demokratiske regimebetingelsene
4.1 Russland og det postmoderne – et regimeskifte
4.1.2 En ny sosial konfigurasjon – skiftende fronter, nye identiteter
Existem múltiplos estudos em adultos mostrando os efeitos negativos da privação de sono, sendo a sonolência diurna o efeito mais avaliado. A nível cognitivo, são particularmente afetadas as funções executivas da atenção e memória de trabalho, o tempo de reação e funções cognitivas superiores ligadas ao pensamento divergente e a capacidade de encontrar novas soluções para os problemas. Estas alterações repercutem-se em maior risco de incidentes e acidentes por erro humano, incluindo os acidentes de viação. Estão descritas também alterações do humor, manifestas principalmente em sentimentos de fadiga, falta de vigor e irritabilidade (Goel et al., 2009). A relação das perturbações do sono com os sintomas e perturbações psiquiátricas é, contudo, complexa, porque existem certamente relações de causa-efeito nos dois sentidos (Vandekerckhove e Cluydts, 2010).
Considerando os estudos em idades pediátricas, existem estudos sobre a privação de sono de natureza quasi-experimental que, carecendo de alguma característica dos verdadeiros estudos experimentais (como a aleatorização), implicam cuidados adicionais
na interpretação dos resultados (Ross e Morrison, 2004; Beebe, 2011). Têm, todavia, a vantagem de serem efetuados no ambiente natural dos sujeitos e de envolverem amostras maiores. Diversos trabalhos compararam grupos de alunos com diferentes horários de início das aulas, concluindo que iniciar as aulas mais cedo se associa a menor tempo de sono, mais atrasos e faltas à escola, maior sonolência diurna e mais sintomas depressivos (Dexter et al., 2003; Wolfson et al., 2007; Owens et al., 2010).
Os estudos experimentais que identificámos envolveram crianças dos 9 aos 16 anos com algum grau de privação de sono, comparadas com elas próprias ou com controlos com duração de sono de 10 a 11 horas. Os trabalhos mais antigos (Carskadon
et al., 1981a, 1981b) avaliaram os participantes após uma noite de 4h de sono
verificando que, apesar do aumento da sonolência, não existiam diferenças na avaliação cognitiva, incluindo tarefas de atenção sustentada, memorização de palavras e adições complexas. No entanto, após uma noite de completa privação de sono, houve pior desempenho nesses domínios. Noutro estudo, após 5 horas de sono, houve diferença significativa em provas de criatividade verbal, incluindo a fluência, a flexibilidade e os índices médios da prova, bem como num teste de ordenação de cartões, que implica aprendizagem de conceitos abstratos. Outras tarefas menos complexas, incluindo a memorização, não foram afetadas (Randazzo et al., 1998).
Diferenças menores no tempo de sono foram estudadas por Sadeh et al. (2003), solicitando aos participantes do estudo que dormissem uma hora a mais ou a menos durante três dias consecutivos, monitorizando com actigrafia. Na avaliação posterior, verificou-se que os participantes com menor tempo de sono reportaram maior cansaço no fim do dia. A avaliação neurocomportamental mostrou diferenças com significado estatístico no tempo de reação e na memória de trabalho, que melhoraram com o aumento do tempo de sono.
Na investigação de Fallone et al. (2005), com desenho cruzado, a privação de sono foi mais prolongada: uma semana com sono de 6,5 a 8 horas versus uma semana de sono otimizado (>=10h). As cotações dos questionários para professores mostraram mais problemas de sonolência, desatenção e problemas académicos nos grupos com restrição de sono. Não se verificaram diferenças significativas na hiperatividade/impulsividade, no humor ou nos comportamentos de oposição e agressividade. Um outro estudo, também com desenho cruzado, proporcionou a dois
grupos 5 noites de condições experimentais de sono (6,5 horas versus 10 horas) durante 2 semanas monitorizadas por actigrafia. No fim de semana, os adolescentes tiveram aulas simuladas e avaliação de conhecimentos. Nos períodos de privação de sono, os pais reportaram mais problemas de sonolência diurna, atenção, comportamentos de oposição, regulação do comportamento e metacognição (Beebe et al., 2008). O resultado da avaliação dos conhecimentos adquiridos também foi pior no grupo com privação de sono (Beebe et al., 2010).
Noutros estudos, foi patente o papel facilitador do sono normal (da noite ou das sestas) na consolidação da memória declarativa. Ao contrário dos adultos, este efeito não foi consistente na memória para procedimentos (Hupbach et al., 2009; Henderson
et al., 2012; Wilhelm et al., 2012).
Dentro dos estudos observacionais, salientamos o contributo de uma autora portuguesa sobre a relação entre o sono e a cognição. Vicente (2009) procurou relações entre a qualidade do sono de 70 crianças dos 10 aos 16 anos (avaliada com o Índice de Qualidade de Sono de Pittsburg - IQSP) e a atenção seletiva (Teste D2) e perceção de diferenças (Teste de Caras). Verificou que os sujeitos com disfunção diurna apresentavam piores valores em duas variáveis do teste de atenção. Por outro lado, os indivíduos com duração do sono inadequada obtiveram piores resultados no rendimento da atenção e maior número de omissões.
Outro estudo português, de Costa (2011), avaliou a relação entre os hábitos e problemas do sono (questionário de Clemente, 1997) e a capacidade percetiva e memória visual (Figura Complexa de Rey) em 100 crianças dos 7 aos 11 anos. Verificou associação do fator "Dificuldades do sono e consequências" com o tempo de cópia e a riqueza e exatidão da memória. O fator "Medo do escuro" mostrou associação com a riqueza e exatidão na cópia. Não se verificaram associações entre o desempenho nesta prova e o horário e duração do sono.
Um outro aspeto que tem sido muito focado em estudos observacionais é a relação das perturbações do sono com as perturbações do comportamento, particularmente com sintomas de PHDA, Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (Sadeh et al., 2002; Mayes et al., 2008; Carvalho-Bos et al., 2009; Pavoneen et
al., 2009; Almeida, 2011). No entanto, sendo evidente que o sono desadequado pode
podem influenciar o sono, seja pelos comportamentos tendencialmente adotados, seja por alteração primária nos sistemas neurobiológicos que regulam o sono. De facto, está descrita uma maior prevalência de perturbações do sono nas crianças com doenças neurológicas, incluindo a PHDA (Mayes et al., 2009).
Assim, na realidade, as interações serão complexas e dinâmicas, com influências recíprocas entre as perturbações do comportamento e da aprendizagem, os fatores do meio ambiente e a regulação do sono. Os mesmos princípios se poderão aplicar à associação entre as perturbações do sono e as perturbações psiquiátricas (Mayes et al., 2009; Vandekerckhove e Cluydts, 2010).
Constituem uma situação particular e muito estudada as Perturbações Respiratórias Obstrutivas do Sono. Num estudo de coorte (Chervin et al., 2005), estas perturbações foram associadas a maior sonolência diurna, maior risco de sintomas de Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção e pior desempenho académico. Considerando, porém, a fisiopatologia destas condições, não é possível isolar os efeitos da fragmentação e privação do sono dos efeitos da hipoxia, pelo que as conclusões destes estudos não devem ser generalizadas para as outras perturbações do sono (Witmans e Young, 2011).
Em síntese, os trabalhos analisados mostram que a privação de sono nas crianças pode ter repercussões negativas a nível da atenção, da memória de trabalho, da aprendizagem, da regulação do comportamento e do humor. A amplitude destas repercussões parece depender do número de horas de sono perdidas e da cronicidade da privação do sono, com limiares que não estão bem definidos. A dificuldade em estabelecer estes "limites de segurança" está relacionada com variabilidade individual da duração do sono adequada e da suscetibilidade para estas disfunções (Goel et al., 2009; Van Dongen et al., 2012).