4. Verdifastsettelse av formuesverdier
4.2. Verdifastsettelse av det enkelte krav
4.2.4. Fradrag for erkjente beløp og differanse ved anke
Observando o Gráfico 2 da distribuição de atividades de conflito e tentativas de encerramento de conflitos para todos os grupos pode-se ver algumas das diferenças mencionadas existentes entre as interações.
Gráfico 2: Realização de atividades de conflito e encerramento por homens e mulheres
Pode-se perceber uma tendência maior dos participantes do sexo masculino a realizarem conflitos quando comparados às participantes do sexo feminino. Como o formato e os temas das interações são parcialmente controlados, havendo inclusive mais temas polêmicos na interação feminina (ver Seção 4.1), não se pode dizer que essas diferenças se relacionem a características das interações, mas sim que estão ligadas a características pessoais ou culturais dos participantes. Essa tendência maior à realização de conflitos pelos homens é consonante com estudos de gênero como o de Sheldon (1993), que mostra uma maior competitividade em indivíduos do sexo masculino, bem como um número maior de realização de conflitos quando comparados a participantes do sexo feminino.
Nota-se uma realização de conflitos pelas mulheres alemãs mais baixa do que por brasileiras, sem que haja grandes diferenças na realização de conflitos e encerramentos de conflitos por cada grupo. A maior proporção de atividades de conflito por parte das brasileiras
Conflitos Tentativas de encerrasento 0% 4% 8% 12% 16% 20% hosens alesães hosens brasileiros sulheres alesãs sulheres brasileiras
poderia indicar em geral um comportamento mais competitivo, o que de fato ocorre em alguns momentos da interação. Contudo, o fato de não se observarem grandes diferenças entre a proporção de conflitos e a proporção de tentativas de encerramento mostra que mesmo que haja um comportamento mais competitivo por parte das brasileiras, ele não se compara ao observado no grupo dos homens alemães.
Aparentemente, na interação feminina não houve nenhum incômodo ou desconforto devido a diferenças observadas entre brasileiras e alemãs. De forma geral, as participantes relataram a experiência de forma positiva, como visto na Seção 4.3.2, destacando que todas as opiniões foram ouvidas e que todos falaram o que pensam. A participação de cada uma também foi mais distribuída, com uma preocupação maior em ouvir e integrar as demais, o que mostra uma interação mais equilibrada e não polarizada como a interação masculina. De acordo com Ting-Toomey e Oetzel (2003), características como harmonização de opiniões divergentes e integração dos demais participantes constituem aspectos de um estilo integrativo, o que se aplica tanto a brasileiras quanto alemãs na interação feminina.
De forma geral, os estilos de conflito atribuídos a cada um dos grupos são vistos como tendências. Tanto homens quanto mulheres e brasileiros e alemães apresentaram em algum momento um dos estilos de conflito, competitivo, integrativo ou evasivo. As classificações feitas aqui em que homens alemães apresentam um estilo mais competitivo, homens brasileiros um estilo mais evasivo e mulheres alemãs e brasileiras um estilo integrativo, baseiam-se na observação das tendências mais gerais dos grupos, mas não pretendem estabelecer um estilo fixo para cada um deles. Essas tendências podem variar não só de acordo com influências culturais, mas também com características pessoais e mesmo em relação à situação de interação. No caso das interações analisadas por exemplo, os homens brasileiros podem ter adotado um estilo mais evasivo justamente devido ao contato com os alemães, mais competitivos, que pode ter feito com que eles se retraíssem. Isso é mostrado em uma das entrevistas retrospectivas, com o participante B4, que fala sobre o seu próprio papel e sobre o papel de A2 na interação:
É engraçado, quando tem uma pessoa que lidera, eu já... eu fico pra trás. Aí eu deixo espaço “ah não, se esse cara já tomou o espaço de quem vai comandar o assunto, ótimo, não preciso preocupar em ficar dialogando”, sabe. Então, é interessante. Isso eu... eu sou assim. Se não tivesse ninguém, se não tivesse o A2 lá, eu provavelmente teria tomado partido, assim, das conversas mais intensamente. […] Ele parece que dominava ali, sabe. Aí eu ficava meio que com vergonha de chamar o... porque eu gosto de conversar é mais... num é em discussão, assim, sabe, todo mundo... apesar de ser professor, né, eu tô acostumado com sala de aula, mas, apesar disso, num gosto de
ficar numa discussão em que eu tô lá na frente falando com todo mundo, né. Eu gosto mais é de uma conversa reservada, né.
Esse trecho mostra o efeito que o comportamento de A2, considerado competitivo e dominador, provoca em B4. Além disso, outros comentários como o de B2, que afirma ter se sentido intimidado por A2 e A3, apontam para a possibilidade de que o comportamento evasivo dos homens brasileiros sejam uma reação ao estilo competitivo apresentado por homens alemães. Já no caso das mulheres, como as participantes alemãs não apresentaram um estilo competitivo, não aconteceu também uma retração por parte das brasileiras. Essas diferenças porém também podem se dever a outros fatores, como características pessoais dos participantes em cada interação, não sendo possível generalizá-las apenas a partir desses dados.
Além das diferenças de estilos de conflito, podem ser vistas outras diferenças entre a interação feminina e masculina, como por exemplo no uso de elementos verbais e não verbais em atividades de conflitos.
5.3 Formas de realizadão de atividades de conflito
Como vimos na Seção 4.2, há diferentes elementos verbais e não verbais de uso frequente em atividades de conflito, que podem ser associados tanto aos downgraders e upgraders apresentados por Spencer-Oatey (2008b) quanto à teoria de polidez de Brown e Levinson (1987). As diferenças de uso desses elementos entre os grupos, como por exemplo o uso da concordância ou negação no início de atividades de conflito, entre outros, contribui para a identificação de estilos conversacionais de cada grupo. De acordo com Tannen (1984/2005), os estilos conversacionais se referem à forma como as pessoas se comunicam, podendo haver diferenças de acordo com o grupo social a que as pessoas pertencem. Dessa forma podem ser encontrados estilos relativos à nacionalidade, sexo, idade, entre outros, mas que devem ser considerados de forma relativa, em comparação uns aos outros, e não absoluta (cf. TANNEN, 2000a).
A análise dos tipos de atividades de conflito mostra as estruturas e funções que são encontradas com mais frequência em cada grupo. Foram notadas diferenças consideráveis na realização de duas subcategorias de críticas e discordâncias: questionamentos e gozações e gracejos. Ambas as atividades, que indicam em parte de suas realizações uma atitude provocativa, foram realizadas com grande frequência por homens alemães, frequência moderada a baixa por homens brasileiros e frequência muito baixa entre mulheres brasileiras e
alemãs (Gráfico 3), com distribuições altamente significativas de acordo com o teste do qui- quadrado78. As diferenças de realização dessas atividades aponta para a existência de um estilo conversacional provocativo compartilhado por homens alemães e parcialmente compartilhado por homens brasileiros.
Gráfico 3: Realização dos tipos de conflitos
Além dessas atividades, foi notada uma forma específica de realização de críticas, com a presença ou ausência de expressões relativizadoras da opinião, com distribuição muito significativa de acordo com a análise pelo teste qui-quadrado79. Nessa atividade, pode-se perceber uma realização similar dos grupos de homens brasileiros, mulheres alemãs e brasileiras, mas uma realização muito baixa no grupo de homens alemães. Esses dados, por sua vez, apontam para um estilo conversacional compartilhado por mulheres brasileiras e alemães e por homens brasileiros, com uma tendência a relativizar as críticas realizadas.
As aproximações entre os grupos podem ser vistas também na análise dos elementos verbais e não verbais realizada na Seção 4.2. A análise conjunta desses elementos permite agrupá-los de acordo com as teorias apresentadas por Brown e Levinson (1987) e Spencer-Oatey (2008b). Poderíamos ter dessa forma um grupo de elementos intensificadores ou associados à realização bald on record de atividades de conflito e outro grupo de elementos atenuadores, associados às estratégias de polidez positiva ou de polidez negativa, como mostra a Tabela 36.
78 Análise pelo teste do qui-quadrado para distribuição de questionamentos: χ²=53,76; df=3; p<0,001, conforme Seção 4.2.1.3; para distribuição de gozações e gracejos: χ²=18,8; df=1; p<0,001, conforme Seção 4.2.1.5. 79 Análise pelo teste qui-quadrado para distribuição de críticas com uso de expressões relativizadoras: χ²=17,5;
df=6; p<0,01, conforme Seção 4.2.3.6.
questionasento gozações críticas + ERO
0% 4% 8% 12% 16% 20% hosens alesães hosens brasileiros sulheres alesãs sulheres brasileiras
Tabela 36: Classificação de elementos verbais e não verbais
Downgrader/Upgrader Teoria da Polidez Elementos verbais e não verbais Intensificadores bald on record
palavras negativas e adversativas no início de atividades de conflito
gestos e expressões de desaprovação e desagrado
Atenuadores polidez positiva concordância marcadores fáticos sorriso polidez negativa interjeição de hesitação
expressões relativizadoras de opinião expressões relativizadoras de conteúdo entonação suavizadora
Naturalmente, devido ao escopo do presente trabalho, essa classificação não cobre todas as ocorrências de estratégias de polidez ou realização bald on record, limitando-se aos elementos verbais e não verbais associados a essas formas de realização. Por esse motivo, a realização off record não está presente nesta dissertação, já que suas estratégias como seja vago, seja ambíguo, etc. dificilmente poderiam ser encontradas em um único elemento linguístico. Da mesma forma, há ocorrências de realização bald on record que não utilizam os elementos verbais e não verbais analisados e que portanto não foram consideradas nessa classificação. Contudo, a classificação de acordo com a teoria da polidez não pretende ser exaustiva, mas tem o objetivo de possibilitar uma abstração e um agrupamento dos resultados encontrados, facilitando sua comparação.
Para a divisão das categorias listadas, foram considerados apenas os elementos verbais e não verbais inequivocamente associados às estratégias de polidez mencionadas e aos atenuadores/intensificadores. Dessa forma, não foram considerados elementos como entonação enfática, interjeições que não expressam hesitação e riso, que dependendo do contexto podem ser associados tanto a uma forma de atenuação da atividade de conflito, relacionando-se à estratégia de polidez positiva, quanto à sua intensificação, relacionando-se a uma realização bald on record. Esses elementos serão tratados posteriormente.
A contagem dos elementos verbais e não verbais associados à teoria da polidez é apresentada abaixo80.
80 Uma vez que uma mesma atividade de conflito pode apresentar mais de um elemento e portanto mais de uma estratégia, para a contagem foram agrupadas todas as atividades de conflito que possuíam pelo menos um dos elementos associados a essas categorias. Cada atividade de conflito que apresentava um ou mais elementos correspondentes à mesma estratégia foi contada apenas uma vez. Contudo, a contagem das estratégias foi feita individualmente, havendo atividades de conflito que apresentavam elementos relacionados a mais de uma estratégia e que portanto foram contadas mais de uma vez. Houve ainda atividades que não apresentaram nenhum dos elementos analisados e que portanto não foram consideradas nesses resultados.
Gráfico 4: Distribuição de elementos de polidez positiva, negativa e realização bald on record
Pode-se perceber uma frequência maior de realização de atividades de conflito com uso de elementos bald on record, cujas ocorrências se mostram similares em todos os grupos, com variações de apenas cerca de cinco pontos percentuais e uma distribuição não significativa de acordo com o teste do qui-quadrado81. Notam-se porém diferenças altamente significativas nos elementos de polidez positiva e negativa82. Os alemães do sexo masculino possuem um baixo número de ocorrências em ambas as categorias, enquanto os brasileiros do sexo masculino possuem preferência por elementos de polidez negativa, sendo as ocorrências destes mais que o dobro de ocorrências de elementos de polidez positiva. Nota-se também um uso maior pelas mulheres brasileiras e alemãs dos elementos de polidez positiva e negativa, com uma leve preferência por elementos de polidez negativa, que apresentam em ambos os grupos uma superioridade de cerca de cinco pontos percentuais.
Além disso, nota-se mais uma vez a proximidade das ocorrências de alguns grupos. As ocorrências dos grupos de mulheres brasileiras e alemãs são similares em todas as categorias e as ocorrências dos grupos de homens e mulheres brasileiras e de mulheres alemãs são similares na categoria polidez negativa (além de bald on record naturalmente, onde todas as ocorrência são similares). Percebe-se também uma proximidade dos grupos de homens
81 Análise da distribuição dos elementos bald on record de acordo com o teste do qui-quadrado:χ²=2, df=3, p=0,56
82 Análise da distribuição dos elementos de polidez positiva de acordo com o teste do qui-quadrado: χ²=31,5; df=3; p<0,001. Análise da distribuição dos elementos de polidez negativa de acordo com o teste do qui- quadrado: χ²=37,6; df=3; p<0,001.
bald on record polidez positiva polidez negativa 0% 8% 16% 24% 32% 40% 48% hosens alesães hosens brasileiros sulheres alesãs sulheres brasileiras
brasileiros e alemães na categoria de polidez positiva, o que indica a existência de um estilo masculino e um feminino.
A proximidade dos grupos de mulheres nos Gráficos 3 e 4 indica a existência de um estilo feminino compartilhado por brasileiras e alemãs. Porém, em categorias como polidez negativa (Gráfico 4), questionamento e críticas com expressões relativizadoras de opinião (Gráfico 3), as ocorrências do grupo de homens brasileiros se aproxima das ocorrências do grupo de mulheres, o que faz com que não se possa falar simplesmente de um estilo feminino.
Essa diferença foi mostrada também por Meireles (2003), que sugere que as mulheres alemãs apresentam um estilo mais consensual, se preocupando mais com a face do interlocutor do que os homens alemães, que apresentariam um estilo mais agressivo e voltado para a própria face. Ao mesmo tempo, a autora aponta que essa diferença não é observada entre homens e mulheres brasileiros, que de forma geral apresentam um estilo mais voltado para o consenso.
Uma possível explicação para esse fenômeno são as diferenças apontadas por Hofstede, Hofstede e Minkov (2010, p. 140; Seção 2.2.2) sobre sociedades femininas e masculinas, que reproduzimos aqui:
Uma sociedade é chamada de masculina quando os papeis emocionais masculinos e femininos são claramente distintos: homens devem ser assertivos, rígidos, focados em sucesso material, enquanto mulheres devem ser modestas, gentis e preocupadas com qualidade de vida. Uma sociedade é chamada de feminina quando os papeis emocionais de homens e mulheres coincidem: ambos devem ser modestos, gentis e preocupados com a qualidade de vida.
Uma vez que o Brasil é classificado pelos autores como uma sociedade feminina, pode-se dizer que não existe grande diferença entre os papeis emocionais de homens e mulheres brasileiros. Na Alemanha, por outro lado, classificada como uma sociedade masculina, essa diferença tende a ser mais acentuada, sendo os homens alemães mais assertivos, rígidos e focados no sucesso material. As mulheres alemãs por sua vez, sendo mais gentis, modestas e preocupadas com a qualidade de vida, assemelham-se mais aos homens e mulheres brasileiros do que aos homens alemães. Isso explica a proximidade desses grupos em algumas das categorias vistas, e a grande diferença observada entre homens e mulheres alemães. Ao mesmo tempo, a existência desse mesmo padrão (proximidade de homens e mulheres brasileiros e distância de homens e mulheres alemães) sugere que os conceitos de sociedade feminina e masculina não são aplicáveis somente aos papeis emocionais de homens e mulheres, mas se refletem também no seu uso de elementos verbais e não verbais e ao
direcionamento de seu comportamento para a resolução de conflitos.
Meireles (2003) também aponta algumas possíveis consequências causadas por diferenças entre brasileiros e alemães em uma interação intercultural. Segundo ela, a ausência de estratégias que preservam a relação entre os participantes poderia provocar nos brasileiros uma impressão de que os alemães são agressivos. Ao mesmo tempo, afirma a autora, a ausência de objetividade e de argumentos concretos por parte dos brasileiros poderia causar nos alemães a impressão de insegurança ou falsidade. Como visto na Seção 4.3.2, essas diferenças de estilos conversacionais e de expectativas de fato provocaram confrontos entre brasileiros e alemães. Porém, isso só foi observado na interação masculina, sendo que, como mostrado nessa seção, na interação feminina as participantes brasileiras e alemãs se expressaram em geral de forma semelhante, não relatando conflitos interculturais nas entrevistas retrospectivas.
Esses dados mostram a relatividade dos conceitos de estilos, que podem ser determinados pela influência de diversos grupos sociais simultaneamente, não podendo portanto serem vistos de forma isolada.