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3. Medieeffekter som metode og funksjon 33

3.4 Framing

As primeiras transformações ocorridas na Torre da Porta de Cimo de Vila reportam-se ao século XVI. Esta torre terá sofrido, no decorrer do século XVI alterações ao nível da estrutura interior, nomeadamente pela implementação de soluções adotadas para apoio das vigas de madeira que suportam a estrutura do soalho. O suporte dos pavimentos superiores apresentou diferenças. O pavimento do primeiro andar era sustentado por uma viga no rés-do-chão, repetindo-se o mesmo sistema no segundo andar para o pavimento do terceiro. No primeiro andar, no entanto, não se verificava a existência de uma viga, sendo o pavimento do segundo piso sustentado por um arco de volta perfeita que descarregava nas paredes nascente e ponte. Esta solução encontra-se datada do século XVII.

A intervenção arqueológica realizada na Torre da Porta de Cimo de Vila justificada por um programa de recuperação e valorização (Brochado, 2009) produziu um acervo de informação de teor arqueológico que permite confirmar e completar a análise realizada até este momento. Um dado fundamental relaciona-se com as diferentes fases construtivas desta torre. Segundo os dados arqueológicos a torre terá sido construída no primeiro quartel do século XV, entre 1404 e 1416, não tendo sido registadas quaisquer estruturas anteriores, tratando, portanto da primeira estrutura no local. Em data posterior, no que podemos considera a 2ª fase, regista-se a

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construção da parede sul, datada do século XVII, em 1631, (Almeida, 1990; Flores, 1999) e portanto coincidente com a perda de função defensiva e aquisição de função de presídio. Por fim, numa terceira fase, já do século XX, terá ocorrido a restruturação do piso inferior, nomeadamente, ao nível do pavimento, com a substituição do lajeado em granito pelo betão e tijoleira cerâmica.

Apesar da Torre da Porta de Cimo de Vila já, em 1595, servir como cadeia, será apenas no séc. XVII, por volta de 1631, que se terá procedido à construção da parede que fechou a estrutura. Sobre este assunto, Cláudio Brochado (2009), refere que tendo em consideração estes dados cronológicos, nos finais do século XVI as características tipológicas da torre já não se adequavam ao aumento do trafego carrário, optando-se assim pela abertura de uma porta mais funcional, neste caso a Porta Nova. Desta forma, com a abertura da nova porta a torre perde a função original, passando então a funcionar como presídio. Em algumas fotografias de inícios do século XX, é possível ver-se ao nível das aberturas a existência de gradeamentos, possivelmente associados à sua utilização como estabelecimento prisional.

A partir da leitura estratigráfica do paramento sul da Torre Postigo da Vinha Velha pudemos também observar indícios de diferentes fases construtivas que ajudaram a perceber as transformações ocorridas no exterior. A primeira grande fase, que englobou as UE‘s 3 e 4, semelhante ao que pudemos observar na muralha, traduziu o período de intervenções da DGEMN. De forma específica, pudemos constatar modificações pelo menos ao nível dos merlões. Pela comparação das fotografias que antecedem o período destas intervenções e pelas que o procedem (Figuras 58 e 59), foram notórias diferenças quanto ao número de merlões. Possivelmente estes elementos terão sido afetados pelo terramoto de 1755, como consta nas Memórias Paroquiais de 1758 (Capela e Borralheiro, 1998), facto que terá propiciado, durante a intervenção da DGEMN em meados do século XX, a adição dos merlões em falta.

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Figura 60 - Perspetiva do paramento Sul da torre. A fotografia apresenta a data de 1952 (Fonte:http://www.espoliofotograficoportugues.pt/Default.aspx?ID=10&ProductID=PROD2188227).

Figura 61 - Perspetiva do paramento Sul da torre nos inícios do século XX. (Fonte: http://barcelosempostais.no.sapo.pt/BarcelosemPostais/Ruas/ruasfoot.htm

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Seguidamente, em concordância com a leitura realizada para a muralha, distingue-se um período construtivo que engloba o século XIX e XX. Referimo-nos à divisão que foi construída sobre a muralha e anexada à face sul da torre. As evidências desta edificação na torre apenas se traduzem pelas aberturas identificadas pela UE 9. Trata-se de três janelas e uma porta, abertas na parede sul e que permitiam a ligação entre a edificação e o interior da torre. Em termos de datação, verificamos que estes vãos não são visíveis numa ilustração do século XIX (Norton, 1996), sendo mais plausível que configurem alterações já do século XX. O registo mais antigo que possuímos traduz-se numa fotografia de 1952, coincidente com o momento de demolição da edificação (Figura 60).

Não obstante, procedemos à identificação das unidades estratigráficas de paramento que possivelmente correspondem à fase das remodelações modernas do século XVII, relacionadas com a construção do paramento sul, em 1631 (Almeida, 1990; Flores, 1999). Estas alterações verificam-se ao nível da cobertura, pela UE 18, que se refere ao remate superior, formando uma espécie de balcão ao nível da cobertura, e que se associa à parte da parede construída no século XVII, através do interface de ligação, UE 19. Neste paramento distingue-se, desde logo, a UE 20, referente ao interface de ligação das aberturas, contemporâneas da construção da parede. Trata-se de duas janelas paralelas ao nível do terceiro andar. Tal como muitas das outras aberturas, estas sofreram alterações posteriores, nomeadamente ao nível da colocação de grades, aquando da sua utilização como presídio, bem como adições ao nível dos frontões. Por sua vez, a UE 21, corresponde ao fechamento da torre e distingue-se da estrutura medieval da torre pelo interface de ligação que possui com esta, representado pela UE 22. Refira-se, igualmente, o interface de rutura existente entre a cobertura e a estrutura medieval da muralha, a UE 23.

Se atentarmos à representação de Duarte d’Armas (Figura 9), podemos verificar que o remate superior da torre original era substancialmente mais simples, não se verificando a existência da UE 18. Igualmente, os merlões representados parecem tratar-se mais do uso dos próprios silhares, perfazendo uma continuação do aparelho. Assim, para o assentamento da cobertura referente à Época Moderna, terá havido uma ação de rutura na estrutura anterior.

Deste modo, a última fase traduz parte da estrutura original da torre, correspondente à UE 24. Esta unidade estratigráfica traduz o paramento sul original da torre com uma divisão a meio. Ao nível das características, apresenta um aparelho cuidado, em cantaria com silhares de média dimensão bem talhados. Em termos de sucessão, este paramento vai estabelecer relação com a

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parte, também medieval, da muralha (UE 26), através do interface de ligação identificado pela UE 25. A estrutura é datável do século XV, mais propriamente do primeiro quartel, entre 1404 e 1416 (Brochado, 2009).

A confirmar os aspetos identificados, a representação de Duarte d’Armas fornece uma visão da torre no século XVI, sendo visível o paramento sul ainda aberto para o interior do núcleo urbano (Figura 9).