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De acordo com os pressupostos metodológicos utilizados neste trabalho, torna- se importante delinear o caminho da pesquisa, por meio de um planejamento claro e criterioso de todo o processo de coleta e análise dos dados. Atentar para esse procedimento é a garantia de coerência entre a teoria, instrumentos/dispositivos, objetos, análise e interpretação dos dados.

A supracitada coerência possibilitará o surgimento de categorias ou eixos temáticos que sejam condizentes com os objetivos da pesquisa, evitando, assim, a ocorrência de uma análise superficial e escolhas impertinentes com a pesquisa. Diante do exposto, relatamos os passos dados nessa fase da pesquisa.

A pesquisa teve início na proposta da disciplina Inconsciente e Educação, ofertada no segundo semestre do ano de 2011 pela Faculdade de Educação da Universidade de Brasília - UnB. A disciplina em tela foi ministrada pela professora Inês Maria Zanforlin Pires de Almeida, contando com minha atuação como monitor. No curso da disciplina foi solicitado aos estudantes que elaborassem sua Memória Educativa como parte integrante do curso. É Importante ressaltar que antes da solicitação acima mencionada, foi trabalhado como parte do conteúdo da disciplina o conceito de

Memória a partir da teoria psicanalítica, além do próprio dispositivo Memória Educativa, no intuito de que o processo de escrita fosse o mais amplo e profundo possível e que possibilitasse um resgate das lembranças educativas mais significativas desses estudantes.

Como monitor e com o aval da professora regente da disciplina, fiz formalmente o convite aos estudantes para que participassem da pesquisa e, ao mesmo tempo, foi entregue a eles um “Termo de Consentimento Livre e Esclarecido” (Apêndice II). Por meio desse documento, o estudante era informado de que se ele aceitasse o convite de participação se proporia a participar de maneira voluntária da pesquisa, podendo desistir de continuar a qualquer momento. Nesse Termo continha ainda a informação sobre o compromisso ético do pesquisador em manter a identidade dos participantes em sigilo.

Dos estudantes convidados da disciplina, contamos com a participação voluntária de 9 (nove) deles, os quais cederam suas Memórias Educativas para a pesquisa. De posse desse material foi realizada uma leitura livre flutuante, conforme nos sugere Franco (2008) a fim de deixar emergir dos dados impressões, representações, emoções, conhecimentos e expectativas, a partir da experiência do pesquisador e do aporte teórico utilizado.

No intuito de preservar as identidades, foi atribuído a cada participante uma letra do alfabeto, compreendendo o intervalo de “A” a “I”. A partir de então, tudo o que se referisse ao estudante “A” passou a ser identificado com a letra “A”.

Após esse primeiro contato com as memórias, foram escolhidos 4 (quatro) estudantes do total dos 9 (nove) que aceitaram participar da pesquisa para a realização da entrevista, de modelo semiestruturada, na intenção de aprofundar mais a investigação proposta.

A seleção dos estudantes foi realizada de forma intencional e de acordo com a profundidade na escrita, as marcas apresentadas e as que melhor ajudaram no entendimento do problema pesquisado.

Para a entrevista, foi elaborado um roteiro contendo 13 (treze) itens decorrentes das emergências das Memórias Educativas, com a finalidade de dar direcionamento e foco para a conversa, permitindo, porém, uma fala livre do estudante e possibilitando

uma investigação mais profunda do pesquisador - e em continuidade ao exposto nas memórias – a respeito das marcas de memória que constituem a trajetória educativa dos estudantes e as contribuições do dispositivo Memória Educativa para uma possível ressignificação da sua formação.

Todas as entrevistas foram agendadas num espaço de tempo de 2 (duas) semanas, sendo realizadas no campus da Universidade de Brasília – UnB, uma vez que os participantes são todos alunos da referida universidade.

Foi solicitado aos estudantes autorização para gravação das entrevistas, reforçando o compromisso Ético do pesquisador em preservar a identidade dos mesmos. Em média, cada entrevista teve a duração de 1h20min. É importante destacar que no momento inicial foi apresentado um resumo da pesquisa e foram reafirmados os direitos do participante em poder desistir a qualquer momento da pesquisa e da postura ética do pesquisador em manter sigilo os dados confidenciais e anonimato do participante. Ainda nesse momento foi apresentado também o lugar assumido pelo pesquisador, qual seja de pedagogo e não de analista, uma vez que não foi objetivo desse trabalho, fazer análise com os participantes, mas de utilizar o aporte psicanalítico para compreender a trajetória educativa desses estudantes.

Visando garantir a qualidade da gravação das entrevistas e assegurar que nenhuma fala dos participantes se perdesse, utilizamos 2 (dois) gravadores de áudio, que ficaram dispostos sobre a mesa e entre o pesquisador e o pesquisado, de maneira que não intimidasse o participante ou causasse algum tipo de desconforto.

De posse de todas as falas das entrevistas, passamos à fase de degravação e transcrição. Foi efetuada uma transcrição literal das gravações e após a leitura, o texto foi ajustado na linguagem adequada.

As gravações tiveram uma ótima qualidade, exceto uma que foi realizada em horário de aula na Faculdade de Educação, em que a poluição sonora e os ruídos interferiram. Essa foi a entrevista mais difícil para degravar, demandando mais horas e mais atenção do que as restantes. Enfim, um trabalho de muita dedicação.

A fase de degravação e ajustes na linguagem foi um momento de bastante emoção – principalmente para o pesquisador - uma vez que permitiu reviver a experiência da entrevista, na qual os participantes relataram suas histórias de vida,

expondo marcas, traumas e lembranças de momentos que por vezes ficaram perdidos, provocando o sentido de realização da pesquisa.