O centro de saúde, localizado na região do Mato Dentro, atende às três vilas e oferece os serviços de controle de pressão e vacinação. Possui uma equipe formada por uma enfermeira e uma agente de saúde, estando incompleta pela falta de médico e dentista (informações da população e da própria equipe de saúde). Os demais serviços de saúde são buscados nas outras localidades principalmente na cidade de Conselheiro Lafaiete, onde a população tem à sua disposição hospitais públicos, opções de médicos e acesso aos serviços dos planos de saúde particulares e do sindicato rural.
O centro de saúde do município de São Brás do Suaçuí é uma opção muito acessada em casos mais simples e gerais, tais como para serviços odontológicos, consultas com clínico geral e algumas especialidades que a cidade oferece, como ginecologia e pediatria.
Em Caeté, todos os entrevistados afirmaram buscar diretamente a cidade de Conselheiro Lafaiete para serem atendidos pelo SUS ou por médicos conveniados ao sindicato ou a outros planos de saúde. Há também aqueles que pagam pela consulta médica na cidade de Conselheiro Lafaiete ou, com menos frequência, vão a outras cidades mineiras, tais como, Belo Horizonte e Barbacena. Na Vila Domingos, a população vai tanto para Conselheiro Lafaiete quanto para São Brás do Suaçuí, contando muitas vezes com a ajuda de moradores que tem carro para
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Essa é uma prática típica da religião Católica em que os ministros da Eucaristia encarregam-se de levar a Comunhão (símbolo católico do corpo de Cristo) para as pessoas que não estão em condição de frequentarem a Igreja, idosos e doentes, principalmente.
levarem-nos ao médico. No Mato Dentro, a maioria (77%) afirmou que costuma procurar os serviços de saúde no município de Conselheiro Lafaiete. Alguns incluíram a cidade de São Brás do Suaçuí como opção (17%) e poucos (6%) afirmaram procurar outras cidades. Uma parcela da população do Mato Dentro, aquela com menores condições econômicas, também se beneficia da ajuda de moradores para levarem-nos ao médico em caso de emergência.
Notamos que a temática de saúde faz acionar alguns vínculos com cidades maiores quando os recursos almejados não se encontram disponíveis em territórios menores, como São Brás do Suaçuí. Assim, podemos inferir a necessidade de se flexibilizar a dimensão da realidade “cidade” adotada pelos moradores das vilas, pois como proposto por Tajfel (1983b) a diferenciação ocorre entre grupos sociais próximos, onde os atributos da identidade tencionam a fronteira entre o nós e o eles, dando margem para o efeito de contraste que potencializa os efeitos da categorização social (Deschamps & Moliner, 2009).
Com relação ao sindicado rural, reconhecido como importante meio de acesso aos serviços de saúde – garantindo descontos em consultas, exames e outros serviços – a maioria filiada pertence à comunidade do Caeté (26% de sua população), seguida pelo Mato Dentro (17%) e por último a Vila Domingos (8% de filiados). Já em relação a outros planos de saúde privados, as comunidades do Caeté e Mato Dentro possuem o mesmo número de pessoas afiliadas a eles, correspondendo a 18% e 14% de sua população, respectivamente. Na Vila Domingos, 12% da população possuem plano de saúde, a menor taxa entre as três vilas. Assim, da população total, ou seja, dos 268 habitantes das três vilas, 14% possuem plano de saúde privado.
A porcentagem da população das vilas que faz uso de algum tipo medicamento é de 28%, sendo o medicamento para controle de pressão, o mais utilizado. Um pequeno número entre os moradores (6%) faz uso de remédios para transtornos psiquiátricos, principalmente depressão e ansiedade. Dessas pessoas, algumas justificam o uso desses medicamentos para conseguirem lidar com a solidão do meio rural (a causa principal), com a falta de atividades além do trabalho, principalmente para aqueles que não têm mais uma ocupação (aposentados por idade ou invalidez).
O pequeno número de pessoas que faz uso de medicamentos psiquiátricos confirma os dados de Abramovay (2000), que afirmou que “nas áreas não densamente povoadas é, com frequência, menor o sentimento de solidão trazido pelo anonimato da vida metropolitana: sobretudo quando essas áreas podem representar a recuperação e o reforço de relações de proximidade familiar, comunitária e de vizinhança” (pp. 12-13). Curiosamente, na Vila Domingos, população com menos recursos e condição social mais precária, temos apenas um morador que faz uso desse tipo de medicamento.
Anualmente, a equipe do centro de saúde das comunidades elabora um relatório chamado diagnóstico populacional, e a sua edição mais recente na época da realização do censo (novembro de 2013) confirmou os dados encontrados nesta pesquisa no que diz respeito aos aspectos de saúde da população. As principais semelhanças foram a descrição de doenças referidas como sendo neurológicas (tais como, síndrome do pânico e bipolaridade), informando que os pacientes fazem acompanhamento contínuo nas cidades vizinhas com psiquiatras e psicólogos. Outro dado importante apresentado foi a descrição da hipertensão como a doença mais frequente, acometendo 21% da população, seguida pela diabetes (2%).
Os chás são frequentemente utilizados nas comunidades rurais, seja para cuidados paliativos, para o tratamento de doenças ou simplesmente como um hábito familiar e regional. Muitos moradores, por exemplo, afirmam fazer uso dos chás pelo menos aqueles de efeito calmante, como o de camomila, ou aqueles para resfriados e gripes. Outros chás são usados para dores renais, dores no estômago e outros males.
Alguns moradores, no entanto, dizem não fazer uso por já tomarem algum remédio prescrito por médico e ficarem com medo da combinação dos dois. Os principais chás citados foram: limão, boldo, hortelã, funcho, folha de chuchu, quebra pedra, amora, combinações para dormir, para gripe, tanchagem, suco verde, xaropes, erva doce, erva cidreira, carqueja, camomila e jurubeba.