Sujeito 1 2 3 4 5
Nome (fictício) Bianca Carolina Luísa Marcela Dulce
Idade 23 anos 34 anos 49 anos 56 anos 82 anos
Profissão Pedagoga Médica Dona de casa Advogada Dona de casa
CATEGORIAS 1. Características e forma da manifestação da lateralidade Considera-se canhota, porém consegue realizar todas as atividades também com a mão esquerda, inclusive escrever
Diz ser totalmente canhota, exceto para atividades em que é inevitável o uso da mão direita, como seu trabalho de
ultrassonografista
Considera-se
totalmente canhota, alegando não ter habilidade alguma com a mão direita
Diz ser canhota, porém escreve e come com a mão direita por imposição do pai e do tio que reprimiam o uso da mão esquerda Considera-se destra, pois aprendeu no
colégio a não fazer o uso da mão esquerda. Porém, é canhota na maior parte do seu dia a dia 2. Interação com a família e reação do sujeito O canhotismo foi bem aceito e obteve ajuda da mãe. Sua avó paterna tentou
O canhotismo é bem aceito por todos os familiares, exceto pela mãe, que se sente
De uma família diferente e à frente das outras da época, isso era muito bem aceito
O pai e o tio não permitiam em hipótese alguma que ela fizesse o uso da mão
A família não se importava com o fato dela apresentar tendência a usar o lado esquerdo do
encaminhá-la para o uso da mão direita.
incomodada esquerda corpo
3. Escola Chegou a levar
bronca na escola por borrar o caderno e fazer sujeira. Os professores de Esportes não tinham paciência para explicar tudo ao contrário para ela, o que a levou a se adaptar e jogar com o lado direito.
Estudou em dois colégios com metodologias e posturas bastante diferentes. Isso foi mais relevante do que o fato de ser canhota.
Diz que, por ter “déficit de atenção” e “dislexia”, a distração era sua maior questão no colégio, e o
canhotismo passou quase que
despercebido, se não fosse a falta de carteiras para canhoto, o que a incomoda bastante. A diferença
metodológica e de postura dos dois colégios que estudou, também aparecem como pontos mais relevantes que o ser canhota Não comenta aspectos da escola. Conta que teve aulas de tênis e golfe, e sentia que os professores procuravam incentivá-la, ressaltando o diferencial de ser canhota, apesar de senti-los um pouco receosos para ensiná-la A escola não permitiu que fosse canhota, induzindo- a a escrever e comer com a mão direita
3.1 Trabalho É professora de
está presente em sua atividade diária. É bastante
cuidadosa com os alunos que são como ela (canhotos)
desenvolvesse habilidades com a mão direita, uma vez que o aparelho fica sempre do lado esquerdo da maca, e o paciente do direito 4. Dificuldades e Superação Falta de carteiras adaptadas em diferentes espaços (vestibulares e exame psicotécnico) Trombar-se com o namorado durante o jantar Superou suas dificuldades realizando todas as atividades com a mão direita também
Teve problema com a falta de carteiras para canhoto no vestibular, com as tesouras de escola, e com as colheres de molho que possuem o bico ao contrário para um canhoto Trombar-se com as pessoas no restaurante e no avião Na época da faculdade, fazia incisão de parto normal ao contrário Não possui dificuldades em relação ao canhotismo, inclusive superou aspectos como fazer tricô e crochê
Superou o fato de precisar usar a mão direita por
imposição da família e convive bem com isso
Diz não possuir traumas por ter sido forçada na escola a ser destra
dos colegas, o que dificultava para os outros no momento da sutura
Consegue abrir lata com a mão direita, e “se vira” em um mundo para destros 5. Facilidades e Vantagens Possui facilidade em fazer uso da mão direita Foi destaque na equipe de vôlei por ser canhota e surpreender os adversários Comenta que os canhotos têm a vantagem de tomar o café no lado da xícara Relatou possuir habilidades artísticas, porém não sabe se está relacionado ao que diz ser o lado “criativo” do canhoto
Não menciona Não menciona
6. Mitos e Preconceitos
Acredita que os mitos novos de que os canhotos são mais inteligentes vieram acobertar os velhos que consideravam pecado ser Já escutou falar que é coisa do diabo, mas ignora. Inclusive diz ter dó dos canhotos da época quando isso era marcante.
Não foi reprimida em sua vida, muito pelo contrário. Possui várias teses sobre o ser
canhoto: ele é organizado
Foi reprimida pelo pai e pelo tio, o que acredita ser
herança cultural da família árabe Possui teses sobre o ser canhoto: são
Para as freiras de seu colégio, ser canhoto era caso de polícia.
Seu marido brinca que é do demo
Tem uma amiga que acha lindo ser canhota
que os canhotos são mais
inteligentes, porém não considera isso verdade tem a vida bagunçada; “viaja” (no sentido de abstração); tem sempre um “Plano B”; tem um raciocínio diferente; é mais criativo e “tem um pé” na arte têm um “sexto sentido” mais aguçado, e possuem boa memória 7. A diferença Percebe os
canhotos por onde passa. Se identifica com o grupo. Apesar de possuir alguns inconvenientes (como a falta de carteiras de canhoto no vestibular), se orgulha, acha legal, e gosta de ser canhota. É feliz assim. Nota onde há canhotos em todos os lugares, inclusive em seu trabalho. Considera uma diferença boa que só trouxe
vantagens e alegrias para sua vida. Inclusive, deseja que a filha que está esperando seja canhota
também
Ser canhota não afetou em nada sua vida.
Gosta de ser canhota, pois considera um diferencial.
Essa diferença feita pelos pais, fez com que ela separasse as atividades impostas como mecânicas, e as “naturais” como aquelas em que se sente ela mesma, se sente realizada
Diz que nasceu canhota, porém se considera destra. Essa diferença foi importante em sua vida, pois acabou inclusive
influenciando no ciclo natural de seu desenvolvimento