Após um biênio difícil, de 1940 a 1941, o crescimento industrial adquiriu novo ritmo, amparado por emissões e pela expansão de crédito do Banco do Brasil. Em 1943, os acordos bilaterais firmados com o governo norte-americano auxiliariam ainda mais na estabilização da economia, bem como na amortização da dívida.
Paralelamente a esse processo, outras iniciativas importantes foram sendo tomadas no sentido da intervenção do Estado na economia. O Conselho Federal de Comércio Exterior (CFCE), criado em 1934 como um aparato pioneiro de planejamento econômico, foi fortalecido no Estado Novo. A ele caberia decidir, em que áreas seriam aplicados os escassos recursos externos. Já com o objetivo de controlar as finanças estaduais e municipais, foi criado em 1937 o Conselho Técnico de Economia e Finanças. A mesma preocupação de cunho regulador foi estendida ao setor energético, com a criação do Conselho Nacional do Petróleo (CNP), em 1938, e do Conselho Nacional de Águas e Energia Elétrica (CNAEE), em 1939. A criação do CNP, encarregado da administração das jazidas descobertas na Bahia e do abastecimento de combustíveis e do CNAEE, encarregado de fixar tarifas e dar concessões para a produção de energia, foi acompanhada pela promulgação de uma extensa legislação nacionalista115.
O fato do mercado internacional não estar propício para as exportações brasileiras, só fortalecia o projeto varguista de desenvolvimento da indústria nacional, sobretudo a de base.
115 Informações do banco de dados do Centro de Pesquisa e Documentação em História Contemporânea do Brasil. Faculdade Getúlio Vargas. A Era Vargas. Cd-rom e acesso eletrônico em http://www.cpdoc.fgv.br/nav_historia/htm/ev_main.htm#top
Figura 62. Turbilhão de Paulo Afonso.
Fonte: Revista O Cruzeiro, 07 de novembro de 1929, p. 22-23. Figura 63. Um novo surto de prosperidade.
As estradas, usinas, linhas férreas e arranha-céus eram apresentados não apenas como um signo, mas como símbolo do desenvolvimento. A presença dessas imagens prescindia da presença ou do auxílio de discurso explicativo ou de contextualização. A imagem da usina em página dupla, por si só já comunicava a mensagem: “o desenvolvimento chegou”.
A matéria de 1929 da Cruzeiro, (figura 62) por Márcio D’Alva trazia, em página dupla, quatro fotografias de Paulo Afonso; três delas das quedas da cachoeira e uma, com uma longa escada em caracol, orientada pela legenda “Parte da escada que vae dar nas turbinas hydraulicas”. A matéria fazia, em linguagem poética e rebuscada, elogios à engenhosidade brasileira e à grandiosidade da obra. A hidrelétrica de Paulo Afonso foi notícia e motivo de otimismo nacional não somente no tocante à questão da produção de energia como também na perspectiva de desenvolvimento que o complexo hidrelétrico traria para a região (figura 63).
A Revista Manchete (figura 64) também iria compartilhar do fascínio por Paulo Afonso, ressaltando-lhe, a importância, mas dessa vez, não seria o gigantismo da hidroelétrica e nem a promessa de desenvolvimento para o Nordeste que atrairia a atenção da revista, mas a desigualdade produzida em seu entorno. Sob o título Miséria e riqueza de Paulo Afonso, a reportagem de Darwin Brandão.
Passados quatrocentos anos, o Brasil descobriu o São Francisco e sua força hidráulica. Então surgiu nas margens da cachoeira de Paulo Afonso a maior obra brasileira dos últimos tempos: a construção da usina hidroelétrica. Isto dito assim parece não ter a menor importância. Mas tem. E é fácil se explicar. O rio da unidade nacional, nos seus 3.161 quilômetros de curso, serve a cinco estados brasileiros – Pernambuco, Bahia, Alagoas, Sergipe e Minas. Construída a grandiosa usina na fronteira Bahia e Alagoas, as linhas aéreas levarão força elétrica para cinquenta (50) cidades do Nordeste, inclusive as capitais – movimentando a indústria, iluminando as habitações, proporcionando conforto ao homem. Quem conhece o Nordeste sabe o que significa isto. Porque o São Francisco é enorme, é fabuloso, suas águas são revoltas e nunca param. Mas, alguns quilômetros para o interior, a partir de suas margens tudo é seco, não há água nem vegetação. Disciplinado e aproveitado racionalmente, o grande rio realizará a redenção do Nordeste e do nordestino. (Revista Manchete, 07 de março de 1953, p. 40-41)
A matéria segue, mostrando que com a instalação da hidroelétrica, houve grande crescimento econômico na região, atraindo muitas pessoas. A vila, oficialmente contaria com três mil moradores, todavia, mais de quinze mil, estariam vivendo em Paulo Afonso, a maioria já não conseguia emprego, vivendo do que Brandão define como as “sobras” de Paulo Afonso. Na figura 65, é possível vermos, no canto direito, as imagens de um caminhão e vários homens em pé, como aponta o autor, nem todos conseguirão trabalho.
Figura 64. Miséria e riqueza de Paulo Afonso.
Fonte: Revista Manchete, 07 de março de 1953, p. 40-41. Figura 65. Miséria e riqueza de Paulo Afonso.2
O que acontecia na Bahia acontecia também em outras regiões em que os investimentos para a industrialização produzia um implemento na oferta de empregos e melhoria de infraestrutura.
Mesmo estando ainda longe de alcançar um cenário de igualdade social, a política econômica de Vargas promovia o incremento da industrialização. No caso da energia, era necessário que essa pudesse chegar a um número maior de pessoas em uma abrangência maior do território nacional. Saretta (2004) nos apresenta a posição do jornal paulistano O Estado de S. Paulo, diante das diretrizes da política econômica de Vargas. O autor destaca que no editorial de 03 de junho de 1952, intitulado A Industrialização do Brasil, o OESP afirmava que:
[...]reconhecia os esforços de Vargas para dotar o país das indústrias essenciais à consolidação do setor secundário, e lembrava que existia uma barreira das mais importantes para tal, que seria a inadequada oferta de energia elétrica. Segundo o editorial a oferta não crescia por conta do Código de Águas, “legislação ditatorial, referente ao aproveitamento das quedas d’água e pela legislação posterior concernente à importação de aparelhagem produtiva. (SARETTA, 2004, p. 12)
O editorial propunha ainda, segundo Saretta, que créditos especiais fossem concedidos à Light & Power Co e outras do ramo, na tentativa de superar a deficiência da oferta de energia elétrica, o que, na opinião do jornal, faria com que a industrialização ficasse a marcar passo, e jamais passasse de um sonho, uma aspiração.
Energia elétrica, petróleo, minérios, enfim, as riquezas naturais seriam o combustível necessário para o desenvolvimento da indústria de base nacional. Se para representar o Brasil desenvolvido a imprensa se valia das imagens das metrópoles – Rio e São Paulo – para a representação, de um Brasil com potencial para alcançar o desenvolvimento industrial, na área energética, encontraremos as imagens do potencial produtivo nordestino. As instalações, os funcionários e o lago negro de petróleo elementos da figura 67 que nos apresentam uma nova imagem para a Bahia.
Na Manchete, de fevereiro de 1953, vemos no destaque da foto, duas moças entre os inscritos num curso sobre refinação de petróleo. “A mulher brasileira na batalha do petróleo. Helena e Glória fazem um curso de refinação” (Revista Manchete, 07 de fevereiro de 1953, p. 7)
A complicada estrutura, da primeira página da figura 66, e seu emaranhado tubular, contrasta com a imagem das moças, que sorridentes, representam a renovação e a modernização no campo do trabalho.
Figura 66. A Bahia também dá gasolina.
Fonte: Revista Manchete, 07 de fevereiro de 1953, p. 06-07. Figura 67. Petróleo.
Uma nova geração de profissionais especializados, com formação técnica, preparados para realizar o que a imprensa e também o Estado, acreditavam ser uma nova etapa no desenvolvimento econômico nacional. O texto complementa a imagem, indicando o otimismo em relação a tudo o que a exploração do petróleo na Bahia poderia trazer para o estado e para o país. Frases como “é uma maravilha de gasolina!” Ou “Gasolina pura e boa, como a própria Bahia”, indicam a euforia em torno da refinaria de Mataripe:
Mataripe abastece os estados da Bahia e Sergipe em 80% do consumo de gasolina e outros combustíveis – economia anual de 10 milhões de dólares em divisas – a refinaria por dentro – cinco mil barris em meados do ano corrente – trabalho e entusiasmo dos operários e técnicos brasileiros, na terra do petróleo. [...] Não é grande a refinaria, não se pode dizer grandiosa a obra mas é enorme o entusiasmo. [...] (os técnicos da refinaria) dão-nos uma visão de conjunto da obra, mas também nos levam ás suas intimidades. /e cada frase explicativa está embebida de orgulho patriótico. Afinal, uma refinaria é uma refinaria, é um labirinto de tubulações, um complexo de máquinas, instrumentos, válvulas, Tôrres, bombas; mas, no caso de Mataripe, é tudo isso e mais alguma coisa. Alguma coisa que vale muito para nós, pois é a primeira refinaria que manipula petróleo brasileiro. E desse labirinto técnico é que sai, entre outros derivados, a gasolina baiana, mais um milagre da terra que já nos tem dado tantos outros privilégios. Um dos engenheiros abre um tubo de coleta e me ensopa as mãos de gasolina patrícia. Vale por um batismo. “É uma maravilha de gasolina!” exclama ele. “Veja também como é diferente das outras que você conhece. Porque é pura. Conheça a gasolina autêntica, que é a de sua terra.” Sim, é diferente, não tem aquela cor amarelada (ou coisa que o valha) nem aquêle cheiro penetrante da gasolina estrangeira. É quase branca e quase cristalina - e que nos livre o “quase” de qualquer erro de observação. Pois que foi bem curta e bem simples a sua peregrinação do fundo da terra para este novo destino. Não sofreu as injúrias de uma misturação comercial, nem os percalços do transporte e das baldeações. Gasolina pura e boa como a própria Bahia.116
Na verdade, desde o início de seu governo, Vargas fez questão de expressar seu interesse pela indústria de extração mineral e pela regulamentação da situação da produção agrícola no Nordeste, como caminho para o desenvolvimento. Em seu longo discurso sobre o primeiro ano de governo provisório, o presidente dizia:
Nenhum outro dos problemas que dizem respeito ao desenvolvimento econômico do país sobreleva em importância ao da exploração das nossas jazidas minerais. Por isso mesmo, consiste nosso maior interesse resolvê-lo, principalmente no que toca à siderurgia, cuja criação em grande escala é obra de patriotismo incentivar sem tardança. Ao lado das medidas que o exame dos importantes assuntos focalizados exige, muitas outras se nos impõem como natural decorrência do plano de reconstrução delineado. Algumas, de ordem administrativa, como a regulamentação dos poderes atribuidos às inerventorias federais e municipais; outras, de ordem econômica, como o combate ao regime dos latifúndios, entrave permanente à prosperidade agrícola de certas regiões, e às sêcas do Nordeste,
116 Depois de Rui, cacau e petróleo a Bahia também dá gasolina. Revista Manchete. 07 de fevereiro de 1953, p. 7-9. Reportagem de Pedro/Gomes e Fotos de Darwin Brandão.
ocasionadoras de constantes flagelos e obstáculo ao enriquecimento das zonas atingidas, periàdieamente sujeitas às alternativas da miséria e da fartura. (VARGAS, 2007, p.136)
Segundo Regina Meyrer, a redução quase contínua das exportações brasileiras nos primeiros anos da década de cinquenta, portanto, para realizar o projeto de incremento da produção industrial, o governo integrar Estado criara uma infra-estrutura e os organismos responsáveis por administrar, financiar e orientar , o planejar, fazendo a projeção futura das necessidades de investimento público (em energia, petróleo, carvão, siderurgia, transportes, comunicações) para o desenvolvimento da indústria pesada. A classificação das indústrias de base e o elenco de incentivos que a CDI (Conselho de Desenvolvimento Industrial) havia elaborado no início dos anos 50, seriam fundamentais para os trabalhos do BNDE, do CDE (Conselho de Desenvolvimento Econômico), e dos grupos executivos no governo seguinte. (MEYRER, 2007, 79).
Voltando a observar o lugar das notícias sobre o desenvolvimento da indústria na região Nordeste, sairemos um pouco das fronteiras da região Nordeste, mas continuando em seu entorno, encontraremos em 1945 uma grande reportagem dava destaque à extração de mica na região da Serra de Santa Maria do Suaçuí (Norte de Minas Gerais) a pouco mais de 400 quilômetros de Teixeira de Freitas (Bahia).
As duas estrelas da Cruzeiro, Davi Nasser e Jean Manzon, também retrataram a força e as mazelas do extrativismo mineral. “No Eldorado da Mica”, (figura 68) as lentes de Manzon dão ao tema grandiosidade e dramaticidade. Em seu estilo, de fotografias encenadas, que buscavam reconstruir ações e sensações do cotidiano dos fotografados, Manzon transforma o trabalho de extração de mica, dos operários da Serra de Santa Maria do Suaçui, sertão de Minas Gerais, em uma aventura epopeica. Com destaque para o incomum, a matéria inicia com uma fotografia inusitada, do responsável pelo pagamento dos operários, que fazia sua contabilidade sobre uma mesa literalmente forrada por notas de cruzeiro, seguras por um revólver; sobre o ombro direito do homem, um atento papagaio, que não seria somente um mascote: “Se alguém bota a mão, mesmo de leve, o papagaio dá o alarme.”
A fotografia da sala onde o guarda estaria tirando um cochilo – repleta de revólveres pendurados pela parede – juntamente com a página dos homens carregando um fardo com dinamite, criam o cenário de perigo, que contrasta com as fotografias de cenas domésticas, (figura 69) dos alojamentos dos engenheiros americanos.
Figura 68. No El-Dorado da Mica.
Fonte: Revista O Cruzeiro, 18 de agosto de 1945, p. 09 e 11Acervo CEDIC PUC. Figura 69. Cenas domésticas e Transporte da mica.
Figura 70. Os operários: homens e mulheres.
Fonte: Revista O Cruzeiro, 18 de agosto de 1945, p. 12 e 16. Acervo CEDIC PUC. Figura 71. No interior da mina. Operário ferido.
O trabalho desses engenheiros e operários seria descrito a partir do registro fotográfico dos caminhões transportadores, mas também dos rostos dos operários, homens e mulheres (figura 70). O tom dramático, ficaria a cargo das imagens do interior da mina escura, (figura 71) foto que, como a icônica fotografia de Ferrez, no interior de uma mina de ouro, em 1888, encanta pelo trabalho com a luz, e pela capacidade de comunicar ao leitor sobre o exotismo do ambiente que envolve a mineração; e também pela fotografia do rapaz que ficara cego, num acidente na mineradora, a fotografia, é acompanhada pelo boxe, com o texto de Nasser, que destaca e define como heroico o esforço do operário ferido: “Este operário ficou cego, numa explosão. Êle é um ferido de guerra, com os mesmos direitos e a mesma honra dos que tombaram no campo de batalha. E não será, porventura, uma batalha esta que se fere, silenciosamente, no ventre da terra, na extração de minério? (Revista O Cruzeiro, 18 de agosto de 1945, p. 15)
Embora o governo Vargas movesse forças rumo à industrialização, investindo no potencial para o extrativismo mineral no interior do Brasil, continuávamos a ser um país fundamentalmente agrícola, e a investir em agricultura, pois da agricultura vinham nossas divisas, e da agricultura dependia o abastecimento do mercado interno.117 Em discurso oficial, em 1940, sobre os esforços do governo para alcançar o equilíbrio entre o desenvolvimento industrial e agrícola, lemos:
[...] e muito resta realizar para que a vossa capacidade empreendedora atinja o seu máximo desenvolvimento, aproveitando a fertilidade do solo e as riquezas desta terra privilegiada. [...] O equilíbrio da vossa economia permite maior expansão nas atividades agrárias, industriais e extrativas. O Governo Nacional, estimando essa contribuição no seu justo valor, não deixará de fazer o quanto estiver ao seu alcance, para incrementar tão promissor surto de progresso. (VARGAS, 2007, p.189).
A imprensa publicava imagens dos símbolos do sucesso da agricultura brasileira, e aí, mais uma vez, o Nordeste merecia destaque, tanto para as reportagens quanto para os anunciantes. A chamada “Uma usina de Pernambuco planta 6.000 alqueires de cana, produz 13.800.000 quilos de açúcar por safra!” trazia informações sobre o crescente mercado interno do açúcar, sendo uma matéria promocional dos produtos da Ford.
117 Sobre a questão de modernização da agricultura em função do mercado externo, em Seca e poder, Celso Furtado afirma que: “No mundo inteiro, a agricultura não é regulada pelo mercado. O que é regulado pelo mercado são os excedentes agrícolas. Toda agricultura importante é mais ou menos subsidiada ou tem preços administrados.” Citando ainda os casos do Japão, França e Estados Unidos para exemplificar os casos dos investimentos do Estado na agricultura para o desenvolvimento da produção para o abastecimento interno. TAVARES, Maria da Conceição (org)
Figura 72. Ford. Açúcar.
Os brasileiros estão consumindo cada vez mais açúcar. O consumo médio em 1939 era de 16 Kg por pessoa e passou para quase 28 quilos em 1952! Nossa indústria açucareira produz 2.000.000 de toneladas por ano e moderniza-se rapidamente. A grande Usina Salgado, por exemplo, a 54 Km de Recife, conta hoje com uma frota de 9 tratores Ford e Fordson Major, equipados com implementos para o trato de seus extensos canaviais. Centenas de usinas em todo o país utilizam agora equipamentos modernos de tôda sorte, quer no plantio da cana, quer na extração do açúcar. (Revista Manchete, 19 de março de 1955, s/n)
Fonte: Revista Manchete, 19 de março de 1955, s/n. Acervo Biblioteca Florestan Fernandes.
Figura 73. Cacau
A novidade não era o uso da imagem na propaganda, prática bastante antiga, mas sim, o uso da linguagem jornalística para dar credibilidade às informações sobre o produto118. (Figura 72).
O cacau da Bahia é destaque na figura 73, as fotografias de Gervásio Batista, para a Manchete, mostra na primeira página cinco fotografias, a maior, com a imagem do cacau e as quatro seguintes, representando o trabalhador da cultura do cacau. Embora de dimensões modestas, as imagens mostram o rosto marcado dos trabalhadores: a fotografia em close up de um senhor idoso, vai acompanhada da legenda “João maduro, trabalhador característico de antigamente” e a fotografia logo abaixo, em contra plongée, em plano fechado, mostra um homem que carrega um grande cesto, trata-se de um migrante regional: “Este é um homem que emigrou; a centenas destes, principalmente, deve-se a cultura do cacau na Bahia”. O texto de Salvador Monteiro, acompanha o teor de comparação – passado e presente - e denúncia em relação ao trabalho pesado, que os semblantes tristes e cansados que as fotografias de Gervásio Batista indicam: “O cacau existia fora do comércio, livre de especulações, íntegro e velado pela mata que se desdobrava sem fim[...] Hoje o cacau tem prêço, vale ouro.” (Revista Manchete. 03 de abril de 1954).