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FoU-bevilgningenes fordeling på utgiftsarter

Joyce (1995 apud XAVIER, 2002, p. 26-27), distingue dois tipos de Hipertextos:

a) Exploratórios: aqueles produzidos para levar a audiência a controlar um conjunto de informações, sem, no entanto, interferir nos conteúdos em si, sendo este tipo mais adequado para os que navegam na Internet sem objetivo definido de leitura;

b) Construtivos: exigem do usuário capacidade e iniciativa para agir sobre eles, conforme seu projeto de leitura, objetivando transformar a informação em conhecimento, podendo tais usuários inclusive mudar os conteúdos.

O autor chama atenção para o fato de que as fronteiras entre estes dois tipos de hipertextos são tênues, podendo um hipertexto criado para receber hiperleitores construtores ser utilizado apenas exploratoriamente, e o inverso também pode ocorrer.

Para Joyce (1998), quando o hipertexto é utilizado construtivamente, ele

é reescrito continuamente. Observa-se que implícita está nessa afirmação a postura ativa exigida do hiper(leitor), no processo de leitura com esse tipo de texto, o que requer preparação, para evitar que o leitor fique apenas no âmbito exploratório.

Referindo-se às particularidades do hipertexto, Marcuschi (2005b, p. 193),

afirma que

[...] quanto à sua organização, o hipertexto não tem um centro, ou seja, não tem um vetor que lhe determine. Ele não é uma unidade com contornos nítidos [...]. Ele é um feixe de possibilidades, uma espécie de leque de ligações possíveis, mas não-aleatórias. Serve-lhe de metáfora a noção de

estrela, que não forma um centro, mas vários vértices que se ligam a outros

vértices. A ausência de centro tira a possibilidade de limites e contornos definidos. Aquilo que num texto impresso pode ser tido como digressão torna-se o modus faciendi e o modus legendi do hipertexto.

Essa configuração organizacional do hipertexto apresentada por Marcuschi, por ser mais fluída, parece dar maior liberdade ao leitor, mas, simultaneamente, exige que este seja mais criterioso, para que possa fazer leituras, de fato, produtivas, já que “[...] no hipertexto, o centro da coerência passa para o

navegador, pois é com ele que está o mouse.” (grifos do autor) (MARCUSCHI,

2005b, p. 185)

Uma das razões específicas por que a coerência no hipertexto eletrônico passa a ser mais da competência do navegador/leitor do que do autor se deve ao fato de ele ser não-linear. “Assim, cada leitor trilha um percurso individual na leitura de um hipertexto construindo seu próprio texto. Daí muitos autores afirmarem que leitor e autor se confundem nos hipertextos” (SOUZA, 2007, p. 198).

Figura 01 - Trecho de Portal na Internet

Fonte: Portal G1 (http://g1.globo.com/)

O recorte da homepage de um portal de Internet, acima apresentado, é bem ilustrativo da multiplicidade de opções de caminhos que podem ser seguidos pelo leitor. Logo no início do recorte, há cinco hiperlinks, um dos quais se refere à própria página acima, e os outros quatro levam o leitor a assuntos temáticos (notícias, esportes, entretenimentos) e a vídeos. Mais abaixo, há outra barra com

hiperlinks diversos (Editorias, Economia, Sua região, Na TV, Serviços, VC no G1,

Princípios editoriais). Ao clicar no primeiro deles, são apresentados aos leitores outros hiperlinks, entre os quais: Blogs, Carros, Ciência e Saúde, Concursos e emprego, Economia, Educação, Eleições 2014, Esporte, Música, Natureza, Política, Pop & Arte, Tecnologia e Games, Turismo e Viagem. Clicando no hiperlink Educação, por exemplo, o leitor é remetido a uma página tratando especificamente dessa temática, e constituída por textos multissemióticos (alguns apenas com texto verbal, outros imagéticos, e ainda outros combinando palavra, imagem e som (vídeos)) e links diversos a partir dos quais o leitor pode aprofundar o que é apresentado sinopticamente na página, de igual modo como se pode observar em uma leitura panorâmica da imagem acima, em que há uma mescla de texto verbal,

imagens e vídeo (quadro na coluna da direita). Os textos em vermelho, no recorte acima, combinados com imagens, representam links que direcionam o leitor para o aprofundamento, expansão do conteúdo. A partir de um mesmo recorte como esse, muitos podem ser os caminhos seguidos por diferentes leitores.

Komesu (2005, p. 91) afirma que “estudiosos da teoria crítica literária e do hipertexto [...] qualificaram o leitor como aquele que responde de maneira „ativa‟ ao texto, o qual passa a existir a cada momento do ato de leitura.” Esta constatação é pertinente quando se considera que o hipertexto se caracteriza pela não-linearidade e pela fragmentaridade. Por isso, como diz Souza (2007, p. 198), “[...] caso o hiperleitor não monitore sua compreensão para a busca de um propósito de leitura, incorre no perigo de quebrar a continuidade temática e o leitor se dispersar.”

A esse respeito, Moran (2011, p. 19) também se posiciona deste modo:

A leitura hipertextual é feita como em “ondas”, em que uma leva à outra, acrescentando novas significações. A construção é lógica, coerente, sem seguir uma única trilha previsível, sequencial, mas que vai se ramificando em diversas trilhas possíveis.

Está evidenciado, pois, que o hipertexto, com todas as particularidades que esse nome carrega, se comparado ao texto impresso, exige uma relação diferenciada tanto de quem produz, como de quem consome essa modalidade textual. E veja-se que é grande esse universo, já que, principalmente nos centros urbanos, as pessoas, em sua grande maioria, estão imersas, de alguma forma, na cibercultura e, ao utilizarem seus PCs, notebooks, tablets e smartphones, precisam lidar com essa modalidade textual e, dependendo do letramento digital que possuem em relação à leitura e à escrita na tela, poderão agir e interagir comunicativamente com mais autonomia e, sobretudo, tirar maior proveito do leque de informações disponíveis nesses recursos e tecnologias.

Como diz Coscarelli (2005a, p. 114-115), “[...] a leitura de hipertextos vai exigir dos leitores [...] habilidades de navegação neste formato. Isso é um pré- requisito para que o leitor consiga lidar com ele.” É bom enfatizar que, se para navegar pelos ambientes em que esses gêneros hipertextuais estão disponíveis são necessárias certas habilidades, quanto mais para que se realize neles, uma leitura proveitosa.

No âmbito deste trabalho, considera-se que todas essas peculiaridades que caracterizam o hipertexto e, consequentemente, a leitura no ciberespaço demandam um redimensionamento do letramento no contexto do currículo escolar,

com a incorporação de práticas de letramento digital, para que os alunos possam lidar proveitosamente com as possibilidades oferecidas pela informática e, sobretudo, pela Internet.

2.4 O Letramento no contexto das TIC (multiletramentos e letramento digital)