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DNA­reformens effekter på kriminalteknisk kompetanse, materiell og personell

7. Kunnskapsnivå og kompetansebehov

7.3 DNA­reformens effekter på kriminalteknisk kompetanse, materiell og personell

A história não é pré determinada, mas sim, construída com a vontade, a consciência, a ação e a imaginação de homens e mulheres de cada tempo.

Oscar Jara

Este capítulo oferece uma síntese da revisão de literatura sobre a sistematização de experiências a partir do contexto latinoamericano, evidenciando seu papel como instrumento potencial para transformação social. Reconstrói sua trajetória desde o embrião nos anos 60 até a contemporaneidade, e sinaliza como pode contribuir para responder os desafios atuais, a partir das experiências vividas. Analisa o “estado da arte” e os fundamentos epistemológicos para então definir o que vem a ser sistematização de experiências. Discorre ainda sobre a necessidade de recuperar a soberania e a amplitude do pensamento por meio da reflexão crítica acerca das experiências, para entender e comunicar quais processos foram significativos. Pontua como a sistematização vem conquistando espaços no meio acadêmico e os desafios ao demandar um modo de pensar dinâmico, processual e crítico, por meio da reflexão dialética. Por fim, avalia qual pode ser a contribuição da sistematização para o fortalecimento do campo agroecológico.

2.1 Sistematização de experiências na América Latina

Ainda que expressa numa modalidade bem menos problematizadora do que na atualidade, a sistematização foi estimulada a partir da década de 1960 no contexto latinoamericano. Deu-se a partir das necessidades geradas e nutridas no campo de intervenções do Serviço Social9, em que era preciso impor publicamente uma imagem que justificasse suas funções sociais e                                                                                                                

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Que desde os anos 50 se configurava como um campo profissional empenhado em atender a população pobre, fruto da marginalização e exclusão social promovidas pelos processos de desenvolvimento das economias capitalistas periféricas.

possibilitasse evidenciar os resultados alcançados. Para trazer ao conhecimento tais realizações, era importante elaborar um conceito ou mesmo uma modalidade de investigação social que pudesse recuperar o realizado e ordenar as formas de agir e os saberes produzidos na ação, ainda que as intervenções nesse momento estivessem caracterizadas numa forma deveras conservadora10 (FALKEMBACH, 200?).

A despeito de ter concentrado os esforços, de maneira generalizada, na diminuição ou mesmo na contenção das tensões sociais para impedir ações revolucionárias nos anos 50 e 60, o Serviço Social pôde reconceitualizar sua ação, a partir da década de 70. Uma corrente crítica aos modelos de desenvolvimento e à organização do social, que discordava do direcionamento da educação e da promoção social para esses fins conservadores, foi o agente orientador desse processo de reconceitualização. Ampliava-se, também, o conceito de sistematização, agora percebido e valorizado como um instrumento de transformação social.

Ao final da década de 70, a crise generalizada exigia dos setores populares propostas que fossem capazes de transformar a realidade excludente. O clima político evidenciava fortes insatisfações, a exemplo das lutas por libertação na Nicarágua e El Salvador, das greves civis de camponeses e mineiros na Colômbia e Bolívia, e o governo da Unidade Popular no Chile. Some-se a isso o clima tenso que já havia sido criado a partir de 1959 com a Revolução Cubana. A América Latina havia se transformado em palco de intensa movimentação social (GHISO,1998).

A extensão do conceito, os procedimentos e os recursos de que se valeu e se mantém valendo a sistematização nesses âmbitos, estiveram também associados às orientações teóricas da educação então em andamento, por sua vez, dependente das condições histórico-sociais que as forjaram: internamente, a maior ou menor abertura dos modelos de desenvolvimento nacionais em vigor e externamente, os fluxos da economia e da política mundial. (Falkembach, p.2).

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Conservadora na medida em que o modelo de intervenção profissional, embora com características técnico- inovadoras, estava sob forte influência da educação e da política norteamericana impregnadas de vestígios de desigualdade de forças com os países periféricos.

Entre os anos 50 e 70, intelectuais latinoamericanos, a exemplo de Paulo Freire no Brasil e Fals Borda na Colômbia, desenvolveram produções intelectuais capazes de contribuir para promoção das rupturas que estavam sendo demandadas no plano epistemológico. Destarte, no âmbito de uma educação de caráter libertador, tanto a “pedagogia-problematizadora- liberadora” de Freire, quanto a “investigação-ação-participativa” de Borda constituíram-se em significativos parâmetros para o desenvolvimento de propostas para sistematização de práticas educativas. Outras produções também tiveram importante contribuição, a exemplo das originadas no campo da Educação Popular, na atuação dos partidos de esquerda, nas igrejas, nos movimentos sociais e nas instituições dedicadas a transformar o cenário de subjugo a que estava condenada a América Latina. Jara (2006) identifica seis correntes que nutriram e inspiraram a sistematização de experiências: o Trabalho Social reconceitualizado, a Educação de Adultos, a Educação Popular, a Teologia da Libertação11, a Teoria da Dependência12 e a Investigação-ação-participativa.

As preocupações de ordem política, teórica, metodológica e técnica redefiniram o “fazer” e demandaram para isso um esforço em capturar os significados das ações. Nas palavras de Ghiso (1998, p.4), “um chamado para sistematizar as práticas”, libertando os saberes que “haviam sido silenciados por discursos homogeneizadores”. Discursos, esses, que inviabilizavam a diversidade dos múltiplos contextos, caracterizados pela forma heterogênea de relações econômicas, políticas, ecológicas, sociais e culturais em que se desenvolvem as experiências no campo da ação social. Contudo, quando processos mais democráticos passaram a compor o cenário latinoamericano, já nos anos 80, a condição de inserção em contextos neoliberais e de globalização desencadeou “crises de opções ético políticas e de paradigmas”, ocasionando algumas rupturas, dentre elas, a coerência entre o sentido e a ação prática. Fazia-se necessário revalorizar o protagonismo do povo, qualificar os modos de fazer política e transformar os componentes autoritários

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Com destaque para: Gustavo Gutierrez, Leonardo e Clodovis Boff e Frei Beto 12

em práticas pedagógicas, o que por sua vez, relevou a importância da sistematização.

Meirelles (2007) revela a expressividade adquirida pela sistematização no campo da Educação Popular na década de 80, no contexto latinoamericano. Afirma a pesquisadora que “se os anos 60 inauguram esforços quanto ao estabelecimento das relações entre pesquisa e prática e os 70 o aumento da exigência pela avaliação, a década de 80 busca reflexões e avaliações que possam servir a todos e a produção do conhecimento útil para a ação”. Entretanto, conclui que “no Brasil existem poucas reflexões sistematizadas a respeito do tema”, embora houvesse desde os anos 60, trabalhados correlatos, especialmente nos campos da educação de adultos e de práticas de formação de agricultores familiares.

Veronese (1996) destaca a existência de algumas experiências brasileiras em processos de sistematização, ligadas a iniciativas latinoamericanas a partir dos anos 70. Porém, várias dessas experiências foram impedidas de continuar, seja pela repressão às atividades de caráter crítico, inerente à ditadura militar, seja pelo fato de militantes e intelectuais terem sido demandados pela urgência em reorganizar a própria atuação social e a mobilização da sociedade durante o período de democratização.

Para Falkembach (p.4), nos dias atuais, nem a Educação Popular, nem as diversas áreas do conhecimento que a subsidiam estagnaram em seus processos de expansão e complexificação. Os setores progressistas da escola básica e do meio acadêmico têm acolhido esse processo de desenvolvimento, permitindo assim, sua constante renovação. Nesse bojo, a sistematização segue retroalimentando-se, ainda que sejam muitos os desafios e dilemas a serem enfrentados.