Kapittel 4 - Metodologi
4.2 Forskerens bakgrunn og studiens filosofiske antakelser
A abordagem psicológica do empreendedorismo propõe que o desenvolvimento das nações seria ocasionado pelas forças motivacionais e características de personalidade do empreendedor. Nesse sentido, a personalidade do indivíduo seria o fator de impulso para empreender, podendo-se distinguir na sociedade um grupo de indivíduos que possuíam características de personalidade particulares, as quais garantiriam seu sucesso como empreendedor (FEUERSCHÜTTE; ALPERSTEDT, 2008).
Criou-se com isto, o mito do empreendedor nato, que definia a predisposição genética como a responsável pela formação do perfil entendido como de alto potencial de sucesso empreendedor (MORALES; ROSA; MALMANN, 2009). Com a evolução desses estudos constatou-se que essas habilidades podem ser
aprendidas e desenvolvidas, porém características do indivíduo são importantes na construção do empreendedor (MCCLELLAND, 1972).
Dentro dessa perspectiva, podemos diferenciar algumas linhas de pensamento, como a psicanalítica e a comportamentalista. A escola psicanalítica defende que a personalidade é formada na primeira infância, não podendo ser facilmente modificada. Como personalidade entende-se as características estáveis que definem o comportamento do indivíduo (MORALES; ROSA; MALMANN, 2009).
Nessa linha de análise, a teoria psíquica de Carl Gustav Jung de 1921 relaciona alguns tipos psicológicos, baseados na personalidade do sujeito, com o perfil empreendedor. O autor postula que a energia psíquica do indivíduo, denominada atitude, pode ser de Introversão ou Extroversão. O perfil empreendedor está mais relacionado à segunda tipologia, que retrata o interesse no mundo externo, na experimentação, nas pessoas e nos fatos, visto que são mais sociáveis. A primeira é mais voltada ao mundo interior, as ideias, sentimentos, emoções, sensações e à compreensão. Jung aponta que a consciência para a ação se forma gradualmente ao longo da vida (LOPES, 2010; MORALES; ROSA; MALMANN, 2009; AMARAL et al, 2009).
Morales, Rosa e Malmann (2009) relacionam as atitudes empreendedoras cotidianas aos traços psicológicos, corroborando a visão da psicanálise. Argumentam que algumas atitudes dos empreendedores são inerentes a sua personalidade enquanto indivíduos, como a negação de problemas empresariais, projeção de seus defeitos em outras pessoas, foco no trabalho não por disposição, mas como sintoma de comportamento neurótico.
Não somente no caso de mecanismos de defesa, mas relacionam também com outros traços como a necessidade de controle, o sentido de desconfiança, o desejo de aplausos – o qual aparece constantemente na idolatria em símbolos de sucesso. Outra questão é quanto ao embate entre o fundador da empresa e novas ideias do sucessor (MORALES; ROSA; MALMANN, 2009).
Essa visão da predisposição ao empreendedorismo relacionada a personalidade formada prevaleceu até a década de 60, quando então, teóricos comportamentalistas levantaram a hipótese da “plasticidade” da conduta humana, podendo sofrer sim influências externas (MORALES; ROSA; MALMANN, 2009).
Destaque especial da abordagem psicológica se faz à escola comportamentalista e a figura de McClelland, precursor desses estudos. Nesta
perspectiva o fenômeno é visto pela ótica do indivíduo e seu comportamento, como apontam Feuerschütte (2006) e Filion (1999).
David McClelland era um autodidata que buscou compreender o desenvolvimento econômico pela perspectiva do empreendedor e com enfoque nas ciências do comportamento. No entanto, o autor evitou adotar nos seus estudos um posicionamento racionalista, comum entre os economistas. Aponta que estes deixaram lacunas quanto ao entendimento do modo como os homens se comportam frente a criação de empresas. O autor acreditava que se o empreendedor fosse motivado somente pelo lucro, não haveria investimentos em países subdesenvolvidos (MCCLELLAND, 1972).
O autor supracitado concluiu em seus estudos que o desenvolvimento econômico era decorrente do ciclo benéfico do desenvolvimento, no qual a acumulação de capital propiciaria progressos tecnológicos, que levaria a uma produção mais eficiente. Como resultado os lucros dessa maior eficiência propiciariam maior investimentos pelas empresas. Fatores como a acumulação de capital, mudanças populacionais, divisão do trabalho (a especialização proporcionou tempo para inovações) e espírito de iniciativa, fizeram com que a economia se desenvolvesse. Como o ator desse ciclo existia a figura do empreendedor, que move o crescimento das economias (MCCLELLAND, 1972).
Na sua pesquisa McClelland (1972) isolou certos fatores psicológicos dos empreendedores e gestores de grandes organizações, por métodos quantitativos, tomando o cuidado de não generalizar. O autor propôs uma simplificação contemplando os traços mais importantes acerca do comportamento empreendedor. Conclui que essas características são comuns aos empreendedores, tais como iniciativa na busca de oportunidades, capacidade de correr riscos, persistência, comprometimento, objetividade no estabelecimento de metas, capacidade para buscar e valorizar informações, persuasão e rede de contatos, independência e auto confiança, exigência na qualidade e eficácia.
Na visão de McClelland o empreendedor é todo aquele que detém o domínio da produção, mesmo não sendo proprietário da empresa ou dos meios de produção, não fazendo isso somente em benefício próprio, mas buscando atender à necessidade de outros que o cercam (FEUERSCHÜTTE, 2006; FILION, 1999).
Amaral et al (2009) traça um conceito de empreendedorismo mais em consonância com a visão comportamentalista e que também reforça a importância
da abordagem social em cujo fundamento o empreendedor aparece como o indivíduo portador de um conjunto de comportamentos e hábitos que podem ser adquiridos, praticados e reforçados.
Nesse sentido, pode-se destacar a teoria dos traços de personalidade, desenvolvida por Raymond Catell, na qual se acreditava que existiriam tendências de reação que o indivíduo pode apresentar. Essas seriam as unidades estruturais básicas da personalidade, determinadas tanto pela genética como por influências do meio ou fatores situacionais. Visão que trás tanto explicações biológicas, psicológicas e sociológicas para o termo (MORALES; ROSA; MALMANN, 2009).
Além dessas características e aptidões comumente encontradas em empreendedores, a necessidade é também fator preponderante do empreendedorismo. As necessidades são o fundamento da motivação a qual dá impulso ao comportamento. Essas são oriundas de processos internos e estímulos externos ao indivíduo, que criam desequilíbrio que motivaria o sujeito a eliminar essa tensão, pela ação empreendedora (MURRAY, 1973 apud MORALES; ROSA; MALMANN, 2009; MURRAY, 1973 apud MARCARINI, 2003). Como necessidades comuns aos empreendedores podem-se citar: necessidade de realização, poder e afiliação (MCCLELLAND, 1972).
A personalidade de um indivíduo pode auxiliar, encaminhando para a ação empreendedora, ou repeli-lo (MORALES; ROSA; MALMANN, 2009). Embora as características sejam importantes para a atividade do empreendedor, não são condições determinantes, visto que podem ser aprendidas ou desenvolvidas. Exemplo disso é o EMPRETEC, curso de desenvolvimento de empreendedores baseado na visão comportamental. Tal formação foi desenvolvida pela ONU - Organização das Nações Unidas em meio à criação de projetos destinados ao fortalecimento das características empreendedoras. O programa é replicado em todo o mundo e no Brasil foi introduzido pelo SEBRAE na década de 80 (SEBRAE, 2004 apud BARTEL, 2010).
Diante do contexto apresentado, pode-se concluir que dentro desta perspectiva o empreendedor é um ser inquieto, que tem sua atividade impulsionada pela necessidade de obter ou conseguir algo, para si ou para outros, como sair da influência da autoridade de outros. O empreendedorismo está ligado a traços de seu comportamento ou características, que possui ou desenvolve ao longo de sua jornada empreendedora.
Por fim, McClelland, 1967 (apud MORALES, ROSA E MALMANN, 2009) aponta que parece não existir relação entre a genética e o empreendedorismo, mas cita o meio como um fator preponderante, embora não explore completamente em seus estudos.
Este campo de estudos foi dominante por 20 anos, até o inicio dos anos 80. Verificou-se, porém, que os empreendedores não se enquadravam em um tipo de perfil psicológico único, embora pesquisas com alto rigor metodológico tentassem validar um conjunto de traços de personalidade. A justificativa a esse apontamento é que o empreendedorismo é além de um fenômeno individual, que depende do perfil do sujeito para acontecer, é influenciado pelas variáveis do ambiente, como a cultura, os costumes e hábitos de uma região. Sendo, portanto, um fenômeno regional (FILION, 1999).
Tendo em vista que os estudos psicológicos entendem que o empreendedor, além de ser movido pelos traços típicos de sua personalidade, influencia e é influenciado pelo ambiente que o cerca. Diante disso, faz-se necessária uma análise mais detalhada sobre esses fatores, cujos estudos constituíram a perspectiva sociológica do empreendedorismo.