granéis líquidos para as operações de uma refinaria em negociação para o Complexo Industrial e ainda um píer de granéis sólidos para a operação da Ferrovia Transnordestina, com trecho até o porto, além de edificações que servirão de apoio (DANTAS JR., 2010).