5 Resultater
5.6 Fra aktiv behandling til lindring
Depois de muitas visitas de reconhecimento e a fundação da missão Salesiana de Iauaretê, os missionários salesianos começaram a se acomodar no meio dos indígenas ali habitantes e a construir suas casas. Mesmo não adaptados àquela realidade, fizeram esforços e sacrifícios para suportar os desafios do ambiente. Foi momento de adaptação e acomodação para poder trabalhar e estabilizar no meio dos indígenas de Iauaretê.
A partir daí, tiveram início os aterros e a construção de prédios, que seriam a casa dos salesianos e o internato para meninos (ANDRELLO, 2006: 127-130). Ao mesmo tempo, a construção de casa das irmãs, com internato para meninas. Ainda: as construções da igreja, do hospital e de diversos barracões para hospedagem, seguidas da serraria e da
34 Atualmente, com padres indígenas, melhorou bastante o modo de trabalho dos missionários, pois os padres indígenas assessoram aos padres não-indígenas, mostrando a realidade dos indígenas.
olaria35 – cujo andamento dependeria largamente da mão de obra dos indígenas. A produção da serraria era utilizada para a construção dos prédios dos internatos, igreja e móveis para salesianos(as) e para carteiras e cadeiras da escola. Os produtos da olaria foram utilizados para construção de outros prédios anexos aos de madeira. Muitos produtos da olaria (tijolos, telhas) foram exportados para outras missões.36
Na época, a maioria das casas dos indígenas foi coberta pelas telhas de barro, em vista de melhoria de casas indígenas, após a destruição de casas cobertas de palhas (caranãs37). Esse processo de casas indígenas começou com cobertura de palhas (caranãs); depois, telhas de barro; e hoje, alumínio. As coberturas de caranãs são comumente vistas nas comunidades ribeirinhas; levam muita vantagem no controle do clima interno de uma casa. Mas a maioria das casas, hoje, é coberta com telhas de alumínio.
O internato começou a funcionar em maio de 1930, abrigando os primeiros quinze alunos indígenas, com três missionários que passaram a ali residir permanentemente, como também foram os primeiros professores. No final da década de 1930, o quadro dos missionários em atuação em Iauaretê é bem maior e a missão já possui uma infra-estrutura suficiente para abrigar mais alunos internos. Em cada ano percebiam o aumento de números de alunos de forma fascinante. Esse aumento de crianças indígenas no internato significava sempre maior recebimento de recursos para sua manutenção. Pelas estatísticas disponíveis nos relatórios anuais da missão, nota-se um aumento progressivo de alunos. Para atender a essa demanda foram construídos dois dormitórios enormes: um para maiores e outros para os pequenos, duas salas de estudos de tamanho proporcional à quantidade de alunos e um enorme salão de refeitório. Cada dormitório, estudo e refeitório possuíam um assistente, sendo um professor ou até mesmo um salesiano.
Havia toda uma organização sistemática de horários de trabalhos, de estudos, de rezas, de recreios etc.; também havia toda uma organização de locais para a realização dos eventos e das cerimônias, bem como de estudos e das recreações. Cerimônias, celebrações e
35 Essa última construção está, ainda hoje, em funcionamento.
36 Todas as produções foram utilizadas dentro da missão, inclusive há indícios de restos desses produtos. Os prédios, depois de 77 anos ainda estão em pé, atualmente prestes a serem derrubados.
37Caranãs são palhas de uma palmeira do tipo buritizeiro próprias para cobertura de casas indígenas, malocas e palhoças na região do alto rio Negro.
novenas tinham uma predileção, de forma que os “dias santos” contavam com uma programação especial. Em todos os internatos do rio Negro essa forma de organização e sistematização era infalível para a integração indígena. Era, pois, assim:
Quadro 1
Horário do Internato
Dias Úteis Dias Santos
Horário Atividade Horário Atividade
5:00 Levantar dos salesianos 5:15 Levantar dos salesianos
5:30 Levantar dos alunos 5:45 Levantar dos alunos
6:00 Missa/mingau/recreio 6:15 Missa/orações/mingau/recreio 7:30 Trabalho 7:30 Estudo 9:15 Merenda/recreio 8:00 Missa/recreio/merenda 9:35 Canto/estudo 10:15 Aula/civilidade/cerimônias 10:05 Aula 10:45 Recreio 10:50 Recreio 11:00 Almoço/passeio/merenda 11:00 Almoço/recreio 16:00 Orações/catecismo/bênção
12:15 Banda 17:00 Jantar e recreio
12:45 Ginástica 19:00 Votos e repouso
13:15 Aula
14:45 Merenda/recreio
15:00 Trabalho
16:30 Banho
17:30 Jantar/recreio
18:45 Catecismo/ Oração/ Repouso
Fonte: Regimento do Internato. (MISSÃO SALESIANA, 1933).
No internato, os alunos indígenas eram preparados para formação cristã, intelectual, moral (tendo a moral cristã como base), por meio da imposição dos regimentos propostos pela congregação baseados na truculência e na “perseverança”38. A maldade aí consiste em tentar destruir todos os sinais da diversidade, especialmente as tradições indígenas das comunidades ribeirinhas e as comunidades ao redor da missão. A perseverança se mantinha pelo anseio a batizar aos indígenas e levar as crianças de suas casas para serem educadas nos internatos. Apoiavam-se os missionários na convicção de que só conseguiriam mudar os indígenas de maneira eficaz com a ênfase no sistema educacional voltado para as crianças e para os jovens: era uma marca do trabalho dessa organização.
As ações missionária e educativa foram as duas formas preponderantes da presença dos missionários salesianos. Confundiam-se ambas a tal ponto que uma era o complemento da outra. O poder político das escolas era de absoluto domínio da igreja. A escola
38 Trata-se da denominação de uma prática catequética de constante oração e serviço a Deus, exigida no Catecismo da Igreja Católica como fundamental para a salvação das almas. “Perseverança” é, ainda, o titulo de diversos livros catequéticos da Igreja Católica.
missionária proibia e perseguia as línguas paternas (e maternas), a organização social (tribal e familiar), enquanto que a igreja proibia e perseguia os pajés, as cerimônias, os rituais e as danças. Depararam-se com a diversidade cultural dos povos como o maior obstáculo, que exigia criar distintas estratégias de dominação, nem que para isso tivessem que usar os próprios indígenas da região para “educar” os outros indígenas; ou ainda a imposição de uma língua estranha: o português. No caso, em Iauaretê, os alunos indígenas chegaram a um período em que somente podiam falar o português, pois, do contrário, o indígena que fosse apanhado falando em sua língua materna sofreria os castigos impostos pelos missionários.39
Nimuendajú (em 1927) afirma ser a intolerância dos missionários para com a cultura tradicional dos indígenas um dos vários males que pesava sobre o bem-estar das populações indígenas do alto rio Negro. Para diminuir tal violência, recomendava a implantação de um estabelecimento do SPI em Iauaretê para que lhes “tomasse a dianteira” e fazer cessar tanto a violência missionária, quanto os abusos de comerciantes colombianos e de outros comerciantes. Nos anos seguintes, o SPI e a Missão Salesiana do Rio Negro iniciam paralelamente suas atividades no lugar. O posto indígena foi implantado na margem direita e a missão na margem esquerda do Uaupés (CABALZAR & ALBERTO RICARDO, 2006: 91-97).
Além disso, os alunos indígenas internos trabalhavam nas plantações e criação de animais (suínos e bovinos). E esses produtos de plantações e de animais serviam de sustento e complementação de alimentos. Nessa parte, há também indicações de que o sustento dos internatos dependia em grande medida das contribuições em farinha que os pais dos alunos internos eram persuadidos a entregar aos padres – um paneiro, cerca de 25 quilos, por aluno interno e por semestre. Inclusive, em algumas épocas estragavam e eram dados de comidas para os animais (suínos). Ao longo do funcionamento do internato a missão mantinha uma loja, que tinha de tudo. Assim fazia trocas com os produtos de artesanato, da roça, caça e pesca. Simplesmente era troca com materiais de primeira necessidade referente o valor de produtos que traziam. E esses produtos eram consumidos
pelos alunos internos. Os artesanatos eram enviados a Manaus, ao Museu do Índio. Essa loja era o único lugar de compra naquela época, estando ainda hoje em funcionamento.
Quanto ao objetivo da formação dos meninos e das meninas indígenas nos internatos, a principal expectativa dos missionários era a de que, ao retornarem para as suas comunidades de origem, servissem como disseminadores de seu programa, atuando como catequistas e intermediários no processo de abandono das malocas em favor da constituição de comunidades compostas por casas barreadas e alinhadas em torno de uma capela. Além de casas barreadas, muitas eram fechadas de cascas de paus, paxiúba40 e até de varas de madeira, cobertas de caranãs.
Muitas comunidades que ficavam longe do centro de Iauaretê continuavam firmes com sua forma de organização social, cerimônias, tradição, danças e ritos, o que demonstra que essa imposição não foi aceita de forma harmoniosa; ao contrário, houve muita resistência.
Segundo Andrello (2006: 111-113), ainda que os indígenas da região tenham efetivamente trocado as malocas pelas comunidades – a última caiu em 1961 entre os tuyuka no alto rio Papuri –, já naqueles anos os missionários lamentavam uma certa inconstância de seus ex-alunos quanto à adesão às práticas consideradas “imoralidades” e a não-adesão aos hábitos cristãos. Mas não duvidaram de sua conversão, dada a avidez que em muitas comunidades constatavam por sacramentos, capelas e imagens de santos41. E, assim, imputavam a comerciante e balateiros42 colombianos certos estragos a sua obra catequética.
Com efeito, nos relatos das viagens de itinerância realizadas pelos missionários de Iauaretê pelo rio Papuri e alto rio Uaupés entre as décadas de 1940 e 1960, constam inúmeros registros de comunidades esvaziadas ou desertas, casos em que todos ou boa parte dos moradores haviam sido enganados por colombianos. Foram anos de escravidão de
40 Um tipo de palmeira comum em nossa região. Tem entre 10 m e 15 m de altura é muito resistente; por isso, sua utilização nas construções das casas.
41 Entre os Baniwa, que tiveram a influência do protestantismo, chamavam os católicos de “adoradores de ídolos de barro”, que por sua vez chamavam “os protestantes” de “gente de diabos”, expressões aprendidas dos missionários, definidoras de um tipo de discriminação que violenta os padrões de solidariedade do grupo local, prescritos pela tradição (GALVÃO, 1979: 143).
comerciantes e balateiros colombianos aos indígenas. Em contraposição, naquela época, os ex-alunos já sabiam falar português, contar números e fazer cálculos. Inclusive, em 1950, a missão conta com 40 empregados, sendo a maior parte deles ex-alunos do internato; e Iauaretê já se consolidava como a maior casa missionária que os salesianos mantinham em toda a região do rio Negro.
O domínio do português falado e de outros conhecimentos adquiridos nos anos de internato era o que encorajavam um ex-aluno a deixar os afazeres da comunidade para arriscar-se em outras atividades, inclusive uma estadia no seringal – muitos se arriscaram nessa aventura de trabalhar no seringal dos Colombianos. Esses ex-alunos já sabiam calcular suas dívidas e saldos, sabiam fazer cálculos; calculavam quanto estavam produzindo, ganhando e pagando as contas. Foi na Colômbia que os indígenas de Iauaretê viram pela primeira vez o “dinheiro” (como papel-moeda), pois, como já mencionei acima, no Brasil o comércio se dava simplesmente por meio das trocas materiais.
Muitos indígenas acabaram morando na Colômbia, como donos de seringais, ou em outras atividades aprendidas nas oficinas da missão: carpinteiros, alfaiates, pedreiros e agricultores. Não foi difícil encontrar emprego para serem bem pagos pelos seus trabalhos, inclusive, em alguns casos, recebem melhor do que ganhariam no Brasil.
Além disso, a autoridade que a missão vinha exercendo na fronteira viria a ter apoio da Força Aérea Brasileira (FAB) a partir de 1958 e de forma permanente. Ao longo de nove anos antes desse apoio oficial, os indígenas da região construíram a pista de pouso, porque o avião não conseguia pousar no rio, até que em 21 de setembro de 1958 acontecesse o primeiro pouso de avião da FAB, com o Marechal do Ar Eduardo Gomes e o Tenente Coronel Protásio de Oliveira, que mais tarde seria idealizador do binômio FAB/Missões, precursor da ideologia de integração nacional da Amazônia (ANDRELLO, 2006: 133).
No final dos anos 1960, o sistema escolar implantado começa a passar por transformações, com a abertura das primeiras escolinhas nas comunidades da área de influência da missão e com a criação de um grupo escolar misto em Iauaretê. Em 1968 iniciava-se uma reorganização na estrutura educacional dos internatos, que envolvia o aparecimento dos primeiros professores indígenas. No ano de 1968, havia 22 escolinhas nas comunidades e no grupo escolar da missão, 23 professores no Distrito – sendo 5
missionários e 18 indígenas – e no ano seguinte o número de professores passa para 27 – sendo 4 missionários e 23 indígenas. Na missão e nas escolinhas, o número de alunos alcançava a marca dos 497 (PRELAZIA DO RIO NEGRO, 1970).43
Os indígenas foram pioneiros na implantação das missões, não somente em Iauaretê como nas outras comunidades. Contados como mão-de-obra barata, atuaram em construções de prédios, pista de pouso, escolas, comércio e, até, profissionais da educação.
Na abordagem de Andrello (2006: 136) no que se refere à infra-estrutura da região, apesar de Iauaretê já possuir o status de Distrito Administrativo do Município de São Gabriel da Cachoeira, não havia atuação visível da Administração Municipal. A missão salesiana, por outro lado, já mantinha em funcionamento, além do colégio e internato, hospital, serraria, olaria, marcenaria e uma fábrica de vassouras, controlando toda a atividade comercial existente. Além disso, Iauaretê já contava com energia elétrica fornecida por um gerador da Celetramazon (Companhia Energética do Estado do Amazonas) e era abastecida por um avião de carga da Força Aérea Brasileira a cada 15 dias. (RADAMBRASIL44, 1975: 364-366)
Enquanto São Gabriel crescia e assistia a chegada de novas instituições públicas, em Iauaretê o Estado continuava a se fazer presente por intermédio da Missão, na forma de significativos repasses de recursos que a SUDAM (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia) fazia à prelazia para a manutenção dos internatos (PRELAZIA DO RIO NEGRO, 1970) e do apoio aéreo prestado pela FAB.
43 Dados de alunos nos internatos salesianos:
Quadro 2
Estatística de Alunos entre os anos 1968-1974
Ano Quantidade de Alunos
1968 506 1969 424 1970 497 1971 484 1972 765 1973 755 1974 822
Fonte: Cônica da missão de Iauaretê.
44 O Projeto Radambrasil operou entre os anos 1970 e 1985 na Amazôniza brasileira, monitorando a área, captando imagens aéreas de radar (por avião) e, com isso, desenvolveu estudos e relatórios da situação ecológica da Amazônia.
Durante las campanas de 1931 a 1932 y 1932-1933 – he visitado detenidamente las misiones salesianas de São Gabriel, Taracuá y Iauaretê y de ellas tengo más alto concepto, la mayor admiración y espíritu Cristiano. Me refiero no solo a los padres salesianos, sino también a las Revdas Hermanas de filhas de Maria auxiliadora. El éxito de estas misiones especialmente, en lo que respecta a la educación de los niños y niñas indígenas, y a la fundación de poblados, es admirable.
Iauaretê, 23 de abril de 1933. Humberto Bueno
Subjefe de la comisión colombiana de limites con el Brasil. (MISSÃO SALESIANA, 1933)
Com essa infra-estrutura e apoio de órgãos competentes, os internatos funcionaram de forma integral no alto rio Negro. Assim, os(as) missionários(as) eram elogiados(as) pelos órgãos do governo diante desses trabalhos que lhes eram concedidos, como pode-se ver, inclusive, com essa carta do Subchefe da comissão colombiana de limites com o Brasil, acima mencionada.
Dentro da perspectiva dos missionários, a questão educacional foi o que de mais importante eles ofereceram aos indígenas, acreditando terem preparado os indígenas numa compreensão de formação “integral”: intelectual, social, política, econômica, cristã e humana. Esse seria o desafio salesiano e foi a sua conquista. Transformar os indígenas para a integração na nova realidade foi uma missão convincente e conquistada.
Os missionários acreditam terem conduzido sua missão educadora bem, no envolvimento e na direção política da Missão, preparando o homem para ser solidário, para o bem, para a reciprocidade, para a liberdade, ou seja, de forma humanizante. Deixaram de lado a preparação profissional (nas profissões de liderança) dos indígenas, o preparo de profissionais técnicos e científicos. Os indígenas de Iauaretê não foram preparados (naquela época) para concorrerem no mercado de trabalho, para serem intelectuais no interior de suas comunidades, profissionais em Iauaretê. Por outro lado, a proposta dos missionários de empreender uma educação humanizante dos indígenas desconsiderou, em primeiro lugar, que os indígenas fossem humanos; a preparação religiosa desconsiderou que tinham
religiões que lhes eram (e são) próprias; a preparação intelectual desconsiderou que sua razão cultural fosse correta e válida; etc.
Assim é que os indígenas em Iauaretê, em sua maioria, sabem trabalhar como assalariados-mínimo, com isso mantendo-se a si e à sua família. As lacunas deixadas pelos missionários geram um enorme desafio para os indígenas da região: desempregados, não têm condições de conseguir emprego na região por não conseguirem competir com quem tem melhores condições de formação oficial; distantes dos costumes tradicionais, não têm onde pescar, caçar e plantar, seja por falta de espaço ou por estarem afastados dessas atividades; no advento do capitalismo em Iauaretê, sofrem com a grande competitividade inerente a esse modo-de-produção; sem preparação profissional, sofrem porque os pais não têm condições de angariar-lhes os estudos e porque também não terão condições de fazê-lo aos seus filhos, no futuro.45
O Boletim Salesiano (1929: 89-90) expressa como eram vistos os primeiros alunos indígenas:
Os meninos aprendem a escrever com muita facilidade pelo instincto de imitação e a paciência que lhes é peculiar e que dificilmente se encontra nos meninos civilizados. A prova é que um índio que nunca viu tinta nem caderno depois de três vezes é capaz de transcrever qualquer cousa que se escreva no quadro negro. Na leitura encontram um pouco mais de dificuldade, mas muitos fazem verdadeiros progressos. O osso duro para todos eles é a arithmetica. Talvez seja porque este índios na própria língua só contam até vinte, justamente a somma dos dedos das mãos e dos pés. O certo é que muitos aprendem a contar até vinte facilmente, mas dahi para frente sentem muita dificuldade. [sic]
Entre os anos de 1954 e 1969 foram implantados os cursos elementares: ginasial, profissional e agrícola, para os meninos; e ginasial, profissional, corte e costura, bordado, arte culinária, lavanderia, tecelagem, confecções diversas, além do cultivo racional da terra pela jardinagem e horticultura, para as meninas.
45 Como participei desse processo de educação dos missionários, verifico a veracidade dessa questão, pois na educação convencional os indígenas aprendiam a ler, escrever, contar e, acima de tudo, aprendiam as coisas
As atividades eram bem acompanhadas e cobradas pelos missionários, no intuito de conduzir de forma adequada a missão na direção de suas aspirações. Ao final de cada ano letivo faziam a exposição dos trabalhos e premiavam aos melhores alunos(as) indígenas. Essa premiação era como um título para aqueles considerados bem sucedidos.
Na época, todos os alunos eram filhos de indígenas que entravam para o colégio a fim de fazer catequese, e ao mesmo tempo iniciarem seus estudos primários. Em 1932 chegaram um filho e uma filha do Sr. Antonio Ramos (chefe do Posto de SPI), que não eram indígenas e que estudaram juntamente com os indígenas.
Os alunos indígenas sentiam muitas dificuldades no entendimento da língua falada (a Portuguesa, no caso); isso dificultava sua aprendizagem46. Diante dessa situação acontecia muita reprovação, embora não ocorresse com todos. Muitos conseguiram superar as dificuldades até terminarem o curso primário. Muitos desistiram e alguns fugiram por não agüentarem o sistema de internato e, muitas vezes, eram recapturados.
Com o passar do tempo, o modelo de educação dos salesianos começou a mudar. Houve a abolição definitiva do ensino de ofícios (marcenaria, alfaiataria etc.) e o início da implantação de classes ginasiais, com a incorporação de um currículo comum a todas as escolas públicas do país.
Diante dessa mudança, um novo colégio com estruturas metálicas e alvenaria viria a ser construído, envolvendo mais uma vez o trabalho de muitos alunos internos, cujo pagamento era feito em materiais escolares e outros objetos. Um sistema de premiação estimulava os garotos a carregar a maior quantidade possível de terra para o aterro na área a ser construído o colégio (escola). Esse trabalho de aterro era somente na hora de recreio,