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Diversos estudos comprovam a importância de possuir um processo maduro de desenvolvimento de produtos, que permita a adequada integração do design industrial às engenharias, para aumentar a chance de sucesso comercial e financeiro das empresas.

O Design Council britânico conduziu o estudo The Impact of Design on Stock Market Performance: an analysis of UK quoted companies (DESIGN COUNCIL, 2004), com o objetivo de avaliar o impacto da utilização do design (visto de forma integrada: design industrial e engenharia de produto) na performance financeira das empresas. Para isso, acompanhou durante 10 anos o desempenho no mercado de ações de dois grupos de empresas, diferenciados pela intensidade de utilização do design. A principal conclusão da pesquisa é que as empresas que investiram continuamente em design – orientadas pelo design5 - obtiveram desempenho 200% maior do que a média geral de desempenho do FTSE 100 e

FTSE All-Share 67 (ver Figura 2.1). O apêndice do mesmo estudo apresenta outros 5 estudos similares que corroboram esta conclusão.

Figura 2.1 – Desempenho comparativo do portfolio de empresas que investem em design em relação às empresas em geral

FONTE: DESIGN COUNCIL, 2004. As linhas vermelha e amarela representam o desempenho do valor das ações das empresas que investem continuamente em design em relação à média geral das outras empresas.

Outro importante estudo em profundidade e com grande repercussão na Europa é o The Economics Effects of Design (NAEH & DDC, 2003) realizado por duas agências dinamarquesas. O estudo desenvolveu um modelo de maturidade, referente à intensidade que a empresa insere o design em suas atividades, denominado “Escada do Design” 8, com quatro níveis ou, analogamente, quatro degraus. Este modelo, proposto no estudo, se tornou uma espécie de padrão e diversos estudos similares foram conduzidos em diferentes países. A

6 Tanto no “Bull” quanto no “Bear Market”. Bull Market é uma situação de mercado caracterizada pela subida

generalizada dos preços dos títulos cotados (acompanhada de certo otimismo generalizado). Bear Market é a situação inversa, caracterizada pela queda generalizada dos preços dos títulos (acompanhada de certo pessimismo generalizado).

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Financial Times Stock Exchange Authority (FTSE). É de propriedade da London Stock Exchange e Financial Times. O “FTSE 100 Share Index” é um indexador do mercado de ações composto pelas 100 maiores empresas britânicas em termos de capitalização de mercado.

principal conclusão é que as empresas que adotam uma abordagem de design ampla – isto é, quanto mais alto a empresa estiver na “Escada do Design” - faturam mais e geram mais exportações do que empresas que não utilizam design. Complementando,

“as análises indicam uma ligação muito clara entre utilização de design e o sucesso econômico que as empresas atingem que por sua vez beneficia a sociedade como um todo. A correlação é tão evidente que não pode ser desconsiderada ou questionada. A correlação é especialmente evidente para empresas que adotam uma abordagem de design ampla. [...] Estas empresas experimentam um aumento no crescimento que é estatisticamente significante. Seu aumento na receita de exportação e performance de faturamento corresponde ao grau de adoção de uma abordagem ampla de design [...].” (NAEH & DDC, 2003, p. 34).

HERTENSTEIN et al. (2005) realizaram estudo sobre o impacto do design industrial na performance financeira corporativa, utilizando 93 empresas divididas em dois grupos, classificadas de acordo com a intensidade de uso de design industrial. O desempenho financeiro, acompanhado através de indicadores tradicionais e no mercado de ações, foi acompanhado no período de 1995 a 2001. A conclusão é que existem fortes evidências relacionando boa performance financeira e no mercado de ações ao “bom design industrial”; além disso, os padrões de performance financeira ao longo do período de sete anos sugerem que estes efeitos são duradouros.

GEMSER e LEENDERS (2001) estudaram como e quando integrar o design industrial ao processo de desenvolvimento de produtos pode melhorar a performance da empresa, utilizando dados de 47 empresas holandesas. A conclusão é que a intensidade com que a empresa integra o design industrial no processo de desenvolvimento de novos produtos tem impacto positivo e significante na performance da empresa, especialmente quando a estratégia de investir em design é relativamente nova para o setor industrial.

O estudo Design as a force for development, realizado em 2002 pela Swedish Industrial Design Foundation para o Ministério da Indústria, Emprego e Comunicação da

Suécia, gerou um programa para investimento governamental em design. O resultado deste programa foi avaliado por pesquisadores da School of Management and Economics da Universidade de Vaxto, Suécia. O relatório da avaliação foi publicado em 20069 (JOHANSSON, 2006), concluindo que apoiar o programa foi um investimento de sucesso do governo. Como resultado direto, as empresas que participaram do programa experimentaram aumento nas vendas. O sucesso financeiro de 10% das empresas no programa empatou o total do investimento feito pelo governo. Como efeito secundário, mas não menos importante, dois terços das empresas no programa pretendem aumentar o investimento futuro em design.

A pesquisa The design difference (CENTRE FOR DESIGN INNOVATION, 2007), realizada pelo Institute of Technology da Irlanda, tem como conclusões centrais: empresas irlandesas que utilizam design têm mais sucesso que aquelas que não utilizam; design, inovação e crescimento estão interligados – pequenas e médias empresas que utilizam design são mais inovadoras que aquelas que não utilizam, saindo da competição apenas pelo preço e sendo mais competitivas globalmente; as empresas que estão crescendo mais rapidamente são aquelas que estão investindo em design.

O governo austríaco encomendou pesquisa The Austrian Design Ladder (GMBH, 2006) para determinar a consciência e a importância dada ao design pelas suas empresas, comparando-as com estudo similar conduzido com empresas na Suécia (SWEDISH INDUSTRIAL DESIGN FOUNDATION; SWEDISH ENGINEERING INDUSTRIES, 2004). Foram pesquisadas mais de 1000 empresas, em março de 2006, a grande maioria das pequenas e médias empresas, considerando que 98% das empresas deste país são deste porte. Os resultados apontam, demonstrados em comparação com pesquisa similar conduzida na Suécia, que: 50% das empresas austríacas utilizam o design sem consciência alguma (não-

9 Com autoria de Ulla Johnson, Ph.D., professor da School of Management and Economics, Vaxto University,

design; design silencioso) ou como maquiagem de produto, o que indica que se deve realizar um esforço para as empresas subirem os “degraus da escada”; as empresas lucram com o design, considerando que 72% das empresas afirmaram que “design aumenta a lucratividade”, comprovando, assim como na Suécia, que empresas que aplicam o design como estratégia são mais competitivas, mais abertas, mais inovadoras e demonstram melhor desempenho nas exportações.

O estudo Management of creativity and design within the firm (WHYTE; BESSANT; NEELY, 2005), realizado pelo Imperial College London e Advanced Institute for Management, ambos da Inglaterra, buscou investigar como a criatividade e o design podem ser utilizados para catalisar a inovação e serem utilizados como recursos estratégicos dos negócios. No caso, design foi visto como um processo de conjugar a compreensão de três dimensões: necessidades dos usuários (latentes ou expressas), forma (styling) e função - obviamente além da visão simplista relacionada apenas à estética ou imagem. Segundo este estudo, há vastas evidências para apoiar a visão que o uso adequado de criatividade e design para permitir a inovação tem grande impacto na performance da empresa. Estas evidências estão compiladas em tabela, constituindo-se de 14 estudos conduzidos em diferentes continentes, e, embora variem a metodologia e a profundidade, a conclusão cabal é que design e inovação fazem a diferença.

KRISTENSEN et. al (2007) realizaram uma análise crítica dos principais estudos e artigos publicados que apontam para uma correlação entre utilização de design industrial e desempenho financeiro, realizando apontamentos críticos sobre as metodologias utilizadas e as conclusões. Após isso, realizaram sua própria pesquisa, utilizando dados financeiros de diversas naturezas de 27 das 100 maiores empresas dinamarquesas, no período 2000-2005, de

diversos setores. A conclusão é que existe correlação positiva entre o “Bom Design” e desempenho financeiro.

Os estudos apresentados demonstram de forma contundente a correlação positiva entre a utilização de design e a performance comercial e financeira empresarial. Indicam também que, quando maior o grau de integração do design às atividades da empresa, maior o potencial de desempenho – evidenciados pela “Escada do Design”. Faz-se necessário, então, aprofundar-se nas bases em que esta correlação se sustenta.