Na sequência do exposto, contextualizada a nossa posição, entre outros, com as de Thom, Petitot e Wildgens, e já assumida a própria palavra como topologia940, passível de ser relida
através do isomorfismo entre a sua acentuação tónica941 e o caráter diferencial das curvas
elementares, também se pode assim entender a sua extensão média como um modo analógico de desenvolvimento942, no sentido conceptual em que emerge na Teoria das Catástrofes. Numa
ótica transversal, de materialização linguística, esta topologia estaria assim associada a materializações concretas, lexicais, passíveis de tratamento estatístico, associado a uma intuitiva propriedade de extensão, independente das línguas, e conducente a uma abstrata reflexão de campo, oscilante entre a possível palavra mínima e a suposição da hipotética palavra mais
extensa.
Germes e desenvolvimentos linguísticos
Sendo o Francês a língua materna do Poeta, nele já encontramos sinalizada, como limite do desenvolvimento do germe Constituition, Anticonstitutionnellement943 (25 letras), contra palavras
ainda mais esforçadas, como Antigouvernementalitistement944 (28 letras), o que certamente não
encerrará a disputa, sobretudo, num tempo em que os neologismos, derivados de termos compósitos, se tornaram proliferantes. Em Português945, poderíamos contrapor-lhes
Inconstitucionalissimamente (28 letras), ou, a sua vizinha, representada por Anticonstitucionalissimamente (29 letras), ou, ainda, a exótica Oftalmotorrinolaringologista (28
letras).
De todos os modos, em qualquer dos casos não existe lugar para a ocorrência de nenhuma
catástrofe de cisão, mantendo-se sempre a complexa agregação silábica dentro da
inteligibilidade do Signo, e independente das suas múltiplas possibilidades de desenvolvimento, com perfeitas aderências entre o significante e o significado, permitindo-nos continuar a situar esta análise no campo específico da linearidade da Prega. Tal fenómeno, todavia, já não é possível em diversas palavras oriundas dos nichos lexicais, e metalinguísticos, da Química, da Farmacopeia, ou da Medicina, cujo levantamento exaustivo não iremos aqui prosseguir, mas,
940 Dotada de subespaços e pontos, específicos e característicos.
941 A posição da sílaba tónica, com a taxinomia da palavra, organizada enquanto aguda, grave, esdrúxula,
ou, mesmo ante esdrúxula.
942 Literalmente, “déploiement”, no léxico de Thom.
943http://www.lexiophiles.com/francais/le-mot-le-plus-long-%E2%80%93-version-internationale
944http://www.sur-la-toile.com/discussion-182522-1-ANTIGOUVERNEMENTALITISTEMENT-le-nouveau-
mot-le-plus-long-du-francais.html
945http://www.ccvteam.net/forum/showthread.php?9084-As-10-palavras-mais-longa-da-l%EDngua-
certamente encontraria, análogos idiomáticos em ambas as línguas referidas. É o caso dos compostos Hipopotomonstrosesquipedaliofobia (33 letras), Dimetilaminofenildimetilpirazolona (34 letras), Tetrabrometacresolsulfonoftaleína (35 letras), Monosialotetraesosilgangliosideo (32 letras), Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico (46 letras),
Piperidinoetoxicarbometoxibenzofenona (37 letras),
ou Paraclorobenzilpirrolidinonetilbenzimidazol (43 letras)946,
onde já se torna patente uma cisão dos ditongos do significante em sucessivos fragmentos
fonéticos, com concomitante elisão do significado, acompanhada de uma forte deriva, no sentido
do sinal alfabético947, enquanto elemento isolado, ou estilhaço silábico. Ou, por palavras outras,
na nossa linha de investigação, uma evidente perda do sentido, na direção do puro rumor da
língua, por sobrecarga de elementos de (in)significação própria.
Fora das línguas latinas, encontraremos casos ainda mais extremos, como a célebre palavra alemã, Rindfleischetikettierungsueberwachungsaufgabenuebertragungsgesetz (63 letras), cujo
significado, num idioma célebre pela sua tendência de construção de significantes, por
aglutinação silábica, remonta à crise de 1999, das “Vacas Loucas”, e prosaicamente designa a “lei que delega a monitorização (obrigatória) da carne de vaca"(!)948… No que nos interessa,
enquanto alheios ao idioma, o efeito caleidoscópico de fragmentação em fonemas e ilusões
morféticas é aqui exemplarmente incontornável, desconstruindo brutalmente a pertinência do signo numa pura linearidade, visual e sonora, irreversivelmente… insignificante.
Reportando à poética de Michaux tal efeito, fruído na forma dos seus elementos extremados, verificaremos que esta prática do desenvolvimento fonético, a partir de um germe sonoro estruturante, independentemente das consequentes transições de estrato de Sentido, é singularmente recorrente, quer enquanto recurso estilístico, quer como estrutura de organização sintática da sua variedade poética. Ele constitui, aliás, um dos exercícios mais interessantes do singular poder topológico da sua voz.
Germes e desenvolvimentos, em Henri Michaux
Em L’Avenir949, sucessivos pontos notáveis de imergência do Sentido no rumor da língua, são
paralelos com reemersões de sinal diverso, capazes de divergir até à função retórica, plena de
sinestesias, visuais e olfativas, como é traço típico, embora com caráter geralmente negativo, do
seu estilo:
946 THOM, R., Apologie du Logos, p. 100
947 Ou sonoro, se tomarmos a palavra na sua vertente, não escrita, mas vocalizada. 948http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=3255598&seccao=Europa 949 MICHAUX, H., Œuvres Complètes, Tome I, p. 509
L’Avenir
“Quand les mah, Quand les mah, Les marécages, Les malédictions,
Quand les mahahahahas, Les mahahaborras, Les mahahamaladihahas, Les matratrimatratrihahas, Les hondregordegarderies, Les honcucarachoncus,
Les hordanoploplais de puru paru puru, Les immonchéphales glossés,
Les poids, les pestes, les putréfactions,
Les necroses, les carnages, les engloutissements, Les visqueux, les éteints, les infects […]”.
Na realidade, a solidez morfológica do substrato permite que, mesmo no momento da transição do germe fonético organizador “ma”, para o germe organizador “hon”, não haja verdadeiramente lugar para uma sinalização de fronteira de singularidade, posto que os versos adjacentes “matratrimatratrihahas”, “hondregordegarderies” já não são, localmente, signos linguísticos, mas meros significantes, potenciados por um valor poético estritamente sonoro, e situado numa vizinhança de estrato muito estrita, sediada no rumor da língua.
Estética e topologicamente análogos, reencontramos estes oscilantes processos de imersão e
reemersão, ao longo de Mes Propriétés950, cuja estilística é assumidamente próxima dos
recursos do Primeiro Surrealismo. Tal é o caso de Amours:
Amours
“[…] Demain ne l’aurai plus, mon amie Banjo. Banjo,
Banjo,
Bibolabange la bange aussi, Bilabonne plus douce encore, Banjo,
Banjo,
Banjo restée toute seule, banjelette, Ma Banjeby,
Si aimante, Banjo, si douce, Ai perdu ta gorge menue, Menue,
Et ton ineffable proximité […]”951.
Se a sequência dos ditongos germe aqui executa uma coreografia própria, os seus sucessivos processos oscilantes de retração e desenvolvimento garantem a unidade do poema,
950 Incluídas em La Nuit Remue (entre as edições de 1935 e 1967). 951 MICHAUX, H., Œuvres Complètes, Tome I, p. 504
fundamentalmente assente na ambiguidade de “Banjo”, simultaneamente, nome próprio e germe sonoro, insignificante.
Erraticamente, referenciaremos ainda o modelo subjacente a este exercício, ocorrente em À
Mort, em Mort d’un Page, ou, ainda, em Articulations: À Mort
“Terribo la terribline.
Vinmur se cache et se reprend,
L’autre cède et se débranche, puis revient en crochet, Et gnou, et glou et gnouwouwou.
Poitrines, bras, jambés, et crânes, nez et dents, Les voici qui débouchent dans la lutte,
Et houh! Wouh! Houwwouwouh! […]”952,
Mort d’un Page
“Éborni, tuni et déjà plus fignu que fagnat. … Petite chose et qui se meurt.
Alogoll! Alopertuis! Alogoll! Au secours, je vous prie… Il est une druine, fuine, sen lom,
Il est une luine, suine, sen lom, … Petite chose et qui se meurt […]”953
Articulations
“Et go to go and go Et garce!
Sarcospèle sur Saricot, Bourbourane à talico, Ou te bourdoura le bodogo, Bodogi.
Croupe, croupe à la Chinon, Et bourrecul à la misère.”954
Se, em Articulations, o potencial atrator sonoro, inicial, de “o”, é depois redistribuído por novos ditongos, organizados numa topologia associada à sucessão das vogais, igualmente, encontramos este processo de deriva em Rubililieuse:
952 MICHAUX, H., Œuvres Complètes, Tome I, p. 506 953 MICHAUX, H., Op.cit., p. 506
Rubililieuse
“Rubililieuse et sans dormantes, Vint cent Elle, Elle, Elle,
Rubililieuse ma bargerie, Noue contre, noue, noue, Ru vaignoire ma bargerie”955
Como conclusão, um extremo desta elasticidade topológica está decerto representado por um dos mais longos poemas de Michaux, Quelque part, Quelqu’un956, onde, pelo seu próprio caráter
pletórico se ilustra, ad nauseam, esta infinita possibilidade de desenvolvimento morfológico e
sintático de um germe, “un sujet indefini appelant […] visage toujours mobile et multiple, […] sans lequel toute voix […] demeure inaudible,957 simultaneamente confinada e sustentada pela
verdadeira impossibilidade catártica de uma qualquer catástrofe. Na verdade, “la vision suscitée par l’invocation répétée [se] transforme [ici] en une sorte d’endoscopie interminable du corps phonatoire”958.
Quelque part, Quelqu’un959
Quelque part quelqu’un est chien e aboie à la lune
Quelqu’un est né chinoise et maintenant elle a dix-sept ans
Quelqu’un c’est un blonde et sa sœur est vive, véritablement pétulante Quelqu’un son père est highlander
Quelqu’un… et puis ça lui a retenti sur les reins et maintenant fini, il dit qu’il aime autant mourir à l’hôpital
Quelqu’un il a de grosses solives à sa maison
Quelqu’un, il veut encore un peu de crème. Mais l’autre quelqu’un, c’est l’existence de Dieu que le chipote
Quelqu’un vient d’avoir un moment de fierté qu’il expiera durement Quelqu’un, il pleut
Quelqu’un, cette fois il pleut fort
Quelqu’un les gens d’à côté rentrent à l’instant
Quelqu’un il n’y a pas eu de brise aujourd’hui, et la houle de fonds est encore forte Quelqu’un, il pleut toujours; mauvais pour le toit
Quelque part, quelqu’un renaît insecte, se nourrissant d’excréments tout le jour, ses antennes trempant dans la substance fétide; essayant de se souvenir d’une vie antérieure, malgré lui, il songe à une future quand les excréments seront plus copieux et plus uniformément répandus de manière qu’il y ait pour tous
Quelque chose quelque part est rail, sous un train de six cents tonnes, et plié et vibre, et enfin se redresse
Quelqu’un, zut pour les autres Quelqu’un, zut pour moi Quelqu’un porc-épic-clarinette Quelqu’un, clarinette seulement Quelqu’un, sa pirogue c’est son île
955 MICHAUX, H., Idem, ibidem
956 Não retomado nas suas sucessivas reedições. 957 ROGER, J., Henri Michaux, Poésie pour savoir, p. 229 958 ROGER, J., Op. cit., p. 205
Quelqu’un, sa misère c’est son île Quelqu’un, sa robe c’est son île
Quelqu’un faire la soupe à la cuisine c’est son île Quelqu’un, c’est quand les autres parlent, son île Quelqu’un, il n’a pas d’île
Quelqu’un, il n’a qu’une toute petite île
Quelqu’un, si vous croyez qu’il aimerait ça une île
Quelqu’un, en 1938 plus d’îles, mort aux îles, tous en uniforme. Quelqu’un, un courant d’air suffit pour mettre son île en danger Quelqu’un, être en désaccord avec sa famille c’est son île Quelqu’un, il a plus de fleuve que d’île
Quelqu’un il a plus de barrage que de fleuve Quelqu’un il a plus d’horizon que de barrage Quelqu’un, il a plus de savoir que d’horizon Quelqu’un, il suit plus la pente
Quelqu’un, du talent comme mes bottes Quelqu’un, diplomate-circonstance
Quelqu’un, plus d’échelles que de pensées Quelqu’un, pour lui le réveil est une pistache Quelqu’un, pour lui le réveil est une tasse Quelqu’un, pour lui l’éveil est une médicine Quelqu’un, pour lui c’est une glaire
Quelqu’un, pour lui c’est un clou
Quelqu’un, pour lui le sommeil est un melon
Quelqu’un dort dans un lac. Tantôt dans un lac, tantôt dans une citerne
Quelqu’un dort dans un turbine; tantôt dans une turbine, tantôt dans un carrousel Quelqu’un, il a un sommeil d’agneau
Quelqu’un est de ceux qui se plaisent à gratter un chat sous une bâche Quelqu’un est de ceux qui n’ont que leur peur à se mettre sous le crâne Quelqu’un est de ceux qui ont cinquante fois vingt en savant de vieillir Quelqu’un est métaphysicien-anxieux abdominal
Quelqu’un voit d’un côté les soleils, de l’autre les serpents
Quelqu’un est de ceux qui, même en rêve, ne ressusciteraient pas un sourd de peur d’avoir encore à lui crier à l’oreille: “Va… Va… Va-t’en, oui, Va”
Quelqu’un est de ceux qui aimeraient diriger un orchestre dans un évêché, décorer une paupière sous un dais
Quelqu’un est de ceux dont le secret désir est de publier des cartes d’état-major illisibles même sous les plus fortes loupes
Quelqu’un sans arrosoir n’irait pas dans un caravansérail Quelqu’un, son piédestal est perdu dans la boue
Quelqu’un a l’âme concentrée Quelqu’un l’a en loques ou beurrée
Quelqu’un est de ceux qui vers cinq heures ressentent une lourdeur comme une méditation, mais c’est surtout la constipation
Quelqu’un est de ceux qui préparent un déraillement sur une ligne où jamais depuis dix ans ne passé plus un train
Quelqu’un quelque part s’appelle Lou
Quelqu’un, tout en manchons, est de ceux que leur vie environne quoiqu’ils ne fassent pas grand- chose
Quelqu’un est plutôt entouré de “j’eusse voulu” Quelqu’un est ami du bois
Quelqu’un est ami de l’eau
Quelqu’un, non, ce n’est pas ainsi qu’il entendait la Vie
Quelqu’un, c’est dans les Mers du Sud, pense-t-il, qu’il serait bien
Quelqu’un, il y a autour de quelqu’un quelque chose qui se passé, c’est comme si on balayait. Mais c’est dans la situation et dans la même on aboie.
Quelqu’un, s’il n’y fallait que du fil aux pattes, il serait bien araignée Quelqu’un est trop sensible pour aimer, ça lui fait mal
Quelqu’un, pour lui l’amour ce n’est qu’un entre-deux Quelqu’un, pour lui l’amour ça prend la place de mieux
Quelqu’un est de ceux qui se troublent de plaisir à la vue d’un sein par suite, croient-ils, de la couleur rose si exquisément filtrée para la peau qu’elle en est presque blanche
Quelqu’un à une époque plus agitée, le sectionnerait avec un plaisir beaucoup plus grand encore, beaucoup plus secret, plus personnel
Quelqu’un a depuis quelque temps sa méchanceté estropiée Quelqu’un a de la surdi-sainteté
Quelqu’un, pensant, s’éloigne Quelqu’un, pensant, se rapproche Quelqu’un, pensant, se renforce
Quelqu’un, pensant, s’affaiblit et s’anémie Quelqu’un, il n’y a pas de pensée qu’en convois Quelqu’un, dans le but de penser, pense-t-il, il pense Quelqu’un, il n’a pas la moelle qui correspond à sa figure
Quelqu’un, on le prend par son pôle et on l’amène tout doucement, tout doucement où l’on veut Quelqu’un, avec ses quarante-sept chromosomes, c’est un fier imbécile
Quelqu’un, il a aussi sa “Weltanschauung” Quelqu’un chante pour le fumier voisin
Quelqu’un, le vin rouge lui descend dans la jambe, ou c’est le cœur, ou ce sont les artères, tuyaux de tristesse. C’est le sang bleu qui cherche du repos dans les veines, c’est la défaite, c’est dix ans de perdus dans la vie
Quelqu’un est dans les présupposés
Quelqu’un est dans les tangentiels, les circonférentiels. Fait l’entendu en essential Quelqu’un est pour des pulsions
Quelqu’un est pour le Mythe
Quelqu’un est pour le Matérialisme historique Quelqu’un ce n’est que du vent
Monsieur est Paléoclimatologue Quelqu’un est au bar
Quelqu’un est dans l’emboutissage, dans la découpe Quelqu’un, c’est une antilope dans les Savanes du Katanga
Quelqu’un est genre dépositaire, journalier, exploitant, bougnat, cafetier, concessionnaire, importateur, dépanneur
Quelqu’un est genre miauli-miaula, décolletés de robes, crevés de corsages
Quelqu’un est genre orateur, bombardier. Culasse blindée, hélice synchronisée, train d’atterrissage escamotable. Guerre d’Espagne, révolutionnaire qu’il dit
Quelqu’un est genre syndicat
Quelqu’un est genre acheteur de licences de dirigeables Quelqu’un de très chic, genre torticollis de platine
Quelqu’un genre “dites bien à vos lecteurs que je les, et que je les et que je les” Quelqu’un racoleur, soldat de Dieu, serin de paradis
Quelqu’un qu’il dit
Quelqu’un, c’est lui qui a découvert sur plaques l’objet astral qui a failli télescope la terre dernièrement
Quelqu’un, soit!
Quelqu’un 000 000 000 01 Quelqu’un 000 000 000 000 03
Quelqu’un est quelqu’un comme une goutte d’eau est dans une maquette de l’Océan. Quelqu’un est dans la poroscopie
Quelqu’un, “et s’il y a des bacilles dans une hostie?”
Quelqu’un, douleur… sommeil bordé de scieries à vapeur et de klaxons furieusement florissants Quelqu’un a trop de “quelqu’uns”
Quelqu’un-vipère écartant une feuille, descend vers la victime qui respire paisiblement les yeux fixés sur le Bonheur
Quelqu’un-mouche fait de l’hystérie près d’un beau visage dont elle ne sait pas encore exactement ce qu’elle veut sucer
Quelqu’un est un Marquisan mélancolique
Quelqu’un-fourmi entre des falaises de feuilles mortes n’a pas un instant à perdre Quelqu’un est saucissier
Quelqu’un, c’est quelqu’un de facile à vivre