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Desenvolvido por Manuel Duarte Pinheiro, Professor do Departamento de Engenharia Civil e Arquitectura do Instituto Superior Técnico e fundador do IPA - Inovação e Projectos em Ambiente, Lda., o LIDERA, acrónimo de liderar pelo ambiente na procura da sustentabilidade na construção, é um sistema de avaliação e reconhecimento voluntário de construção sustentável e ambiente construído, desenvolvido em Portugal. O sistema resultou de uma conjugação entre uma série de trabalhos científicos sobre a sustentabilidade nos edifícios e ambientes construídos e o IPA. Estes estudos e trabalhos desenvolvidos entre 2000 a 2005, culminaram numa primeira versão V1.02 (disponibilizada em 2005) destinada sobretudo ao edificado e ao respectivo espaço envolvente. Porém, face às aplicações efectuadas, foi desenvolvida uma nova versão 2.0 (disponibilizada desde Março de 2009), que possibilita o alargamento da aplicação do sistema, deixando de ser apenas aplicado ao edificado e passando também a ser aplicado ao ambiente construído. Inclui a procura de edifícios, espaços exteriores quarteirões, bairros e comunidades sustentáveis e abrange uma maior e distinta área de ambientes construídos [46].

3.3.1.1 Estrutura do sistema LIDERA

Segundo o LIDERA, a procura da sustentabilidade é efectuada através de seis vertentes, sendo que cada vertente assume um determinado princípio de sustentabilidade. Por sua vez, estas vertentes compreendem áreas de intervenção analisadas através de parâmetros que possibilitam avaliar e orientar os níveis de sustentabilidade. As seis vertentes subdividem-se em 22 áreas e 43 parâmetros, avaliando o edifício em função do seu desempenho ao nível da sustentabilidade.

Os seis princípios do sistema LIDERA são [46]:

 Principio 1 – Valorizar a dinâmica local e promover uma adequada integração;  Principio 2 – Fomentar a eficiência no uso dos recursos;

69  Principio 3 – Reduzir o impacte das cargas (quer em valor, quer em toxicidade);

 Principio 4 – Assegurar a qualidade do ambiente, focada no conforto ambiental;  Principio 5 – Fomentar as vivências sócio-económicas sustentáveis;

 Principio 6 – Assegurar a melhor utilização sustentável dos ambientes construídos, através da gestão ambiental e da inovação.

As áreas de avaliação do sistema são:

 Integração local, no que diz respeito ao Solo, aos Ecossistemas naturais e à Paisagem e Património;

 Recursos, abrangendo a Energia, Água, os Materiais e a Produção Alimentar;

 Cargas ambientais, envolvendo os Efluentes, as Emissões Atmosféricas, os Resíduos, o Ruído Exterior e a Poluição Ilumino-térmica;

 Conforto Ambiental, nas áreas da Qualidade do Ar, do Conforto Térmico e da Iluminação e Acústica;

 Vivência socioeconómica, que integra o Acesso para todos, a Diversidade Económica, as Amenidades e a Interacção Social, a Participação e Controlo e os Custos no ciclo de vida;  Uso sustentável, que integra a Gestão Ambiental e a Inovação.

Em cada critério são definidos níveis de desempenho correspondentes, de forma a indicar o nível de sustentabilidade da solução aplicada. Estes critérios apresentam igual importância dentro de cada área e para se obter o valor da classificação final, as vinte e duas áreas são ponderadas. Estas ponderações são previamente estipuladas de acordo com o seu grau de importância. Neste sistema, as áreas que assumem maior relevância são as áreas da energia, água e solo. No final desta análise, o grau de sustentabilidade por área é mensurável em classes de bom desempenho crescentes: desde a prática E, que caracteriza a prática da construção corrente em Portugal, a classe C (superior a 25% à prática, B (37,5%) e A (50% ou factor 2). Para além da melhor classe de desempenho (A), existem a classe A+, associada a um factor de melhoria de 4, e as classes A++ e A+++, associadas a um factor de melhoria de 10 e de uma situação regenerativa, respectivamente. Os vários níveis de desempenho são apresentados na Figura 3.8 [46].

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Figura 3.8 – Níveis de desempenho global do sistema LIDERA [46]

3.3.1.2 Áreas de Avaliação da sustentabilidade na construção do sistema LIDERA

As áreas de avaliação da sustentabilidade na construção do sistema LIDERA são associadas segundo as vertentes Integração Local, Recursos, Cargas Ambientais, Conforto Ambiental, Vivência Socioeconómica e Uso sustentável (Quadro 3.23).

Comparando este sistema com os anteriores, este é o que apresenta um maior número de áreas de avaliação da sustentabilidade na construção.

Quadro 3.23 – Áreas de Avaliação da sustentabilidade do sistema LIDERA, adaptado de [46]

Vertentes Áreas de Avaliação da

Sustentabilidade na Construção Parâmetros de Avaliação

Integração local

Solo Valorização territorial; Optimização ambiental da implantação Ecossistemas Naturais Valorização ecológica do local; Interligação de habitats Paisagem e Património Integração Paisagística do Local; Protecção e Valorização do

Património

Recursos

Energia Certificação Energética; Desempenho Passivo; Intensidade em carbono (eficiência dos equipamentos) Água Consumo de água potável; Gestão das águas locais

Materiais Durabilidade; Materiais locais; Materiais de baixo impacte Produção Alimentar Produção local de alimentos

Cargas Ambientais

Efluentes Tipo de tratamento das águas residuais; Caudal de reutilização de águas usadas

Emissões Atmosféricas Medidas para a redução de emissões poluentes (SO2, NOx) por parte dos equipamentos; Partículas e/ou Sub.acidificantes Resíduos Produção de resíduos; Gestão de resíduos perigosos; Valorização

de resíduos

Ruído Exterior Fontes de ruído para o exterior

Poluição Ilumino-térmica Efeitos térmicos (ilhas de calor) e luminosos Conforto

Ambiental

Qualidade do Ar Níveis de qualidade do ar Conforto Térmico Conforto térmico

Iluminação e Acústica Níveis de iluminação; Níveis sonoros Vivência Socio-

económica

Acesso para Todos Acesso a transportes públicos; Mobilidade de baixo impacte; Acesso para todos - Soluções inclusivas

Diversidade Económica Flexibilidade/Adaptabilidade de usos; Dinâmica económica local; Trabalho Local

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(continuação do Quadro 3.23)

Vertentes Áreas de Avaliação da

Sustentabilidade na Construção Parâmetros de Avaliação

Vivência Socio- económica

Amenidades e Interacção Social Amenidades locais; Interacção com a comunidade Participação e Controlo Capacidade de controlo; Condições de participação e

governância; Controlo de Riscos Naturais – Segurança (Safety); Custos no ciclo de vida Custos no ciclo de vida

Uso Sustentável Gestão Ambiental

Condições de utilização ambiental; Sistemas de gestão ambiental

Inovação Inovação de práticas, soluções ou integrações

3.3.1.3 Ponderações entre Áreas de Avaliação do sistema LIDERA

Tal como nos sistemas anteriormente estudados, existe uma área para a qual é atribuída uma ponderação mais elevada do que as restantes. No caso do sistema LIDERA, a área à qual atribui maior importância nas suas ponderações é a área de Energia (Quadro 3.24).

Quadro 3.24 – Ponderações entre Áreas de Avaliação do sistema LIDERA, adaptado de [46]

Vertentes Áreas de Avaliação da Sustentabilidade na Construção Ponderações (%)

Integração local Solo 7 Ecossistemas Naturais 5 Paisagem e Património 2 Recursos Energia 17 Água 8 Materiais 5 Produção Alimentar 2 Cargas Ambientais Efluentes 3 Emissões Atmosféricas 2 Resíduos 3 Ruído Exterior 3 Poluição Ilumino-térmica 1 Conforto Ambiental Qualidade do Ar 5 Conforto Térmico 5 Iluminação e Acústica 5 Vivência Socio-económicas

Acesso para Todos 5

Diversidade Económica 2

Amenidades e Interacção Social 4

Participação e Controlo 4

Custos no ciclo de vida 4

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3.3.2 ECO – SISTEMA DE AVALIAÇÃO E CERTIFICAÇÃO DA CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL