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4 Diskusjon

4.2 Forskjeller mellom pasienter i kirurgisk og konservativ fedmebehandling

a) uso do plural majestático “ noi”

O uso de pronome de 1ª pessoa do plural “noi”, com a intenção de inserir a todos os italianos, a massa do povo da Itália, é uma constante em todos os discursos de Benito MUSSOLINI.

Este uso é uma característica dos discursos propriamente políticos, como nos diz CHARAUDEAU (2006:80):

O político deve, portanto, construir para si uma dupla identidade discursiva; uma que corresponda ao conceito político, enquanto lugar de constituição de um pensamento sobre a vida dos homens em sociedade; outra que corresponda à prática política, lugar das estratégias da gestão do poder: o primeiro constitui o que anteriormente chamamos de posicionamento ideológico do sujeito do discurso; a segunda constrói a posição do sujeito no processo comunicativo. Nessas condições, compreende-se que o que caracteriza essa identidade discursiva seja um Eu-nós, uma identidade do singular-coletivo. O político, em sua singularidade, fala para todos como portador de valores transcendentais: ele é a voz de todos na sua voz, ao mesmo tempo em que se dirige a todos como se fosse apenas o porta-voz de um Terceiro, enunciador de um ideal social. Ele estabelece uma espécie de pacto de aliança entre estes três tipos de voz – a voz do Terceiro, a voz do Eu, a voz do Tu-todos – que terminam por se fundir em um corpo social abstrato, freqüentemente expresso por um Nós que desempenha o papel de guia (“Nós não podemos aceitar que sejam ultrajados os direito legítimos do indivíduo”).

Para demonstrarmos este uso por MUSSOLINI, citamos no discurso “Torna, Torna Garibaldi”:

Noi abbiamo qui sul tavolo una grande busta che contiene le adesioni mandate a noi all’indomani del nostro appello per la creazione di un’armata di volontari. Sono documenti del più vivo interesse psicologico.

b) parágrafos longos que levam a digressões

Em todos os discursos de Benito MUSSOLINI constata-se uma estilística textual caracterizada por parágrafos muito longos que acabam por atender ao recurso retórico da digressão, ou seja, parte do discurso que visa distrair o auditório com a finalidade de causar sua piedade ou indignação.

c) uso do italiano padrão

Atendendo ao espírito do trato linguístico fascista, caracterizado como totalitário, xenófobo e principal elemento de afirmação nacional, MUSSOLINI em todos os seus discursos usa a língua italiana padrão, o que contrasta com o grau de instrução da maioria da população.

d) circularidade dos discursos

Constatamos que todos os discursos de Benito MUSSOLINI apresentam uma circularidade, ou melhor, uma organização circular que se traduz nos seguintes passos: 1º passo- exaltação do Fascismo, dele próprio ou de uma personalidade do regime; 2º passo- exaltação e descrição de valores como raça, sangue, juventude, coragem, disciplina, consciência moral etc, como características do Povo italiano; e retorno ao 1º passo – exaltação do Fascismo, dele próprio ou de uma personalidade do regime.

e) dualidade por oposições

Pela análise de nosso corpora, constatamos que MUSSOLINI usa como uma estratégia retórica articular os valores que pretende transmitir ao auditório através de dualidades por oposições.

As dualidades recorrentes são as seguintes: coragem vs. covardia, como nos discursos “Bologna” e “Torna, Torna Garibaldi”; italianos vs. estrangeiros, como nos discursos “Torna, Torna Garibaldi” e “Fascismo e Popolo”; mecanização vs. humanismo, como nos discursos “Ancona” e “Fascismo e Popolo”; corpo (físico) vs. espírito (metafísico), como nos discursos “Bologna” e “Fascismo e Popolo”; Fascismo vs. Socialismo ou Liberalismo, como nos discursos “Bologna” e “Fascismo e Popolo”; passado (ruína) vs. futuro (resgate ou reconstrução), como nos discursos “Fascismo e Popolo” e “Per la grande Roma”; e, morte vs. juventude, como nos discursos “Vincolo di sangue” e “Torna, Torna Garibaldi”.

f) o corpo político

Antes de fazermos a análise do corpo político fascista, faz-se necessário tecer algumas considerações preliminares acerca do que é o corpo, imagem corporal e linguagem corporal.

O corpo é um sistema biofísico instrumentalizado de uma animalidade racional, em que são representados todos os nossos arquétipos e potenciais por experiências concretas.

A imagem corporal significa todas as sensações e imagens mentais que este corpo representa de si mesmo. Para a psicanálise de leitura lacaniana, em seu primeiro momento, quando define a categoria de imaginário através do estádio do espelho, o corpo está ligado à representação significante do sujeito, no período de seis a dezoito meses da criança.

Basta aí compreender o estádio do espelho como uma identificação no sentido pleno que a análise dá a esse termo: a saber, a transformação produzida no sujeito quando este assume uma imagem cuja a predestinação a esse de fase está suficientemente indicado pelo uso, na teoria, do termo antigo imago... É parecer-nos-á desde logo manifestar uma situação exemplar a matriz simbólica onde o eu se precipita em forma primordial, antes que se objetive na dialética da identificação do outro e que a linguagem lhe restitua no universal a sua função de sujeito (Jacques LACAN, 1998:97).

Desta forma, a linguagem corporal pode ser caracterizada como o dinamismo do corpo no espaço ao se auto-interpretar pelas imagens e representações que faz de si mesmo diante do outro.

A segunda representação do corpo para a psicanálise freudiana está na inscrição do sujeito pela interiorização simbólica, dando um lugar ao corpo na construção social do princípio de realidade, lugar do sujeito na cultura, que se desloca enquanto ideal de eu mediado por um superego.

O corpo político fascista se constrói pelo seu autorreconhecimento, ao se comparar com outro corpo (socialismo, por exemplo no discurso de “Bologna”; ou liberalismo, por exemplo no discurso “Fascismo e Popolo”). Constata-se neste ponto a tentativa de ocupação do espaço ideológico italiano, repudiando aquele corpo que se identifica como uma ameaça.

Teríamos, então, como imagem do corpo fascista e dos fascistas, um sistema totalitário, no qual o Duce, a ideologia e os italianos formam uma única

massa racial revolucionária, jovem, trabalhadora, corajosa, portadora de todas as dores italianas e orgulhosa das suas capacidades na condução da Itália a grandeza mundial no jogo das nações.

3.2.2. As categorias ético-valorativas ou as escolhas de conteúdo dos