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demokratiske regimebetingelsene

4.1 Russland og det postmoderne – et regimeskifte

4.1.1 Fra én Idé til ideenes konfrontasjon og blottlegging

A cultura de uma determinada população pode ser entendida como a sua herança não biológica, um conjunto de crenças, normas, expectativas, hábitos e preferências socialmente construídas e transmitidas de geração em geração (Jenni e O'Connor, 2005). As diferenças regionais dos hábitos de sono podem depender da cultura local, que influencia o conceito de sono adequado, os comportamentos que são desejáveis ou aceitáveis, a fronteira entre o sono normal e "problema do sono" e as formas de gerir e modelar o comportamento das crianças. Por este motivo, nos últimos anos tem havido um interesse crescente por estas questões, em estreita relação com as estratégias de educação das populações e dos profissionais da saúde e da educação para a promoção do sono adequado (Owens, 2005). Este movimento deu origem a estudos comparativos de vários países que, utilizando o mesmo instrumento de avaliação e a mesma metodologia, permitem uma melhor valorização das diferenças encontradas.

O efeito da cultura manifesta-se precocemente. No estudo de Hsu e Lavelli (2005), é mencionado que, no cuidado de pequenos lactentes, as mães italianas privilegiam um horário preciso na alimentação mas não no sono, e o adormecer ocorre com contacto corporal próximo. Pelo contrário, as mães americanas tendem a esperar que a criança mostre que tem vontade de comer mas, no sono, procuram instituir um horário regular e um adormecer independente, sem companhia. São também identificadas outras diferenças entre as duas culturas nos padrões de interação da díade mãe-bebé.

Jenni e O'Connor (2005) efetuaram uma interessante revisão sobre a influência da biologia e da cultura no sono das crianças, identificando diferentes padrões de comportamentos nos Estados Unidos da América (EUA), países asiáticos (com estudos principalmente da China e do Japão) e nos países do sul da Europa (principalmente de crianças italianas). Nos EUA, parece existir uma cultura de horários de sono regulares e estímulo precoce da autonomia no adormecer. Nos países do sul da Europa, são descritos horários mais tardios e irregulares, duração do sono inferior e maior assistência e contacto dos pais na hora de adormecer, o que pode incluir a partilha da cama. De forma semelhante, nos países asiáticos, é identificada uma cultura com maior ênfase na interdependência e na coletividade, que se reflete na maior proximidade dos pais e dos filhos na hora de dormir.

Um estudo posterior envolveu uma grande amostra de 29.287 crianças dos 0 aos 36 meses, provenientes de 17 países: Canadá, Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia, Índia, China, Japão, Hong Kong, Coreia do Sul, Tailândia, Taiwan, Vietnam, Filipinas, Malásia, Singapura e Indonésia. O sono foi estudado através de uma versão online do Brief Infant Sleep Questionnaire (Mindell et al., 2010a). Verificaram-se diferenças significativas no comportamento dos pais na hora de dormir: nos países/regiões predominantemente caucasianos, os comportamentos mais frequentes dos pais foram adormecer a criança de forma independente no berço (57%), adormecer ao colo (27%), embalar (21%) e amamentar (20%). Na população predominantemente asiática, apenas 4% das crianças adormeciam de forma independente, e foram mais frequentes: o adormecer na cama dos pais (38%), beber leite por tetina (37%), amamentar (28%) e adormecer ao colo (26%). Em relação aos problemas do sono definidos pelos pais, verificou-se uma variabilidade notável, com prevalências entre 10% no Vietnam e 76% na China (Sadeh et al., 2011).

Considerando o comportamento das crianças (Mindell et al., 2010b), foi descrito que nas regiões predominantemente asiáticas as crianças partilhavam o quarto dos pais com maior frequência e tinham horas de deitar e levantar mais tardias, e menor tempo total de sono diário. Analisando os dados por países, foram encontradas grandes diferenças no tempo total de sono diário, com médias entre 11,6 horas no Japão e 13,3h na Nova Zelândia. O tempo de sono diurno parece mais conservado entre populações.

Em crianças mais velhas, dos 4 aos 13 anos, Liu et al. (2005) compararam os hábitos de sono nos Estados Unidos e na China, utilizando o Children's Sleep Habits

Questionnaire. Verificaram, mais uma vez, que as crianças chinesas iam para a cama

mais tarde e acordavam mais cedo, o que resultava em menos uma hora de sono, em média. Em modelos de regressão, os problemas com maior peso na predição da duração do sono nas crianças chinesas eram a variabilidade da hora de dormir e o medo de dormir sozinho. Nas crianças americanas, os problemas detetados foram diferentes: o resistir em ir para a cama e demorar a adormecer. Para além disso, a cotação de quase todas as subescalas do questionário foi mais elevada nas crianças chinesas, indicando a existência de mais problemas com o sono.

Um outro estudo mais recente (Hense et al., 2011) tem o interesse de ter comparado dados de 8.542 crianças de 8 países europeus (Espanha, Itália, Chipre,

Estónia, Hungria, Bélgica, Alemanha e Suécia), com idades entre os 2 e os 9 anos. Os horários do sono foram avaliados através de um instrumento informatizado de entrevista, com referência às últimas 24 horas, preenchido pelos pais. Num modelo de regressão múltipla que controlou o efeito de múltiplos fatores (idade da criança, nível educacional dos pais, estação do ano, fotoperíodo, entre outros), a diferença na duração do sono entre países foi significativa. Considerando as crianças suecas como grupo de referência, observaram-se as seguintes variações entre países: Estónia -73 minutos, Itália -65 min, Hungria -40 min, Chipre -36 min, Espanha -30 min; Alemanha +18 min e Bélgica + 30 minutos.

Globalmente, estes estudos mostram padrões de hábitos de sono das crianças e do comportamento dos pais, com variações regionais, que se relacionam com a cultura local.