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Forståelser av KS og kjønn

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2. Forståelser av KS og kjønn

Para o futuro da Cidade, uma única certeza, não existem formas ou a organização ideal, apenas se pode considerar a discussão de meios de análise e métodos para repensar o espaço urbano.

Desde as utopias que derivaram do socialismo utópico de Owen, ou Fourier ou posteriormente, ao pensamento de Le Corbusier, como um representante da cidade moderna, observamos uma tentativa de encontrar um plano urbano da utopia do mundo perfeito, quase como um congelar daquele presente idealizado.

Nomeadamente no pensamento moderno, não existe apenas esta “sensação” de que não há portas para um futuro, no sentido da evolução do tempo, tempo esse que também era menosprezado para o passado e história das cidades, bem como, a possibilidade de controlar a sociedade por um plano urbano inteiramente reflectido. Pensado para manipular o presente e o futuro, uma vez que o futuro que se refere anteriormente surge na medida em que não poderiam haver desvios ao definido no plano.

Nesta forma de pensar a cidade, tudo deveria ser ordenado, não só do ponto de vista funcional, mas também predeterminada uma nova ordem social, ou seja, um controle das massas. Assim, o arquitecto ou urbanista actuaria como a força de um olhar silencioso que – como diria Foucault – ao deixar as coisas e os indivíduos agrupados segundo uma ordem de semelhança entre identidades evitam-se conflitos ou até a revolução de classes como afirmou Le Corbusier.

Ainda no imaginário moderno a concepção perfeita destes planos se desse pela extinção completa de grandes áreas urbanas, é uma utopia acreditar que é possível fazer um “restart” nas cidades existentes para construir a cidade nova sem referências ao passado. Num limite real, as intervenções levadas a cabo nas cidades procuraram ordenar o caos aparente, eliminando possíveis elementos de desordem e conflito, procurando ocultar qualquer característica que não possa ter uma ordem racional, porque aparentemente o que é racional possui uma irrefutável idealidade.

A cidade passa a ser reduzida a números, tipologias e articulações “tipo” de formas em relação às outras onde a evolução tecnológica vem aperfeiçoar a disciplina que os espaços urbanos, ainda sob influência do funcionalismo, “impõem”.

Ainda que o pensamento moderno possua uma forte influência nas cidades contemporâneas, cada vez mais, observa-se que estas seguem no caos, fragmentadas, com conflitos e mesmo sem qualquer ordem funcionalista as cidades continuam para o futuro.

Hoje estamos mais conscientes de que a articulação de funções é mais benéfica para a vida no espaço público das cidades.

Relembrando os Situacionistas, que propuseram uma cidade associada à ideia de labirinto, como espaço da liberdade e individualidade, onde adoptam uma cartografia da imaginação intrinsecamente ligada à personagem do Flâneur de Baudelaire e acreditando intensamente que a ideia da experiência urbana, onde as referências sensíveis e emocionais ao percorrer os espaços do quotidiano são uma ferramenta essencial para compreender o espaço urbano. Assim, numa tentativa de demonstrar que a experiência urbana não possui uma visão fixa surgem um conjunto de imagens que resultam de um conjunto de percursos por áreas definidas previamente num mapa da cidade.

Este exercício, não só permitiu o desenraizar da forma preconcebida da cidade, por questões de memória e a própria relação afectiva ao espaço, como também um despertar para como o pisar, passo a passo o território, descobrindo-o pausadamente para apreender todas as dimensões parece desprender-se de uma visão fixa dos locais para passar a descobrir as múltiplas imagens e memórias que um mesmo espaço nos pode transmitir.

A cidade nunca é a mesma, mesmo que os espaços não mudem muito na sua forma física, a luz que muda durante o dia, as nossas memórias ou estado dos nossos sentidos no momento que atravessamos o espaço alteram a percepção.

Cada vez que se tenta definir a cidade, ela surge sempre com algo novo, sem classificações racionais, e se por um lado, esta diversidade pode gerar perplexidade e dificuldade em criar uma ordem coerente no espaço urbano, também é um desafio que para o arquitecto é fundamental, na medida em que incentiva-o a compreender o presente para lá de toda a teoria do passado, e das fórmulas definidas. Com um pouco de ironia, é como deixar de ser o Deus Arquitecto, ou o Arquitecto superstar que se afasta de todas as “paixões mortais” no seu gabinete, para viver o presente real das cidades, abandonar o medo de nos “sujarmos” e na deriva das sensações, ao percorrer o espaço, encontrar os estímulos para as novas propostas e possibilidades urbanas.

As cidades, certamente, têm uma ordem mas a estrutura e o quotidiano é diferente em cada uma delas, longe de qualquer ordem geral; assim, o arquitecto deve ser detentor dessa criatividade de configurar formas inéditas de espacialidade. O espaço urbano é um meio com características complexas e de uma diversidade determinada pela multiplicidade de formas, temporalidades/memórias, e indivíduos, que não devem ser reduzidas a um processo homogéneo.

A cidade é um organismo em constante mutação e a par da evolução histórica e cultural, espaços que num determinado tempo teriam um uso podem estabelecer novos significados que vão para lá da matéria física das formas. Além de todo o conhecimento técnico e

funcional é, na compreensão dessa apropriação invisível, na cidade como um bloco de sensações, que surgem novas possibilidades para o projecto urbano.

Nesta visão da cidade como um processo contínuo de “estriamento rizomático” , segundo Deleuze e Guattari, o espaço surge numa realidade que, do ponto de vista da teoria da multiplicidade, coloca o arquitecto perante um sistema que no seu limite é completamente ametódico, sem regras e sem princípio nem fim. Porém, não será esta atitude baseada na multiplicidade, um caminho para descodificar/compreender a cidade Contemporânea?

Deste exercício na cidade, os percursos no mapa surgem pelas ligações do desejo, num flanar pela cidade que resulta da experiência estética no espaço, experiência que resulta na consciência entre o corpo e o espaço. Espaço esse que se reconfigura ao longo do tempo, e onde as colagens de imagens e desenhos que resultam dessa experiência são o material plástico que permite compreender as possíveis deficiências ou qualidades do local, mas como um rizoma, este trabalho nunca chega ao fim. As necessidades mudam e pensar a cidade, interpretá-la e produzir espaços urbanos é um trabalho em constante transumância.

Referências Bibliográficas - CAPÍTULO 3

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Na relação entre o indivíduo e o espaço a percepção sensível no domínio da experiência estética é determinada pelos sentidos, pela visão, audição, tacto, ou seja, pela relação entre o corpo e o espaço. O que aprendemos é numa primeira instância, conhecido pela experiência física. O espaço, o território é um meio líquido/transumante cujo corpo é o instrumento de medida e apreensão.

Experimentar a cidade, mobilizar o corpo segundo a influência afectiva dos objectos, é um meio de o arquitecto reflectir sobre a cidade e sobre as exigências colectivas que o urbanismo exige. No juízo de uma obra de arquitectura existe a tendência de isolar o objecto do contexto porém quando se actua no meio urbano avaliação deve ser feita pela análise sequencial de todos os objectos construídos.

Na deambulação onde resultaram os esquemas e montagens apresentadas no último capítulo compreende-se que a realidade é apreendida por fragmentos que são marcantes no meio urbano e cujo peso da sua presença influência a percepção estética do mesmo.

No estudo da concepção da cidade quanto à sua configuração futura é necessário compreendê-la pelo avesso do que foi previamente estabelecido no projecto através da experiência estética do quotidiano. O Sensualismo na relação entre o indivíduo e a obra implica uma mobilização do corpo no espaço, bem como a capacidade de compreender as qualidades materiais dos objectos. Mesmo que esta experiência não seja sensorialmente positiva há que ter presente que a cidade define-se assim numa constante dicotomia de emoções. Não existe experiência estética sem essa relação de troca entre o indivíduo e o objecto, do despertar sensorial que o mesmo evoca e que deixa uma impressão marcante que atraí o corpo para um “diálogo” que auxilia no conhecimento e reflexão acerca do elemento que nos atrai ou até daquilo que nos repele.

Desde Benjamin que priorizou a imagem do flâneur como elemento fundamental para a análise urbana, onde é priorizada uma teorização da arquitectura e do território segundo as sensações começa-se a dar relevância aos elementos da vida quotidiana, ao entender como as pessoas vivem e as transformações que existem para lá do projecto que muitas das vezes subestima estes elementos de extrema complexidade. A própria arquitectura funcionalista produziu um tipo de espaço que é exactamente o contrário deste raciocínio, no entanto, a cidade não possuí métodos nem uma linguagem de formas que devamos seguir, a cidade faz- se na prática do quotidiano. Implica uma experiência entre relações sociais, e formas físicas, percursos e mobilidade no território.

O arquitecto como “produtor de uma imaginação colectiva”, segundo Benjamin deve ser aquele que mais experiências e mais imagens espaciais possui de forma a responder aos “desejos” da sociedade, como se tratasse de um intérprete da cidade.

Num exercício baseado na deriva urbana o arquitecto pode identificar os tipos de actividades quotidianas e os obstáculos tanto físicos, como psicológicos no tecido da cidade, visto que a qualidade destes depende essencialmente destes parâmetros.

Outro ponto que se procurou focar neste trabalho e que é de extrema importância para o projecto urbano são os elementos que têm uma influência sensível no sentido de facilitarem o movimento pedonal, visto que é esta relação de continuidade que nos permite alargar as relações sociais bem como permite ter uma consciência espacial daquilo que nos rodeia. Pois o indivíduo necessita de um tempo próprio para apreender as formas, e que melhor forma de o fazer, senão ao seu ritmo, no seu caminhar. As cidades devem respeitar o paradoxo do desejo, para lá de qualquer ordem racional imposta. Devem permitir ao homem ser ele próprio. As cidades não se constroem apenas pela relação entre centro e periferia, são como um meio liquido onde as formas se unem aleatoriamente.

Em toda a pesquisa para este trabalho, bem como os esquemas que resultaram da deriva onde o caminhar e o deixar-se envolver pela vida da cidade permitiu avaliar os elementos marcantes de cada local e de forma inconsciente e puramente despreocupada, deparou-se que no final das colagens existiam fragmentos que são portadores da memória do espaço, as ligações poderiam surgir com centenas de disposições, porém os elementos marcantes surgiriam quase sempre na memória. Esta forte ligação à memória quase que gera uma afirmação que poderia ser considerada audaciosa para um trabalho deste nível que procura um rigor teórico. Porém tomar-se-á o atrevimento, com todos os riscos, e depois de todo o estudo realizado tanto na leitura de outros autores como pouca experiência pessoal, que nas estética das cidades não há muito que querer inovar ou quebrar com séculos de história e acabar com a memória subjacente aos lugares, com os símbolos do local que vão para lá das formas gerais, estão também nos detalhes, remetendo para Ítalo Calvino.

Infelizmente, o que procura inovar no nosso presente utiliza estratégias que na maioria das vezes seguem apenas as leis do consumo, ignorando que os indivíduos desenvolvem afectos e emoções aos lugares, o desenho urbano tem influência no comportamento humano nomeadamente na coesão social, mas por si só não é capaz de mudar determinados hábitos que são intrínsecos ao homem. E nesse desequilíbrio que não respeita as reais necessidades assistimos que os indivíduos acabam por quase por ignorar as formas e reinterpretam-nas de acordo com as necessidades do quotidiano. Quem nunca viu o rasto da passagem na relva de um jardim em vez do caminho proposto por quem planeou. Apenas um exemplo simples entre tantos outros que se observam ao analisar a cidade de uma forma sensível.

Assim cabe a quem projecta a cidade compreender aquilo que realmente interessa, porém sem quebrar o equilíbrio entre a relação entre os homens e a história e a vida quotidiana. Porque ao manter uma forma de projectar ondem se suprimem estas relações entre os corpos

e o espaço serão os próprios indivíduos a anularas nossas intervenções; tanto pelo abandono do espaço, como pela criação de uma imagem negativa do mesmo.

Haverá pior destino para uma arte que é feita para os homens, ser “negada” por estes? Certamente esse não é o caminho para o futuro.

Dos desequilíbrios que experimentamos na cidade podem surgir novas soluções para o futuro onde as directrizes devem apontar numa atitude que respeite a complexidade social bem como a identidade dos lugares transformando as cidades como uma unidade entre os homens e o território. Neste pensamento unitário há que ter uma atitude sustentável tanto a nível tipológico como construtivo. A sustentabilidade urbana, no presente, é um dos elementos que encerra o equilíbrio entre homem, natureza, cidade e paisagem, como tal, deve integrar-se na procura de conceitos para o futuro do urbanismo num ponto de vista técnico-construtivo sem perder a conexão com os princípios estéticos e formais de forma a promover o equilíbrio entre físico e mental.

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