Quadro 5: Síntese das principais transformações da indústria catarinense de 1880 a 1990 1880 - 1945: Origem e crescimento do capital industrial 1945 - 1962: Ampliação e diversificação da base produtiva catarinense 1962 – 1990: consolidação e integração do capital industrial catarinense Pós-década de 1990: reestruturação da indústria catarinense Imigração proporcionando ocupação e fundação de núcleos coloniais Diversificação do capital
industrial catarinense Alteração do padrão de crescimento devido à intervenção do Estado na economia
Ajuste do Brasil às políticas do Consenso de Washington inaugura uma nova etapa
Imigração proporciona mão de obra qualificada e mercado interno
Surgimento de novos setores industriais como o de papel, papelão, pasta mecânica, cerâmico, metal-mecânico, plástico, materiais elétricos
Novo sistema de crédito, investimentos em energia, transporte
Indústria catarinense passa por reestruturação devido às transformações ocorridas Inauguração do trecho ferroviário integrando o oeste e meio-oeste Maior diversificação e ampliação da base produtiva catarinense Consolidação do setor
eletro-metal-mecânico Exposição das indústrias catarinense à concorrência mundial
Início das atividades de exploração da madeira, erva-mate e atividades agropecuárias Industrialização na agricultura surgindo o setor agroindustrial Mudança do padrão de acumulação no âmbito nacional muda o padrão de crescimento da indústria catarinense
Busca da aproximação aos padrões competitivos internacionais Predomínio do padrão de crescimento baseado na pequena propriedade mercantil Elementos de um novo padrão de crescimento baseado no médio e grande capital industrial começavam a surgir
Diversificação e integração produtiva comandadas pelo capital de origem local e pelo Estado
Intensificação dos fluxos de importações de máquinas e equipamentos modernos
(continuação) Origem e crescimento da indústria madeireira, alimentar, carbonífera e têxtil Metamorfose do capital mercantil para o industrial
Capital industrial passa a ser o móvel da
acumulação capitalista
Modernização de produtos e aumento do valor agregado, principalmente nas grandes empresas Origem da indústria metal-
mecânica e moveleira Infraestrutura precária e falta de capital limitavam o crescimento industrial
Novo padrão de crescimento em Santa Catarina comandado pelo Estado e pelas grandes e médias indústrias e agroindústrias. Reestruturação produtiva promoveu desverticalizações Difusão tecnológica devido à Primeira Revolução Industrial Surgimentos de iniciativas de planejamento e programação Mudanças na propriedade de capital de muitas empresas de local para nacional ou multinacional Mudanças na economia
nacional de 1915 a 1929 propiciaram o aumento das exportações para o mercado interno Crescimento da internacionalização produtiva da economia catarinense Salto observado da economia catarinense de 1930 a 1940 se dá devido ao aproveitamento da boa fase econômica nacional
Grande maioria das indústrias baseadas na disponibilidade de recursos naturais
Fonte: Elaboração própria
5.2.6
Indústria catarinense nos dias atuais
Na guisa da mudança do marco regulatório ocorrido na década de 1990, a estrutura industrial de Santa Catarina se entrelaça à estrutura nacional conduzindo-se primeiramente a um processo de modernização baseado em estratégias de simplificação de produtos e processos. Porém, num segundo momento, as estratégias de modernização se sustentam em práticas e importação de equipamentos e insumos. O processo de aumento de importações conduz a um padrão de industrialização sem estratégia definida de sustentação do crescimento. A direção da política econômica não é propícia ao crescimento, pois desestimula o investimento privado e incentiva a substituição da produção local por produtos importados
incentivado pela política macroeconômica de juros elevados e câmbio valorizado (FEIJÓ, 2007).
Na Tabela 24 se pode observar dados referentes ao PIB brasileiro, PIB de Santa Catarina, VTI da indústria brasileira e VTI da indústria catarinense.
Tabela 24: Evolução do PIB e VTI brasileiros e catarinenses
Ano 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008
PIB/VTI PIB e VTI (milhões R$)
PIB BR 1825,86 1939,93 2003,46 1959,06 2090,56 2113,51 2315,44 2436,84 2586,52 2706,62 2895,78 3113,68 3349,48
PIB SC 69,05 71,01 71,08 71,78 80,54 82,05 87,32 95,83 103,11 107,54 113,84 122,41 136,20
VTI BR 376,31 385,60 381,26 422,85 482,80 512,35 524,89 584,73 639,87 639,87 674,39 708,95 791,12
VTI SC 16,85 18,65 17,89 21,10 21,28 24,91 25,73 27,84 29,73 28,25 30,76 32,84 34,69 Fonte: Elaboração própria com base em IPEADATA e IBGE - Pesquisa Industrial Anual Empresa
No Gráfico 7 se pode avaliar a evolução do PIB brasileiro, do PIB de Santa Catarina, do VTI total da indústria brasileira e do VTI total da indústria catarinense de 1996 a 2008:
Gráfico 7: Evolução do PIB e VTI brasileiros e catarinenses de 1996 a 2008
Fonte: Elaboração própria com base em IPEADATA e IBGE - Pesquisa Industrial Anual Empresa
Com a análise de tal gráfico, se pode ver que, enquanto o PIB brasileiro aumenta consideravelmente, a indústria brasileira também apresenta evolução, porém se vê que, principalmente depois de 2004 o PIB brasileiro dá um salto maior que o salto da indústria
brasileira, apresentando que, muito do salto do PIB não é explicado pelo avanço da industrialização. É interessante a comparação do PIB brasileiro e do PIB catarinense, o PIB catarinense apresenta evolução muito inferior à evolução do PIB brasileiro o que demonstra perda de participação desde ao longo do tempo. Quanto à evolução do VTI catarinense em relação ao VTI brasileiro, a relação acompanha a relação observada em relação aos respectivos PIBs também. O VTI de Santa Catarina apresenta evolução muito menor que a evolução do VTI brasileiro, o que também representa redução da participação da indústria catarinense na indústria nacional.
Tal fenômeno, observado no gráfico a cima em relação à participação da indústria, pode ser explicado através do fenômeno da desindustrialização, tema em voga em tempos atuais. A ausência de condições estruturais e sistêmicas que favoreçam a realização de investimentos na indústria pode levar a desindustrialização relativa, que se expressa pela perda de importância da indústria no PIB, seja nacional ou estadual. O uso crescente de insumos importados, enfraquecimento dos elos da cadeia produtiva, crescimento da participação de produtos de baixo nível agregado e outros são aspectos marcantes do processo de desindustrialização (FEIJÓ, 2007).
Segundo Cavalieri, et al (2011) a perda da importância da indústria de Santa Catarina no contexto de desaceleração do crescimento econômico decorre do processo de abertura equivocado e da aplicação de políticas macroeconômicas adversas ao desenvolvimento das cadeias produtivas.