DIGITAL EKSAMEN Innfasing vår 2015
VEDLEGG 2: [FORSLAG] EMNER MED DIGITAL EKSAMEN VÅREN 2015 JURIDISKE EMNER
Tendo abordado aqui toda a planificação das licenciaturas, existe uma lógica de colocação de um estágio curricular no final das licenciaturas, integrado ou não nos planos curriculares. Será esta uma opção correcta? Não nos cabe julgar tal organização, mas é importante referir que esta é muitas vezes uma ponte directa ao mercado de trabalho, ainda que dependa igualmente de um jogo de sorte. Já os nossos entrevistados referem que esta organização não está incorrecta nem tão pouco é ideal.
Vilas-Boas (Entrevista: 14 de Setembro de 2006) diz ser importante que as universidades sejam pragmáticas, ou seja, «para além de ensinarem a sistematizar o saber (…) deviam obrigar, no mínimo, a um ano ou dois de estágio obrigatório e coordenado pelas
universidades para que os alunos pudessem ter um contacto com a realidade», devendo os alunos dar provas de que o estágio foi conclusivo na aquisição de novos saberes, mais próximo e mais prático, confirma o jornalista da TSF. O contacto com a realidade das redacções deveria acontecer a partir do terceiro ano lectivo, falando mesmo em alunos que acorriam à redacção da TSF a meio da licenciatura para aceder a este conhecimento. É precisamente através do estágio que se observa, na redacção da TSF, se o aluno tem «capacidade de adaptação às próprias funções», «capacidade criativa» e «dinamismo», já que é por aqui que maioria dos profissionais daquela rádio entra. Também é no 3º ano que o ex-jornalista do
Diário Digital
entende que deve ser iniciado o estágio, prolongado pelo quarto ano e em simultâneo com as aulas dos alunos ao longo dos dois anos lectivos (Entrevista: 12 de Setembro de 2006).Nos entrevistados da imprensa escrita, Carvalho (Entrevista: 13 de Outubro de 2006) refere a ocorrência de um estágio profissional no final das licenciaturas em Jornalismo e Comunicação, confessando que a maior parte dos jornalistas recrutados nos últimos anos chegaram por via do estágio, que ajuda a ver onde há um jornalista ou não. Marcelino (Entrevista: 9 de Outubro de 2006) menciona que os estágios, devidamente acompanhados, são essenciais, mas que este acompanhamento, tanto por parte da redacções como da academia, não correspondem ao necessário. Um estágio de três meses no final do curso parece ser o ideal para o jornalista, mas o estagiário deveria chegar ao estágio com um «tutor» que pudesse dar à empresa as informações necessárias sobre ele. Esta falha permite uma observação da parte do jornalista que acha que os estagiários são «deitados às feras tanto pelo lado académico, como pelo lado profissional». A duração permite à empresa reconhecer os bons e maus aspirantes a jornalistas, como já havia também referido Carvalho.
Os estágios, «ainda são coisas muito feitas às três pancadas» pela falta de atenção recebida pelos alunos da parte das entidades que os recebem, em estágios «pedinchados». Nesse sentido, a defesa de um estágio numa fase inicial da licenciatura será porventura mais difícil, mas encarado como «útil» e permitindo ao aluno um saber mais enriquecido e que daria outro “sabor” ao resto do curso. Para tal era necessário contribuir com algum tipo de incentivo junto dos órgãos que recebem estes estagiários. Não obstante esta opinião de Carlos Daniel, Vieira (Entrevista: 17 de Outubro de 2006) concorda na utilidade do estágio, referindo que devia começar já nas faculdades e mais profissionalizado nesse sentido académico. O jornalista
encara-os como «uma espécie de bónus» que é dado ao estudante e que serve para cativar alunos. No entanto, os estagiários chegam mal preparados e saem a saber o mesmo, não conseguindo sobressair de entre os demais, e as empresas não têm capacidade para «estar a substituir-se às faculdades». Apenas os alunos que possuem já um conhecimento do mundo e o conseguem discutir e analisar são os que, normalmente, ficam nas redacções após o estágio, pois conseguem depois apreender a técnica jornalística. É nesse sentido que o jornalista exige uma maior componente prática nas licenciaturas de Jornalismo e Comunicação a acrescentar ao muito conhecimento teórico, que é importante, mas não chega.
No ambiente de redacção, Vieira (Entrevista: 17 de Outubro de 2006) afirma que um estudante que não se consiga destacar, cuja preparação na faculdade não lhe permita sobressair, é deixado no esquecimento e o estágio «morre». «Só os muito bons é que ficam», afirma, acusando as faculdades de discutir teoria e não o mundo, que é a base do jornalismo, deixando uma falha na cultura geral dos alunos. Nesse sentido, o jornalista da SIC diz que os estagiários surpreendem na adaptação às novas tecnologias, mas que isso não é nada sem o tripé do conhecimento, construído pelo jornalista e composto pelo conhecimento «académico puro e duro», «o tentar ajustar o conhecimento académico geral, ou mais teórico (…) nas várias áreas», e «a parte técnica jornalística em função de cada meio». Também Carlos Daniel (Entrevista: 6 de Novembro de 2006) concorda com Vieira quando nota, nos estágios, quem quer mesmo ser jornalista e se aplicou nesse sentido durante a licenciatura, pois a vontade, a paixão, «depende muito mais do aluno do que do professor».
Sabendo que este estágio é importante, a nossa análise não permite chegar à verificação empírica da opinião dos entrevistados quanto à sua crítica acerca da preparação dos alunos, elementos que muitas vezes serão mais pessoais do que profissionais. Apenas a licenciatura de Mirandela não prevê um estágio, sendo que todas as outras, com carácter ou não de obrigatoriedade123, permitem aos alunos o acesso à prática do jornalismo em redacções, através
de vários protocolos com órgãos da Comunicação Social regional e nacional (Tabela VIII).
123 A licenciatura em Ciências da Comunicação na UTAD apresenta uma diferença de informação, não se confirmando se o estágio é ou não curricular. Dada a fundação recente da licenciatura em Comunicação Social e Cultura, o estágio está previsto no 4º ano, mas ainda não foi realizado nenhum. Na Universidade do Porto não se fazia prever a existência de um estágio curricular ou de um trabalho de fim de curso, pois ambas as perguntas não foram respondidas. Uma consulta ao site oficial da licenciatura (http http://sigarra.up.pt/flup/disciplinas_geral.FormView?P_CAD_CODIGO=FLUP0707&P_ANO_LECTIVO=2005/2006&P_PERIODO=2S, retirado em 2007, Junho 12) permitiu uma resposta afirmativa a ambos os casos.
Tabela VII – Estágios e trabalhos de fim de curso
Curso Curso Curso
Curso –––– Instituição Instituição Instituição Instituição a)a)a)a) b)b)b)b) c) c)c)c) d)d) d)d) e)e) e)e) Comunicação Social
Comunicação Social Comunicação Social
Comunicação Social –––– ESTA ESTA ESTA ESTA 3 Meses124 N 3º, 4º, 5º I/A T
Educação e Comunicação Multimédia Educação e Comunicação Multimédia Educação e Comunicação Multimédia
Educação e Comunicação Multimédia –––– ESEB ESEB ESEB ESEB 28 Horas/semana S 3º - - Comunicação Social
Comunicação Social Comunicação Social
Comunicação Social –––– ESES ESES ESES ESES 60 Horas (2º ano)125
120 Horas (3º ano) 360 Horas (5º ano) S 2º, 3º, 5º - Não se aplica Jornalismo e Comunicação Jornalismo e Comunicação Jornalismo e Comunicação
Jornalismo e Comunicação –––– ESEP ESEP ESEP ESEP 360 Horas (3º Ano) 480 Horas (4º Ano)
S 3º, 4º I/A T126
Jornalismo Jornalismo Jornalismo
Jornalismo –––– ESCS ESCS ESCS ESCS - N - I T127
Comunicação Social Comunicação Social Comunicação Social
Comunicação Social –––– ESEV ESEV ESEV ESEV 3 Meses S 3º I T Tecnologias da Comunicação
Tecnologias da Comunicação Tecnologias da Comunicação
Tecnologias da Comunicação –––– ESTGM ESTGM ESTGM ESTGM - - - - T Comunicação Social
Comunicação Social Comunicação Social
Comunicação Social –––– UM UM UM UM 3 Meses S 5º I RE Ciências da Comunicação
Ciências da Comunicação Ciências da Comunicação
Ciências da Comunicação –––– UTAD UTAD UTAD UTAD 140 Horas S 4º I/A RE Ciências da Comunicação
Ciências da Comunicação Ciências da Comunicação
Ciências da Comunicação –––– UBI UBI UBI UBI 3 Meses N 4º I RE Comunicação Social e Cultura
Comunicação Social e Cultura Comunicação Social e Cultura
Comunicação Social e Cultura –––– UA UA UA UA 110 Horas /Sem.128 S 4º I 129
Jornalismo e Ciências da Comunicação Jornalismo e Ciências da Comunicação Jornalismo e Ciências da Comunicação
Jornalismo e Ciências da Comunicação –––– FLUP FLUP FLUP FLUP 3 Meses S 4º I T/RE Jornalismo
Jornalismo Jornalismo
Jornalismo –––– FLUC FLUC FLUC FLUC 3 Meses S 4º I T/RE Ciências da Comunicação
Ciências da Comunicação Ciências da Comunicação
Ciências da Comunicação –––– UNL UNL UNL UNL 3 Meses N 4º I/A RE
a) Estágio (duração)
b) Curricular: Sim (S); Não (N) c) Ano de estágio
d) A cargo da Instituição (I) ou do Aluno (A)
e) Trabalho de Fim de Curso/Monografia (T); Relatório de Estágio (RE)
Nota-se uma diferença a distinguir as licenciaturas de politécnico e de universidade, sendo que os primeiros exigem a elaboração de um trabalho de fim de curso e os segundos o relatório de estágio, isolado ou em conjunto com esse mesmo trabalho. Em ambos os casos, existem algumas referências à defesa pública desses trabalhos, em Comunicação Social da ESTA, da UM, e de Jornalismo da Universidade de Coimbra130.
124 De acordo com a directora do curso, excepcionalmente, nos 3º e 4º anos, podem durar 1 ou 2 meses.
125 Site oficial da ESES: http://www.ese.ips.pt/ese/cursos/planocurso.asp?codigocurso=9&nomecurso=Comunicação%20Social, retirado em 2007, Janeiro 12.
126 «Existe um Seminário no 3º Ano e um Projecto no 4º Ano.» (Inquérito)
127 «Três hipóteses de trabalho: dissertação na área do estudos dos media e jornalismo, desenvolvimento de uma grande reportagem jornalística, realização de uma investigação histórica.» (Inquérito)
128 Site Oficial da Universidade dos Açores: http://www.netpa.uac.pt, retirado em 2007, Janeiro 12. 129 A resposta a esta questão diz prever um trabalho de fim de curso, mas não menciona a sua tipologia.
130 «O Relatório de Estágio será debatido e avaliado, em prova pública, por um júri, a designar pelo Instituto de Estudos Jornalísticos, sob proposta da Comissão de Estágios.» In http://www.uc.pt/iej/estagios/estagios.htm, retirado em 2006, Maio 18.
Existem, portanto, ofertas para todas as opiniões dos jornalistas entrevistados. Apelando à vivência da autora e às experiências de outros alunos, muitas vezes estes estagiários são olhados como substitutos dos jornalistas em férias, sendo-lhes atribuídas tarefas comuns. Se a esta observação pudermos adicionar um apoio superior dentro da redacção e da instituição de ensino, não parece tão má experiência, mas tal não acontece com frequência. Isto levar-nos-ia para campos alheios de opinião estudantil. Podemos recolher uma ínfima parcela no que foi afirmado nas I Jornadas da Licenciatura de Jornalismo e Ciências da Comunicação da Universidade do Porto (ocorridas em Maio de 2005), confirmando a orientação «fictícia» nos estágios, reconhecendo a insuficiência da bagagem delegada pela licenciatura e que terá que ser completada ao longo da profissão. É também referida a política de algumas empresas face a outras onde a diferença reside na efectiva realização de material noticioso, não permitida pela RTP ou pela SIC, como foi referido por uma aluna da FLUP131.
Estes estágios não podem, no entanto, ser organizados sem a assinatura de protocolos com várias entidades. Estes protocolos (Tabela VIII) são estabelecidos todos os anos com várias instituições, não só da Comunicação Social, mas de modo a cobrir as restantes áreas opcionais (Relações Públicas, Marketing, Assessoria), quando assim acontece. Estes protocolos variam de ano para ano, podendo repetir-se ou falhar de um ano lectivo para o outro. Portanto, serão contabilizados todos os protocolos referidos nos inquéritos e na informação adicional enviada e recolhida on-line. Para chegarmos às conclusões foi necessário criar várias categorias, de modo a verificar que tipo de órgãos e instituições existem em maior número nos protocolos132.
131 Comissão executiva da jLJCC’05. Universidade do Porto | 24 de Maio de 2005. 1ª Jornadas da Licenciatura em Jornalismo e Ciências da Comunicação. Jornadas de Avaliação e Reflexão sobre a LJCC. Documento de Síntese da jLJCC’05.
132 Na licenciatura de Educação e Comunicação Multimédia ainda não foram estabelecidos protocolos, pois, dada a fundação recente da mesma, ainda não existem alunos em estágio. Por sua vez, a ESTGM não deu qualquer resposta quanto aos seus protocolos relativos à licenciatura de Tecnologias da Comunicação. Na UBI, a licenciatura de Ciências da Comunicação faz alusão a algumas entidades, deixando a entender a existência de mais algumas, sem fazer referência que tipo de instituições é, mencionando ainda a existência de instituições que acolhem alunos do ramo de Relações Públicas. A licenciatura em Jornalismo e Ciências da Comunicação refere algumas das mais importantes empresas com as quais mantém protocolos, dando a entender a existência de mais empresas.
Tabela VIII – Protocolos a nível de estágios e outros assuntos
Instituição InstituiçãoInstituição
Instituição TVTVTVTV RádioRádioRádio JornalRádio JornalJornalJornal ReviReviReviRevistasta Agêncstasta AgêncAgênciaAgênciaia Onia On----lineOnOnlinelineline Impr. Impr. Impr. Impr. R R R Regegeg.... eg Grupo Grupo Grupo Grupo Mediático Mediático Mediático Mediático Ins. Ins. Ins. Ins. Púb. Púb.Púb. Púb. Ins. Ins. Ins. Ins. Estr. Estr. Estr. Estr. Out Out Out Outrararara ESTA ESTAESTA ESTA 1 2 7 3 1 1 12 - 11 4 9 ESEB ESEB ESEB ESEB - - - - ESES ESES ESES ESES 2 - 3 1 - 1 9 4 18 - 27 ESEP ESEP ESEP ESEP 5 6 9 1 1 1 59 - 43 - 14 ESCS ESCS ESCS ESCS 2 2 1 1 - - - - ESEV ESEV ESEV ESEV 133 * * - - * - - * - * ESTGM ESTGM ESTGM ESTGM - - - - UM UM UM UM 3 1 5 3 1 - 5 1 19 13 32 UTAD UTADUTAD UTAD 134 - - - - - - - - - - UBI UBI UBI UBI 3 - 2 - - - 3 - - - 1 UA UA UA UA 135 - - - - - - - - - - FLUP FLUPFLUP FLUP 3 1 2 - - - 5 - 3 FLUC FLUCFLUC FLUC 3 3 6 - 1 1 5 - - - - UNL UNLUNL UNL 2 1 2 - 1 - - - 2 - - T TT
Totalotalotalotal 24 16 37 9 5 4 93 5 98 17 86
Deve destacar-se, pela constante referência do CENJOR pelos entrevistados e durante a primeira fase deste estudo, que a licenciatura de Comunicação Social da ESTA tem um protocolo com esta instituição de formação profissional, «que faz, em Abrantes, cursos específicos para os alunos desta instituição», e que na opinião de Vieira (Entrevista: 17 de Outubro de 2006) pode resultar num complemento à falta de prática das licenciaturas, assim como o director do CENJOR, Fernando Cascais (s.d.: 88), que também considera este tipo de ensino como um complemento de formação e não como uma formação isolada.
No geral, os protocolos mais referidos são as Instituições Públicas, onde se incluem as Câmaras Municipais que acolhem alunos de outras áreas, como a Assessoria. Na Comunicação
133 Segundo o inquérito da ESEV, os protocolos são estabelecidos com «empresas ligadas à Comunicação Social (jornais, rádios, televisão), instituições públicas e privadas (câmaras municipais, empresas, etc.) ligadas às áreas do Marketing, Relações Públicas e Publicidade.» 134 «Em fase de estabelecimento de protocolos», segundo o inquérito.
Social e Jornalismo, a Imprensa Regional, que abrange vários tipos de imprensa (televisão, rádio, jornal e on-line) é quem mais acolhe os estagiários. Mas se juntarmos toda a imprensa nacional, esta última categoria é ligeiramente ultrapassada. Desta, destacam-se os jornais e as televisões nacionais.
Com a existência de um elevado número de licenciaturas, nem todas as instituições parecem conseguir angariar estágios nas empresas mais apetecíveis, a ver pelo elevado número da imprensa regional nos protocolos, sem menosprezar a validade e qualidade desta imprensa a nível formativo.