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Forventninger til gyldige resultater og oppgavens sammenligningsgrunnlag

O controle da mídia por agentes da política partidária, como vimos, interfere e contamina todo seu campo de atuação. De certa forma, acaba por eliminar – ou dificultar – a participação das classes subalternas e outros agentes políticos, marginalizados no processo e nos meios de comunicação, vislumbrando- os como espaço de medição de força, na mediação dos conteúdos necessários à igualdade e justa atuação de todos.

[...] a possibilidade de diálogo se suprime ou diminui intensamente e o homem fica vencido e dominado sem sabê-lo, ainda que se possa crer livre [...] Seu gosto agora é o das fórmulas gerais, das prescrições, que ele segue como se fossem opções suas. É um conduzido. Não se conduz a si mesmo [...] E para superar a massificação há de fazer, mais uma vez, uma reflexão. E dessa vez, sobre sua própria condição de “massificação”. (FREIRE, 1974, p. 63).

A educação torna-se a área apropriada para o esclarecimento e a liberdade da opressão midiática, política, social e cultural. É a exteriorização da sombra da “domesticação” pela luz da conscientização do homem como pessoa (FREIRE, op. cit., p. 37).

Outro elemento importante no contexto discutido é a cultura. Na compreensão aqui proposta, da utilização da rádio escolar, ela é concebida sem hierarquias ou hegemonia. Coube aos educadores da turma apresentar várias

concepções sobre o tema, fazendo com que todos tomassem consciência da(s) sua(s) própria(s) cultura(s), identificando-se com ela(s), respeitando a(s) sua(s) e as demais, sem com isso estabelecer juízo de valor predominante. Exemplo disso foi a preocupação em mostrar os tipos de entonação e formas de se expressar no rádio. No entanto, coube a todos a discussão sobre a adoção nos trabalhos da linguagem e expressão próprias dos integrantes da turma, sem seguir o padrão da fala radiofônica, com a entonação da voz, forçando uma fala que não fazia parte do cotidiano dos participantes.

É por intermédio da cultura que muitas alternativas de emancipação acontecem e também são temas constantes nas pautas educativas. No entanto, algumas polêmicas circulam nas questões culturais. O fenômeno da globalização ou internacionalização do capital, que proporciona as trocas de bens simbólicos e não simbólicos, segundo alguns estudiosos, implica na eliminação das culturas locais. Já outra corrente o trata como um novo movimento anticultural. Concepção errônea, segundo Canclini (1989) e Ortiz (1994). De acordo com eles, as trocas culturais é uma prática milenar entre os povos; faz parte do organismo mutante desse campo. Por outro lado, vale salientar que são inúmeros os fatos históricos de culturas, línguas etc. que desapareceram, cujo motivo foi a predominância cultural de um povo sobre o(s) outro(s).

Segundo um dos pensadores da Teoria Crítica Theodor Adorno (2002, p. 30-1), a indústria cultural, quando fundida com a diversão, representa a má consciência social da arte séria, que, por condições sociais, confere à arte leve uma aparência de legitimidade. A conjunção da arte “séria” (culta) com a “leve” (de massa) provoca, de acordo com o autor, a origem de uma única arte, que terá reflexo negativo na própria cultura, pois é exatamente isso que deseja a indústria cultural, afirma ele.

Outra implicação, segundo Adorno (2002), é a eliminação da racionalidade do consumidor diante dos apelos da indústria do divertimento, que se utiliza desse expediente para eliminar suas contestações sobre o universo em que a indústria cultural o insere. Conforme aponta, “a diversão é o prolongamento do trabalho sob o capitalismo tardio. Ela é procurada pelos que querem se subtrair aos processos de trabalho mecanizado, para que estejam de novo em condições de enfrentá-lo” (ADORNO, 2002, p. 33). Ou seja, o entretenimento é um mecanismo do capital para manter o homem em condições de enfrentar o trabalho, sem reflexões

sobre seus processos de funcionamento. Por outro lado, para Damatta (1997, p.29), cada geração interfere na composição de novos elementos culturais, com base nos acontecimentos presenciados por essa geração.

Compartilhando com tal pensamento, extraímos do estudo de Azevêdo (2005, p.70) – elaborado sobre a participação da mulher no programa de rádio Mulher em Ação, no interior da Paraíba – o depoimento de uma entrevistada, que relata sua experiência no referido programa:

[...] eu falava no rádio aquilo que eu vivia, prática da minha vida. Com isso eu achei que foi um grande desenvolvimento. Porque antes do Programa ou de participar de alguma coisa eu pensava que só quem falava em rádio ou na rádio ou no microfone eram pessoas formadas, pessoas que tinham estudado em escolas, nos livros [...] fui a vários programas e fiquei conhecendo que (sic), e consciente que o Programa de Rádio, ou a rádio, ou o microfone não é só pra pessoas que são letradas [...] A convivência da gente, o nosso dia-a-dia já é um estudo, já é uma aula [...] Esse era um programa baseado na realidade da vida da gente, para a vida da gente, para a vida das pessoas que estavam escutando. (A.C.S.).

No depoimento, observa-se a proximidade da rádio com a vida das pessoas simples, além de demonstrar quanto o rádio, no plano da atuação, ainda é encarado como um meio destinado às pessoas cultas e com formação específica. No entanto, aquela mulher que não sabia ler nem escrever compreendia que o seu mundo, a sua realidade e cultura era tema de aula. Talvez sem ter consciência, ela não só aprendia como também ensinava às outras pessoas que a escutavam.

Por essa perspectiva, a teoria das Mediações apresenta a cultura como elemento de singular importância no papel de mediadora social e teórica da comunicação com o popular, com a vida cotidiana, com os meios. Martin-Barbero afirma que,

[...] sobrecarregada tanto pelos processos de transnacionalização quanto pela emergência de sujeitos sociais e identidades culturais novas, a

comunicação está se convertendo num espaço estratégico a partir do qual

se podem pensar os bloqueios e as contradições que dinamizam essas sociedades-encruzilhada, a meio caminho entre o subdesenvolvimento acelerado e uma modernização compulsiva. Assim, o eixo do debate de se deslocar dos meios para as mediações, isto é, para as articulações entre práticas de comunicação e movimentos sociais, para as diferentes temporalidades e para a pluralidade de matrizes culturais (MARTIN- BARBERO, 2006, p.261).

O fato é que se torna necessário que os participantes conheçam sua própria cultura para que possam se reconhecer em um processo de identidade e fortalecimento dos laços de proximidade.

Segundo Peruzzo:

[...] a participação na comunicação é um mecanismo facilitador da ampliação da cidadania, uma vez que possibilita a pessoa torna-se sujeito de atividades de ação comunitária e dos meios de comunicação ali forjados, o que resulta num processo educativo, sem estar nos bancos escolares. (PERUZZO, 2007, p. 189).

Participar na comunicação é ter acesso aos meios para a produção de conteúdo e sua socialização. Afirma ainda que os veículos17 de comunicação de cunho popular “acabam por criar um campo propício para o desenvolvimento da educação para a cidadania”. (idem, p. 191).

Acreditando que liberdade de expressão não é dizer tudo o que se pensa, ao contrário do que divulgam os “democratas” desavisados, compreendemos que a liberdade de se expressar é pensar antes o que dizer. Dessa forma, o ato de se expressar implica no de pensar, na práxis, que por consequência exige dois princípios. Primeiro, pensar repercute em reflexão, que necessita de um processo cognitivo – em casos mais apurados – construído historicamente com princípios científicos, culturais, sociais etc. Segundo, pensar também significa usar o bom senso, coadjuvante da coerência, prudência. Enfim, análise prévia.

Partindo desse pressuposto, para se expressar não é necessário somente a pessoa estar viva e usar as formas de comunicação vigentes. Mas que ela exista como sujeito consciente do e no mundo, que os processos comunicacionais possam ser canais de fruição do pensamento, que as ideias publicisadas sejam coerentes, concisas e sensatas. A comunicação terá cumprido seu objetivo de comunicar e de conscientizar. É com esse propósito que formulamos nosso trabalho. Educação para a comunicação e a comunicação na educação. O rádio na escola e a escola no rádio. Aprendizado construído em conjunto, com cooperação mútua.

Ao dar vez e voz ao outro é preciso estar preparado para ouvir, principalmente o contraditório. E se ocorrer de na fala do interlocutor conter algo que não agrada, talvez seja a hora de elaborar uma reflexão não rancorosa com quem se expressa, mas sobre a prática que se conduz. Não se deve contrariar quem mostra os fatos reais, e sim tomar ciência deles. Os mais conscientes pensam onde podem estar os erros, se eles existem ou não. A partir daí, tomam-se a(s) atitude(s) cabível(is). Valores como liberdade de expressão exigem maturidade do concessor, para reconhecer seus limites, fragilidades e de esforço contínuo para preservá-lo.

Por outro lado, o encontro entre escola e sociedade é o cerne da compreensão de quem utiliza a mídia na educação. Assim como os meios de comunicação tornam-se elos entre os acontecimentos e o público, a presença prática e efetiva deles no ambiente escolar vai amplificar o diálogo por possibilitar a aproximação entre a escola e a sociedade e permitir a assimilação pela escola como educação, comunicação, cidadania, cultura, violência, inclusão social, direitos, deveres, trabalho etc.

A nossa intervenção na educação escolar procura desenvolver suas atividades a partir da compreensão e memória (social, cultural, histórica, cognitiva) do aluno, priorizando a reflexão (ERASMO, 1992, p. 438 apud FIGUEIRA, 1966, p. 1). Com o pensar associado à ação, tendo como aportes os temas citados acima, terão o educando e educador a oportunidade de compreender a realidade e originar mudanças diversas.