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FORVALTNINGSOPPGAVER OG TILTAK

DEL II – Ilene naturreservat

4. FORVALTNINGSOPPGAVER OG TILTAK

Durante o século XX, na Europa, foram constatados vários problemas em relação à inserção do jovem no mundo de trabalho, uma vez que, segundo Manacorda (2000), adulto e adolescente trabalhavam em dois lugares separados: a escola, lugar do adolescente separado do mundo do adulto, separa também o adolescente do trabalho, apesar do esforço feito para reintroduzir o trabalho no seu currículo. Surgia então a necessidade de se recuperar a relação dos adolescentes com o processo de produção, sem, no entanto, permitir um retrocesso ao antigo modelo do sistema artesanal, tanto no que se referia à parte produtiva, quanto à aprendizagem.

Foi retomada a teoria do aprender fazendo, idéia lançada no século XIX, na qual Dewey reafirmou seu ideal educativo em uma conferência realizada em 1932. Esta teoria foi colocada como o centro da unidade de instrução e trabalho, apresentando-se como a adequação dinâmica da escola à vida produtiva real, no sentido de que o indivíduo devia participar da mudança.

Também no âmbito da interação entre educação e trabalho, referindo-se à pesquisa psicológica e sua relação com a questão pedagógica, para Vygotsky109 “no indivíduo, as funções

8 John Dewey (1859-1952), máximo teórico da escola ativa e progressista, do learning by doing. Considerado um

dos mais geniais observadores das relações entre educação e produção, entre educação e sociedade (Internet: http://www.centrorefeducacional.pro.br/dewey.html, em 06/02/2001).

9 Lev Semenovich Vygotsky (1896-1934), teórico com vasta produção intelectual, estendendo-se desde a neurologia

até a crítica literária, passando pela psicologia, linguagem, pedagogia, deficiência, etc, profundamente marcado pelo materialismo dialético, pelas suas concepções sobre a interação entre o homem e a natureza, sobre a sociedade, o trabalho humano e o uso de instrumentos. Vygotsky considera o aprendizado um aspecto necessário e fundamental no processo de desenvolvimento humano, o qual depende do que a criança aprende num determinado grupo cultural, a partir da interação com outros indivíduos. Considera o aprendizado escolar como o responsável por criar a zona de desenvolvimento proximal, ou seja, a distância entre o nível de desenvolvimento real, que se refere às conquistas já

nascem nas relações interpsíquicas (entre os homens) e somente depois se tornam intrapsíquicas, internas ao indivíduo”.

“Esta concepção atribui necessariamente um papel essencial não somente à linguagem, mas também à educação e ao trabalho, isto é, ao uso dos instrumentos auxiliares materiais na educação” (MANACORDA, 2000, p. 325).

A criança é, antes de tudo, um ser social, pois desde o início de sua vida passa a conviver em grupo, utiliza signos lingüísticos comuns, que promovem modificações no seu comportamento. Mais tarde, ao ingressar na escola, ela inicia o processo de voltar-se para si mesma em busca de respostas para as coisas que a cercam.

Desta forma, pode-se ler que Vygotsky defendia uma inserção precoce, já nos tempos de escola, no mundo do trabalho, uma vez que este promovia modificações no comportamento, as quais também agiam sobre o ser humano. Nota-se então que novamente as relações sociais – interpsíquicas – têm um poder de influência maior, dificultando as relações intrapsíquicas, que possibilitam o estímulo ao seu desenvolvimento potencial.

Manacorda (2000) fez também referência ao desenvolvimento da pesquisa de Jean Piaget, desenvolvida na mesma época de Vygotsky. Piaget declarava-se construtivista1110 e

analisando-se a teoria construtivista pode-se considerar a possibilidade de ampliação da mesma para o universo do trabalho, ao se observar que é na interação do homem, visto como sujeito, com a realidade, ou seja, na prática diária das atividades profissionais que se dá à apreensão dos conceitos transmitidos na escola.

efetivadas, e o outro, o nível de desenvolvimento potencial, determinado através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros mais capazes.

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Nome dado à teoria epistemológica interacionista de Jean Piaget, segundo a qual, no processo de conhecimento, para estabelecermos as relações do sujeito com o objeto, deve-se rejeitar as hipóteses empiristas, pois os conhecimentos científicos, longe de constituírem um simples reflexo do real, resultam de uma atividade do sujeito que organiza e estrutura os dados da experiência a fim de compreendê-los (JAPIASSÚ e MARCONDES, 1996).

Em suas reflexões Antonio Gramsci1211 fez uma análise da crise da organização escolar, considerando importante à construção de um novo princípio educativo que partisse da relação entre desenvolvimento científico-técnico e a escola, concluindo com uma volta ao desenvolvimento social. No trecho a seguir, é possível observar o caminho que Gramsci traçou para a escola: “... Hoje a tendência é abolir toda escola ‘desinteressada’ - aquela destinada a quem não precisa preocupar-se com o futuro profissional - e difundir sempre mais as escolas profissionais especializadas, em que o destino do aluno e a sua futura atividade são determinados desde o início” (in MANACORDA, 2000, p. 333).

Este trajeto era justificado pelo “advento da escola unitária1312 , que significa o início de novas relações entre trabalho intelectual e trabalho individual não somente na escola, mas em toda vida social. O princípio unitário se refletirá, portanto, em todos os organismos de cultura, transformando-os e dando-lhes um novo conteúdo” (MANACORDA, 2000, p. 333).

Gramsci foi apresentado por Manacorda (2000) como um indagador crítico dos aspectos culturais na história do desenvolvimento social, relacionando o fato educativo não apenas às questões políticas, mas especialmente à produção e ao trabalho, ou, conforme Gramsci, ao industrialismo, pela exigência rigorosa de conhecimentos científicos-técnicos e de comportamento no trabalho e na vida.

A segunda metade do século ficou marcada pelo progresso tecnológico e pela tomada de consciência da desigualdade na relação educativa, como parte mais ampla da desigualdade e opressão social.

No final dos anos 60 do século XX, houve a eclosão das manifestações juvenis e estudantis em vários países, fazendo diversas críticas aos professores, à rotina escolar e ao

11 Antonio Gramsci (1891-1937), político e pensador marxista italiano. Na sua obra Cadernos do cárcere faz uma

análise da crise da organização escolar e apresenta sua pesquisa de um novo princípio educativo, tendo como base Marx e as contradições da experiência soviética, partindo da relação entre desenvolvimento científico-técnico e a escola e levando à conclusão com a volta ao desenvolvimento social.

12 A idéia de escola unitária, defendida por Gramsci, tinha a intenção de implantar uma escola única de cultura geral,

formativa, que equilibrasse o desenvolvimento tanto da capacidade intelectual como da manual. Essa escola forneceria orientação profissional e prepararia os indivíduos fosse para o ingresso em escolas especializadas, fosse para o trabalho produtivo. A responsabilidade de organização e administração desta escola caberia ao Estado.

descuido em relação à realidade vivencial dos alunos e seus problemas, que nada mais eram do que um reflexo das diferenças sociais existentes. Paralelamente a esta revolta, houve a dos operários que apresentou contribuições mais significativas no campo educacional, tal é o caso da Itália, que se centrava sobre a figura do trabalhador-estudante e, em seguida, do estudante- trabalhador, que estudava não para melhorar seu trabalho, mas para fugir da condição operária.

Como resultado deste processo complexo, o operário continuava operário, porém, homem culto, contemporâneo de sua época. “Talvez o aspecto mais característico e novo seja a procura de uma adequação do sistema de instrução aos modelos da terceira revolução industrial: uma industrialização in progresso da instrução. [...] tentativas de uma instrução programada [...] com métodos de trabalho educativo à altura [...] aplicado não tanto no ato individual de ensinar- aprender [...] quanto na prefiguração ou programação do processo de ensino-aprendizagem e na previsão de seus resultados” (MANACORDA, 2000, p. 351).

Entre os anos 70 e 80 do século XX, consolidou-se o toyotismo. Este modelo de organização do processo produtivo das empresas influenciava no aspecto da qualificação profissional, uma vez que havia uma tendência para a qualificação geral, na medida em que se percebia uma tentativa de fortalecer a formação básica (ensinos fundamental e médio). Esta possibilitaria uma capacidade de adaptação do trabalhador às difíceis condições do mercado, estimulando-o a analisar, pensar e planejar criativamente, assim como a adquirir capacidade sócio-comunicativa. No caso da formação específica do trabalhador, não havia um único modo, apenas um ponto norteador que seria a abrangência e polivalência do conjunto de disciplinas, as quais estariam em torno de conhecimentos tecno-mecânicos, de transformações físico-químicas, de processos tecno-produtivos e de sistemas mecânicos automatizados. O que é certo, porém é que este novo modelo defendia a necessidade de uma constante requalificação e uma formação continuada.

Apesar disso, as transformações no mundo da produção e do trabalho trouxeram como conseqüência a demanda pela força de trabalho já pronta, com formação geral e específica, o que

não era de fácil e nem de rápida preparação, implicando numa dificuldade crescente para a colocação do jovem aprendiz ou do estagiário nas empresas. Afinal, a escola estava habilitada a fornecer os subsídios teóricos, os conteúdos gerais, porém a vivência e a prática para este estar pronto para o trabalho não se obtinham na instituição de ensino.

No último quarto do século XX, evidenciou-se uma preocupação por parte de diversos países, do primeiro ao terceiro mundo, em encontrar caminhos educacionais eficientes e eficazes na preparação do homem tanto para atuar profissionalmente quanto para viver integrado e ser capaz de interagir na sociedade.

A inserção do conceito de cidadão, conforme Ferreira (1999, p.469) “Indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos de um Estado, ou no desempenho de seus deveres para com este”, trouxe para o ambiente escolar esta valorização do indivíduo consciente e atuante na sociedade, participante ativo e produtivo na transformação da realidade que o cerca. Pautado na quebra ou na suavização das desigualdades, o conceito veio a contribuir para o desenvolvimento de um indivíduo que, preocupado com o outro, age pró-ativamente no meio em que está inserido e, atualmente, esta postura tornou-se mesmo exigência na qualificação profissional. Essa exigência se dá pelo fato de que o indivíduo que abraça semelhante atitude demonstra preparo em nível pessoal e sugere certa carga de liderança e empreendedorismo, vistos como qualidades essenciais ao profissional contemporâneo.