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Den herskende mening

2. Hva er terrorisme? 17

2.4 Definisjon av begrepet ”terrorisme”, en dragkamp om virkeligheten

2.4.2 Den herskende mening

O quarteirão A-9, além de ter proporcionado a identificação de inúmeros vestígios, assume um evidente protagonismo como exemplo paradigmático da relação existente entre a morfologia urbana e o tecido histórico. Por isto, pretendemos destacar o facto de perdurar no tecido construído de um do meio urbano, o carácter morfológico de uma construção como a muralha, apesar das alterações que vai paulatinamente sofrendo. Desta forma, torna-se possível filtrar a sucessão de eventos que progressivamente vão transformando a paisagem. É de forma

Figura 55 - Pormenor da Torre da Ponte após a derrocada e demolição de 1800. Representação de 1806 de autor desconhecido (Norton, 1996).

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pertinente que Joaquim Flores (1999) se refere a este fenómeno como uma “absorção” das construções mais antigas pelas mais recentes (Figura 56).

Figura 56 - Representação esquemática 3d das diferentes fases identificadas no pano este da muralha.

Figura 57 - Representação esquemática 3d das diferentes fases identificadas no pano nordeste da muralha.

Para se perceber o tecido urbano como resultado da transformação constante que vai retendo traços de momentos distintos, é necessário perceber a relação que as estruturas de diferentes épocas vão estabelecendo entre si. Desta forma, o objetivo aqui passa por tentar revelar a forma como foi sendo utilizada a estrutura da muralha pelas construções posteriores.

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Se nos quarteirões B-1 e B-2 pudemos verificar uma forma específica de apropriação e reutilização da estrutura da muralha, no quarteirão A-9 é possível observar outros fenómenos.

No caso do troço Nordeste que se estende a partir da torre, podemos afirmar, que pelas evidências recolhidas, uma parte substancial da estrutura da muralha ainda se encontra fossilizada entre as parcelas construídas. Este fenómeno traduz-se pelo aproveitamento, a partir do momento em que a muralha perde o seu significado de sistema defensivo e passa a constituir um suporte e uma forma mais económica de edificar e construir. Este comportamento construtivo de aproveitamento condicionou inequivocamente a morfologia do quarteirão que ainda atualmente expressa uma organização diretamente relacionada coma estrutura da cerca medieval. De certa forma, neste quarteirão podemos referir que a muralha assume o caráter de “espinha dorsal” do mesmo. Assim, a manutenção da estrutura da muralha, neste caso, funcionou como paramento e limite das parcelas que se alinham transversalmente a ela, mas também como um elemento estruturante do próprio quarteirão.

No quarteirão A-9 registam-se um conjunto particular de transformações relacionadas com a estrutura do século XV (Figura 54). O momento mais recente, que englobou as ações ocorridas entre os séculos XX e XXI. Essencialmente foram identificadas três formas distintas. Em primeiro lugar as alterações estruturais traduziram, quanto a nós, o período de intervenções da DGEMN, já em pleno século XX (parcela A9-01). Datável já da segunda metade do século XX, detetamos a existência de construções adossadas, o uso de reboco e de betão, como reforço estrutural, tanto ao nível da parte original da muralha, como nas zonas de reconstrução (parcelas: A9-12; A9-08; A9-08; A9-09). Podemos ainda destacar a reconstrução de um muro de sustentação (parcela: A9-09), edificação já do século XXI.

Um segundo momento, que englobou a maioria das ações identificadas, traduziu uma série de alterações ao nível da muralha. Pela falta de indicadores mais precisos do que a planta de 1806, apenas pudemos analisar as transformações ocorridas no período entre o século XIX e XX. De uma forma bastante particular, no local onde o pano era coincidente com a Torre de Cimo de Vila, pudemos interpretar a existência de uma zona de reformulação da estrutura do pano e a adição de umas escadas (parcela A9-01). Nos restantes sítios, o fenómeno mais comum pautou- se pelo aparecimento de estruturas adossadas ao pano de muralha, que podemos considerar como uma forma de parcelamento em função da muralha (parcelas: A9-07, A9-08 e A9-12). Também na maioria dos sítios identificados no quarteirão A9, observamos um aproveitamento da parte superior da muralha como varanda ou espaço de circulação, possivelmente subserviente do adarve da estrutura medieval.

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A terceira fase englobou as ações ocorridas durante o século XVII. Este grupo resume-se a uma alteração da parte superior da Porta de Cimo de Vila. Tendo em consideração as diferenças que apresentou em relação à composição medieval, pensamos que este conjunto possa ser incluído na baliza cronológica que abarca a construção da parede sul, ocorrida por volta de 1631 (Almeida, 1990; Flores, 1999). Pelas representações do século XIX (Norton, 1996), podemos ter uma perspetiva, talvez não muito distante, da morfologia que apresentaria na Época Moderna. A parte respetiva à muralha servia como uma espécie de balcão que possuía umas escadas de acesso exterior ao primeiro piso, mais propriamente a uma porta de acesso ao interior da torre (parcela A9-04).

Em jeito de transição para a fase mais antiga, correspondente a reminiscências da estrutura original, incluímos todos os vestígios atribuíveis ao século XV (Figuras 58 e 59). No quarteirão A- 9 observam-se essencialmente duas formas de conservação. Na parcela A9-01, regista-se a conservação da parte inferior de um troço, que se diferenciava construtivamente do por apresentar um aparelho de cantaria, como era comum nos locais de portas com torres associadas. Na sua continuidade, na parcela A9-12 observa-se um troço do pano bem conservado. O mesmo reparte-se pelas parcelas A9-07 e A9-08.

De outra forma, pudemos igualmente observar a conservação de troços de muralha através de ruturas. Se no caso anterior foi possível perceber a composição das faces, neste caso foi possível identificar as espessuras, bem como composição do seu interior, designadamente nas parcelas A9-03, A9-04 e A9-09.

De maneira geral, a forma de reutilização mais evidente diz respeito ao aproveitamento da muralha como paramento para construções posteriores, razão pela qual ainda hoje podemos observar a existência da mesma. Juntamente com estas ações observam-se igualmente fenómenos de sobreposição, onde a muralha passou a ser utilizada como estrutura de sustentação de terraços ou espaços de logradouro das construções transversais, que tomam partido da altitude e da panorâmica que esta proporciona sobre a envolvente.

No entanto, a expansão construtiva ocorrida na parte interna do quarteirão mostrou uma forma de reutilização que secciona a muralha para a instalação de compartimentos de carácter mais recente, ficando o interior da mesma a funcionar como cobertura. Este fenómeno, a constituir um seccionamento total da estrutura da muralha, parece traduzir uma inversão estratigráfica, onde a muralha medieval passa a sobrepor construções de carácter mais recente.

Outro caso destacou-se pela criação de poços de luz para permitir o acesso da luz natural a edifícios que vieram ocupar alguns espaços existentes entre o edificado e a estrutura da

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muralha, possivelmente logradouros das parcelas anexadas à muralha. Com este tipo de ocupação de um espaço tão restrito, resultam uma espécie de “clareiras” que expõem segmentos da face exterior da muralha.

O muro de sustentação, situado entre a parcela A9-09 e o Postigo da Vinha Velha (parcela A9-14), apresentava caraterísticas e alinhamentos semelhantes à muralha, levando alguns autores a associar este muro à estrutura da muralha ou a uma reutilização da mesma. Todavia, Apesar disso, a estrutura da muralha teria também ali uma função de sustentabilidade do terreno, em função da topografia acidentada do relevo, tendo levado levando à necessidade edificar um novo muro de sustentação já no decorrer do século XX, como já referido, possivelmente no seguimento uma derrocada da estrutura medieval.

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Figura 59 - Interpretação e reconstituição do pano Este até ao postigo da Vinha Velha no quarteirão A9.