3.8 Utviklingstrekk og perspektiver
3.8.2 Forventet prisutvikling mot 2030
Basicamente, a pesquisa qualitativa se refere a um nível de realidade que não pode ser quantificado porque pertence a um universo maior de significados (MINAYO ,1999). A pesquisa é, todavia, resultado de um pensamento somado à ação: indagação e construção da realidade, ou seja, o objeto é socialmente construído, não está lá aguardando para ser investigado. Ela é definida a partir da abordagem e da postura do pesquisador, com ênfase no processo. As percepções dos sujeitos e do investigador, portanto se completam.
Esta metodologia de pesquisa focaliza o modo como indivíduos e grupos de indivíduos veem e entendem o mundo ou uma parte específica dele e como constroem significado e conhecimento. Pode ser considerada uma tentativa de aproximação dos métodos de pesquisa às ciências sociais, cuja principal motivação derivou de fenômenos complexos da vida social e que não estão sujeitos à quantificação e análise estatística (MINAYO, 1999). Günter (2006) corrobora essa premissa ao sustentar que uma primeira distinção entre a pesquisa quantitativa da qualitativa refere-se ao fato de que na metodologia qualitativa existe a aceitação de forma explícita de crenças e valores sobre a teoria, a escolha dos tópicos de pesquisa e, ainda, a interpretação dos resultados.
Para Neves (1996), a pesquisa qualitativa é considerada um conjunto de técnicas interpretativas que tem por objetivo descrever e decodificar as diversas compreensões de um sistema complexo de significados e cuja finalidade é traduzir e expressar os sentidos dos fenômenos do mundo social. Godoi e Balsini (2006, p. 90; 91) reforçam que na pesquisa qualitativa o que se busca é “a compreensão dos agentes, daquilo que os levou a agir como
agiram”. E isso só é possível “se os sujeitos forem ouvidos a partir da sua lógica e exposição de razões”.
Nesse sentido, a terceira etapa da pesquisa foi qualitativa, realizada com os motociclistas profissionais, em que o corpus foi selecionado por conveniência, tanto com sujeitos que manifestaram ausência de estresse como presença, levando em consideração as fases de ocorrência. Buscou-se investigar o fenômeno em seu contexto, a partir das percepções dos envolvidos, por meio de atividade lúdica de desenho, recorte e colagem ou escrita. A técnica expressiva, baseada nos princípios utilizados nos testes projetivos da Psicologia, permitiu manifestações livres, sem roteiro de entrevista previamente definido, em que a condução das perguntas obedecia ao tempo do sujeito e aos temas trazidos durante a realização da atividade. Para Anzieu (1981, p. 18) os testes projetivos “levam o sujeito a produzir um protocolo de respostas de tal modo que a estrutura do mesmo corresponde à estrutura de sua personalidade, estando conservadas no primeiro as características fundamentais da segunda”. Assim, a técnica possibilitou que as falas trazidas pelos sujeitos obedecessem ao seu ritmo pessoal e ao seu universo simbólico. Não objetivou-se análises psicológicas dos motociclistas profissionais, mas elementos ilustrativos para a presente pesquisa. Os materiais produzidos compõem o APÊNDICE C.
Foram realizadas quinze atividades projetivas com trabalhadores que possuem carteira assinada e também os que não possuem. Anzieu (1981, p. 23) explica que nos testes projetivos “o indivíduo fica livre para dizer ou fazer o que quiser, a partir do material apresentado e do tipo de atividades que lhe é proposto”. Os motociclistas eram recebidos em uma sala reservada, com horário previamente marcado, onde se encontravam sobre a mesa revistas, cola, tesoura, canetinhas de todas as cores e giz de cera. Uma folha em branco lhes era entregue com a seguinte orientação: “Nesta folha você deverá representar sua realidade. Como você vê sua vida, sua profissão, seu cotidiano?”. Então, eram-lhes oferecidos todos os materiais disponíveis. E, novamente, eram orientados que poderiam usá-los da forma como preferissem: recortar as revistas, desenhar, escrever ou fazer qualquer outra coisa com a folha. Eram avisados de que a conversa seria gravada e de que suas identidades seriam preservadas. Também eram solicitados a falar durante a execução da atividade, refletindo, assim, sobre tudo o que estava sendo elaborado naquele momento.
Alguns apresentaram dificuldade em compreender a tarefa e solicitaram mais explicações. Iniciaram falando livremente, sem, contudo, representar essas falas no papel. Quando ocorreu essa situação, eles foram instigados a procurar imagens e palavras que representassem a mensagem que eles gostariam que ficasse de suas falas. Era reforçado que ali, naquela folha, estaria a mensagem que eles gostariam de deixar sobre o trabalho e a vida do motociclista profissional.
Em contrapartida, outros demonstraram desenvoltura imediata, tendo uma imagem clara do que gostariam de deixar representado, utilizando-se de recortes, desenhos e frases. Como a condução da abordagem dependia dos elementos que eles traziam em suas falas ou no papel, não foi raro que muitas vezes ela tenha se desviado para outros elementos das vidas desses sujeitos que nada têm a ver com a profissão de motociclista.
A maior dificuldade encontrada nessa etapa foi compatibilizar os horários dos trabalhadores com as pausas para participar da atividade. Como era requerido espaço adequado, foi necessário que a pesquisadora se dirigisse ao local de trabalho do motociclista ou que ele fosse ao local de aplicação disponibilizado pela pesquisadora. Pela própria natureza da atividade que eles realizam, muitos se negaram a participar, alegando impossibilidade de tempo, ou faltaram aos contatos agendados. Cada atividade tinha duração média de trinta minutos, tempo precioso no dia de um motociclista profissional. Por todas essas limitações, não foram identificados sujeitos disponíveis para a pesquisa que se encontravam nas fases de manifestação de estresse denominadas de alarme e exaustão.