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7.2 Framregningen fra 1998 til 2000 Framregningen fra 1998 til 2000 Framregningen fra 1998 til 2000 Framregningen fra 1998 til 2000
O presente tópico propõe a leitura do diálogo da cena e da respectiva tradução, produzida pelo estudante PC. Nossa análise terá como base os exemplos da tradução de PC, do texto em francês e da fundamentação teórica.
Vejamos o quadro,
Quadro 16: Texto da cena e Tradução do estudante PC
VENDEUR VENDEUR
Bonsoir! Boa noite!
LIZ LIZ
Bonsoir! Qu’est-ce que tu veux? Boa noite, o que você deseja?
KEN KEN
Un demi. Um chope.
LIZ LIZ
Deux demis, s’il vous plaît! Dois chopes, por favor!
VENDEUR VENDEUR
Oui. Sim.
KEN KEN
LIZ LIZ
J’ai “une” rôle dans “une” film. Estou interpretando “uma” papel em “uma” filme.
KEN KEN
C’est quoi comme genre de film? Qual é o gênero do filme?
LIZ LIZ
C’est un film d’époque. É um filme de época.
KEN KEN
Tu tournes ce soir? Você grava esta noite?
LIZ LIZ
Oui... “tout” la nuit. Sim, “todo” a noite.
Je vais aller là-bas dans une heure. Eu vou para lá em uma hora.
KEN KEN
Je pourrais y voir? Eu posso ir assistir?
LIZ LIZ
Si tu veux… Se você quiser...
KEN KEN
Bon, je dis... si je viens, je vais pas me faire jeter ?
Bom, e se eu for, ninguém vai me impedir de entrar?
LIZ LIZ
Quoi? O quê?
KEN KEN
Si je viens, je vais pas me faire jeter ? Se eu for, ninguém vai me impedir de entrar?
LIZ LIZ
Tu peux m’appeler. Você pode me ligar.
KEN KEN
J’ai pas ton numéro. Eu não tenho seu número.
VENDEUR VENDEUR
Merci. Obrigado.
LIZ LIZ
On doit faire 001 parce que c’est “une” téléphone “américaine”.
Você tem que colocar 001, porque é “uma” telefone “americana”.
KEN KEN
Prends soin, elle est forte. Tome cuidado. Ela é forte.
À plus tard. Até mais tarde.
4.5.1 Estratégias de Tradução
Após as leituras, em francês e em português, do diálogo, observamos que nos exemplos “Boa noite, o que você deseja?”, “Um chope.”, “Dois chopes, por favor!”, “Qual
é o gênero do filme?” e “É um filme de época.”, PC utilizou a estratégia tradução literal, pois
conservou toda a estrutura do texto de partida. A tradução literal, segundo Vinay e Darbelnet (1996[1958]), está no conjunto dos procedimentos diretos, referentes às traduções que são semelhantes tanto em conteúdo, quanto em expressão, ao texto de partida.
Na tradução de “Bonsoir, qu’est-ce que tu veux?”, temos “Boa noite, o que você
texto de partida. Na tradução do verbo “vouloir” (“tu veux”), PC usou o verbo “desejar”, ao invés de “querer”, primeira acepção que podemos encontrar em dicionários franceses. Ao assistir ao curta, PC percebe que os personagens não se conhecem, mas ao longo da conversa identifica os traços da transição do registro formal para o informal; ademais, em português, a utilização de “desejar” acontece, frequentemente, quando a situação exige formalidade entre as pessoas.
Para contemplar essa ação de PC, vejamos um trecho da entrevista em que o estudante descreve como percebeu a situação de linguagem do texto de partida para efetuar sua tradução:
Fragmento 1
PC – Pelo o que eu percebi o diálogo é bem informal, né? Então, eu tentei manter também, na minha tradução, essa questão da informalidade, então, manter esses traços da linguagem informal. Enfim, isso mesmo, assim... Manter esses traços... Esse mesmo registro, mesmo registro informal do diálogo, na tradução. Ela utiliza o “tu”, eles estão num lugar bem descontraído, estão num bar, vão tomar chope, então é assim, pelo o que eu identifiquei estão fazendo uma transação, eles estão em uma conversa bem informal mesmo, conversa de bar, não se conhecem muito, mas também não se tratam formalmente...
Da leitura, compreendemos que o estudante PC apoiou-se na observação das imagens que compõem a cena, notando o espaço físico onde estão os personagens e a relação informal que constitui o diálogo entre eles, para construir a tradução em língua portuguesa. Porém, mesmo PA tendo observado o contexto da cena, no texto de chegada podemos ver estruturas semelhantes ao texto de partida, o que confirma o procedimento literal.
Em “É um filme de época.” vemos que o aluno conservou todos os elementos do texto de partida “C’est un film d’époque.”, verbo, determinante, substantivo, preposição e substantivo51, além de (re)construir o mesmo conteúdo do texto em francês.
Assim como nos exemplos anteriores, em “Você grava esta noite?”, “Sim, ‘todo’
a noite”, “Se você quiser...”, “O quê?”, “Você pode me ligar”, “Eu não tenho seu número”, “Obrigado”, “Você tem que colocar 001, porque é ‘uma’ telefone ‘americana’” “Tome cuidado. Ela é forte” e “Até mais tarde”, PC também utilizou a mesma estratégia de tradução 51 Veremos com mais detalhes a utilização dos recursos linguísticos nas análises da capacidade linguístico-
discursiva.
literal, resgatando, palavra-por-palavra, a forma do texto em francês para o texto em português.
Nesse conjunto, em uma escala gradativa do mais literal ao menos literal – empréstimo, decalque e tradução literal -, apesar do nome e de guardar semelhanças com o texto de partida, a estratégia literal é a que mais se distancia do texto de partida. Considerando essa definição, interpretamos que o aluno PC selecionou, predominantemente, em seus repertórios o procedimento tradução literal.
A oração em francês “Vous faites quoi à Paris?” foi traduzida literalmente, ou seja, palavra-por-palavra, por “O que você está fazendo em Paris?”, em português. PC utilizou a estratégia literal, mantendo a mesma estrutura do texto de partida no texto de chegada, porém, em relação à forma, optou pelo gerúndio do verbo “fazer” (“fazendo”), ao invés de “faz”, assim como PA, e iniciou a oração com o interrogativo “o quê”, o que não prejudica a classificação literal, já que a estrutura é a mesma.
No texto de partida, temos “Oui... ‘tout’ la nuit” e, no texto de chegada, temos “Sim, ‘todo’ a noite”, consideramos este exemplo, já citado, como proveniente da estratégia literal, pois PC considerou em sua tradução a mesma estrutura em língua francesa.
No exemplo “Você tem que colocar 001, porque é ‘uma’ telefone ‘americana’”, tem-se como correspondente em língua francesa “On doit faire 001, parce que c’est ‘une’
téléphone ‘américaine’”; nesse caso, o estudante PC conservou a troca das desinências de
gênero do masculino para o feminino no artigo “uma” e no substantivo “americana” no texto em língua portuguesa. Nessa situação, o pronome indefinido “on”, como está sendo utilizado em registro familiar, pode ser traduzido pelos pronomes de 2ª pessoa do singular “tu” ou “você”, confirmando a tradução palavra-por-palavra (significação encontrada no dicionário LE ROBERT, 2007, citado em nota de rodapé nas análises de PA).
Para confirmar, PC fala da conservação, no texto de chegada, dos erros que comete Liz, vejamos:
Fragmento 2
PC – Ela troca o gênero de algumas palavras, em vez de usar o masculino, ela usa o feminino, os artigos. Então, talvez na minha tradução, usar tal qual estava no original possa soar um pouco estranho, mas eu tentei manter pra mostrar realmente que ela era estrangeira, que não estava identificando essas coisas da língua, os gêneros, e que não tivesse tanto conhecimento da língua.
E até porque tem algumas palavras que ela não sabe o gênero. Ela é americana, não é? Acredito que ela seja americana e os americanos não têm muito essa questão de gênero, as palavras, é a mesma palavra pra homem e mulher... Então, acredito que é por isso que ela tem essa dificuldade de especificar se é masculino ou feminino.
M – Certo. Então, você conservou essa sua estratégia durante todo o texto?
PC - Em todo o texto mantive, todas as vezes que ela trocou o gênero eu também mantive na tradução.
Podemos constatar que, ora PC prioriza o nível do conteúdo da mensagem, ora prioriza o nível da estrutura da língua na estratégia literal, como em “J’ai ‘une’ rôle dans
‘une’ film.”. Nesse exemplo, PC ao traduzi-lo para “Estou interpretando ‘uma’ papel em ‘uma’ filme” reconstruiu o erro de gênero no artigo indefinido “uma” e deu outro formato ao
texto, como veremos, posteriormente, nesse tópico.
Vejamos o quadro, no qual reunimos todos os exemplos literais retirados da tradução do estudante PC:
Quadro 17: Exemplos de estratégia tradução literal do estudante PC Boa noite, o que você deseja?
Um chope. Dois chopes, por favor! O que você está fazendo em Paris?
Qual é o gênero do filme? É um filme de época. Você grava esta noite?
Sim, “todo” a noite. Se você quiser...
O quê? Você pode me ligar. Eu não tenho seu número.
Obrigado.
Você tem que colocar 001, porque é “uma” telefone “americana”.
Tome cuidado. Ela é forte. Até mais tarde.
Em outros exemplos, como “Je vais aller là-bas dans une heure”, o verbo principal e o auxiliar são representados pelo mesmo verbo “aller”, conjugados diferentemente (“vais” marcando a 1ª pessoa do singular, verbo auxiliar, e “aller” marcando a forma nominal infinitivo, verbo principal). Na tradução para o português, PC omitiu o auxiliar (ir), usando a
Tradução Literal
ideia de tempo futuro do verbo principal (ir), e produziu “Eu vou para lá em uma hora”. Por conta dessa retirada do verbo auxiliar, consideramos que a estratégia utilizada foi a omissão e não a tradução literal. A omissão, estratégia tratada por Barbosa (2004), acontece quando há a necessidade de omitir elementos considerados desnecessários no texto de chegada, ou que não prejudiquem o sentido do texto, se retirados. Em outro exemplo também temos omissão, vejamos o quadro, no qual colocamos em negrito o termo que foi omitido:
Quadro 18: Exemplos de estratégia omissão do estudante PC
Eu vou (ir) para lá em uma hora. Eu posso ir (lá) assistir?
Em “Eu posso ir assistir?” PC omitiu o pronome “y” que traduzido em português ficaria “lá”, no caso desse diálogo, e, além disso, acrescentou o verbo “ir”, representando a utilização da estratégia explicitação que ocorre de maneira contrária à omissão. Na explicitação há o acréscimo de recursos linguísticos no texto de chegada. O acréscimo de “ir” é comum no português usado em conversas informais, além de reforçar a ideia que se quer dar de “ida” ao local onde acontecem as gravações do filme, de que falam Liz e Ken. Lembramos que estas duas estratégias, omissão e explicitação foram contempladas apenas na categorização de Barbosa (2004). Vejamos o quadro com o exemplo ilustrado, nele temos a explicitação (o acréscimo) de “ir”:
Quadro 19: Exemplo de estratégia explicitação do estudante PC
Je pourrais y voir? Eu posso ir assistir?
Considerando o conjunto dos procedimentos oblíquos (VINAY e DARBELNET, 1996[1958]), referentes às traduções que não guardam em sua expressão os mesmos recursos do texto de partida, o aluno PC mobilizou também em sua tradução a transposição. A estratégia transposição acontece quando há mudança de categoria gramatical. Por exemplo, o texto francês, como já citamos, “J’ai ‘une’ rôle dans ‘une’ film”, traduzido para o português como “Estou interpretando ‘uma’ papel ‘numa’ filme”, teve seu conteúdo recriado pela mudança das categorias gramaticais. Nesse caso, PC utilizou os verbos “estou interpretando”
Explicitação Omissão
ao invés do substantivo “papel” (uma função em uma peça, um personagem), ou seja, transpôs a categoria do substantivo para a categoria do verbo, transformando o conteúdo e a estrutura da mensagem.
O quadro, a seguir, ilustra o exemplo que acabamos de ver:
Quadro 20: Exemplo de estratégia transposição do estudante PC
J’ai ‘une’ rôle dans ‘une’ film. Estou interpretando ‘uma’ papel ‘numa’ filme.
No exemplo “Se eu for, ninguém vai me impedir de entrar?” o aluno PC utilizou a estratégia modulação para traduzir “Si je viens, je vais pas me faire jeter?”. Essa estratégia acontece quando o foco do texto de partida varia de acordo com o modo como os sujeitos da língua de chegada interpretam suas experiências. O foco em francês está sobre a construção
“se faire jeter” que designa, em francês, ser expulso, ser rejeitado etc. Em português, PC
expressou-se através do ato de “entrar”, assim como o estudante PA; no entanto, PC tornou o personagem Ken paciente, ou seja, alguém (“ninguém”) é responsável pela ação de expulsá- lo.
Por outro lado, poderíamos considerar essa tradução, em partes, literal, pois o pronome indefinido “ninguém” e o verbo “impedir”, de certa forma, fazem permanecer uma situação de negação, presente no texto de partida, como em “je vais pas”, que traduzido literalmente fica “eu não vou”. Mas como podemos ver, não permanece a ordem estrutural no texto de chegada para ser considerada efetivamente literal, permanecendo apenas o conteúdo, i.e., a ideia do texto de partida.
Para visualizar o exemplo em língua francesa e em língua portuguesa, observemos o quadro:
Quadro 21: Exemplo de estratégia modulação do estudante PC
Si je viens, je vais pas me faire jeter? Se eu for, ninguém vai me impedir entrar?
Transposição
Como podemos observar, em quase toda tradução de PC encontramos uma maior recorrência da estratégia tradução literal em relação às outras: omissão, explicitação, transposição e modulação.
Como PC reconhece o lugar onde acontece a cena (o bar), as marcas de oralidade e do registro informal (“tu” e “on”) presentes no diálogo, ele recorre à tradução literal para (re)construir esses aspectos no texto traduzido, tendo em vista os recursos da língua de chegada.
Observar o texto que se escreve, seja em língua materna, seja em língua estrangeira, é primordial, pois a seleção dos componentes que farão parte do conteúdo temático é realizada com base no gênero escolhido e na situação em que se processam as ações de linguagem dos personagens. Posteriormente, o texto (traduzido) terá um leitor que identificará, assim como o tradutor, essas características que contribuem para a coerência temática e pragmática do texto; elas são mobilizadas pelas capacidades de linguagem que possui esse agente-produtor. Veremos no tópico a seguir a capacidade que mobiliza elementos linguísticos, como os mecanismos de textualização e enunciativos.
4.5.2 Capacidade Linguístico-Discursiva
No tópico anterior, vimos as análises das estratégias de tradução que nos possibilitaram observar as (re)criações dos mecanismos linguísticos que compõem o texto traduzido. Conforme Bronckart (1999[2009]), esses elementos são responsáveis por mobilizar a capacidade de linguagem linguístico-discursiva na produção de ações de linguagem. Assim, para investigar tal capacidade, analisamos ocorrências de mecanismos de textualização –
coesão verbal, coesão nominal e conexão – e de mecanismos enunciativos – vozes e modalizações - que o estudante PC mobilizou em sua tradução.
Para relembrar, a coesão verbal assegura a organização temporal e/ou hierárquica dos processos realizados pelos tempos verbais. Já a coesão nominal assegura a introdução, a retomada ou a substituição de temas e/ou novos personagens em um texto por meio de anáforas. E a conexão estabelece a progressão temática, realizando-se através de organizadores textuais, por exemplo, conjunções, advérbios ou locuções adverbiais etc.
Em relação à coesão verbal encontramos, no começo da tradução, a construção “Boa noite, o que você deseja?”, nela identificamos que PC utilizou o verbo “desejar” no presente do indicativo, tornando o momento da fala da personagem simultâneo ao momento
do processo em que ocorre o diálogo. Essa codificação estabelecida, entre o momento em que é produzido o discurso interativo e o momento em que acontece o processo, caracteriza o verbo com valor temporal presente e valor aspectual como ação em realização.
No mesmo exemplo, em relação à coesão nominal, PC utilizou o pronome de 2ª pessoa, “você”, para introduzir o personagem Ken no diálogo, marcando o início da transação conversacional entre este personagem e Liz.
No trecho “Um chope” temos um SN indefinido que introduz o subtema referente à pergunta de Liz. Se observarmos, em “Um chope” temos uma elipse antes do SN “Ø um chope”, o símbolo Ø pode ser substituído por “Eu desejo”. Esses dois casos constituem somente a coesão nominal. A elipse pode ser identificada nas estratégias de tradução sob o nome de omissão, porém, nas análises do tópico anterior, colocamos esse trecho como tradução literal.
Em “O que você está fazendo em Paris?” PC utilizou como organizador temporal, caracterizando a coesão verbal, a locução “está fazendo”, composta pelos verbos “estar”, no presente, e “fazer”, no gerúndio. Através desta construção, podemos identificar o momento da fala do personagem Ken com valor temporal de ação em desenvolvimento em relação ao momento do processo. O momento de produção está situado como uma ação também em desenvolvimento com relação ao eixo local “em Paris”. Portanto, nesse trecho do texto de PC, podemos compreender que duas ações podem acontecer durante a conversa: a primeira se refere ao próprio momento do diálogo, a segunda se refere ao que Liz faz, de fato, em Paris, pois sabemos que Liz não é de origem francesa. Além disso, este eixo “em Paris” também nos permite identificar o uso de uma preposição “em” que indica o lugar onde os personagens estão, ou seja, na capital francesa, caracterizando tal construção no conjunto da conexão.
Com relação à coesão nominal, o pronome “você” se apresenta, novamente, dessa vez, retomando a personagem Liz no diálogo que já tinha se manifestado no início da conversa, ao perguntar o que desejava Ken.
Quanto à coesão verbal, a resposta de Liz “Estou interpretando ‘uma’ papel em
‘uma’ filme” completa a pergunta: “O que você está fazendo em Paris?”. Para formular essa
resposta, PC utilizou, também, o verbo “interpretar” no gerúndio. Na locução verbal “estou interpretando”, notamos a confirmação das ações de que falamos há pouco, o momento da fala está em simultaneidade com o momento em que acontece ou poderá acontecer o diálogo.
Quanto à coesão nominal, temos dois aspectos a considerar nesse exemplo “Estou
intepretando ‘uma’ papel em ‘uma’ filme”. Primeiro, PC utilizou a elipse em “Ø Estou
interpretando ‘uma’ papel em ‘uma’ filme”, partindo disso, podemos identificar a omissão do pronome sujeito de 1ª pessoa, “Eu”, que retoma a personagem Liz. Sabemos que a elipse é usada, frequentemente, no português falado e o conhecimento que o agente tem da língua auxilia na compreensão e na identificação dos termos omissos. Segundo, PC mobilizou outro recurso da língua: um SN indefinido, “‘uma’ papel”, que introduz o tema do diálogo, o filme.
Quanto aos mecanismos enunciativos, identificamos a voz da personagem Liz em “estou interpretando ‘uma’ papel em ‘uma’ filme”, “é ‘uma’ telefone ‘americana’” e “‘todo’
a noite”; através destas construções, PC dá indícios da voz de Liz, conservando os erros de
concordância que ela comete em francês, possivelmente por ser de outra nacionalidade, atribuindo a ela a agência do fato.
Em outro exemplo “Qual é o gênero do filme?”, PC utilizou, para marcar a coesão verbal, o verbo “ser” que, nesse caso, conjugado no presente, está em relação com o pronome interrogativo e com o restante da oração, para caracterizar o tipo do filme. Há também um SN definido, “o gênero”, que PC utilizou para retomar o tema do qual Liz e Ken estão falando, marcando a coesão nominal.
Assim como o exemplo que acabamos de ver, em “É um filme de época”, PC também mobilizou, a coesão verbal, no verbo “ser” conjugado no presente. Nesse exemplo, o tempo revela que o momento do processo é simultâneo ao momento de fala representado pelo verbo “ser” com valor aspectual de estado, “o filme ‘é’ de época”. Em seguida, PC mobilizou elementos da coesão nominal, assim, temos um SN indefinido, “um filme”, que retoma o tema. Além da retomada do tema por SN indefinido, PC realizou uma elipse através da retomada, também do tema, por pronome de 3ª pessoa “ele”: “‘Ele’ é um filme de época”. PC mobilizou também elementos de conexão, como a preposição “de” antes do substantivo “época” formando um grupo preposicional que se articula à pergunta feita no turno de fala de Ken.
No trecho “Você grava esta noite?”, temos a coesão verbal marcada pelo verbo “gravar” no presente, demonstrando que o momento do processo de gravação do filme pode estar em simultaneidade com o momento da produção da fala do personagem. Há também a marcação da coesão nominal com: a retomada da personagem Liz por pronome de 2ª pessoa, “você”, e a retomada do tema por SN demonstrativo “esta noite”.
A construção “‘todo’ a noite” conserva em português, como vimos na estratégia de tradução literal, a não concordância nominal entre “todo” e “noite” produzida na fala da