Foi visto que os princípios que norteiam a cibercultura abrem espaços de troca de informações pautados na coletividade, em que se reconhece que cada interagente pode contribuir significativamente para o nascimento de novos conhecimentos. No contexto da Educação, essa é uma condição que vem facilitar a evolução das práticas de ensino tradicionais, rumo a uma aprendizagem mais próxima das reais necessidades dos aprendentes. Diante do que foi discutido até aqui, é possível afirmar que os recursos projetados para a EAD precisam ser embebidos de interatividade e compostos pelas potencialidades das multimídias, a fim de que se tenha um processo de ensino-aprendizagem mais coletivo, dinâmico e motivador. Nesse contexto, as atuais concepções sobre Educação têm ressaltado a relevância dos conhecimentos prévios no processo de construção de novos conhecimentos.
As primeiras concepções sobre a Aprendizagem Significativa datam da década de 60, quando o norte-americano David Ausubel apresentou uma das primeiras teorias que explicam o ensino-aprendizagem escolar numa visão distanciada das tradicionais ideologias educacionais. Foi um marco na evolução da Educação e, atualmente, suas ideias têm contribuído expressivamente para a prática educativa no ciberespaço.
Ausubel (1982) afirma que a Aprendizagem Significativa ocorre quando o indivíduo assimila novas ideias e informações em sua estrutura cognitiva. Nesse processo, os conteúdos por ele assimilados adquirem, psicologicamente, um significado. Não se trata, todavia, de um aprendizado mecânico, em que as novas informações são armazenadas isolada ou
arbitrariamente nas estruturas cognitivas. Isso significa que não se interage com os conhecimentos pré-existentes nessas estruturas.
Um exemplo de aprendizagem mecânica, na área da Matemática, pode ser o exercício de decorar a lógica dos sinais (jogo de sinais). Ainda assim, vale ressaltar que, em determinados contextos, esse tipo de aprendizagem pode ser empregado para que certos conteúdos, necessários à assimilação de outros mais complexos, possam ser assimilados pelas estruturas cognitivas.
Ausubel (1982) afirma que os conteúdos armazenados mecanicamente podem ser a ponte entre o que o aprendente já sabe (conhecimento prévio) e o que ele precisa aprender. Segundo sua teoria, a aprendizagem é significativa para o aprendente quando informações são armazenadas nas suas estruturas cognitivas, a partir da interação entre os conhecimentos prévios e o novo conteúdo.
Pode-se perceber que a teoria de Ausubel destaca a relevância dos processos mentais na construção do conhecimento (ver figura 08). Suas ideias refletem a aprendizagem, não como um comportamento observável ou um estímulo externo ao sujeito, mas através da análise do que ocorre nas suas estruturas cognitivas ao se deparar com algo novo (PELIZZARI et al, 2002).
Para que o estudante possa aprender significativamente, são necessárias algumas condições. Uma delas é de que, em sua estrutura cognitiva, haja um conjunto de conhecimentos que possibilitem uma conexão com a nova informação a ser assimilada (ANJOS et al, 2006). Ausubel denomina esses conteúdos de subsunçores. São informações que pré-existem na cognição do indivíduo e que servem como pontes entre o conhecimento prévio e aquele a ser assimilado pelo sujeito.
Figura 08: Ilustrações das aprendizagens mecânica e significativa, respectivamente Fonte: Anjos et al, 2006.
Outra relevante condição para que se estabeleça a Aprendizagem Significativa é de que as instruções sejam relacionáveis com os conhecimentos prévios do aprendente. Pelizzari et al (2002) afirmam que cada pessoa é capaz de filtrar as informações que têm ou não um significado para si própria. Assim sendo, as instruções precisam ser organizadas de forma tal que a interação entre elas e as estruturas cognitivas de quem está aprendendo seja essencial para a aprendizagem; uma interação do antigo com o novo.
Dessa forma, parece lógico imaginar que, quanto mais subsunçores houver, maior é a possibilidade de interação entre os conhecimentos prévios e as novas informações. Porém, o que Ausubel (1982) considera em suas proposições é que o nível de complexidade do conhecimento construído depende muito mais das relações que podem ser estabelecidas entre esses conceitos do que da quantidade de subsunçores existentes nas estruturas mentais do indivíduo.
Segundo ele, essas relações estão hierarquicamente organizadas, formando uma rede de conceitos dispostos de acordo com o grau de abstração e generalização (PELIZZARI et al, 2002). Os novos conceitos são assimilados a essa rede e, dessa forma, vai-se organizando a estrutura cognitiva.
Vale destacar que, dadas as condições para que se tenha uma aprendizagem significativa, também é imprescindível que o estudante esteja disposto a aprender. Caso contrário, se sua escolha for a memorização das informações, não importa o quão interativo, dinâmico ou interessante possa ser o material didático, então, a aprendizagem será mecânica.
De modo geral, a mola propulsora da Aprendizagem Significativa é a interação entre a estrutura cognitiva prévia do aprendente e o conteúdo de aprendizagem. Em sua teoria, Ausubel afirma que essa interação se constitui de uma relação mútua, em que ambos se modificam: tanto o conhecimento prévio e, portanto, a estrutura cognitiva inicial, quanto o conteúdo a ser assimilado.
Essa assertiva se aproxima da concepção de Primo (2003) sobre a “interação mútua”. São duas teorias que, juntas, refletem os modos de construção do conhecimento no ciberespaço: Ausubel, com as explicações dos processos mentais de desenvolvimento da aprendizagem (estrutura cognitiva do sujeito interagindo com o novo), e Primo, com as explicações sobre os processos de interação entre os sujeitos na construção de novos conhecimentos.
Especificamente no caso da EAD online, a prática dessas teorias é uma situação potencializada pelas condições diferenciadas de espaço e de tempo em que os sujeitos
interagem: desterritorialização e comunicação de todos com todos. Não somente dentro do AVA, mas também em blogs, nas redes sociais virtuais, por email e via celular.
Um dos desafios da EAD, na perspectiva da educação ao longo da vida, é exatamente formar o indivíduo capaz de organizar essas informações, de modo que ele possa discernir entre o que é mais ou menos importante e que precisa ou não ser assimilado em cada momento que vivenciar. Daí a relevância de valorizar os conhecimentos prévios do aprendente e de analisar o contexto em que ocorrerá o processo de ensino-aprendizagem.
Em seus discursos, os professores dos componentes de Matemática do Curso de Pedagogia da UFPB Virtual também mencionam a Aprendizagem Significativa como a concepção que inspira o planejamento do material didático que eles produzem. Em 39,4% das respostas (ver tabela 06, p. 56), os professores fizeram afirmações do tipo:
Quando elaborei o material a visão que eu tinha era de que o aluno aprende nessa interação dos conhecimentos prévios dele com os conhecimentos novos; Uma estratégia que uso é trazer os conhecimentos prévios para a plataforma, estimulando o aprendizado a partir das próprias tarefas e verificando como os aprendentes fazem a interação do novo com suas concepções prévias sobre a Matemática na infância; Eu sigo a linha da aprendizagem significativa de David Ausubel quando eu busco o conhecimento prévio do aluno; Eu estimulo o que ele já sabia antes para que ele possa pegar a base necessária para o conteúdo novo.
Ao citarem a aprendizagem significativa como fundamento para a elaboração das situações de aprendizagem, os professores mostram maior preocupação com o papel do aluno na construção do conhecimento. Tanto que, em suas afirmações, o conhecimento prévio é sempre citado como de fundamental importância no processo de ensino-aprendizagem.
Comparando as subcategorias Conhecimento colaborativo e Conhecimento
significativo, percebe-se uma distribuição no teor de responsabilidade pelo aprendizado entre
professores e aprendentes. Como reflexo da nova ecologia cognitiva nas estratégias de ensino- aprendizagem praticadas no Curso, pode-se afirmar que as situações didáticas são concebidas na perspectiva da construção coletiva e colaborativa de conhecimentos que sejam significativos para todos os sujeitos que interagem no processo.
As situações de aprendizagem são concebidas pelos educadores, mas, levando em consideração também as necessidades educacionais dos aprendentes e do grupo ao qual pertencem. Os educadores mostram preocupação tanto com o conteúdo a ser explorado quanto com sua significância para o aprendizado de cada um dos interagentes, seja através da relevância dada aos seus conhecimentos prévios ou das trocas de experiência.
As TIC digitais são ferramentas que vêm facilitar essa organização. Hipertextos, vídeos, blogs e objetos de aprendizagem são exemplos das diversas maneiras de usar as novas tecnologias para organizar os conteúdos de aprendizagem. Portanto, cabe aos profissionais envolvidos com a EAD buscarem efetivas maneiras de planejar e desenvolver adequadamente materiais pedagógicos dinâmicos, atrativos e contextualizados, que evitem a sobrecarga de informações e ajudem na prática da aprendizagem coletiva e significativa.
4. DESIGN E PRODUÇÃO DE MATERIAL DIDÁTICO NO CONTEXTO DA