3.4 Borel
4.1.2 Forskningsmetode
níveis de glucose no sangue, aumentam a sensibilidade à insulina, aumentam a absorção de cálcio, inibe a aldose redutase e têm a capacidade de regenerar os ilhéus pancreáticos (Bravetti et al., 1989; Cignarella et al., 1996; Knekt et al., 2002; Martineau et al., 2006; Tsuda et al., 2006; Sriram et al., 2011; Stull et al., 2010; Vuong et al., 2009; Wan et al., 2012; Zafra-Stone et al., 2007).
A atividade antimicrobiana deve-se principalmente aos taninos condensados, proantocianidinas, e antocianinas. Estes têm-se revelado eficazes no tratamento de infeções do trato urinário, ao inibirem a aderência das bactérias por elas responsáveis (Anthony et al., 2007; Cushnie et al., 2005; Lacombe et al., 2012; Kylli et al., 2011; Puupponen-Pimia et al., 2001). In vitro, o extrato de mirtilo inibiu o crescimento da bactéria Helicobacter pylori, conhecida como um fator de risco associado ao surgimento de algumas doenças gastrointestinais, incluindo úlceras e cancro no estômago (Chatterjee et al., 2004).
Estudos realizados com voluntários humanos mostraram que o consumo de mirtilos leva a um aumento da capacidade antioxidante do plasma (Pedersen et al., 2000; Ruel et al., 2005). Smith et al. (2000), utilizando a tirosina como modelo da oxidação de proteínas, ou o ácido linoleico como modelo da oxidação de lípidos, verificou-se que os extratos de mirtilo apresentam a capacidade de inibir a oxidação destas moléculas na presença de ROS.
Quanto à ação anticancerígena, o seu mecanismo não está ainda totalmente esclarecido, pensando-se que a sua capacidade de inibição de tumores resulte de uma sinergia entre os vários compostos presentes no fruto, incluindo flavonóis, principalmente a quercetina, mas também proantocianidinas, antocianinas, resveratrol, ácido ursólico, entre outros. Alguns estudos realizados
in vitro sugerem que o mecanismo de ação inclua, entre outros, a indução de apoptose em células
neoplásicas, redução da formação de metástases pela inibição de metaloproteínas, inibição da atividade da enzima ornitina descarboxilase (responsável pela síntese de poliaminas que favorecem a proliferação celular), inibição de angiogénese (formação/crescimento de novos vasos sanguíneos que vão induzir o crescimento dos tumores), inibição de processos inflamatórios, e indução de enzimas, direta ou indiretamente, envolvidas na destoxificação de vários cancerígenos como, por exemplo, a γ-glutamilcisteina sintetase, envolvida na biossíntese da glutationa, ou a quinona redutase, que converte as quinonas em hidroquinonas, quebrando desta forma os ciclos redox, responsáveis pela formação de espécies reativas de oxigénio. Esta ação estende-se a diferentes zonas do corpo, nomeadamente ao estomago, cólon, mama, pulmão e sistema nervoso central (Boivin et al., 2007; Bomser et al., 1996; Cuendet et al., 2006; Del Bo et al., 2013; Duthie et al., 2007; Ferguson et a., 2004; Flis et al., 2012; Katsube et al., 2002; Kraft et al., 2005; Madhavi et al., 1998; Neto, 2007; Nichenametla et al., 2006; Ramos, 2007; Seeram et al., 2006; Stull et al., 2010; Wang et al. 2000a; Yi et al., 2005 e 2006; Zhang et al., 2005).
Os mirtilos são potentes inibidores da atividade inflamatória devido, entre outros mecanismos, à inibição das enzimas envolvidas na síntese de COX, LOX e MPO (Cao et al., 1997; Coutinho et al., 2009; Guardia et al., 2001; Kylli et al., 2011; Marchand et al., 2002; Martin et al., 2004; Miller et al., 1996; Proença da Cunha et al., 2007; Seeram et al., 2001; Sousa et al., 2007; Tapas et al., 2008). A ação anti-inflamatória dos compostos fenólicos presentes no mirtilo irá ser abordada em pormenor mais à frente nesta introdução.
A extrapolação dos resultados obtidos com os polifenóis em ensaio in vitro para a realidade in
vivo tem que ser efetuada com prudência, uma vez que a manutenção das propriedades verificadas in vitro depende de vários fatores, como, por exemplo, do facto dos compostos por elas
responsáveis resistirem ao processo de digestão gastrointestinal, de serem absorvidos e não serem alterados pelas enzimas de biotransformação (Rice-Evans et al., 1996; Ferguson, 2001).
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6. Inflamação
A inflamação define-se como uma resposta fisiopatológica imune e complexa, resultante da reação a uma lesão celular ou tecidual num determinado local. Resulta da resposta a um variado conjunto de agentes, nomeadamente, físicos (traumas, queimaduras por temperaturas excessivas, radiação, cirurgias), biológicos (microrganismos infeciosos e reações imunológicas), químicos (substâncias cáusticas), e isquemia (Mattson, 2003; Rang e Dale, 2003). O objetivo da inflamação é restaurar a homeostasia levando à resolução ou finalização do processo inflamatório. Porém, quando esta resposta não é modulada, ocorre exacerbação do processo inflamatório e poderá levar à perda de função (Gilroy et al., 2004). A inflamação pode apresentar-se de duas formas, inflamação aguda ou crónica.
Os mecanismos de inflamação envolvem cascatas complexas de eventos cujas respostas são iniciadas e reguladas por uma variedade de diferentes mediadores libertados por diversos tipos de células, aos quais estão atribuídas determinadas respostas inflamatórias (Calixto, 2000).
Tabela 6 – resposta inflamatória e os respetivos mediadores químicos (adaptado de Medzhitov, 2008)
Resposta inflamatória Mediadores químicos
• Inchaço • vermelhidão • calor (vasodilatação e aumento da permeabilidade capilar) • Histamina • Prostaglandinas • Leucotrienos • Bradicinina
• Fator de ativação plaquetar
• Danos tecidulares • Enzimas lisossomais
• Produtos libertados por neutrófilos, macrófagos e outras
células inflamatórias
• Quimiotaxia • Fragmentos do complemento
• Dor • Prostaglandinas
• Bradicinina
• Febre • Interleucina-1 e interleucina-6
• Leucócitos • Fator de necrose tumoral e interleucina-8
6.1. Inflamação aguda
A inflamação aguda resulta de uma resposta imediata a uma lesão. Não é específica e geralmente ocorre antes da resposta imunitária se estabelecer tendo assim como objetivo a remoção do agente infecioso, limitando a extensão dos danos (Mattson, 2003). Os primeiros sinais são a vermelhidão, inchaço, calor, dor e poderá evoluir para a perda de função no local se o agente não for eliminado (Yoon e Bark, 2005).
Neste tipo de resposta inflamatória desencadeiam-se um conjunto de eventos complexos que envolvem extravasamento de água, sais e proteínas a partir do compartimento vascular; ativação de células endoteliais; interações de adesão entre leucócitos e o endotélio vascular; recrutamento de leucócitos; ativação de macrófagos tecidulares; ativação e agregação das plaquetas; ativação dos sistemas do complemento, da coagulação e do sistema fibrinolítico; e libertação de proteases e agentes oxidantes a partir das células fagocíticas, que podem amplificar o quadro de lesão (Ward, 2010).
Os macrófagos existentes no local iniciam a fagocitose. O primeiro efeito é o alargamento de cada das células, posteriormente muitos desses macrófagos tornam-se móveis e formam a primeira linha de defesa contra infeções durante a primeira hora. A quantidade destes macrófagos não é elevada mas têm uma importância vital (Guyton e Hall, 2006). De seguida os neutrófilos deslocam- se do compartimento vascular e infiltram-se na área lesada. O tecido inflamado provoca uma série de alterações, nomeadamente alteram a superfície interior do endotélio capilar, permitindo a adesão dos neutrófilos às paredes capilares na área inflamada (marginação); provocam alterações nas