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4. EMPIRI

4.4 Stortingets holdning til regulering av lobbyvirksomhet

4.4.1 Forslagene om å regulere lobbyvirksomhet på Stortinget

Paulo Mendes da Rocha, Le Corbusier, Richard Neutra

Protótipo: primeiro tipo criado; original. […] algo feito pela primeira vez e, muitas vezes, copiado ou imitado; modelo, padrão, cânone; […] [INDÚS] produto fabricado unitariamente ou feito de modo artesanal segundo as especiicações de um projeto, com a inalidade de servir de teste antes da fabricação em escala industrial.

HOUAISS, 2008, p. 612

O signiicado do termo protótipo reproduzido acima se refere ao aspecto material e concreto de um determinado objeto. No âmbito do pensamento e da cultura arquitetônica moderna, o conceito de protótipo, vinculado à ideia de reprodução industrial, foi ampliado para a esfera teórica e conceitual, transformando-se em um valor fundamental preconizado pelos agentes deste movimento.

A valorização do conceito de protótipo tal como foi utilizado na arquitetura encontra-se inserida no contexto do pensamento positivista em vigor durante o apogeu do movimento moderno, que preconizava noções como objetividade e exatidão, instituindo a universalização de soluções formais, tipológicas e técnicas na resolução de problemas sociais e urbanísticos, a partir de um ponto de vista racionalista e idealista. As obras apresentadas a seguir,

embora apresentem singularidades distintas, compartilham sua estreita vinculação aos cânones do pensamento arquitetônico moderno, proveniente da Europa Central durante as primeiras décadas do século XX e o segundo pós-guerra.

O plano, a planiicação, e sua objetivação como técnica de controle do crescimento – o urbanismo –, serão manifestações culminantes deste tempo teleológico, perfeito, ou, se preferimos, “radiante”. O trabalho sobre a planta se reproduz como um automorismo a-escalar, da casa à cidade, explicitando o trabalho, a técnica própria do arquiteto […]. O espaço da casa, o ar e sua memória, por assim dizer, apenas existem; foram completamente eliminados para proceder a uma quantiicação normativa, à objetivação biológica da família-tipo mediante o plano, o trabalho sobre a planta. A nova categoria dominante é, para o arquiteto positivista, o “metro quadrado”, e sua otimização através do transbordamento das técnicas de otimização da produção industrial, propugnadas por Frederick Taylor em seu “Principles of Scientiic Management (1911), ao âmbito da privacidade. A casa, como objeto de estudo do positivismo, experimentará, em seu interior, a dissecação taylorista, a decomposição de todos os movimentos em unidades mínimas, estudadas e cronometradas para reorganizar as tarefas em esquemas avessos a interferências, perfeitamente coordenados. 1 Conforme discorre Iñaki Ábalos no trecho destacado acima, qualidades como a reprodutibilidade técnica em escala industrial e a intenção de estabelecer, através de projetos e obras de arquitetura residencial, modelos – frequentemente voltados ao estabelecimento de dimensões mínimas, como no caso das experiências de arquitetos europeus – adequados e representativos dos ideais de vida e valores da sociedade moderna em recente transformação, podem ser identiicados com o tema A Casa Protótipo.

In 1914, he (Le Corbusier) was polemically antinaturalistic in the design for the Dom-ino house, a model structure for low-cost housing projects in reinforced concrete that is constructed from easily reproducible components and assures its occupants total independence. The Dom-ino house was both a conceptual simpliication and a manifesto […].

ÁBALOS, Iñaki, A máquina de 1.

morar de Jacques Tati: a casa positivista. In A Boa Vida, Visita guiada às casas da modernidade, Editorial Gustavo Gili, Barcelona, 2003, p.73-74

Le Corbusier constructs on the basis of his new deinition of the concept of modernity: “This modern feeling is a spirit of geometry, a spirit of construction and of synthesis” […] In 1920, the Citrohan house prototype gave deinition to the idea behind the Dom-ino house, and its compositional principles clearly implied the adoption of a serial concept and a program that went beyond the scale of architecture as such. […] There is no regressive nostalgia and only perfect clarity in its typological indications. […] 2

As obras associadas ao tema A Casa Protótipo carregam também uma evidente dimensão coletiva – em função de sua vinculação às propostas para crescimento ordenado das cidades, somadas ao recente processo de industrialização da construção que vigorava em seu período de realização. Também podemos identiicar, nestas obras, relexos de preocupações morais e políticas, relacionados às tentativas de dar respostas e parâmetros, na esfera do ambiente construído, às profundas transformações e conlitos sociais e culturais emergentes na mesma época.

Atendendo aos imperativos de economia, higiene e eiciência, a unidade habitacional moderna – o Standarte – surgiria como um grande equipamento coletivo com espaços precisos, claros e equipados com uma série de sistemas técnicos para agilizar a vida do homem moderno. Tratava-se de uma visão da habitação do ponto de vista do urbanismo, no qual as unidades-em-série concebidas racionalmente atenderiam às necessidades coletivas da sociedade […].

A habitação mínima de Gropius, assim como a “máquina de morar” corbusiana, eram representações ideais da morada moderna: genéricas, mas legitimadas pela força inquestionável do “espírito da época”. 3

Ainda sobre a relação entre o programa residencial e o urbanismo, Tafuri e Dal Co mencionam as pesquisas e proposições realizadas por Le Corbusier:

The basis for the irst urbanistic plans of Le Corbusier was the typological research he carried out beginning with the Dom-ino house. Typology and technology were treated as synonymous, both involving the concept of reproducibility and calling for a programmed commitment. 4

TAFURI; DAL CO, Manfredo; 2.

Francesco. Modern Architecture. New York, Harry N. Abrams Inc., 1979, p. 133,138.

KAMITA, João Masao. A Casa 3.

Moderna Brasileira. In ANDREOLLI, E. e FORTY, A. (org.) Arquitetura Moderna Brasileira, Londres, Phaidon, 2004, p. 142

TAFURI; DAL CO, Manfredo; 4.

Francesco. Modern Architecture. New York, Harry N. Abrams Inc., 1979, p. 140

Como resultado da pesquisa sobre residências de arquitetos na historiograia, as obras agrupadas sob o tema A Casa Protótipo não apenas apresentam a utilização de técnicas industriais, ou de técnicas artesanais utilizadas como ensaio de técnicas industriais. De fato, estas obras foram projetadas pelos seus autores como unidades mínimas ou padrão, tendo em vista a reprodutibilidade em larga escala, com a intenção de contribuir às pesquisas em prol da solução dos problemas habitacionais emergentes como consequência do acelerado crescimento das cidades – ocorrido, por sua vez, em função do recente processo de industrialização na sociedade moderna.

Estas obras também denotam, na acuidade e racionalidade da planta, a pesquisa tipológica em busca do modelo ideal para o espaço doméstico do cidadão moderno genérico – aqui representado pelo próprio arquiteto que, além de autor do projeto, cumpre, junto com sua família, o papel de habitante da obra. Ainal, as obras resultantes desta busca manifestam os princípios morais e políticos preconizados pelos arquitetos que as projetaram, idealizados como fundamentais à constituição de uma sociedade mais racional e democrática.

Apresentamos agrupadas na “família” A Casa Protótipo as seguintes obras: a Research House I – VDL I de Richard Neutra, localizada em Los Angeles, California; o Cabanon de Le Corbusier, construído na cidade litorânea de Roquebrune-Cap-Martin, na França; e as Casas Gêmeas, de Paulo Mendes da Rocha, localizadas no bairro do Butantã, em São Paulo.

RESEARCH HOUSE I - VDL I Richard Neutra

Los Angeles, Califórnia, EUA 1932

Área: 195,1m²

O projeto da casa de Richard Neutra, nomeada VDL Research House I – devido ao patrocínio de Van der Leeuw – e datada de 1932, visava, desde o princípio, constituir-se em uma série de experimentações e pesquisas acerca das possibilidades de aplicação das tecnologias mais recentes do período para a constituição de espaços habitáveis, minuciosamente pensados para atender às necessidades biológicas e psicológicas da própria família do arquiteto.

Além disso, ele buscava demonstrar que uma restrição de espaço físico não necessariamente implica uma restrição no conforto e na qualidade desse espaço, e, portanto, adotou um projetar processual, que procurava maneiras de alcançar a sensação de eiciência do aproveitamento espacial e acomodações confortáveis em espaços mínimos, que, de algum modo, também poderiam aplicar-se como tipologias habitacionais.

A casa de dois pavimentos, além do porão no subsolo e do terraço na cobertura, foi situada estrategicamente no terreno para aproveitar as vistas da represa e das montanhas ao fundo, e reletiu a proposta de servir ao mesmo tempo como habitação e escritório, reservando o uso residencial ao pavimento superior, e incorporando à construção, para propiciar o melhor aproveitamento possível do espaço, o projeto do mobiliário.

1927

1964

planta subsolo

planta térreo

planta 2º pavimento

corte transversal

corte longitudinal