bis(trifluormetyl)fenyl)‐analog
6 Konklusjon og videre arbeid
7.4 Prosedyrer for testreaksjoner
7.5.2 Forsøk på å danne hydrofile polymerer
Com a publicação das Investigações Filosóficas acontece o que podemos considerar a
“virada linguística”, momento em que Wittgenstein questiona as suas próprias concepções
desenvolvidas no Tractatus e promove uma “cura” em seu próprio pensamento através de uma terapia filosófica. Ocorre, também, a tentativa de dissolver algumas confusões filosóficas, reelaborando a noção de conceitos precisos (ideal de exatidão platônica) e de concepção referencial da linguagem (agostiniana) e considerando, para tanto, a noção de contexto de uso da linguagem. Essa virada linguística ocorre logo após alguns anos de reclusão intelectual, em que o filósofo distancia-se da filosofia, desfaz-se de seus bens materiais e leciona no ensino secundário em vilarejos pobres.
Nesse “segundo” momento de sua filosofia, Wittgenstein volta-se completamente para
as proposições que se encontram “fora do mundo” e passa a considerar as formas lógicas,
inseridas “dentro do mundo” (no Tractatus), formas de vida - o que é verdadeiro e/ou útil nos
diversos contextos culturais de uso da linguagem. Estas são constituídas por diferentes jogos de linguagem (imprecisão conceitual – práxis da linguagem). São as formas de vida e os jogos de linguagem que imprimem significado à natureza das sentenças linguísticas, tornando a linguagem dinâmica, autônoma aos fatos e dependente da significação do uso em um determinado contexto. Dessa forma, o caráter referencial da linguagem é de natureza arbitrária e convencional em conformidade com e dependente das diferentes formas de vida
76 inseridas nos diversos jogos de linguagem que, por sua vez, carregam propriedades de semelhanças de família (mesma palavra com diferentes, mas semelhantes, significados no uso). Isto é, um conceito varia conforme as variações de uso empregadas, sendo que uma mesma palavra pode inserir-se em diversos contextos de uso expressando conceitos diferentes, embora semelhantes (cf. MORENO, 2000).
Nesse contexto, as proposições contidas “fora do mundo” (certezas, convicções, abstrações) são entendidas como proposições de natureza convencional ancoradas e
alicerçadas nas nossas “formas de vida” (“dentro do mundo”) – da mesma forma como as proposições contidas “dentro do mundo”, enfatiza-se, assim, uma relação fundamentada no uso, e não na lógica, entre linguagem e pensamento ou entre linguagem e mundo. A linguagem passa a ser considerada como ordinária, dando conta sim do pensamento e sendo este posterior à linguagem.
Dessa forma, a linguagem, para Wittgenstein,
[...] passa a ser considerada como um caleidoscópio de situações de uso das palavras em que o contexto pragmático não pode mais ser eliminado. A palavra “linguagem” indica, a partir de então, um conjunto aberto de diferentes atividades envolvendo palavras, uma “família” de situações em que usamos palavras relativamente a circunstâncias extralinguísticas (MORENO,1993, p. 16).
Com isso, Wittgenstein enfatiza (ao contrário do que propôs no Tractatus): é exatamente através de conceitos vagos, determinados pelos diversos e diferentes contextos de uso da linguagem, e não por uma lógica fixa entre linguagem e mundo, que nos comunicamos e pensamos.
2.2.4.2.1. Jogos de linguagem e paradigma
Nas passagens de número 50 e 51 das Investigações Filosóficas, WITTGENSTEIN (1953/1991, p. 32-3) nos revela que o “ser” ou o “não ser” de um elemento, de uma palavra,
de um signo, só é possível devido ao “existir” ou “não existir” das ligações entre os
elementos. Assim, palavras e sentenças só possuem significados como parte reconhecida de um certo jogo de linguagem, ou seja, os elementos se constituem através de papeis
77 estabelecidos pelos jogos de linguagem.
A forma que utilizamos para nos expressar, esse meio de apresentação (e não algo apresentado, pronto) da linguagem é um modelo construído no uso da linguagem que se converte em um instrumento da própria linguagem que nos valemos para enunciarmos as coisas no mundo. E tudo o que pertence à linguagem que utilizamos, em nossos diferentes contextos de uso, é um paradigma no nosso jogo, no nosso modo de apresentação da linguagem; e uma vez estabelecido um paradigma – um contexto significativo para o uso de um elemento – é ele que passa a indicar o uso dos signos nos jogos de linguagem. Isso equivale a dizer que um paradigma é construído na práxis da linguagem, acabando por norteá-la desde então, expressando, dessa forma, as “regras” de um certo jogo de linguagem.
Saber “jogar” e/ou saber compreender uma palavra, segundo WITTGENSTEIN
(op.cit., p. 65), é ser capaz de compreender e/ou dominar uma “técnica”, que se encontra implicitamente clara nos jogos de linguagem. Assim, dominar uma “técnica” é saber usar um determinado conceito de acordo com o paradigma que lhe dá sustentação. Nesse sentido, as confusões de natureza conceitual (que bloqueiam a compreensão) ocorrem quando um conceito que pertence a um certo jogo de linguagem é transferido para outro jogo de linguagem no qual imprime um outro significado – lembrando que cada jogo de linguagem possui o seu próprio paradigma.
2.2.4.2.2. Dogmatismo e terapia filosófica
Aos encaminhamentos propostos nas Investigações Filosóficas está subentendido um exercício filosófico terapêutico e antidogmático, aplicado ao pensamento e às suas formas de expressão através da linguagem. Wittgenstein enfatiza que a "filosofia incide sobre o pensamento expresso linguisticamente", não considerando mais (como o fez no Tractatus) que a "filosofia incide sobre a expressão linguística do pensamento" (MORENO, 2005, p. 245). Essa diferença, que pode parece mínima, expressa toda a diferença da visão filosófica sobre a
linguagem entre o “primeiro” e o “segundo” Wittgenstein.
De acordo com MORENO (2005, p. 236), o que no Tractatus pode ser considerado "um campo transcendental da lógica ou um esboço inconfesso de determinação pragmática" –
78 inserida em uma "concepção de filosófica como atividade67"; nas Investigações Filosóficas pode ser considerado um "campo transcendental da gramática" ou um "esboço confesso da pragmática envolvida nos usos das palavras" – o abrir da “porta” para uma aplicação efetiva da linguagem nos contextos de uso – inserida em uma "concepção de filosofia como terapia".
Toda atividade terapêutica, como sabemos, tem por objetivo principal o tratamento de uma dada doença e, para Wittgenstein (inspirado no uso psicanalítico que Sigmund Freud
fazia do termo), o nosso pensamento estaria possivelmente “adoecido” devido a um ideal de exatidão da linguagem que se “alastrou” desde a influência filosófica de Platão com a noção essencialista de conceitos precisos; tendo até mesmo “infectado” o próprio Wittgenstein em sua “primeira filosofia”. Os principais “sintomas” desse ideal de exatidão manifestam-se na
forma de "confusões filosóficas e/ou confusões de natureza conceitual (e/ou nas concepções unilaterais e exclusivistas da significação" (cf. MORENO, 1993, p. 12); e a “cura”, por meio de uma terapia filosófica (proposta por um Wittgenstein já “curado”), prevê a dissolução dessas confusões. Dessa forma, Wittgenstein tenta mostrar como na verdade os conceitos são essencialmente vagos e não exatos, sendo que aplicá-los só faz sentido no contexto em que eles são usados – é o uso específico que dá vida a um conceito e não o contrário.
Como estamos falando de uma provável “enfermidade” no campo da linguagem, a terapia filosófica deve ser aplicada, como nos esclarece MORENO (1993, p. 13), na descrição gramatical do uso das palavras, desvelando
[...] a multiplicidade de formas linguísticas que são não apenas o meio de expressão do pensamento, mas, principalmente, formas que constituem e instauram os próprios objetos do pensamento: o que é um objeto, afirma Wittgenstein, é dito pela Gramática.
Essa terapia filosófica (atividade terapêutica descritiva dos usos das palavras) pretende eliminar qualquer dogmatismo teórico ao fazer uma crítica ao pensamento ou aos critérios de uso da linguagem para se expressar o pensamento. Assim, temos na terapia filosófica uma "terapia do próprio pensamento expresso linguisticamente", enquanto que na atividade filosófica (no Tractatus) temos uma "crítica de expressões linguísticas do pensamento" – crítica apoiada no modelo referencial da linguagem e não em seus critérios de uso
67 A concepção de atividade filosófica ou de atividade crítica, analítica, da linguagem é uma tentativa de isentar
a filosofia da noção de construção de teorias ou teses (verdadeiras ou falsas), que, para Wittgenstein, é algo inerente à natureza empírica das ciências naturais. Cabendo apenas à filosofia uma atividade prática (e não teórica) de esclarecimentos conceituais. Nessa divisão entre filosofia e ciências naturais Wittgenstein acrescenta a “lógica” como uma disciplina que não produz nem teoria nem prática, produzindo apenas uma figuração especular do mundo (cf. MORENO, 2005, p. 231).
79 (MORENO, 2005, p. 245).
Toda teoria, segundo Wittgenstein, conduz ao dogmatismo do pensamento, provocando generalizações e enclausuramento, o papel da filosofia seria o de tentar desfazer, terapeuticamente, os vários dogmatismos nas diferentes concepções de conhecimento. Esse
“exercício” terapêutico pretende partir da natureza essencialmente vaga dos conceitos,
mostrando os vários sentidos dos jogos de linguagem, formas de vida e das semelhanças de família – que lhes imprimem diferentes significados –, chegando às diversas aplicações que se fazem dos conceitos nos diversos contextos de uso. É este o mesmo caminho percorrido pelo método socrático que, no entanto, atinge propósitos completamente diversos, ou seja, com o método socrático pretendia-se chegar ao verdadeiro conhecimento, a uma suposição irrefutável, a uma essência conceitual (inatingível na verdade).
Para MORENO (2005, p. 245), grande estudioso brasileiro do conjunto das obras produzidas por Wittgenstein, a atividade terapêutica, proposta pelo filósofo alemão, pode conduzir-nos a uma pragmática filosófica, tendo em vista o seu caráter de prática terapêutica conceitual – não dogmática por não se fundamentar em uma teoria. Ainda segundo o filósofo brasileiro, a natureza da terapia filosófica não se constitui como dogmática (o que poderia concretizar-se em uma contradição entre o que o “segundo” Wittgenstein diz e faz) pelo seu enfoque na descrição dos usos das palavras. Ela pretende, apenas, "debelar confusões conceituais que têm origem na teorização dogmática realizada pelo pensamento" – uma vez que a natureza do pensamento é linguística e não lógica. Assim, o objetivo da aplicação da terapia é “curar” o pensamento de uma “doença” linguística cujo “tratamento” é igualmente linguístico.