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Kapittel 4 Kjønnslemlestelse

4.9 Forskningsstatus – kjønnslemlestelse

Esta categoria teve a intenção de descobrir quais os motivos que levam as mulheres a procurar a Unidade de Saúde da Família para se submeter ao exame de Papanicolaou.

Quando questionadas sobre o motivo de estarem presentes na Unidade de Saúde para realizarem o exame preventivo, verificamos que a busca por assistência é influenciada por diversos motivos como rotina, gestação, medo da doença, fatores como desconfiança do marido e hereditariedade, sendo o principal motivo as queixas ginecológicas. Certifica-se tal afirmação nos depoimentos a seguir:

“É a questão tipo, todo ano eu faço e esse ano mais ainda por que estou grávida, ai achei bem importante fazer” (Paciente A, 21 anos).

“É Por que eu senti um sangramento, após, 15 dias depois da menstruação, ai eu fiquei preocupada, por que não é normal e tinha corrimento depois, não foi freqüente, mais apareceu. Então eu me preocupei em fazer este exame [...] eu senti coceira” (Paciente B, 49 anos).

“Por que é bom pra se prevenir de alguma coisa, pra não acontecer alguma coisa com você, pra se cuidar, você não sabe o que ta acontecendo [...] o que ta acontecendo no mundo, marido” (Paciente D, 21 anos).

“Por que eu não estou bem de saúde, sinto muita dor no meu útero quando eu vou ter relação com meu marido, nem to podendo fazer mais de tanta dor [...]” (Paciente G, 36 anos).

“[...] pra saber se não ta com alguma infecção” (Paciente H, 44 anos)

“[...] por que apareceu algo diferente sabe, então eu queria saber o que fazer, o que eu posso fazer, que exame procurar [...]não é bem um sintoma, apareceu umas coisinhas lá na vagina que eu nunca tive e ta machucando [...]” (Paciente S, 27 anos).

Nota-se que apesar das mulheres pesquisadas reconhecerem a importância da realização do exame, como foi demonstrado na categoria acima, muitas buscaram assistência quando perceberam que algo estava errado com seu corpo, sendo as principais queixas o aparecimento de sinais e sintomas sugestivos de afecções ginecológicas, usando o exame como forma curativa para essas patologias pré-existentes. Os dados obtidos corroboram com um estudo realizado com mulheres do Nordeste do Brasil sobre conhecimentos, atitudes e

práticas sobre o exame de Papanicolaou, onde segundo os autores do estudo foi constatado que algumas delas possuem certas limitações em relação à realização do exame preventivo, sendo possível que não saibam fazer a distinção apropriada entre o exame ginecológico e o procedimento de coleta de material para o Papanicolaou, podendo o exame não ter sido realizado com finalidade preventiva, mas por motivo de queixas ginecológicas em consulta realizada com finalidade curativa (FERNANDES et al, 2009).

Outro motivo que também leva a mulher a se submeter a este exame está relacionado às consultas obstétricas, como demonstrou a fala da Paciente A. Foi o que mostrou também uma pesquisa do conhecimento quanto à atitude e prática sobre o exame preventivo em mulheres com diagnóstico de neoplasia intra-epitelial cervical (NIC), realizado no município de São Paulo, onde a maioria das mulheres pesquisadas (cerca de 80%) fez o exame quando procuravam o médico porque estavam grávidas, à procura de métodos anticoncepcionais, ou por qualquer outra queixa ginecológica (BRENNA, 2001 apud LOPES, 2006, p.77).

Segundo Zeferino & Galvão (1999 apud CRUZ & LOUREIRO, 2008, p. 128) “a maior concentração de exames em mulheres jovens sugere que o controle do câncer do colo do útero está vinculado às consultas ginecológicas e obstétricas e, consequentemente, ocorre de forma oportunística.”

Quando analisamos a fala da Paciente D, percebemos que a incerteza quanto à fidelidade do marido fez com que ela buscasse assistência como forma de saber como anda a saúde do seu corpo e evitar que algo pudesse vir a prejudicar sua saúde. Segundo Rodrigues et

al (2001 apud DUAVY et al, 2007, p.735) “a mulher também é motivada à realização do exame pela presença de supostos fatores de risco, tais como hereditariedade e relações extraconjugais, este último fator implícito na falta de confiança que as mulheres têm em relação ao seu companheiro.” O suposto fator de risco hereditariedade citado pelo autor anteriormente, também foi evidenciado em nosso estudo, como demonstra o seguinte depoimento:

“[...] como eu já te falei, questão de família [...] genética que fala? [...] então todo ano eu faço” (Paciente J, 28 anos).

O medo de adoecer e casos de câncer na família também se revelam um fator influenciador na busca pelo exame. Uma das entrevistadas disse comparecer a Unidade de Saúde da Família semestralmente para se submeter ao exame de Papanicolaou, demonstrando

cuidado e preocupação em relação à saúde de forma exagerada. Isso é evidenciado nas seguintes falas:

“Por que essa doença, o mundo inteiro ta com essa doença, esse câncer. Você cuida de uma coisa de 6 em 6 meses e derrepente ta com outro problema que é o câncer, sempre batendo nessa mesma tecla que é o câncer, que ta matando demais. E eu de 6 em 6 meses eu faço, por que eu já perdi minha mãe com essa doença [...]” (Paciente. F, 33 anos).

“A o motivo são vários, igual eu falei pra você, eu perdi meu pai, perdi minha mãe, tem prima, perdi primo, por problema de câncer, então a gente já vem prevenindo há mais tempo já” (Paciente I, 50 anos).

Percebemos através dos relatos que a busca por assistência é influenciada por receio ao câncer devido ao fato de este já ter vitimado seus familiares, identificando-o como algo ameaçador.

Compreende-se que medo sobre o câncer exista, ainda mais quando se perde algum familiar ou conhecido por essa doença. Para Myra & Lopez (1996 apud DUAVY et al, 2007, p. 739) o sentimento medo é desencadeado a partir de uma situação concreta, presente e maléfica, agindo como sinal condicionante e antecipador de sofrimento caso tome proporções mais altas.

Em uma pesquisa realizada com mulheres sobre representações sociais sobre o exame preventivo constatou-se que o medo de serem acometidas pelo câncer do colo uterino faz com que a busca pela realização do exame seja não apenas pelo fato de estarem conscientes da sua importância, mas sim pelo medo de adquirirem o câncer, sendo esta realidade devido a muitas já terem passado por problemas graves no colo do útero, ou por conhecerem pessoas mais próximas que adoeceram por câncer. Para os autores essa vivência contribuiu na formação de suas representações sociais e define sua maneira de pensar e de agir em relação ao exame preventivo (SILVA et al, 2010). A partir disto, pode-se dizer que o medo da doença pode fazer com que a mulher procure atendimento para realizar o exame, como pode fazer com que ela crie relutância e não busque assistência.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O câncer do colo do útero é uma doença que possui elevado potencial de prevenção e cura (BRASIL, 2002). O diagnóstico precoce das lesões precursoras ao câncer através da realização periódica do exame preventivo reduz significativamente as taxas de morbidade e mortalidade por essa patologia.

Quando falamos em prevenção do câncer do colo do útero, não podemos deixar de citar o exame de Papanicolaou como principal medida preventivas contra esse câncer. No entanto, o exame Papanicolaou sozinho não é suficiente para que haja redução significativa na incidência de casos por essa patologia, é preciso conscientizar as mulheres sobre a importância da realização e adesão a este exame como medida preventiva em suas vidas e também a adoção de ações preventivas relacionadas aos fatores de risco envolvidos ao desenvolvimento do câncer do colo do útero.

Através deste estudo foi possível conhecer a visão que as mulheres têm sobre o exame preventivo, mostrando que elas possuem visão curativa e não preventiva acerca do exame. Aponta-se a importância de intervenções através de ações educativas fortemente direcionadas a prevenção. Os profissionais da saúde têm um importante papel na mudança do olhar que essas mulheres apresentam quanto à prática desse exame, mostrando a elas que o exame não deve ser buscado somente mediante o aparecimento de sinais e sintomas de que algo está errado com seu corpo, mas também quando assintomáticas, visto que o câncer é uma doença de evolução lenta e que quase não apresenta sintomas em seus estágios iniciais, com o objetivo de fazer com que este exame passe a ser visto por essas mulheres como forma preventiva e não curativa como foi demonstrado no estudo.

Acredita-se que o estudo mostrou-se importante para a área da saúde, em especial para o enfermeiro, que é quem realiza a coleta do exame preventivo e ações de educação em saúde nas USF, pois permite compreender a visão das mulheres sobre o exame, possibilitando ao profissional elaborar estratégias direcionadas a promover maior esclarecimento sobre o exame e medidas de prevenção contra o câncer do colo do útero. O profissional da saúde deve reconhecer as necessidades de cada mulher e se adequar a realidade da mesma, utilizando uma linguagem que permita transmitir a informação de forma compreensível, visto que a desinformação segundo alguns autores citados anteriormente pode fazer com que as mulheres criem certa despreocupação e consequente desinteresse pela prevenção.

Pretende-se também contribuir na área acadêmica, com o intuito de despertar nos futuros profissionais o interesse para a importância de ampliar as ações educativas relativas ao câncer de colo do útero objetivando promoção e manutenção da saúde e melhor qualidade de vida.

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ROTEIRO DE ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADA

1- Identificação das entrevistadas:

Nome:________________________________________________________ Idade:________ anos.

Escolaridade:

( ) Não lê e não escreve. ( ) Ensino Médio.

( ) Ensino Fundamental incompleto. ( ) Ensino Superior incompleto. ( ) Ensino Fundamental. ( ) Ensino Superior.

( ) Ensino Médio incompleto.

Estado civil:

( ) Casada. ( ) Viúva.

( ) Solteira. ( ) Vive com companheiro.

Renda-familiar:

( ) 1 Salário Mínimo. ( ) 4 Salários Mínimos.

( ) 2 Salários Mínimos. ( ) Mais que 4 Salários Mínimos. ( ) 3 Salários Mínimos.

Profissão:___________________________________________________________________ 2- Questões sobre o Exame de Papanicolaou

2.1. Você já realizou o exame preventivo alguma vez? ( ) Sim.

( ) Não é a primeira vez.

2.2. Qual a periodicidade que você realiza o exame de preventivo? ( ) de 6 em 6 meses. ( ) de 4 em 4 anos. ( ) 1 vez por ano. ( ) de 5 em 5 anos.

( ) de 2 em 2 anos. ( ) período maior que 5 anos. ( ) de 3 em 3 anos.

2.3. Você sabe para que serve o exame preventivo?

___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________

2.4. Por que você acha importante realizar o exame preventivo?

___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________

2.5. Qual o motivo que fez com que você procurasse a Unidade de Saúde da Família para realizar o exame de preventivo?

___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________