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Frafall av saker i prosessen fram mot innsending

oppklaring av vinningskriminalitet

2.1 Frafall av saker i prosessen fram mot innsending

A literatura já está bem consolidada quanto às dificuldades que os professores iniciantes podem encontrar no início de carreira (FULLER, 1969 apud PACHECO; FLORES, 1999; VEENMAN, 1984 apud PACHECO; FLORES, 1999; HUBERMAN, 1997). Essas dificuldades, bem como as intensidades delas, que são vividas de forma muito pessoal, envolvem diversos fatores idiossincráticos. É necessário discutir estratégias e possibilidades de minimizá-las, a fim de criar um ambiente no qual o professor iniciante encontre meios para a superação das dificuldades iniciais e se mantenha na carreira.

A sustentabilidade docente não é algo exclusivo de professores iniciantes. Docentes em qualquer fase profissional podem e enfrentam situações adversas:

Muitos dos problemas que os docentes principiantes apresentam nas pesquisas têm a ver com assuntos que outros docentes com maior experiência enfrentam, tais como gestão da disciplina na sala de aula, a motivação dos estudantes, a organização do trabalho em sala, a insuficiência de material, os problemas pessoais dos estudantes ou a relação com os pais. Mesmo que os nós górdios sejam os mesmos nas diversas etapas da carreira docente, os professores principiantes experimentam os problemas com maiores doses de incerteza e estresse, devido ao fato de que eles têm menores referências e mecanismos para enfrentar essas situações (VAILLANT; MARCELO, 2012, p. 123)

Compreendendo a fragilidade e a complexidade do início de carreira, é extremamente importante discutir a sustentabilidade na carreira, termo emprestado das ciências biológicas, o qual define que “uma sociedade sustentável é aquela que está apta a satisfazer suas necessidades sem diminuir as oportunidades das futuras gerações de suprirem as suas”. Trazendo este conceito para a educação entendemos que “a liderança e o aprimoramento educacionais sustentáveis

preservam e desenvolvem aprendizado profundo para tudo que se difunde e dura, de modo a não prejudicar e, de fato, criar benefícios positivos para os outros a nossa volta, agora e no futuro” (HARGREAVES; FINK, 2007, p. 22-23).

Investir em um ambiente que estimule o aprendizado profundo dos professores iniciantes visando à durabilidade da carreira é uma maneira de permitir que o docente supere as dificuldades iniciais e, se assim quiser, permanecer na docência:

[..] os professores principiantes, em seu primeiro ano de exercício, são aprendizes vorazes, que se preocupam desesperadamente por aprender seu novo ofício. A curva de aprendizagem segue elevada durante três ou quatro anos, até que sua vida se faz muito rotineira e repetitiva. A curva de aprendizagem aplaina. O próximo mês de março é igual ao março anterior.

[...] Parece que a vida nas escolas é contraproducente para a aprendizagem adulta. Quanto mais tempo se passa ali, menos se aprende. (BARTH, 1993 apud DAY, 2005, p. 69)

Quando investe em um aprendizado profundo em todas as fases da carreira docente, com o cuidado de compreender as particularidades de cada uma delas, sustenta-se o professor na docência, mesmo que esteja enfrentando situações adversas, pois sustentar é “manter erguido; suportar o peso; estar apto a suportar (superexigência, sofrimento e coisas parecidas) sem desabar” (HARGREAVES; FINK, 2007, p. 31). Dessa maneira, em momentos de crises ou dificuldades, o professor pode encontrar meios de superá-los, já que consegue ter convicção, senso de propósito e, o mais importante, esperança.

Uma cultura escolar que trabalhe no sentido de promover um aprendizado profissional pode, além de sustentar o docente na carreira, perceber falhas a tempo de corrigi-las:

Se você, no entanto, investigar as salas de aula para encontrar excelência, corre também o risco de expor incompetência e má prática. [...] os professores eficientes enfrentam a falta de acesso a outros professores, acesso esse que significaria a possibilidade de eles se tornarem ainda melhores ao repartir sua competência. Muitos outros professores são competentes, mas poderiam melhorar consideravelmente se tivessem um ambiente mais cooperativo. Se um ambiente assim existisse desde o início de suas carreiras, seriam muito melhores. Os professores ineficientes ou podem ter ficado assim através de anos de experiências improdutivas e alienantes, ou não serviam para este trabalho desde o início. (FULLAN; HARGREAVES, 2000, p. 27)

A sustentabilidade da carreira é um tanto mais frágil quando relacionada a professores iniciantes, haja vista que eles não possuem experiências prévias, práticas bem-sucedidas ou falhas às quais recorrer em casos de incerteza. Isso pode acarretar isolamento profissional e, em último caso, culminar na desistência da profissão.

O grande desafio do sistema escolar “não é como livrar-se dos profissionais sem entusiasmo, mas como criar, manter e motivar os bons professores ao longo de suas carreiras” (FULLAN; HARGREAVES, 2000, p. 82). O compromisso do sistema escolar é ainda maior para

com os professores em início de carreira, não somente com o docente iniciante, mas com todos os futuros alunos desse professor, como indicam Fullan e Hargreaves:

As condições de ensino, especialmente no início de carreira, influenciam e, às vezes, determinam o quão bom será um professor. Esse determinado professor, por sua vez, afetará a qualidade das experiências de aprendizagem de centenas de crianças nos próximos 30 anos. É válido lutar para garantir que esses novos mestres tenham condições muitíssimo melhores para seguir em sua carreira (2000, p. 99, grifo do autor).

Dessa maneira, como pontua André (2012), é importante atrair, desenvolver e reter professores com habilidades para exercer bem a função docente a partir de políticas que assegurem que os docentes possam trabalhar em um ambiente favorável à sua prática. André ainda destaca que a desistência de professores competentes tem encorajado a criação de políticas que estimulam os docentes a permanecer na profissão.

Considerando a necessidade de reter docentes na profissão, Hargreaves e Fink (2000) apontam sete princípios da sustentabilidade na educação: profundidade, durabilidade, amplitude, justiça, diversidade, engenhosidade e conservação.

A profundidade é estimulada através de uma aprendizagem profunda e ampla, tanto docente quanto discente. Um processo de ensino-aprendizagem vago e descontextualizado não colabora para que professores iniciantes compreendam com clareza as responsabilidades de um docente.

A durabilidade está relacionada ao tempo com que as propostas e projetos duram no sistema escolar. Ela preserva propostas que tiveram sucesso e analisa as que tiveram falhas a fim de corrigi-las. É muito comum, em escolas, que, em vez de tentar aprimorar projetos que “não deram certo”, eles sejam descartados. Dessa forma, são mantidas propostas que geram sempre resultados regulares, mas que deixam a comunidade escolar em um estado confortável. Um professor iniciante que traga diferentes ideias e propostas pode se sentir desestimulado ao perceber a resistência do grupo escolar diante de mudanças.

A amplitude compreende a complexidade do sistema escolar, o qual é formado por pessoas, e desafia a ordem hierárquica que prevalece nas unidades de ensino, ou seja, afirma que cada indivíduo integrante da comunidade escolar tem suas responsabilidades, bem como suas contribuições para o ensino-aprendizagem e a cultura escolar. Um ambiente que reconheça tais responsabilidades de todo e cada indivíduo pode afetar o desenvolvimento da prática no sentido de mostrar que o professor iniciante não é indiferente ao ambiente escolar e que existe um ganho muito grande nas trocas com outros professores ou com a equipe gestora.

A justiça busca beneficiar o ambiente escolar em todos os sentidos, dentro da própria escola e entre escolas. A intenção é diminuir a competição entre escolas, entre segmentos, entre

salas e desenvolver uma rede de trocas. A competição resultante do atual sistema de ensino desgasta a relação ensino-aprendizagem, pois pressiona a equipe escolar a produzir resultados e mantê-los. Limita-se o trabalho do professor iniciante pois, em vez de permitir que ele desenvolva sua prática, exige-se que trabalhe conteúdos para alcançar as metas estabelecidas.

A diversidade vai em direção oposta do alinhamento; entende-se, aqui, que a cultura escolar se enriquece a partir da diversidade, da troca de experiências e ideias, e se empobrece ao tentar criar padrões a serem seguidos. O professor iniciante, além de ter vez e voz em um universo escolar como esse, desenvolve sua prática baseada em diferentes experiências e trocas com outros professores, podendo iniciar a construção de sua identidade profissional.

A engenhosidade procura reconhecer as qualidades dos profissionais no momento em que elas estão em destaque. Muitos são os acontecimentos dentro de uma escola, de naturezas diferentes, que ocorrem ao mesmo tempo. Reservar um tempo para que os acontecimentos positivos sejam compartilhados com o grupo e para que os responsáveis sejam reconhecidos motiva o grupo escolar. Para o professor iniciante, a importância de ser reconhecido pode minimizar sua insegurança diante das dificuldades do início de carreira.

A conservação preocupa-se em manter a memória do grupo escolar viva, relembrando situações bem-sucedidas, apesar das mudanças que possam ocorrer. Observando práticas exitosas, o professor iniciante tem a oportunidade de aprender a partir da experiência dos outros professores, bem como estabelecer parcerias, a fim de desenvolver seus próprios projetos e sua prática.

Para finalizar, a sustentabilidade na carreira é uma forma de “fazer com que os professores percebam que possuem uma profissão emocionalmente apaixonante, profundamente moral e intelectualmente exigente” (FULLAN, HARGREAVES, 2000, p. 12) e socialmente relevante, e que possam, assim, manter-se nela.