• No results found

2. Komiteens merknader

2.5 Framtidens spesialisthelsetjeneste

De acordo com os critérios do protocolo, foram inicialmente considerados 154 casos, dos quais 4 (2,6%) não aceitaram participar no estudo (3 do Centro Hospitalar de Setúbal e 1 do Centro Hospital de Lisboa Ocidental). Assim, constituíram a amostra final 150 casos.

A amostra dos 150 casos seleccionados para o estudo foi bastante equilibrada em termos de género (masculino, n=78; 52%; Feminino, n=72; 48%). A média de idade foi 39,6 anos (DP=9,8; mediana= 39,0; min.=18 - máx.=65).

Quanto ao estado civil, a maioria dos indivíduos eram solteiros (n=100; 66,7%). Cerca de metade viviam com os progenitores (n=77; 51,3%) e estavam desempregados (n=81; 54,0%). O nível de escolaridade mais prevalente era o ensino secundário (n=57; 38,0%). Em termos de distribuição por género, verificamos que o número de mulheres desempregadas (n=72; 55,6%) era superior quando comparado com o dos homens (n=78; 52,6%), embora as mulheres apresentassem um nível de escolaridade mais elevado, principalmente em termos da frequência do ensino superior (23,6% para as mulheres; 9,0% para os homens).

A caracterização sociodemográfica da amostra é apresentada naTabela 35.

Tabela 35. Características sociodemográficas dos doentes

Variáveis % (n) Género Masculino Feminino 52,0 (78) 48,0 (72) Idade 39,7 (150)

Estado civil Solteiro

Casado Divorciado Viúvo 66,7 (100) 12,7 (19) 19,3 (29) 1,3 (2) Agregado familiar

(pessoas com quem vive)

Sózinho

Com cônjuge/companheiro(a) com ou sem filhos Com progenitores

Com outras pessoas Com os filhos

Com outras pessoas (residência protegida)

23,3 (35) 16,7 (25) 51,3 (77) 0,6 (9) 0,7 (1) 2,0 (3)

Ocupação Desempregados

Emprego a tempo parcial < 20 horas Emprego a tempo inteiro > 20 horas Estudante Reformados Baixa médica 54,0 (81) 8,7 (13) 10,0 (15) 1,3 (2) 24,0 (36) 2,0 (3) Habilitações

(nível máximo de ensino atingido)

< 1º ciclo

1º ciclo do ensino básico (1-4 anos) 2º ciclo do ensino básico (5-6 anos) 3º ciclo do ensino básico (7-9 anos) Ensino secundário (10-12 anos) Ensino superior 2,0 (3) 6,7 (10) 8,0 (12) 29,3 (44) 38,0 (57) 16,0 (24) 5.1.2. Caracterização clínica

Todas as pessoas incluídas no estudo (n=150) apresentavam diagnóstico de perturbação psiquiátrica grave (PPG), na maioria esquizofrenia (n=65; 43,3%) e perturbação bipolar (n=64; 42,7%), seguindo-se a perturbação esquizoafectiva (n=14; 9,3%) e outras psicoses (n=7; 4,7%).

A distribuição dos doentes pelos três hospitais selecionados para o estudo foi a seguinte: 49 (32,7%) doentes foram recrutados no Hospital A, 67 (44,7%), no Hospital B e 34 (22,7%) no Hospital C.

A maior parte dos indivíduos (n=89; 59,3%) afirmou que não precisava de ajuda para tomar a medicação, enquanto que 24,7% (n=37) responderam que era necessária a ajuda do progenitor, pelo menos uma vez por semana, para não se esquecerem de tomar a terapêutica.

Apenas 2,1% (n=3) referiu que não estava a tomar medicação. Dos que tomavam (n=118), 80,3% (n=109) fazia medicação antipsicótica (Tabela 36).

Tabela 36. Tipo de medicação

Medicação % (n) Antipsicóticos 80,3 (118) Antidepressivos 26,7 (39) Estabilizadores do humor 42,1 (61) Ansiolítico 49,3 (72) Hipnótico 15,2 (22)

Nota: Categorias não mutuamente exclusivas.

Ainda relativamente à terapêutica, quase metade dos doentes incluídos na amostra (n=74; 49,3%) tomavam medicação psiquiátrica há mais de dez anos, sendo que apenas 7,3% (n=11) a estava a tomar pela primeira vez.

Uma percentagem significativa destes doentes (n=107; 71,3%) assumiu já ter deixado de tomar a medicação em algum período da sua vida. Os motivos identificados relativos a essa interrupção, e o significado que o doente atribui à medicação psiquiátrica que está a fazer, são apresentados na Tabela 37 e Tabela 38, respectivamente.

Tabela 37. Motivos identificados pelos doentes para não cumprimento da terapêutica

Motivo(s) da interrupção % (n)

Porque não estou doente/não preciso 24,6 (23) Por causa dos efeitos secundários 47,8 (43)

Porque desisti do tratamento 13,8 (14)

Porque me fazem sentir pior 13,8 (14)

Tabela 38. Significado atribuído pelo doente à medicação psiquiátrica

Para que serve a medicação que está a tomar? % (n)

Para ficar calmo 88,7 (133)

Para dormir melhor 39,3 (59)

Para me sentir melhor (a nível dos sintomas da doença) 26,7 (40)

Não serve para nada 11,3 (17)

Não preciso da medicação porque não estou doente 14,0 (21) Para conseguir fazer o que fazia 56,7 (85)

Para não ter crises 61,3 (92)

Nota: Categorias não mutuamente exclusivas

Em relação ao regime de tratamento, cerca de 45,3% (n=68) dos doentes incluídos na amostra encontravam-se em regime de internamento de curta duração. Destes, 12,7% (n=19) encontravam-se em internamento compulsivo. Os restantes indivíduos distribuíram-se da seguinte forma: 30,0% (n=45) foram avaliados no hospital de dia, 22,0% (n=33) em consulta externa e 2,7% (n=4) encontravam-se, na altura do estudo, a frequentar uma unidade sócio- ocupacional.

Quanto ao registo de internamentos, 15,3% (n=23) afirmaram nunca terem sido hospitalizados por motivos psiquiátricos, 12,0% (n=18) estavam internados pela primeira vez, 15,3% (n=23) tinham sido internados apenas uma vez, 40,0% (n=60) entre duas a cinco vezes e 17,3% (n=26) mais de cinco vezes. No total, 46,7% (n= 70) doentes admitiram terem sido internados por terem deixado de tomar a medicação.

Do total da amostra (n=150) apenas 7,3% (n=11) dos doentes estavam a ser acompanhados, em termos psicoterapêuticos, por um profissional de psicologia, e 74,0% (n=111) eram seguidos, de forma regular, por um psiquiatra.

Cerca de 44,7% (n=67) dos doentes, afirmaram já ter deixado de ir às consultas de psiquiatria ou psicologia. Os principais motivos identificados pelos doentes, referentes a essa interrupção ou abandono do tratamento, são descritos na Tabela 39.

Tabela 39. Motivos identificados pelos doentes associados à interrupção das consultas

Motivo % (n)

Horário (falta de disponibilidade) 17,5 (10) Descrença no tipo de intervenção 64,9 (37) Tipo de relação terapêutica entre profissional-doente 5,3 (3)

Custos associados 10,5 (6)

Outro 1,8 (1)

Nota: Categorias não mutuamente exclusivas.

Dos 150 indivíduos incluídos no estudo, foi encontrada uma comorbilidade entre o diagnóstico psiquiátrico com consumo de substâncias em 39 casos.25,6% (n=10) era referente ao consumo de álcool e 74,3% (n=29) estava relacionada com o consumo de canabinóides.

Quando interrogados sobre tentativas de suicídio, 60% dos casos (n=90), afirmou nunca ter feito nenhuma. Nos indivíduos com história de tentativas de suicídio, o número de tentativas distribuiu-se da seguinte forma:

Tabela 40. Distribuição (percentagem e número) das tentativas de suicídio: frequência relativa (%) e absoluta (n)

Motivo % (n)

Apenas 1 16,0 (24)

Entre 2 e 5 18,7 (28)

Mais de 5 5,3 (8)

Quanto à adesão ao tratamento 48,7% (n=73) afirmaram que aderiam totalmente ao tratamento; 28% (n=42), aderiam parcialmente, 20,7% (n=31), aderiam só de vez em quando e 2,7% (n=4) admitiram que não aderiam ao tratamento.

Segundo a perspectiva destas pessoas, o factor mais importante que contribui para aumentar a adesão é aceitar a doença (n=82; 54,7%), seguindo-se a qualidade da relação

Tabela 41. Factor mais importante, identificado pelos doentes, para aumentar a adesão ao tratamento: frequência relativa (%) e absoluta (n)

Factor % (n)

Haver mais informação sobre o tratamento 11,3 (17) A qualidade da relação terapêutica 28,0(42)

Apoio familiar 4,0(6)

Acompanhamento não farmacológico 2,0 (3)

Aceitar a doença 54,7 (82)

Ainda a realçar que uma percentagem significativa de doentes (n=61; 40,7%) afirmou que a ideia que tem sobre os medicamentos prescritos pelo psiquiatra é diferente dos que são prescritos por outro clínico (e.g. médico de família). Destes 61 casos, 31,3% (n=47) responderam que a principal diferença está relacionada com o facto da medicação psiquiátrica apresentar mais efeitos secundários, enquanto que 23,3% (n=33) afirmou que a principal diferença tinha a ver com a dependência causada pelos fármacos. Segundo os doentes, a medicação psiquiátrica causa mais dependência.

As respostas dos doentes, quanto aos esclarecimentos prestados pelos psiquiatras sobre a medicação, são apresentadas na Tabela 42.

Tabela 42. Esclarecimentos prestados pelos psiquiatras sobre a medicação: frequência relativa (%) e absoluta (n)

Resposta % (n)

Quando iniciou o tratamento, ou quando fez alguma alteração na sua medicação, em que medida o médico conversou consigo sobre:

1. A razão porque é importante tomar a medicação exactamente como planeado (horário, doses, etc.)

a. Não falou b. Falou pouco c. Falou o suficiente d. Falou muito e. NS/NR 28,0 (42) 21,3 (32) 39,3 (59) 10,0 (15) 1,3 (2) 2. O plano detalhado sobre a forma

como deve tomar os seus

medicamentos (horário, doses, etc.)

a. Não falou b. Falou pouco c. Falou o suficiente d. Falou muito e. NS/NR 24,0 (36) 14,7 (22) 48,7 (73) 12,0 (18) 0,7 (1) 3. A forma como lidar com os possíveis

efeitos secundários dos medicamentos a. Não falou b. Falou pouco c. Falou o suficiente d. Falou muito e. NS/NR 70,7 (106) 14,7 (22) 13,3 (20) 0,7 (1) 0,7 (1) 4. Sobre o que fazer se falhar uma

toma/dose da sua medicação

a. Não falou b. Falou pouco c. Falou o suficiente d. Falou muito e. NS/NR 72,0 (108) 7,3 (11) 18,7 (28) 1,3 (2) 0,7 (1)