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Kapittel 4 Kjønnslemlestelse

4.8 Evalueringer av politikken omkring kjønnslemlestelse

Esta categoria buscou avaliar o conhecimento das mulheres sobre o exame preventivo. Quando questionadas sobre saber para que serve o exame preventivo, a maioria das

entrevistadas mostrou ter conhecimento sobre a finalidade do mesmo, apontando-o como forma de se prevenir do câncer do colo do útero, como descrevem os seguintes relatos:

“Para prevenir o câncer do colo do útero” (Paciente A, 21 anos).

“[...] o exame preventivo é bom pra prevenir a doença no colo do útero, que é o câncer [...]” (Paciente L, 30 anos).

“O exame preventivo é o exame do colo do útero, ele serve para identificar se a gente tem câncer no colo do útero, alguma coisa no útero. Então ele é para prevenir o câncer” (Paciente T, 39 anos).

Os dados revelaram que embora a maioria das mulheres entrevistadas possua conhecimento satisfatório sobre a finalidade do exame preventivo, algumas delas demonstram um conhecimento distorcido, não sabendo dizer de forma correta para que serve este exame, mostrando que algumas mulheres vêem o exame preventivo como método de diagnóstico de DST/HIV. Isso pode ser notado nas falas abaixo:

“Para que a gente possa se prevenir de doenças, doenças como HIV, câncer e outras” (Paciente E, 16 anos).

“É o câncer do colo do útero, é sífilis, eu creio que seja isso [...]” (Paciente J, 28 anos).

“[...] tem algumas doenças que eu sei que é a AIDS, se você tem algum problema, as doenças, as de palestras, eu não lembro os nomes não” (Paciente Q, 16 anos).

Analisando as falas acima nota-se que o conhecimento de algumas ainda se mostra de forma deficiente, pois elas possuem dúvidas e desconhecimento quanto à real finalidade do exame. A desinformação pode estar relacionada à baixa escolaridade e ou à linguagem que o profissional da saúde esta utilizando para se comunicar pode não estar sendo compreendida pelas mulheres. Isso pode ser evidenciado na fala da Paciente Q, que refere o exame preventivo como forma de diagnosticar a AIDS e as doenças abordadas em palestras educativas, prática esta muito utilizada pelos profissionais da área da saúde como forma de levar informações sobre saúde aos alunos nas escolas e também na USF. Com base nisso supõem-se que a metodologia ou linguagem utilizada para a transmissão das informações a esta paciente não conseguiu passar a mensagem de uma forma compreensível.

No estudo em questão, percebeu-se que as mulheres com mais idade foram as que apresentaram maior conhecimento em relação à real finalidade do exame preventivo.

Em um estudo realizado com estudantes do ensino médio do período noturno de escolas públicas, relacionado ao conhecimento sobre o exame de Papanicolaou, foi constatado que as alunas mais jovens, entre 18 e 25 anos, possuíam maior conhecimento a respeito do exame, sendo segundo os autores uma informação satisfatória, tendo em vista que se trata da faixa etária cujo foco prioritário é a prevenção, possível nesta fase da vida (VALENTE et al, 2009).

Acredita-se que o fato de as mulheres com mais idade já virem realizando o exame há mais tempo em relação às mulheres mais jovens e também devido à maioria delas já terem filhos e família leva elas possuírem maior vínculo com a USF e consequentemente terem mais oportunidade de receberem informações sobre o exame preventivo e outras doenças relacionadas à saúde da mulher. Deve-se atentar quanto a essas mulheres mais jovens que apresentaram conhecimento deturpado sobre finalidade do exame, pois é preciso conscientizar e informar esse público com o objetivo de reduzir agravos futuros.

Vale ressaltar também que a mídia possui forte influência no conhecimento sobre o câncer de colo do útero e na prática de prevenção, visto que a televisão é um dos principais meios de comunicação utilizada no em todo o Mundo, e que atualmente a maioria das famílias brasileiras tem acesso a este meio comunicativo, porém em relação às campanhas preventivas a mídia não aborda com tanta frequência sobre o câncer do colo do útero, sendo o câncer de mama mais divulgado por esse veículo de comunicação.

Em um estudo comparativo realizado com mulheres brasileiras e japonesas verificou- se que o conhecimento quanto à finalidade do exame de Papanicolaou influencia as mulheres a se submeterem ao mesmo, acarretando uma demanda maior de procura pelo exame de forma mais consciente, enquanto que a desinformação sobre a doença e o exame pode gerar despreocupação e consequente desinteresse pela prevenção, não somente do câncer do colo do útero, como também de outras afecções ginecológicas, tornando-se um obstáculo na procura dos cuidados preventivos pela mulher (CHUBACI et al, 2005 apud VALENTE et al, 2009, p.1198).

A falta de conhecimento adequado sobre o exame de preventivo é tida como uma barreira de grande importância para os serviços de saúde, pois limita o acesso ao rastreamento do câncer do colo do útero, principalmente naquelas que apresentam maior risco. Verificar o conhecimento e atitude das mulheres frente ao exame é essencial, pois constituem fator imprescindível para avaliar as estratégias que são adotadas para a prevenção deste câncer (AMORIM et al, 2006 apud OLIVEIRA & ALMEIDA, 2009, p.522).

Outro aspecto a ser abordado está relacionado ao câncer do colo do útero e a infecção pelo HPV (Papiloma Vírus Humano). A maioria das mulheres entrevistadas referiu-se ao exame apenas como método de prevenção e detecção precoce do câncer do colo do útero, somente uma entrevistada citou a relação do HPV com câncer do colo uterino, sendo que este vírus é tido como o principal fator de risco para o desenvolvimento dessa doença. Como pode ser visto na seguinte fala:

“O preventivo é para fazer para ver se a mulher tem algum problema do útero, pra prevenir do câncer do colo uterino [...] HPV que é transmitido pelo homem, ai então a mulher tem que fazer esse preventivo para ficar ciente do que ela ta tendo no útero realmente” (Paciente K, 28 anos).

Segundo a literatura os principais fatores predisponentes relacionados ao desenvolvimento da doença incluem multiplicidade de parceiros, início precoce da atividade sexual, condições de imunossupressão, multiparidade, infecção pelo vírus HPV, sendo a infecção por este vírus considerada como o principal fator de risco para o surgimento deste câncer (PORTO, 2008). A presença de alguns tipos de HPV é encontrada em cerca de 95% dos casos desse câncer (BRASIL, 2006).

Para Thum et al (2008), é indispensável que as mulheres tenham conhecimento sobre a relação da infecção pelo HPV e o câncer cérvico uterino, visto que este vírus é considerado grave fator de risco para o desenvolvimento desta patologia. Deve-se orientar à população sobre a importância de adotar estratégias de prevenção primária em relação ao câncer do colo uterino, como o uso de preservativos masculinos. A prevenção primária e secundária do câncer do colo do útero aumentou nas últimas décadas à medida que aumentou o conhecimento sobre os fatores de risco que envolve a doença. Sendo assim, a informação sobre os fatores de risco é muito importante e a participação do enfermeiro se torna essencial, já que ele deve agir como agente esclarecedor desses fatores predisponentes aos usuários dos serviços de saúde.